segunda-feira, 6 de março de 2017

Estreia do Espetáculo "Do Ensaio para o Baile", dia 17 de Março às 20h00, no SESC Santo André

Foram meses de pesquisa, dias e dias de ensaios. Uma entrega delicada feita por cada um dos integrantes desse projeto. Fomos lá na década de 90 para falar do Agora. Tentamos colocar em relevo o desapercebido processo de precarização da nossa educação. E olha... antes de ser lindo... foi tenso! E esperamos dar nossa contribuição para o tema da EDUCAÇÃO!

O espetáculo "Do Ensaio para o Baile" retrata uma instituição educacional na década de 1990, com o intuito de impulsionar uma discussão sobre as transformações no sistema educacional do Brasil até os tempos de hoje, como a inserção do sistema de cotas raciais e da criação das Escolas Técnicas. As trajetórias dos personagens se desenvolvem em pequenas fábulas cotidianas que sempre desembocam na importância que os indivíduos dão para o evento social do baile de formatura da escola. Através de cenas fragmentadas que anunciam a espera pelo último momento de relação desses jovens com a instituição escola, anseios relacionados à juventude são colocados em relevo alcançando suas maiores potências poéticas em seis números musicais.
Força aos Torneados que construíram esse projeto! 

Força ao SESC que nos recebeu para a execução desse projeto! Força aos Secundaristas por resistirem com sabedoria e nos inspirarem!

Força para cada educador que ainda acredita em alguma possibilidade de transitoriedade!

Força ao nosso querido público que delicadamente nos incentiva a continuar!

Força ao nosso amado e sempre Misterioso Teatro!

Aqui começa uma história que promete reminiscências... 

A estreia vai ser babado! Os corações estão disparados! E os ingressos já estão à venda no site do SESC! Garanta seu ingresso para a estreia do dia 17 de março às 20h. Os ingressos podem ser adquiridos neste link 

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terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Escola Atemporal de Artes abre processo de inscrição!

     Desde 2005, o Pequeno Teatro de Torneado vem transitando por diversos lugares da Grande São Paulo e instalando bases temporárias pedagógicas de formação de artistas. Essas experiências resultaram numa pedagogia própria que, aos poucos, foi constituindo o projeto pedagógico da Escola Atemporal de Artes, uma escola de formação de artistas com princípios democráticos e gratuitos de acesso e permanência, onde uma vez por ano as(os) próprias(os) aprendizes, em parceria com as(os) orientadoras(es), reconstroem o projeto pedagógico e o Estatuto da Escola. O primeiro Estatuto foi construído com 50 alunos participantes dos projetos pedagógicos dos últimos dois anos e em breve estará disponível na plataforma virtual do coletivo. A Escola seguirá com a tradição itinerante dos processos pedagógicos do Pequeno Teatro de Torneado, sem tempo e espaço fixo para a realização de seus processos. Em parceria com o Sítio Cultural Alsácia, situado em Ribeirão Pires, serão realizadas imersões buscando o intercambio artístico de todos os processos espalhados pela Grande São Paulo e aulas teóricas.
     As especificidades da Escola Atemporal de Artes estão principalmente na singularidade da formação da(o) aprendiz que traçará, à sua maneira e possibilidade social, as experiências pedagógicas disponíveis pela Escola. A(O) aprendiz terá uma carga horária determinada para cumprir dentro de um período variável de acordo com seu projeto de vida. A Escola oferecerá amplos e diversificados apoios: pedagógico, com o pedagogo e arte-educador William Costa Lima, psicológico, com a psicóloga Flávia Pennachin e terapêutico, com a arteterapeuta Maíra Sera, o farmacêutico Marc Strasser e a massoterapeuta Thaís Moura.

