.:Quem Somos:.

O Pequeno Teatro de Torneado é o grupo que surgiu de um dos cursos do Projeto Meu Olho-Meu Mundo de Pesquisa Cênica.
Com a coordenação de William Costa Lima, o grupo pesquisa novas possibilidades de teatro jovem.
Só para alertá-los, gostaria de dizer que o choque da transformação de ‘curso’ em ‘grupo’ nos remete a uma imaturidade (em questão de grupo) que talvez vocês encontrem com alguma freqüência nessa página. Mas se teatro é exposição, blog de teatro é a exposição com erros de português e acho que essa pode ser uma maneira inteligente das pessoas perceberem, com o passar do tempo, o amadurecimento do grupo.

.:Arquivos:.

• Primavera na Folha Online
• Crítica do Primavera na Revista Bacante
• "Aplauso Brasil" - Balanço Geral do Festival de Teatro de Curitiba
• Guia da Semana - Primavera
• Causa Operária Online - Cultura - "Primavera" enfoca o despertar para a vida adulta

.:Páginas Relacionadas:.

• Site do Grupo XIX de Teatro
• Pequeno Teatro de Torneado no Orkut
• Projeto Meu Olho-Meu Mundo no Orkut
• Blog da Escola Livre de Teatro de Santo André
• Blog da Formação 12, da Escola Livre de Teatro de Santo André
• MySpace dos Primatas
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.:Contador de Acessos:.



[Segunda-feira, 6 de Julho de 2009]



por Pequeno Teatro de Torneado * 21:42

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Eu só queria falar quê.

Eu tomei consciência da morte. Da minha morte. Um dia eu vou morrer e vou deixar esse mundo pra trás. Talvez eu nem saiba que eu esteja fazendo isso, talvez eu não entenda a passagem quando eu estiver passando. Eu resolvi não deixar tanto, as coisas para o depois, para o amanhã. Eu não sei quantos amanhãs ainda terei. Eu resolvi viver, eu resolvi amar. Entrar em cartaz, trabalhar, fazer uma faculdade, morar sozinha e amar. Não, eu já posso amar. Mesmo que eu ainda não tenha nada disso. Eu posso amar. A vida é isso que tá acontecendo, enquanto tô planejando tantas outras vidas. Até os meus 17 anos eu estive morta e depois eu acordei. Depois de alguns chutes na cara é possível acordar. E agora eu me permito. Eu me permito. Eu olho para o caos e digo, pode entrar seja bem vindo. Eu deixo qualquer pessoa entrar. Mas não pode ter medo de se jogar e rolar na lama. Meu coração é um latifúndio e há um grande espaço para todos Eu nunca deixei de ser aquela criança, toda esfolada, cheia de arranhões e machucados. Uma criança que ainda pulsa e pede carinho, mesmo assim. Ela não desiste. Depois de tanto tempo, ela ainda é capaz de fazer um truque em troca de uma esmola, daquele moço. Ela chora e olha nos olhos dele. Tio...olha pra mim, me dá atenção, me dá carinho. Me abraça também? Eu vivo paixões todos os dias. Todos os dias eu me apaixono por um novo alguém. E paixões vão embora com a mesma rapidez com que vêm. Mas o amor fica, e dizem que o único jeito de matar o amor é vivê-lo. Eu me permito viver o amor, mesmo que seja pra ele morrer daqui a pouquinho. Tudo bem, porque um dia eu também vou morrer e você também, todos nós. Me deixe sujar com esse amor. Eu quero morrer de amor.


Mayra



por Pequeno Teatro de Torneado * 06:26

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[Terça-feira, 30 de Junho de 2009]

A calma (um texto didático ou para se explicar que a tormenta pode começar a passar).


Durante um tempo me preocupei em mostrar para demonstrar o como se faz. Eram inúmeras as minhas demonstrações de como se poderia fazer; fosse uma cena, elaborar uma dramaturgia, costurar um pano, agendar uma apresentação, conseguir um espaço para ensaio... Isso tudo me cansava o suficiente, ao ponto de no final sempre me sentir exposto. E acredito, que isso não me fazia bem. Tamanho era a força que eu fazia que o resultado sempre parecia ser menor do que minha exaustão. Mas, algo me pedia paciência. Uma paciência que a minha ansiedade pode ter sufocado. A todos que passaram por esses momentos comigo, tento “jurar” que, dentro do meu descontrole esbocei uma paciência. Chamei diversas expulsões de “aprendizado”. Tanto nos expulsou e tanto se expulsou de nós. Talvez, na honra do que pode ser uma generosa permanência, tantos nunca estiveram… E no meio do caminho alguém me coloca a seguinte questão:

“Estar certo ou estar feliz? O que você realmente deseja?”.

O Pequeno Teatro de Torneado me relembrou a necessidade de esperar. Esperar a hora e o momento de crianças amarem como adultos. E enquanto esperava, me rendi a uma zona de contaminação. Tentação também de ser infantil e viver preso dentro de uma fantasia. Tem hora que tudo isso vem com um tom amargo de; “o caminho para o ostracismo”.

Desde 2005, que só faço pensar nesse “projecto”. Os poucos momentos que saio dessa zona, alguém passa por mim e pergunta, o porque de acreditar em um coletivo tão novo? Não sei, eu sei que única coisa que isso me causa é a sensação de estar velho. E tenho 26 fresquinhos

Por várias vezes, já percebi uma série de julgamentos vindos de esguelha… Uma vez a Beatriz Barros, me narrou um depoimento de uma garota que disse algo sobre a minha pessoa… A garota disse que não continuaria a fazer teatro porque ela pensava no futuro dela e em seguida disse; “Olhe para o William…”.

A Beatriz sentiu a necessidade de me deixar por dentro do que sentia realmente aquela garota quando estava fora de mim. O máximo que eu pude fazer foi expulsá-la de vez do meu pequeno Universo. E julgamentos como esse, só passaram a ser aceitos por mim, se fossem vindos totalmente de fora. E muitos diziam estar dentro… Eu não acho incorreto a não compreensão dos que não vivem o momento, por isso se me acha tão errado fique a vontade em sair de mim. Foi aí que criei a ingênua teoria do abraço; ela é extensa, mas, acho que da para resumir como uma continha matemática de resultado infinito.

Mundo = Carência

Carência = X

Eu = 1

1 abraça 4

4 abraçam 16

16 abraçam 64… E por aí vai…

E tudo isso soma a regra de que se eu abraço alguém esse alguém não me abraça; porque o objetivo dessa conta é que no infinito todos estejam abraçados. E assim por diante, diante porque é necessário seguir. Seguir porque a história continua, mesmo que acabemos antes dela…

E nesse momento do Torneado eu faço a minha conta particular. Todo dia, antes de botar minha cabeça no travesseiro, preciso rever a conta e ter consciência de quem abraço e de quem me abraça… E que as subtrações existem... Estão por aí, ajudando nessa conta extensa e infinita mas em forma de soma.

Mayra Guanaes, Bruno Lourenço, Beatriz Barros e Rafaela Rocha são partes da minha calma… Me acalmaram me abraçando. Me abraçando com uma cena muito bem dirigida(Mayra), com duas canções emocionadas e bem compostas (Bruno), com a organização da estrutura de um grupo de teatro (Rafaela), com a organização e escuta das minha palavras (BeatrizBarros).

Essas quatro pessoas que um dia eu abracei e se necessário voltarei a abraçar, me retomam a necessidade de confiança. E a fé, de que sim, vale a pena acreditar em uma transformação.

E a prova concreta disso é de os que chegam, já me parecem tão necessários no meu amanhã. O que me faz agora argumentar, com a feliz certeza de que sim, eu tenho futuro, são essas possíveis possibilidades de abraços; Carol, Francesco, Éride, Renan, Fernando, Marina. Ainda posso contar os novos integrantes das Oficinas Permanentes, que já somam mais de dez.

Uma vez eu ouvi, uma série de frases, em uma dramaturgia de um dos mais belos espetáculos que vi nascer: “Oito”. O espetáculo foi construído por um coletivo de pessoas queridas, que formavam a turma 53 da Escola de Arte Dramática, que teve esse resultado coordenado por Juliana Jardim e Antonio Janozeli.

“Oito”, tinha uma dramaturgia tão frágil. E diferente da fragilidade não poderia deixar de ser. Eles escavavam possibilidades de relações, que na minha opinião iam para além das pessoas e caiam num buraco negro que chamamos de: “Tempo”. E uma bonita briga era criada entre o “Homem e o Tempo”, que se abraçavam. E as oito vezes que assisti ao espetáculo me senti abraçado e com uma urgência de abraçar. E até hoje, ouço e sinto o pulso desses artistas me abraçando e como num sussurro me passando aquela missão de passar o abraço adiante…

Mais contas;

Oito(atores) - divididos por dois diretores – igual a quatro – e quatro já é o suficiente para se fazer um abraçador.