     O processo seletivo acontecerá através de uma carta de interesse via e-mail onde a(o) aprendiz demonstrará uma primeira motivação em participar de um processo pedagógico de iniciação ao teatro com duração de um semestre. Após essa primeira experiência, ela(ele) poderá dar abertura em seu “Diário de Bordo”, onde será relatado pela(o) própria(o) aprendiz, orientadoras(es) e outras(os) aprendizes parceira(os) de processos, a trajetória técnica, ética e pedagógica que a(o) aprendiz traçou em cada experiência. Após o mínimo de 4 anos de trajetória e uma determinada carga horária preenchida, a(o) aprendiz irá obter um certificado de conclusão, sendo que 20% dessa carga horária poderá ser realizada dentro de experiências fora da Escola, mas acompanhadas pela coordenação pedagógica. Para um futuro próximo, a Escola planeja a aprovação de suas diretrizes e o reconhecimento pelo MEC (Ministério da Educação).
     As inscrições serão abertas a partir do dia 23 de janeiro. Através do envio de um email para: escolaatemporaldeartes@gmail.com, a(o) interessada(o) deverá colocar seus dados (nome, telefone, email, idade) e dizer em cinco linhas suas motivações para realizar a oficina. 
     Para esse primeiro momento da Escola Atemporal de Artes a(o) aprendiz deverá manifestar  interesse levando em consideração duas opções: FUNARTE-SP (Próximo ao metro Santa Cecília, de fevereiro a junho de 2017, sempre aos sábados das 10h às 14h) ou Sítio Cultural Alsácia (Vila Suissa -Ribeirão Pires, de fevereiro a dezembro de 2017, terças e quintas das 14h às 18h ou 19h às 22h). 

Sejam vindas (os) e sintam-se convidadas(os) a colaborarem nesse primeiro e importante processo de construção de nossa Escola Atemporal de Artes.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

“Palpitação” cumpre temporada gratuita na FUNARTE

          No dia 14 de dezembro o Coletivo O Pequeno Teatro de Torneado inicia uma curta temporada de seu mais recente espetáculo "Palpitação" no Complexo Cultural Funarte. O espetáculo segue em curta temporada, com entrada franca, até o dia 23 de dezembro, de quarta a sexta às 20h.
            O coletivo, indicado ao Prêmio Shell de 2015 na categoria Inovação, e que ficou reconhecido por montagens com elencos numerosos, como o de "Peter em Fúria" (recém-contemplado pelo PROAC Circulação), dessa vez investe em uma dupla de atores: Pitty Santana (estreando no coletivo) e o dramaturgo e diretor William Costa Lima. Os dois atores estão em cena em um instigante jogo, amparados pelo olhar e pelo treinamento em Teatro-Dança trazido pela pesquisadora Erika Moura. A iluminação é assinada por André Prado e propõe um sensível jogo de olhares para territórios como o centro, a periferia e a ideia contemporânea de margem.

            O oitavo espetáculo do coletivo conta, através de décadas de uma relação entre uma prostituta e um marinheiro, a transformação de um vilarejo em uma cidade. O abandono da pesca pela industrialização do vilarejo em uma cidade de processamento de arroz traz um questionamento sobre a expansão dos territórios e a influência dos processos de modernização diante da natureza e suas influências nos lugares intuitivos e afetivos do homem contemporâneo.


Novos caminhos para um jovem coletivo

          Nos últimos anos, após intensas buscas estéticas que exigem grandes cenografias e montagens repletas de grandes elencos, o coletivo se viu na necessidade de pesquisar o essencial para se contar uma história. Para tal mergulho, a narrativa se faz presente como estética predominante e se amparou na primeira experiência de se montar uma dramaturgia autoral de William Costa Lima, deixando que as influências do processo colaborativo reverberassem na encenação e na experiência dos atores. Em "Palpitação", as imagens narradas são colocadas numa espécie de confronto afetivo com os lugares sociais que damos a elas. O dramaturgo teve livre inspiração na obra "As Cidades" Invisíveis de Italo Calvino e nos conceitos de Zygmunt Bauman sobre as ideias de modernidade líquida.