Abre a porta, posso entrar?

Eu não vou lhe machucar.

Eu queria te abraçar, por dentro.

Ta combinado, nós vamos brincar separados.

“Oito”, não foi o que tinha de ser, porque ainda está sendo… E apenas hoje, quase três anos depois, compreendo o quanto me fez bem aceitar aquele abraço. E a necessidade de o homem não fazer do tempo o seu inimigo. Tudo está tão aí, para acontecer…

O Torneado para mim não é um evento isolado do mundo. Fazemos o que o mundo faz. A arte deve explodir num excesso de sensibilidade, porque em algum lugar isso falta e por isso esse excesso teria de acontecer e o Torneado é apenas um meio.

E para agradecer tudo isso gostaria de dizer uma palavra que sempre tenho o receio de pronunciar;

DEUS


Por William Costa Lima



por Pequeno Teatro de Torneado * 08:35

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[Segunda-feira, 29 de Junho de 2009]

Acabei de chegar de viagem, estava com minha família.

Sempre quando eu olho pra certas pessoas nesse mundo eu me reconheço.
Chego à casa da minha tia, sinto um cheiro diferente, o cheiro dela.
Olho pra ela, olho pra fotos de trinta anos atrás, me olho no espelho e vejo a foto de trinta anos.
Olho-me no espelho, escuto histórias paralelamente.
"Lembra quando morávamos lá em botafogo? E quando a mãe levava a gente no posto seis pra tomar banho de mar?"
Olho pra minha mãe é reconheço ela.
Consigo compreendê-la melhor.
Vejo os erros que cometeu ao longo da sua vida.
Eu tenho vontade de chorar quando vejo o que a minha mãe fez de errado. Ela é um dos seres humanos mais incríveis. Vejo a carga histórica da minha família e vejo os caminhos que cada um deles seguiu.
Vejo-os no meu sangue, nas manias, nos traços, no meu tom de voz. E me sinto parte de algo.
E sempre penso em não ficar mal pelos erros, não exatamente pelos erros porque não sei ainda classificar o que é certo ou o que é errado na existência humana. Mas sim pelo que machuca. Vejo que os meus parentes têm diversas cicatrizes em suas faces. E eu, jovem, me encontro com pequeninos cortes sobre o meu rosto. Mas eles consumiram os seus olhares em profundas e intensas cicatrizes, que parecem terem se eternizado, até a próxima alma que incorporar naquele local.
Andando pela praia com minha mãe, ela sorri.
Vejo como o mar faz falta para os pés dela.
Como ela sorri. Mãe, ta tudo bem?
Ta. Eu só tava com saudade daqui.

Seja feliz.
Volte para cá.
Eu vou crescer, vou me reproduzir, encontrar alguém para amar.
E aí você volta.
E ama o teu mar.

Eu só queria dizer isso pra ela.
Mãe, volta pro mar.

Mas eu não sei, porque eu não falei.
E talvez eu não fale. Talvez um dia, quando ela voltar, o mar vai melhorar as cicatrizes.
Eu sei que eu a quero bem.
Só que eu não posso supor a sua felicidade.

Mãe seja feliz. Eu te quero bem.
Eu repito isso, três vezes, dentro de mim, todos os dias.
Para que o meu sangue e a minha pele mostrem isso para ela, de alguma forma.

E mesmo eu sabendo que eu não posso mudar a história dela, ou mesmo que eu possa ter a mesma história que ela no final das contas, eu sempre me vejo nela. E esse momento de transição, do eu dela para o meu, quando eu saí dela eu deixei de ser ela e me tornei eu, foi algo que sempre volta pra dentro de mim. Minha mãe deveria voltar para o mar do rio de janeiro. Ela é mais ela lá. E eu às vezes deveria voltar pra dentro dela, pois eu complemento mais ela. Mãe, se a minha história não é a sua e se a sua história foi muito dolorosa, que eu tire a sua dor com o meu parto e traga um sorriso imenso ao teu rosto. E que a vida seja boa contigo.
Eu quero que o amor bata na minha porta e diga "oi, cheguei, ta com frio?". Quero tanta coisa, que a minha visão de jovem fica até embaçada de tanto querer. Eu espero. Uma hora a vida passa e trás o que eu quero e o que eu não quero. E assim eu vou me firmando, e dançando por aí. Quando eu vejo, eu já criei uma raiz tão grande que fica difícil de cortar. Faço um mar dentro de mim, e por ultimo eu volto pro mar.
E que o mar volte sempre em alguns momentos da minha vida, me leve e me traga de volta. Porque eu preciso de mar, de mães e de amores pra sobreviver aqui nessa terra.

Beatriz Barros.


por Pequeno Teatro de Torneado * 19:17

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[Domingo, 28 de Junho de 2009]

Como falar sobre o amor?

Já tentei desenhos, textos, músicas. Já, até, tentei vive-lo e já tentei sonha-lo. Hoje eu busco uma outra forma de amar, que ainda não consigo lidar. Acho que desaprendi. Ou tentei esquecer.

O homem não é humano quando tenta ser completo. E a completude do homem vem com a sua “incompletude”, ou seja, o homem completo é aquele que se deixa ser incompleto. Então, o coração do homem incompleto sempre pede algo para se completar do que perdeu, para continuar incompleto.

E como fazer quando coração só se lembra de completar, e não de perder?

Pergunto isso, não como uma retórica, mas como uma forma de ficar mais tranqüilo com a resposta.

Descobrir-se um ser pensante – por mais ingênuo que seja – nos limita a muitos movimentos sentimentais. É que eu desaprendi. Desaprendi a tentar um movimento primitivo-amoroso com as pessoas. E esse coração tentativo, tenta encontrar uma nova forma delicada de lidar com o amor. Uma forma que não machuque na primeira tentativa, que pareça brincadeira de verdade e que, um pouco, massageie o nosso ego. Mas quando derrubado o muro, a tendência é de que a planta morra.

O amor se desacredita de si próprio, e a idealização de ideal passa a se tornar uma mera suposição. Daí se converge num movimento de amor às inversas. Apoiamos quem amamos, por que isso é só uma forma de nos amar também. Mesmo que doa, que toque o ciúme e que a tristeza assole ou que a solidão devore...

E a sensação de “ser pensante” dá um tediosa e odiosa sensação de ser um ‘porto seguro’.

“Estou aqui para quando a diversão acabar, o amor nascer e a vontade de construir uma casa aparecer”.

E isso machuca.

Eu só queria viver – ou tentar viver – uma tentativa de felicidade de constante. E não ensaiar para ela com as minhas travas e as travas que põem em mim.

Joyce - Juliana - Naiade - Bruna - Beatriz

De câncer, indo pra áries, passando por capricórnio e desembocando em aquário.

Bruno Lourenço – Um pouco constrangido



por Pequeno Teatro de Torneado * 21:09

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Novos desejos de realidade

Para Hanschen e Ernest

Você não pode fugir quando tem um filho. Meu sonho é ter um filho, mas eu ainda quero fugir. Os homens vivem essa constante provação. Os homens, quando ainda vivem uma espécia de ‘poesia primitiva’, se vêem necessitados da necessidade de ser pai. De deixar de fugir, e colocar um freio. E eu preciso colocar um freio, por que essa necessidade é primitiva. Sabe por que? Por que senão eu morro.

A sensação de viver a poesia, então, se esvai. Por que é decidida a sensação de lembrar-se dela.

Foi bom.

Fica!

Você esqueceu suas meias nos meus sapatos.

O movimento da vida já é frenético demais, e eu não tenho o direito de tentar continuar a bagunça-lo. Hoje eu não te amo mais. Por culpa sua, por culpa minha e por que todos os outros me fizeram te odiar. Eu concordei, você não disse nada, mas pareceu concordar também. O banho de mangueira ficou pra outro dia. Assim como nosso sorvete de morango, assim como nosso casamento no mesmo dia ou como nosso “roubo perfeito” em um banco qualquer. A todo tempo nós procuramos inventar nossa roda, descobrir nosso fogo, achar uma nova América, para daqui 200 anos um rosto conhecido ser estudado num livro de história.

(Esta parte eu pensei em cortar) Por mais que eu feche minha mala, eu sempre a abrirei novamente, num lugar novo. Para ali recomeçar e torcer para ali me eternizar.

É como a sensação de tosse presa. A sensação de espirro quando foge. O movimento primitivista propõe isso. Arrumar a bagunça, transformar amores em fotografias, retirar as tensões do corpo, cheirar alecrim... E, infelizmente, saber que algo se perdeu e vai ficar na lembrança.

E a lembrança, talvez, por sorte, fará com que vivamos algo novo, e tão puro como a lembrança. E como que por desafio, o tempo todo nós nos propomos a suscitar felicidades, para que possamos reviver no presente as lembranças, que no futuro, serão novos desejos de realidade.

Bruno Lourenço



por Pequeno Teatro de Torneado * 21:08

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[Quarta-feira, 17 de Junho de 2009]

Conversa minha...

1: Onde você ta?
2: To sentado. Na porta de uma igreja.
1: Fazendo o que?
2: Sei lá... Pensando. Vendo.
1: Vendo o quê?
2: To vendo pessoas. Semáforos. Cores... Um carro de polícia passou na minha frente e os policiais nem me viram.
1: Não ficou com medo?
2: Não. Senti vontade de fazer xixi na porta da igreja.
1: Pra quê?
2: Sei lá... Pra ter alguém pra conversar.
1: Pra conversar com Deus?
2: Não. Com os policiais.
1: Você está conversando comigo.
2: E você não está aqui.
1: Quer que eu vá até aí?
2: Não. Já vou sair. Só vim aqui pra pensar.
1: E daí você vai pra onde?
2: Tem uma placa indicando o caminho...
1: De transito?
2: Da igreja.
1: Deu pra falar com Deus, é?
2: As vezes eu tento.
1: E o que acontece?
2: Bato com a cara na porta.
1: Me diz onde você tá. O que você vê daí?
2: Três homens vermelhos. Um sol verde. Uma constelação ao meu lado. Tem um Cometa passando. Uma cegonha também.
1: Você ta bem?
2: To na frente de Deus. Isso é bom?
1: Isso é uma tentativa de ser poético.
2: Isso é bom?
1: É uma tentativa...
2: To com frio. To com muito frio na mão e nos pés.
1: Pede pra entrar. Geralmente os padres abrigam quem tem frio.
2: To com vergonha. É madrugada de feriado. Deus também descansa.
1: É feriado de quê?
2: Não sei... Saí da escola faz pouco tempo, mas não lembro. To vendo um homem encapuzado.
1: Ladrão?
2: Não. Parece que ta perdido. Ta numa capa de chuva.
1: Ta chovendo aí?
2: Choveu agora pouco.
1: E o homem? Já foi?
2: Ta vindo.
1: Vai embora.
2: Não dá mais tempo. (Para o homem.) Oi. Não tenho. Boa noite.
1: Cigarro?
2: Não. Horas. To na frente da igreja, lembra?
1: É bonita essa igreja?
2: É, mas todo mundo esqueceu dela. Achei por acaso... Querendo um lugar pra sentar.
1: Banco?
2: Não. Qualquer lugar seco.
1: Não tem ninguém te esperando?
2: Tem. To preocupado.
1: Vai pra lá!
2: Preciso terminar uma coisa...
1: To te atrapalhando?
2: É que eu não sou muito bom em ser direto.
1: As vezes é ruim ser direto
2: E nessas eu deixo as pessoas esperando.
1: Entra! Ou vai embora!
2: Não posso só ficar?
1: E deixar os dois lados esperando?
2: E a minha espera?
1: Você faz esperar.
2: Eu também quero esperar. Quero me esperar. Mas parece que eu não chego nunca.
1: E é bom?
2: To com um pouco de medo, mas nada de mais. Coisa normal. De me assaltarem. De não me esperarem, sabe? Tem uns rostos estranhos me olhando aqui
1: Sai logo!
2: Mas eu não quero. To curioso. Preciso terminar.
1: E falta o quê?
2: Falar sobre amor.
1: É difícil...
2: Então eu espero mais um pouco...

Bruno Lourenço


por Pequeno Teatro de Torneado * 19:31

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[Terça-feira, 16 de Junho de 2009]

Eu nunca mais escrevi aqui. Eu passei um tempo dentro de um buraco tentando me apoiar em alguma coisa para sair.Agora penso que talvez seja mais fácil afofar minha grande bunda em todo esse caos e criar em cima dele.Até esse caos ir subindo, subindo, subindo e eu receber essa luz que vem do mundo exterior.Vocês vão desculpar todas essas minhas linhas tortas, porque hoje vou escrever.É uma época de escolhas. Todos vamos passar por isso.Hoje em dia uma das poucas coisas que eu tenho na vida é esse tal Pequeno Teatro de Torneado.E caralho, fazer teatro não é só isso, não é mais só isso depois que eu entrei pro grupo.Depois que firmamos um pacto. Hoje eu digo que faço teatro, porque o teatro como nós, torneadinhos, costumamos dizer, teatro é a reflexão do ser humano.Teatro me traz a reflexão sobre um mundo periférico que poderia passar despercebido por mim se eu não tivesse esse espaço para tais reflexões.
Soube que acabou a luz de um quarteirão todo e um teatro não apresentou suas peças.Sem energia elétrica, não há refletores penso eu. E talvez sem refletores não haja peça ou sei lá o quê.
Fiquei pensando o que eu iria fazer da vida se acabasse a luz? não haveria teatro em lugar nenhum?
Aí me apoiei nas tais reflexões. Nós iríamos continuar refletindo o ser humano. Descobriríamos outras fontes de iluminação.Estaríamos em outro tempo. Refletindo também.
E o teatro....vixe, esse aí tá muito além né.
Pensei que enquanto existir dois seres humanos o teatro existe.
Só precisamos de algo que reverbere no outro.
Temos esse algo. Dentro de nós mesmos.


Mayra



por Pequeno Teatro de Torneado * 15:10

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[Domingo, 14 de Junho de 2009]

"É necessário que enfiem uma faca dentro de mim para eu sentir o que é se derramar no mundo!
E para que eu sinta uma faca dentro de mim, é necessário um amor!
Um amor que faça eu morrer de amores por alguém!"
Um homem bêbado gritava.
Com suas vestes sendo perdidas pelas ruas a cada passo que ele dava, e a cada palavra, mais um dos seus últimos passos por este mundo se prolongavam e se estendiam, até ele mesmo não saber mais qual seria o seu último momento neste local, seu último passo nesta terra.
A questão é que não era só o grito de um homem bêbado que eu escutava, mas sim de milhões. Dezenas de homens e mulheres berravam. Aquilo ali parecia um nevoeiro de seres humanos perdidos e intensos, procurando e esperando algo chegar. A comemoração de uma passagem, ou mesmo a espera de um futuro que nunca chegaria. Para eles, o mundo girava em torno daquela atmosfera, harmonizada em todas as notas possíveis e impossíveis, causando uma polifonia assustadora.
No carnaval, o mundo esquece-se de chorar pela sua dor, e coloca uma máscara em todas as dores que ele tem, menos na dele. A dele ele esquece, deixa de lado.
Porque, no final, tem dor mais bonita que a da colombina e a do pierrot?
A minha máscara cheia de lantejoulas vermelhas caia sempre do meu rosto, toda hora. E quando isso acontecia, essas lantejoulas vermelhas se misturavam com as cores das outras lantejoulas, ou mesmo as cores das casas, das fantasias borradas, das músicas que ensurdeciam os meus ouvidos e que ao mesmo tempo, atraiam meu corpo. Eu também sentia o meu corpo soltando rios e rios de suor, e a minha roupa já estava tão encharcada que estava fácil se locomover, parecia não ter mais a presença de um peso em cima da minha carne, e que existia uma nudez sobre a minha pessoa que se tornara algo natural.
Uma hora, algum amigo gritava "Volta pra cá! Você ta muito longe da gente!", ou mesmo um "O vinho! Ta com você?!".
O engraçado é que eu não me lembrava direito o que estava comigo, ou mesmo onde eu estava. O tempo das coisas e das pessoas parece diferente, parece que ao mesmo tempo em que estão em harmonia, estão também totalmente diferentes uns dos outros. Somos grandes mundos que moram em um mundo só. E quando tocamos alguém, criamos um novo mundo. Parece uma equação matemática. Uma equação que envolve toque, suor, palavras de todos os gêneros e talvez beijos e abraços. Eu sei que eu me sentia dentro de um pulsante mundo naquele momento e que, ao mesmo tempo, eu estava procurando um mundo específico.
Cabelos de cobre. Se é que você me entende.
Você já viu fios de cobre? Não é que eles brilham, eles refletem a luz do ambiente e, quanto mais claro o ambiente, mais refletindo ele vai estar. Eu procurava alguém que refletia. Eu não sei se me refletia, ou se refletia o mundo em que eu estava, mas eu procurava os cabelos de cobre. É fácil encontrar alguém em uma multidão, quando você tem total certeza da presença daquela pessoa, quando você sabe que ela vai está lá e os seus olhos apenas a buscam.
Às vezes eu parava, e esperava. A lógica de esperar por ela é que uma hora, ela ia passar por aquele lugar onde eu parei e esperei, e então eu gritaria e chamaria seu nome. Mas parar era difícil quando o nevoeiro de seres humanos me empurrava, e me fazia continuar, eu também não sei até que ponto eu continuava a seguir naquele momento pelo empurrão dos outros, se a minha vontade era esperar e eu sempre ia contra a minha vontade, graças aos outros. Eu sei que foi difícil.
Em alguns momentos, o ritmo da música era mais forte que a minha vontade de procurar. Então eu esquecia um pouco de tudo e dançava, segurava na mão dos meus amigos e pulava e cantava alto, até subir ao céu e a gravidade devolver aquela força sobre o meu corpo. Era bom quando eu sabia a letra de uma das músicas, eu cantava tão feliz, alcançava a maior felicidade. Cantava para alguém, para algum dos meus amigos, ou até para mim mesmo. É bom esquecer, ser neutro em alguns quesitos e focar em apenas uma coisa e seguir, seguir com um pulsar. E a minha máscara seguia caindo..
Quando a música terminava, eu lembrava em olhar para os lados. Só que, em uma dessas olhadas.. de repente..
Em um fiasco de tempo, de segundo, eu vi os cabelos de cobre. E saí correndo, empurrando. Corre cotia na casa da tia. Corre para ver o amor passar, cantando coisas de amor. Eu corri até a distancia não ser mais distancia, até o tempo e o tamanho dilatar e eu focar, apenas nisso. Eu queria, desde o começo, os fios de cobre, e eu sabia que eu iria consegui-los, em algum momento. Eu sabia que eu iria passar por pessoas, por lugares, por mundos diferentes, ou mesmo iria usar máscaras vermelhas, máscaras azuis, máscaras grandes e pequenas que iriam cair do meu rosto, eu sabia que eu iria pisar em pregos, e sabia que tudo isso podia me cortar, me fazer chorar, sorrir, sonhar, e assim, tudo isso criaria a história da minha vida, até eu chegar... Até eu chegar e tocar nos fios de cobre.
Mas, parece que tudo isso, toda dor e sofrimento que eu passei, quando eu cheguei perto deles, se anularam.
E então, a luz que batia nas lantejoulas da minha máscara refletiu no cabelo. O cabelo refletiu na minha máscara. O sorriso refletiu na minha máscara. O meu sorriso refletiu no seu sorriso. O meu olhar refletiu no seu olhar. O meu "oi" refletiu no seu "oi". E, naquela noite, eu me lembro de ter sido feliz, só isso. Porque sim, tem algo maior, que liga uns aos outros, que liga um mundo ao outro. E talvez seja necessário passar por diversas noites de carnavais distintos, para encontrarmos nossos fios de cobre, que sejam difíceis de serem cortados. É necessário que seja. Que seja doce, amargo, apimentado, saboroso.... Que seja.