          Para esse novo espetáculo, o Pequeno Teatro de Torneado pesquisa caminhos para uma encenação simples, sem grandes aparatos técnicos, livre de artificialidades, deixando o corpo do ator e suas possibilidades como sendo o verdadeiro espetáculo. Para isso, todos os elementos são revertidos para uma experiência de sinergia entre atores e plateia e é nesse lugar que entra a experiência do Teatro-Dança de Erika Moura, alongando a percepção dos artistas da cena e evocando a necessidade da partilha acontecer num lugar de intimidade, onde o artista possa abrir mão da representação, dirigindo o seu discurso diretamente ao imaginário do espectador, levando-o a participar da trajetória proposta pela narrativa e se reconhecer nela. 

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Novo Espetáculo "Palpitação" em Cartaz

O oitavo espetáculo do coletivo conta, através de décadas de uma relação entre uma prostituta e um marinheiro, a transformação de um vilarejo em uma cidade. O abandono da pesca pela industrialização do vilarejo em uma cidade de processamento de arroz traz um questionamento sobre a expansão dos territórios e a influência dos processos de modernização diante da natureza e suas influências nos lugares intuitivos e afetivos do homem contemporâneo.

Toda terça e quarta às 21h até 19 de Outubro
Local: Espaço Parlapatões (Praça Franklin Roosevelt,158-SP)
Entrada R$40(i) R$20(m) 
Classificação Indicativa 12 anos
 
 
 

 








Fotos por Thais Moura

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Verão de 2005.




Era pra ser só uma aula de teatro, mas não foi. A história que lhe conto nem começou e já passa a ser acidental. Uma tarde ensolarada, uma sala de aula de um colégio privado e aproximadamente 20 crianças e adolescentes. As carteiras escolares exprimidas no canto da sala pareciam equilibrar mochilas e tênis coloridos. A história que lhe conto passa a ser sobre a busca por equilíbrio. Um jovem professor questiona algo sobre a nossa capacidade de roda. Todos silenciam. Minutos depois a primeira explicação sobre o teatro que faremos ali: aquele que reflete o humano. Anunciado o conjunto de dores e encantos, o convite para uma incrível saga é lançado. Todos dizem sim. Essa história passa a ser contada por aqueles que dizem sim. Meses depois uma fábula teatral construída coletivamente pelas mãos de crianças e adolescentes anuncia a morte de uma mãe tragada pela lama de uma enchente. A criança grita: não! Essa história passa a falar sobre o como a morte nos ensina a viver. Mais algumas histórias de sobrevida são contadas enquanto alguns alunos de escolas públicas adentram aquele espaço privado e causam as primeiras estranhezas. Essa história também passa a ser contada por negros e pobres. Sem um grande anúncio e no meio de uma Primavera o tal do “Projeto Meu Olho  Meu Mundo de Pesquisa Cênica Para Crianças e Adolescentes” é convidado a se retirar da instituição. Essa história passa a falar sobre a nossa capacidade de transformar. Meses e meses falando sobre liberdade, enquanto destrinchávamos Frank Wedekind em um parque público do Jabaquara. Diariamente um desabafo sobre a vida escolar daqueles adolescentes, sempre consolado com a frase pronta: “Calma. Vai passar”. Essa história passar a falar sobre ritos de passagem. E passássemos a nos chamar: O Coletivo Pequeno Teatro de Torneado? E foi no auditório de um pequeno partido político, mais uma vez no bairro da Saúde, que mais uma vez todos disseram: sim! Lemos Breton, falamos sobre capitalismo, cotas, ouvimos Gal e falamos sobre o como nossos avós eram divertidos. Essa história passa a falar sobre saudade. E depois de sentir saudade tudo parece disparar descontroladamente como na canção de Roberto Carlos. Uma viagem para um Festival de Curitiba, um texto de uma inglesa, um teatro que também era lavanderia, ocupações em diversas escolas públicas das periferias de São Paulo, festivais distantes que nos faziam pagar excesso de bagagem, imersões em um sítio logo alí. Experiências que trouxeram gente, muita gente mesmo. Fazendo e vendo o que era pra ser só uma aula de teatro.

Texto por William Costa Lima 
 

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

A celebração através de uma Mostra de Repertório!