Beatriz Barros


por Pequeno Teatro de Torneado * 15:18

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[Sexta-feira, 29 de Maio de 2009]

"Bru! Vou dar uma palestra na ETEC de Itaquera. Quer ir comigo pra falar alguma coisa?"

Foi assim que começou.
Fiquei feliz ao saber que o Will ia lá na ETEC de Itaquera (um Paula Souza que abriu há pouco mais de um ano), e que ficava pertíssimo ao local aonde eu morava (e onde ainda mora minha família). Combinamos de nos encontrar, eu e o William, para que pudéssemos elaborar uma fala para mim. Algum discurso, comentário... Enfim, algo que falasse para os alunos algo sobre como um jovem da periferia precisa se deslocar e se multiplicar para poder lidar com arte.
Não conseguimos nos encontrar e acabamos por achar que eu não ia ao encontro. Mas esbocei um texto, e fomos à ETEC.

Eu, William e a Éride.

Acordei 5:30 (devia ter dormido por lá)
Cheguei às 7:00 na casa do Will
Saímos às 8:00
Chegamos às 9:45 na ETEC

Os alunos iam apresentar 2 exercícios. Um de cada 2º ano.
O primeiro seria uma releitura de 'Romeu e Julieta' (Juleu e Rulieta)
O segundo, um exercício que usava os mesmo recursos do espetáculo 'Improvável' da Cia Improváveis (No Improviso)

Os dois exercícios foram incríveis!
A galera mostrava um instinto aguçado para um movimento crítico no fazer teatral que foi muito bacana. No Romeu e Julieta, uma direção exemplar para qualquer grupo de teatro colaborativo - direção COLETIVA - e um trabalho de ator que nos impressionou no exercício do improviso. Até fomos convidados para participar - e eu fui humilhado no 'Só Perguntas', diga-se de passagem.
Depois íamos começar a "palestra". Falar sobre o que vimos e ouvir bastante, mas foi complicado no começo. Por conta da quantidade de pessoas, do barulho constante, da ameaça de apanhar... Brincadeirinha.

Mas depois de um tempo, fomos conquistando um estado de conforto entre todos nós que permitiu que a conversa fosse muito bacana. Dos 80 jovens que começaram, terminamos com aproximadamente 30, pois uma galera precisava ir para o curso técnico. Alguns até faltaram no curso para continuar lá com a gente, mas não fomos nós que mandamos eles faltarem... HUAUHAUHAHU - risada adolescente.
Falamos sobre arte-educação, a re-evolução educacional, sobre histeria, teatro, Torneado... O que nos cerca. A nós e a eles. Que agora também já são nós.
Mostramos fotos dos espetáculos do grupo. Só esquecemos de falar do Cramância, mas isso pode ser na próxima conversa - que vai existir de alguma forma.
A conversa, que a principio duraria cerca de 1 hora, extendeu-se para o tempo de quase 3 horas e meia. Essa coisa do tempo nos persegue...

Terminamos com uma partilha com o jarro de agua que fez parte da trilha sonora da conversa, já que toda vez o Will chutava ou esbarrava nele durante. A água foi o elemento mais perfeito para expressar tudo o que acontecia naquele momento/encontro.
Após muitas lágrimas, abraços, beijos, trocas de e-mails/orkuts e etcs, encerramos o nosso encontro.

Foi lindo conhecer aquele espaço. Uma galera incrível, uma administração que nos recebeu muito bem.
A vontade que eu tinha era de ficar ali cada vez mais... e mais... e mais... e mais...

E para finalizar esse post, coloco aqui o texto de um dos alunos da ETEC. Ele nos leu esse texto em roda, na hora da nossa despedida.


É como uma droga.
É como se fosse uma droga
Que você para.
Inspira, respira fundo,
Repete... Espera... Pensa.
E inspira de novo.
É a única droga que não mata mas é fatal
Que ilude mas não é real
Que te deixa mais pra bem do que pra mal
Que te leva de Marte a Jupiter
Que te leva de Saturno a Plutão
Que te revela o que é o "ser ou não ser"
Em uma constelação estrelada de emoção.
Que ao mesmo tempo te energiza e te consome
As vezes aparece e as vezes some, sem nem dizer seu nome
...
Eu posso morrer em minutos, mas em segundos eu luto para que não me parem essa alucinação
A única droga que ao invés de neurônios afeta o coração
É preciso inventar a sua droga



Poema de Rodrigo dos Santos Espíndola - 15 anos
Postado por Bruno Lourenço


por Pequeno Teatro de Torneado * 22:06

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[Quinta-feira, 28 de Maio de 2009]

A prova está nos dentes

O ser humano não atingiu o grau mais elevado da escala evolutiva. Notamos isso pelos dentes. Todas as partes do corpo humano são capazes de se regenerar quando danificadas - até os ossos, quando quebram, são naturalmente revestidos de cartilagem - menos os dentes.
O dente não se manifesta ao primeiro sinal de algo errado. Ele espera a coisa atingir um grau elevado de dano, para depois doer. E o homem, precavido, aprendeu a escovar os dentes.
A escovação dos dentes é a prova irrefutável de que o homem aceitou seus defeitos e acostumou-se com eles.
Quantas pessoas não escovam os dentes?
A escovação tornou-se uma extensão do nosso corpo, assim como a lâmina. Pois é necessário ter a boca limpa e o corpo nú, o que deveria ser um trabalho do próprio organismo.
Dentes e pelos. São eles que delimitam a passagem do tempo e do quão acostumados com a evolulção estamos.

O nascimento dos dentes, o fio de barba, o dente do siso, o fio de cabelo branco, a troca da mordida, a queda do cabelo, a queda dos dentes...

Parar de escovar os dentes e de pentear os cabelos são os sinais mais concretos que imploramos por evolução.

Bruno Lourenço


por Pequeno Teatro de Torneado * 17:06

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[Quarta-feira, 27 de Maio de 2009]

Dos cumplices...

Certo dia perdida pelos rumos que a vida tomou por mim, encontrei um brilho no meio do percurso. Só não consegui discernir se tava longe, ou perto... se tava forte ou fraca aquela luzinha que acreditei ser a que me acompanharia no tal percurso, afinal não surgiria assim, a toa. Nessas de acreditar fielmente nas supostas surpresas do destino me vi enfeitiçada e levada sem saber como poderia ter sido capaz de ser influenciada pelo objeto não identificado!

Advogados, fórum...
Olho no olho... choro (sei que num vou agüentar!)
Memória: Carrego bem pesado
Bebedisses, chamegos, afetos
Cama, lençol, desfeitura de um leito
Casa, minha, sua, nossa
Quebra a maçaneta, torce a chave
Chaveiro cai no chão, como um copo de vidro que se despedaça
Se espalha e desfaz a mascara, a relação frágil.

Mesmo acreditando no destino, na sorte de dar tudo, ou errado novamente, ou certo definitivamente, sei que ainda é capaz ser cúmplice e ter cúmplices.
Torneasticamente, cada vez mais consigo ser acolchoada pelos torneasticos, que me cansam de provar que há muito do fundamental na relação vivida na vida e na cena.
Tomo, embora que por experiencia nada agradavel e de maneira completamente tragica, um partido: 'Não sejamos Objetos não Identificados!'

Faremos pactos de sangue, de folhas, de velas, de areia, de cumplicidade, pra que esse nosso sagrado não se despedace por banalidades ou desatenção. Indiferente das diferenças, distancias, sem deixar de colocar no nosso altar esse respeito, que é poder estar junto.


por Pequeno Teatro de Torneado * 09:01

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73 bolos.
73 presentes.
73 dias de espera.

Feliz aniversario. Obrigada, hoje não tem mais velinha, só velhinha. Deixa só o tempo passar pra gente sentir o cheiro no quarto. É que eu to com sono, to indo dormir 19h30. Outro dia fui pegar um ônibus, peguei o ônibus errado, entrei numa transe, parecia música, imagens apareciam, era uma dança, de macro onde minhas micropercepçoes confundiam meu estado formatado pelo tempo que vivi, já não sabia o que eu fazia lá, como tinha chegado lá, mas o importante era preencher o vazio, e lá fiquei, indo pra qualquer lugar que não fosse minha casa, um desconhecido, mas sabendo que na volta já não seria mais, em questões de segundos eu repetiria o novo, como em todos esses 73 anos. Posso contar com os 49 de uma e os 17 de outra? É tanta vida, tanta coisa nova se repetindo. Mas eu não conto pra ninguém, já vou dormir as 19h30, as outras ainda não. Fui cansada, cansaram de mim. Aprendi a preencher um vazio esperando até a próxima visita ou festa de família, talvez uma reunião da terceira idade. Um dia roubei figurinhas e minha mãe fez com que eu devolvesse, me agarrou pelos braços e fez com que eu devolvesse. Devolvi. Desde então não segurei mais nada. Hoje preencho o vazio que ficou nas minhas mãos com a lembrança do que tive em minhas mãos mesmo que por pouco tempo. Nunca prendi, o que não quer dizer que eu não quisesse. Sinto falta, mas preencho, com doenças, compras, fotos, lembranças, comidas, risadas, suspiros, telefonemas, brancos, produtos de limpezas, coisas novas, coisas repetidas. Preencho enquanto espero e só espero pra poder preencher, até que eu não ganhe mais bolos ou presentes e canse de esperar. Preencherei e deixarei o vazio dentro dos que me fizeram sentir cheia.
Te amo, feliz aniversário.

Da neta, Rafaela Rocha.


por Pequeno Teatro de Torneado * 07:06

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[Terça-feira, 26 de Maio de 2009]

Hoje eu quero pisar
No chao
E desabar

Lavar o meu quintal
E o meu terreno
Para eu sambar

Até que o meu sapato quebre
Até que a minha perna sangre
E o meu sangue me carregue
E a minha dor, se entregar.


Beatriz Barros


por Pequeno Teatro de Torneado * 13:54

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[Terça-feira, 19 de Maio de 2009]

Eu sei que ultimamente, a única coisa que passa pela minha cabeça é a frase "minha cabeça ta pesada".
É engraçado, a gente acha que não vai dá conta de nada.
Porque mostraram pra gente, que se nós escolhermos esse caminho que nós estamos seguindo, nós automaticamente não vamos dar conta de nada.
A vida inteira, as pessoas nos mostraram o lugar onde elas estão.

Eu aprendi a me ver em um futuro, e não ver o meu presente indo para o futuro. Eu aprendi que eu estudo porque eu tenho um vestibular, aprendi que eu estudo porque eu tenho que educar meus filhos, tem que dar comida para eles, eu preciso de dinheiro para ir ao cinema, minha mãe não vai me dar dinheiro, eu preciso respirar com uma freqüência não muito acelerada e para isso, eu preciso chegar lá.
Só que, ultimamente, é muito doloroso chegar lá, as pessoas colocam o chegar lá de uma forma que machuca. A minha cabeça machuca o meu pescoço, que cai com uma dor em cima da minha coluna e os meus braços e as minhas pernas ficam paradas, sem se movimentarem. E eu não tenho nem mais vontade de chorar, nem de gritar. Porque o grito e o choro não serão suficientes para isso, porque esse sentimento vai continuar ali. E a força para chorar e para gritar, eu perdi.
Me desculpa, eu fui ensinada.
Todos que estão em volta de mim passaram por isso. Eu tenho que passar. É natural, é normal. Só que dói muito, muito, muito, saber que o natural e o normal são tão frios.
Hoje, eu estava na aula de álgebra. E eu comecei a me organizar, estou de recuperação em algumas matérias, e eu sempre fico pensando se eu vou dar conta de tudo isso. Eu sei que eu vou, eu sei que os meus horários serão bem distribuídos, eu preciso afirmar isso constantemente para mim, eu não posso me esquecer disso. Só que, teve uma hora, que eu coloquei minhas alternativas:

- estudar segunda feira.
- tocar flauta na terça feira.
- me matar na quarta feira.

Chega uma hora, em que você percebe que o seu corpo pede uma morte. Pede uma finalização, pede, implora! Grita.. chora..
E você, com a sua cabeça pesada, tenta novamente levantá-la e, pensa no futuro. Pensa no seu grupo de teatro, pensa nos seus filhos.
Querendo ou não, o futuro que me colocam me incentiva. Porque, me desculpe, eu fui ensinada a continuar vivendo pela esperança que colocaram pra mim, porque se o presente está ruim, onde mais eu posso ser boa?

Eu só queria ouvir um "calma, ta tudo bem", "eu to com você, é só uma fase, é só um período, eu já passei, e eu posso te ajudar.. ok?".

Hoje no intervalo, perguntei para os meus amigos o que a palavra respiração remete eles, as primeiras coisas que eu escutei foram "bronquíolos, pulmão"... Depois eu disse a palavra "cores da respiração", e eles falaram "azul, verde", e finalmente, eles falaram "alívio, o fim, uma bolha".

Respira..
Conta até 3..
1 (escola, provas, álgebra, bascara, eletricidade, formulas, números complexos, mitose, meiose..)

2 (vestibular, filhos, casa, leite, marido, janta, faculdade, emprego, cheguei lá, dor de cabeça, dor de estomago, vomito, sangue, água..)

3 (torneado..)

E solta.

Beatriz Barros


por Pequeno Teatro de Torneado * 20:26

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[Domingo, 10 de Maio de 2009]

"É assim que isso funciona: você espia seu interior através de uma fresta, aí você consegue as coisas que gosta e tenta amar as coisas que consegue. E então você pega todo o amor que você fez e crava em alguém, no coração de outro alguém, bombeando o sangue de outra pessoa. E andando de braços dados você espera que isso não o machuque com o tempo, mas mesmo se isso acontecer..
Você simplesmente vai fazer tudo de novo."

Regina Spektor - on the radio

Um beijo, Beatriz Barros.


por Pequeno Teatro de Torneado * 09:10

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[Sexta-feira, 8 de Maio de 2009]

Torneado e as novas experiências...
(Clique na imagem para ampliar)







por Pequeno Teatro de Torneado * 20:44

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[Segunda-feira, 27 de Abril de 2009]






por Pequeno Teatro de Torneado * 16:13

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[Quinta-feira, 23 de Abril de 2009]

E nessa historia de dandandear no caminho dos que se diziam serem grandes, se foi perdido e esquecido, desaparecido, tomado o brincar.