Realizar uma Mostra de Repertório foi a maneira que encontramos de dividir com vocês a singularidade desse momento único pelo qual o nosso coletivo está passando. São anos e anos caminhando sob uma perspectiva artística/social e, aos poucos, essa perspectiva está se transformando e gerando novas potencias.

Depois de 10 anos da pesquisa intitulada “A Dramaturgia dos Moleques”, caminhamos rumo à solidificação de um Núcleo Permanente de Formação de Artistas. E aos artistas já integrantes do coletivo e protagonistas dessa história, fica a missão do projeto “Colapsos Institucionais” (em breve maiores informações).

Diante de tantas rupturas e desafios para o futuro, nada mais justo do que celebrar uma trajetória de histórias e experiências com a Mostra “A Dramaturgia dos Moleques”.

Participem de todas as atividades da Mostra e façam parte desse doce momento do coletivo “O Pequeno Teatro de Torneado”.

Segue a nossa programação completa:


Peter em Fúria – 13 e 14 de fevereiro – Sábado e domingo às 16h
A partir de 10 anos

Menina de Louça - 17 e 24 de fevereiro – Quartas às 21h
A partir de 10 anos

O Girador – 18 e 19 de fevereiro – Quinta e sexta-feira às 21h
A partir de 10 anos
 
Celofane – 20 e 21 de fevereiro – Sábado e domingo às 16h
A partir de 6 anos
 
Dias de Campo Belo – 25 e 26 de fevereiro – Quinta e sexta-feira às 21h
A partir de 12 anos
 
Primavera – 27 e 28 de fevereiro às 16h
A partir de 12 anos
 
Mesas Reflexivas – 15 e 22 de fevereiro às 19h

Exposição fotográfica permanente: “Os Lugares são as pessoas”.

Entrada R$10


Maiores informações:
Local: Alameda Nothman, 1058 - Campos Elíseos, São Paulo
Sala Carlos Miranda - 80 lugares
(11) 3662-5177
 

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Sobre circular com o espetáculo "Peter em Fúria" pelas periferias da cidade de São Paulo. 

Existe uma trajetória de deslocamento na formação de nosso histórico. Somos inquietos e não paramos de nos mover de um lado para o outro. Quanto a essa cidade, para cada canto temos alguma história pra contar. Essas histórias refletem as pessoas que nos formam e nos desformam. E nada nasce de um conjunto preciso de intenções. Tudo calmamente sendo torneado pela força do senhor tempo. Mas tem um lugar que a gente força a barra. O lugar da invasão do outro. O atrevimento de arrastar carteiras em escolas públicas e privadas, cantar nossas musicas pelos parques e praças, tornar o quintal de um sobrado particular público. Porque, no fundo, o que nos importa é a parte de tornar público. Através de nossas histórias refletir o humano colocando em relevo aquilo que passou desapercebido. É para isso que circulamos 10 anos pelas periferias de nossa cidade e agora, graças a contemplação de um grande prêmio como o Zé Renato, faremos a mesma coisa: circularemos mais lugares e seremos circulados por mais pessoas. Com quem e onde vamos parar?
Segue a nossa agenda com os locais e datas de apresentações do espetáculo "Peter em Fúria" dentro do projeto "Periferias Cênicas" contemplado pelo Prêmio Zé Renato de Teatro. 
Outubro de 2015
CEU Casa Blanca – Dias 3 e 4 de outubro, sábado e domingo, às 17 horas. Endereço – Rua João Damasceno, 85 – Jardim São Luís. Telefone para informações – (11) 5519-5206 / 5519-5214. Capacidade – 400 lugares.
CEU Caminho do Mar – Dias 10 e 11 de outubro, sábado e domingo, às 16 horas. Endereço – Avenida Engenheiro Armando de Arruda Pereira, 5241 – Vila do Encontro. Telefone para informações – (11) 3396-5550 / 3984-2466. Capacidade – 400 lugares.
CEU Azul da Cor do Mar – Dias 17 e 18 de outubro, sábado e domingo, às 17 horas. Endereço - Avenida Ernesto de Souza Cruz, 2.171 – Cidade AE Carvalho. Telefone para informações – (11) 3397-9000 / 3397-9014. Capacidade – 400 lugares.
Novembro de 2015
Sede do Grupo Alma – Dias 7 e 8 de novembro, sábado e domingo, às 17 horas. Endereço – Rua Cristal da Rocha, s/n – Cohab 2 – Itaquera. Telefone para informações – (11) 2056-0253. Capacidade – 100 lugares.
Sede da Cia de Teatro de Heliópolis – Dias 14 e 15 de novembro, sábado e domingo, às 19 horas. Endereço – Rua Silva Bueno, 1523 - Heliópolis. Telefone para informações – (11) 2060-0318. Capacidade – 100 lugares.
CEU Inácio Monteiro – Dias 21 e 22 de novembro, sábado e domingo, às 16 horas. Endereço – Barão Barroso do Amazonas, S/N – Cohab Inacio Monteiro. Telefone para informações – (11) 2518-9012. Capacidade – 400 lugares.
Dezembro de 2015
Circo Escola São Remo – Dias 11, 12 e 13 de dezembro, sexta, às 19 horas, sábado e domingo, às 17 horas . Endereço – Rua Aquinaés, 13, Butantã. Telefone para informações – (11) 3765-0459. Capacidade – 100 lugares.
Tendal da Lapa – Dias 18, 19 e 20 de dezembro, sexta, sábado e domingo, às 20 horas. Endereço – Rua Constança, 72 – Lapa. Telefone para informações – (11) 3862-1837. Capacidade – 100 lugares.
Janeiro de 2016
Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso – Dias 15, 16, 17, 22, 23 e 24 de janeiro, sextas-feiras, sábados e domingo, às 20 horas. Endereço – Avenida Deputado Emílio Carlos, 3641. Telefone para informações – (11) 3984-2466. Capacidade – 100 lugares.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