Dessas folhas secas que brotaram do grande tronco, seco que agora está. Saíram sementes que poderiam ser replantadas, com ajuda, doações, adubos uma nova árvore poderia renascer, florescer.
Mas o vento soprou e levou as sementes, o adubo e as possíveis mãos que o moveriam isso tudo.
Agora, sem nada, nem por fora nem por dentro espero um dia que o vento* bata e faça o movimento de derrubada, levando tudo ao pó. Pra que toda essa secura, ao menos seja valida, sirva de adubo a quem não pode lhe servir.

... do percurso das coisas. Cada qual, deverá desejar serem árvores ou folhas ou flores ou sementes. Que se assim quiser seja essa metamorfose, nesse caminho que se pode escolher qual jardim pousar.

*(Não se esqueça de desejar, e se mexer muito pra que esse vento lhe note)
...
Divagações, piradas (talvez?) Éride Sousa


por Pequeno Teatro de Torneado * 07:25

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[Quarta-feira, 22 de Abril de 2009]


Finge.
Finge que é gente grande.
Finge que seu olhar é o mais belo.
Finge que mata e passa fome.
Finge que faz filho, vira herói.
Finge vai morrer.
Finge que voltou a viver.
Finge seu amor, que ele vai ser o mais verdadeiro.
Finge que não tem gente que não finge.
Finge que se esqueceu da morte.
Finge pra ser feliz.

Foto: Renan Rosa

Bruno Lourenço


por Pequeno Teatro de Torneado * 22:07

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[Terça-feira, 14 de Abril de 2009]

É que hoje eu me senti guerreiro... Foi um lapso de amor despejado sobre mim. Toda desconfiança virou tesão. Toda raiva virou tesão. Toda reclamação explodia num desejo de sexo. Alguém me cobrou um olhar mais ereto. Meu quintal esconde um muro e atrás dele lembrei-me dos melosos melos e melados que podemos criar. Ah! Meu Deus! Onde estava esse desejo ?! Ainda não cobri um corpo de doces molhados. Ainda não fugi de mim. Mas, eu quero! E quero! E quero! Não permitrirei jamais me privar de um olhar. De um olhar nasce a dificuldade de se arrancar uma calça. E toda vez que um corpo me chamar, eu... É porque senti que quando estamos lá... Nus, suados e entregues, tudo é bem mais simples e amargo.

Voltei dez anos - lancei-te a dez anos. Acredito em cada sonho que você narrar.
Diga, diga sussurango... Sou todo ouvidos. Sou todo seu.




por Pequeno Teatro de Torneado * 20:53

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A Gravidade

É preciso ficar atento à gravidade dos fatos.
Não é tão grave assim.
Na verdade, é fundamental.
Só é preciso tomar um pouco de cuidado com o percurso. É preciso estar atento, pois as pessoas querem lhe passar a perna, enfiar-lhe uma bebedeira e te fazer perder o rumo.
Claro que as leis são necessárias, mas nos lembramos delas somente quando nos machucamos, caímos e choramos. A dor pode vir como uma descoberta em forma de maçã que bate na cabeça ou pode vir como decepção quando percebemos que perdemos nosso chão.
Quando percebemos que o nosso chão não é o mesmo dos outros.
Mas apesar de não lembrarmos a causa do nosso aterramento, essa causa sempre está lá.
Está na hora de rever as leis.
Estou ansioso em cair pra cima.

A gravidade... a gravidade...

Bruno Lourenço


por Pequeno Teatro de Torneado * 19:06

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[Segunda-feira, 13 de Abril de 2009]





por Pequeno Teatro de Torneado * 20:14

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Mês passado.
Na desmontagem do cenário da peça "Refugo", logo depois de uma das apresentações em Curitiba.
Eu pisei em um prego.
Dueu, dueu muito.
Eu gritei sem parar, e o restante do grupo me segurou, me deitou no chão, e falava para mim "calma, não grita!", só depois de um tempo, um homem que eu não conhecia conseguiu tirar aquilo de dentro de mim.
E então eu fiquei com uma pequena cicatriz fina e preta no meu pé.
Nos primeiros dias, duía muito.
Porém nos outros eu fui me acostumando. Aceitando aquela dor, me conformando com aquilo no meu pé. Acabou que depois de um tempo, não duia mais, apenas me incomodava.
Eu sentia uma angustia dentro de mim que não era normal, uma agonia daquela cicatriz não sarar, não melhorar ou, pelo menos, neutralizar a cor.
Hoje olhei pro meu pé. E eu começei a reparar. Vi que não era só uma cicatriz, peguei uma tesoura. Começei a me cortar. Me abrir, me fuçar.
Eu me cortava, delicadamente, mas me cortava. Mesmo sendo delicado, sendo gentil comigo mesma e respeitando os meus limites de espasmos de dor, era um corte. Um corte por uma busca, por uma resposta, por alguma coisa que eu não sabia se eu iria recebe-la no final como troco, mas era uma busca incontrolável pelo fim da minha agustia.
Eu me cavava, me rasgava, e continuava, sempre pensando que não iria doer tanto como no momento em que eu pisei no prego, porque aquela dor foi uma dor de pânico, de rejeição, de uma introdução nem um pouco bem vinda dentro de mim. E aí, eu encontrei.. O preto, a cicatriz, era um pedaço de prego.
A maior agonia, não foi ver aquilo dentro de mim todo esse tempo, e sim fora. Pensar que aquilo veio andando comigo, se movimentando, ganhando minha vida, durante tanto tempo e agora estava me encarando, olhando para mim. Foi a morte daquela angustia. A maior dor foi durante o tempo, a morte finalizou. Terminou com tudo, simplesmente chegou ao fim. A morte foi rápida, a morte é rápida. A finalização daquela introdução repentina, desleixada e grotesca. A cicatriz vai se reconstituir, só que agora da cor da minha pele. E eu vou ter ressíduos, a sujeira e o restante de metal que se instalou no meu pé, que mesmo com o imenso corte a dificuldade de retira-los é terrível. Porem o período que aquilo ficou dentro de mim, se instalou, não vai passar.
O meu pé doi, o meu pé dilata, e continua carregando o meu peso. Me levando para lá e para cá.
E de lá pra cá eu vou, pisando em pregos, eu sangro, me rasgo, e depois meu corpo naturalmente se reconstitui. Uma hora, eu talvez fique sem pé, ou sem mãos, sem braços, sem forças, sem meu corpo, sem minha vida, sem minha alma. Uma hora sei lá, eu sei lá, eu não sei! Eu posso tocar em uma tomada, ou cair de um penhasco, ou mesmo esbarrar em um estranho na rua. Eu posso respirar. Eu posso correr. Eu posso cair.

E que bom, que eu posso. Que bom que eu posso correr e cair e chorar e minha mãe passar a mão na minha cabeça e falar "Deixa eu beijar que passa". Que bom que eu posso me jogar de um penhasco e ter um rio lá embaixo, com peixes e meus amigos nadando em volta de mim. Que bom que eu esbarro em estranhos, olho em seus olhos e peço desculpa, e talvez pergunte "tá tudo bem? eu te machuquei?". Que bom que eu toco em tomadas para sentir a energia do corpo da terra. Que bom que eu arrisco.

E que bom que existem pregos.


Beatriz Barros


por Pequeno Teatro de Torneado * 18:35

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[Domingo, 5 de Abril de 2009]

Já percebeu que se você fechar os olhos dentro da sua casa, você consegue andar perfeitamente?
É como se você já tivesse decorado tudo que está a sua volta, não é uma questão de sensibilidade, e sim de convívio com uma matéria, com um objeto, é como se acostumar. A gente se acostuma com uma cadeira, com uma mesa, com livros ao nosso redor, assim como nos acostumamos a pisar no chão, á saber que temos um teto em cima de nós que não irá nos esmagar. A gente aprender a confiar em paredes para não sermos esmagados, aprendemos a confiar nas cadeiras para sermos segurados, e aprendemos a confiar nas facas para não sermos mortos. Eu confio em uma continuação do meu corpo, assim como confio nas palavras que eu falo, como confio nas pessoas que eu convivo e sei que elas escolhem muito bem as cadeiras para eu sentar.
A minha mãe comprou a mesa que existe na minha sala, a mesa é daquelas que cresce, que aumenta de tamanho quando mais pessoas chegam aqui em casa para comer conosco. A minha mãe escolheu uma mesa que aumenta porque a minha mãe gosta de coisas que aumentam, a minha mãe gosta de pessoas ao seu redor, ela gosta do calor. A minha mãe é carioca, eu acho que sente falta do sol que cresceu em cima dela, então ela trás as pessoas aqui em casa para elas serem novos sóis dela. Eu acho que eu sou o sol para minha mãe, eu e minha irmã e minha cadela, somos um grande sol, um conjunto de um sol enorme. E a mesa, nos junta, a mesa faz com que sejamos um sol em um momento só, fazendo a mesma coisa.
A mesa da minha sala fez com que eu aprendesse a andar mais para a direita do que para a esquerda para chegar ao corredor. A minha mãe colocou a mesa lá, para que a mesa tivesse a possibilidade de abrir e caber mais pessoas. Por toda a minha vida, eu tive que andar mais para a direita para chegar ao corredor e para caber mais pessoas. Por toda a minha vida, eu convivi e esperei por muitas pessoas. Por toda a minha vida, a temperatura da mesa da minha sala é mais quente do que a temperatura do meu quarto, ou mesmo do que a temperatura do meu banheiro. E eu fico esperando aquela temperatura alta sempre voltar a ser alta. E, eu sei que ela sempre volta.

Beatriz Barros.


por Pequeno Teatro de Torneado * 16:30

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[Domingo, 29 de Março de 2009]

RE.U.NI.ÃO: s. f., ato ou efeito de reunir; sarau; agrupamento de pessoas para determinado fim; conciliação; ajuntamento de pessoas em casa particular ou qualquer clube para conferência, concerto musical, etc.

Renan Almeida.


por Pequeno Teatro de Torneado * 21:33

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Foi ou está sendo Doce?

Percalços, pode ser um bom nome para um espetáculo de rua que narre a história de um pequeno grupo de jovens atores e afins teatrais, que em sua também pequena sede matutam e calculam quais as possibilidades de irem até um outro lugar ao encontro de outros tantos pequenos.

INDICAÇÕES PARA A MONTAGEM:

-Os atores podem ter um figurino que se associa a bandidos, para mostrar a vida bandida que vivem!

-Como adereços pode-se usar agendas, calculadoras, bexigas de buffet infantil...

-Durante o espetáculo os atores juntos da platéia podem lambiscar batatas fritas, chipás, pães de queijo e miojo.

-O cenário pode ser livremente inspirado na arquitetura do bairro da Saúde, com alguns retoques de Pinheiros, sem se esqucer da santa infigênia e outros.

-Na parte musical tem que tem Oconocotoco, Os Primatas, Bia Barros e sua flauta e podemos passar as músicas do Celofane.

Dramaturgo toneásticos se apresentem e fiquem a postos. E lembrando que Teatro de Rua recebe ajuda de custo porém não sobe de elevador!

A princípio é isso.


Divagações de Fernando Melo


por Pequeno Teatro de Torneado * 11:08

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[Quarta-feira, 18 de Março de 2009]

SOBRE O PEQUENO TEATRO DE TORNEADO NO FRINGE

Participar de um evento como a mostra “Fringe”, para nosso grupo, significa mais do que uma vitrine de exposição ou de um jogo com o risco. Significa propor o encontro com o outro, o encontro com o corpo/pensamento do outro. Buscamos uma extensão/alteração no nosso percurso/pesquisa. Sabemos que não somos uma voz dissonante; e o que acreditamos é que essa idéia de franja/margem não seja um limite de acertos, e que essa franja/margem possa ser encarada sinceramente como um espaço para a experimentação/espetáculo.

Encararemos público, crítica e classe artística com a mesma serenidade; a leveza do outro, do outro que assim como nós procura uma solução para esse tempo de um homem partido. Para preencher essa “Falta Que Nos Move”. Não queremos um teatro de inimigos, um teatro de pódio e sim um teatro de contribuições coletivas que é da responsabilidade social de todos que o fazem: desde artistas, organizadores, críticos/pensadores, imprensa e público. Um teatro que, na sua forma de ensaio permanente, dê a sua contribuição para a reflexão de seu tempo. E será com dois espetáculos/processos que o Pequeno Teatro de Torneado irá propor esse encontro: em Refugo, a primeira experimentação do coletivo com um texto pronto; em Dias de Campo Belo, um apontamento em processo da pesquisa intitulada “A Dramaturgia dos Moleques”, iniciada em Primavera, primeiro resultado coletivo do grupo.

O grupo não tem a pretensão de ser uma promessa do “Teatro do Amanhã”. Nesse coletivo pulsa uma urgência de um teatro com base numa educação informal. É o que temos para hoje, a realidade de um coletivo de artistas-criadores de 13 a 25 anos. Englobando nisso todas as possibilidades e limites que esse coletivo permite. O Pequeno Teatro de Torneado é um lugar que por hora/outros se propõe a trabalhar o jovem buscando/querendo um tratamento tão crítico/sincero quanto o de qualquer artista/adulto. Assim como na vida as relações não se consolidam apenas com pessoas da mesma idade, no teatro não haveria de ser diferente. E por isso um rótulo de “Teatro Jovem” pode sim ser um limite. Um limite para uma futura possibilidade de daqui a oitenta anos/minutos podermos contar com um outro coletivo que, além de agregar essa experiência da “Dramaturgia dos Moleques”, possa agregar uma experiência humana que busque ser mais completa/necessária. Por fim, preencheremos essa lacuna por pouco tempo/tempo urge sobre nós.

Pequeno Teatro de Torneado/William Costa Lima
www.torneado.blogspot.com teatrodetorneado@gmail.com

Serviço:

Refugo
Datas: 19/03 - 00:00, 20/03 - 18:00, 21/03 - 21:00, 22/03 - 18:00
Preços: R$ 20,00 e R$ 10,00
Local: Teatro Lala Schneider - Rua Treze de Maio, 629 - Largo da Ordem

Dias de Campo Belo
Datas: 19/03 - 21:00, 23/03 - 00:00, 24/03 - 21:00, 25/03 - 00:00
Preços: R$ 20,00 e R$ 10,00
Local: Teatro Edson D' Avila - Rua Treze de Maio, 629 - Largo Da Ordem


por Pequeno Teatro de Torneado * 05:53

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[Quarta-feira, 11 de Março de 2009]


Fim de semana teatral!


Queridos,
Nesse próximo fim de semana, dias 14 e 15 de março, o Pequeno Teatro de Torneado fará duas únicas apresentações dos seus trabalhos mais recentes, para arrecadar fundos para a participação do grupo na mostra Fringe, do Festival de Teatro de Curitiba 2009. Serão apresentados os espetáculos “Refugo” (sábado, 18h, no Teatro Commune) e “Dias de Campo Belo” (domingo, 19h, na Vila Maria Zélia).

REFUGO

texto: Abi Morgan - direção: William Costa Lima

Em seu aniversário de onze anos, Kojo vê sua família ser assassinada por guerrilheiros em meio à guerra civil instaurada em seu país. Aos catorze, é mandado por um tio ao Reino Unido, onde recebe tratamento em um abrigo para crianças refugiadas. Refugo é uma história sobre a infância perdida e um assassinato cometido no Reino Unido por uma criança africana.

Dia 14 de Março, sábado, às 18hNo Teatro Commune - Rua da Consolação, 1218 - Tel: (11) 3476-0792
Ingressos: R$ 20,00(inteira) R$ 10,00(meia)Reservas: (11) 8634-2385

DIAS DE CAMPO BELO

texto e direção: William Costa Lima

Dias de Campo Belo é uma jornada interior, um road movie das memórias e dos sonhos de personagens masculinos que, por alguns instantes, tentam modificar o curso de sua existência, colocar em relevo tudo o que passou desapercebido. Firmam pactos e, a cada vez que eles parecem se diluir, sentem a necessidade de voltar às suas raízes, sem perceber a força social e histórica que age sobre essas rupturas e pequenas ditaduras cotidianas.

Quando: 15/03, domingo, às 19hVila Maria Zélia - Rua dos Prazeres, 362, esquina com a rua Cachoeira - Belenzinho - Zona Leste Quanto: Pague o quanto puderDuração: 50 min
Informações: (11) 8634-2385




por Pequeno Teatro de Torneado * 17:58

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[Terça-feira, 10 de Março de 2009]

Para aquecer

Canta! Gira! Dança!
Meu cavalo quer voar!
Abre a escuta e a roda
A gente vai aligizá!

Se eu estou disperso
Agora é hora de aterrar
Que tudo seja doce!
Pra gente poder lambiscar

Bruno Lourenço


por Pequeno Teatro de Torneado * 12:26

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[Sexta-feira, 6 de Março de 2009]

Das últimas sensações...