SOBRE O TEATRO E DAR SENTIDO AO CHORO

Sempre fui muito chorão. Desde pequeno, tive que inventar diversas formas de disfarçar esse choro. Também, crescendo em uma sociedade onde “homem não chora”, fui conseguir dar significado ao meu choro apenas no primeiro ano do ensino médio, durante uma aula de história. Durante uma atividade sobre a Guerra Fria, tive que analisar uma fotografia da Guerra do Vietnã, que mostrava crianças correndo com suas roupas em trapos após um ataque aéreo em sua cidade. Fui para a frente para explicar e simplesmente não consegui parar de chorar.
            De lá pra cá, fotografias tem sido uma forma de chamar meu pranto. Recentemente, muitas fotografias, dentre elas a de um menino com as mão para o alto, em sinal de rendição, confundindo a máquina fotográfica com um fuzil, e a de outro, afogado em uma praia da Turquia, mexeram muito comigo. E cada vez mais imagens fazem isso, uma vez que eu me permiti sentir e dar sentido junto ao Pequeno Teatro de Torneado. Em um período de individualidades, selfies, hora-extra de trabalho, diminuição da maioridade penal, clamor pela intervenção militar e pequenos radicalismos do dia a dia, nos esquecemos da empatia e do que nos toca mais profundamente. O ser humano está correndo o sério risco de virar uma máquina. E máquinas hoje em dia são obsoletas.

            O Torneado tem me oferecido vários momentos de choro e muito momento de compreensão do choro. Me emociono muito ao final de cada apresentação, estando ou não em cena. Já continuei chorando mesmo durante a desmontagem de cenário. Em estreia de temporada então, preciso ainda me isolar para curtir a sensação. Como produtor, choro muito ao fazer projetos, tentando dar sentido ao que nós fazemos, defendendo nosso modo de fazer arte. O “caderno de sensações” então, é uma choradeira só. Tantos sentimentos reunidos juntos, nesses dez anos de existência do grupo, representam também o significado do choro de nosso querido público, sem o qual o nosso fazer não se completa. Posso afirmar que hoje o meu choro significa muito e me torna mais humano e menos máquina. Acredito ser este o caminho do teatro, e é por isso que sigo com este barco.

Marc Strasser
Ator e produtor integrante do grupo