Estou procurando a minha existência. Já perdi as contas de quantas vezes já respondi a pergunta: "por que estou aqui?" nas entrevistas dos cursos/núcleos que eu quero fazer. Eu tenho dificuldade para organizar meu fluxo de idéias quando estou falando em público e nesses momentos essas características ficam ainda mais gritantes quando vejo tantas outras pessoas com as mesmas necessidades, fome de arte, assim como eu. O problema nem são as entrevistas em si, mas sim a quantidade de pessoas que estão no mesmo lugar que eu, mesmo que não seja com os mesmos objetivos. O teatro é um mundo pequeno que nos possibilita o encontro, e esse encontro se torna corriqueiro quando buscamos uma arte bacana. Me deixa muito feliz saber que artistas na qual eu admiro o trabalho tem seu trabalho admirado por tantas outras pessoas. Mas fico muito chateada perceber que a demanda de cultura no país é pequena. Estou em São Paulo, que é o maior pico cultural do Brasil, e quando vou fazer entrevista tem gente do país inteiro querendo uma chance também. E não temos vagas para todo mundo, infelizmente. O dinheiro investido em cultura não consegue cobrir os artistas de São Paulo, muito menos os que vem de fora. Mas que bom que esses artistas de fora estão aqui também. O teatro faz o encontro. E mesmo com essa falta de espaço, essa falta de investimento, nós conseguimos nos agregar. Nós vamos fazer desse encontro, um encontro feliz. Muito feliz.

Mayra


por Pequeno Teatro de Torneado * 07:18

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[Quarta-feira, 4 de Março de 2009]

Eu me comporto em relação ao outro.
Não apenas eu, mas todos nós nos comportamos em relação a isto. Os meus sentidos, os meus movimentos, os meus sentimentos, os meus pensamentos, são influenciados por todos Até mesmo a minha própria curiosidade e a minha consciência, que gerou minhas opiniões, nasceram comigo e mesmo assim foram instigadas por outros seres.
Eu me permito esta invasão desde a minha existência, não é uma questão de escolha, de opção. Vivo então atraída, puxada pelos meus semelhantes. Meus extintos, medos e aflições me levam na busca do outro, na complementação, tanto carnal como mental.
Sou guiada e levada por uma força desconhecida.

Estou em um universo desconhecido.

Convivo com universos desconhecidos.

Eu sou um universo desconhecido.
Vivemos em ciclos, os acontecimentos nestes universos ocorrem em um movimento de circunferência vital, de um fluxo preciso e impreciso. O macro se transforma em micro e o micro pode ser tanto o meu quanto o seu macro.
E então, eu me encontro perguntando, quem conseguiu definir o que é o grande e o que é o pequeno, o que está vivo e o que está morto, a diferenciação dos sentimentos, uma rosa de uma mulher apaixonada, um carnaval de um aniversário, um entrelaçar de dedos de um tiro na cabeça, um eu te amo de um tapa na cara.
Eu queria poder, só por um momento, ouvir as sílabas, a pronúncia, de um toque de dois amantes. E ver esse amor ser transmitido pelos planetas que nos circulam, pelas células que nos pertencem, pois os ciclos dos amantes serão constantes, eternamente constantes, assim como todos os outros ciclos naquilo que denominamos de universo desconhecido.

Um chamego, Beatriz Barros


por Pequeno Teatro de Torneado * 09:00

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[Terça-feira, 3 de Março de 2009]

Mitomania

A mitomania é a tendência mórbida para a mentira. Normalmente, as mentiras dos mitomaníacos estão relacionadas a assuntos específicos. Uma menina cujo pai é violento, por exemplo, pode começar a inventar para as colegas como sua relação com o pai é boa e divertida, contando sobre passeios e conversas que nunca existiram. Justamente pelos mitômanos não possuírem consciência plena de suas palavras, os mesmos acabam por iludir os outros em histórias de fins únicos e prácticos, com o intuito de suprirem aquilo de que falta em suas vidas. É considerada uma doença grave, necessitando o portador dela de grande atenção por parte dos amigos e familiares.

Sobre a doença
Dizer a verdade é um sofrimento para quem tem mitomania, doença definida como uma forma de desequilíbrio psíquico caracterizado essencialmente por declarações mentirosas, vistas pelos que sofrem do mal como realidade.
Desse ponto de vista, podemos dizer que o discurso do mitômano é muito diferente daquele do mentiroso ou do fraudador, que tem finalidades práticas. Para estes, o objetivo não é a mentira, sendo esta apenas um meio para outros fins. Contam histórias ao mesmo tempo que acreditam nelas. É também uma forma de consolo.
Esse distúrbio tem sua origem na supervalorização de suas crenças em função da angústia subjacente. Muitas vezes as mesmas se apresentam unidas à angústia profunda, depressão e pós depressão.
De um lado, o mitômano sempre sabe no fundo que o que ele diz não é totalmente verdadeiro. Mas ele também sabe que isso deve ser verdadeiro para que lhe garanta um equilíbrio interior suficiente. Em determinado momento, o sujeito prefere acreditar em sua realidade mais que na realidade objetiva exterior. Ele tem necessidade de contar essa história para se sentir tranqüilizado e de acordo consigo mesmo.
A mitomania não pode ser considerada como uma mentira compulsiva, e sim uma uma doença que se não tratada pode causar transtornos sérios à pessoa que possui. Em geral, essa manifestação deve-se à profunda necessidade de apreço ou atenção.
A maioria dos casos de mitomanía ao serem expostos, tornam-se vergonhosos. Todavia, os mitômanos que buscam ajuda por vontade própria, pedindo a seus familiares e principalmente aos seus amigos, são considerados extremamente raros, pois eles vêem que estão sofrendo de um mal e desejam acima de tudo curar-se. O papel dos companheiros se torna extremamente importante na vida do indivíduo que sofre da doença, já que eles que irão indicar os pontos e erros.
Grande parte dos casos de mitomania levam ao suicídio, principalmente se associados a depressão e pós depressão. O indivíduo ao não obter o apoio necessário e ser excluído daquele grupo que freqüentava ou participava acaba por vivenciar uma situação sem saída, isto é, o mesmo acaba por ser excluído de seus gostos e vê-se sem aquilo que ama e deseja. Casos comuns demonstram que mitomaníacos envergonhados de si, pelo porte de sua doença, infligem-se o óbito quando abandonados por amante, que não compreendem a sua doença e o abandonam, não acreditando na possibilidade de uma cura ou não reestabelecendo os laços afetivos de antes.
Aconselha-se aqueles que rodeiam o mitômano, principalmente se o mesmo obteve uma conversa clara expondo a sua vontade de melhora, a não largarem-no, podendo tal atitude acarretar desejos inconstantes, profunda melancolia, depressão e desejo de suicídio da parte do mitomaníaco. Inicialmente o mesmo apresentará sintomas de solidão e grande desejo de estar acompanhado daqueles que ama. Contudo, ao ver que isso não é possível, acaba optando pelo desejo de morte.

Motivação
Não se sabe ao certo os motivos pelos quais a mitomanía se manifesta no indivíduo. Primeiro, porque acarreta milhares de fatores sócio-psicológicos da pessoa afetada, e segundo, porque enfatiza uma situação social podendo, então, mostrar-se eventual dependendo das circuntâncias presentes na época em que o indivíduo está vivendo. Na maioria das vezes é por desejo de aceitação daqueles que o rodeiam .

Cura
A cura do indivíduo reside muitas vezes na implementação de um quadro de cuidados que associa o tratamento em meio psiquiátrico do problema subjacente a um acompanhamento psicoterápico. Tal acompanhamento torna-se a parte mais importante, sendo realizado pelas pessoas que rodeiam o mitômano e que o mesmo requisitou para ajudá-lo. É importante nunca negar ao mesmo tal acompanhamento, sendo este a chave para a cura, até mais importante que um tratamento psiquiátrico.

-

O que temos a dizer sobre isso?
Vamos pensar um pouco sobre isso.

Esse texto foi retirado de: http://pt.wikipedia.org/wiki/Mitomania

Bruno Lourenço


por Pequeno Teatro de Torneado * 15:56

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[Sábado, 28 de Fevereiro de 2009]

Sobre a inconstância dos amores

O onibus vai passando pela avenida e eu vou dando 'Adeus' ao carnaval que passou.
Anjos e Diabos se encontram, se colocam duelando em diferentes pratos de uma mesma balança
Um ano não é feito de carnavais. É feito de feriados para a devoção religiosa, de 'dias do carteiros', de "Aulas normais na segunda-feira".
Criamos sonhos e ilusões durante 361 dias. Nossos sonhos viram metas, e nossas metas viram sucesso. Ou pior, viram utopia.
Mas nesses 4 dias que sobram tudo se converte. Não em menos pureza, mas é como se uma fadinha malvada viesse, é como se o Puck chegasse e fizesse 'plim', tudo que é cabeça vira corpo, e tudo que é corpo vira cabeça.
Daí os amores somem, se transformam, se renovam. Viram outros, deixam de existir... mas fica tudo lá em casa.
"Não tem problema por que essa marchinha já canta tudo que eu quero dizer."
"Não tem problema por que o maracatu grita o tambor do meu coração."
Então, quando tudo parece ser o mais tranquilo caos, minha cabeça quer voltar pro meu corpo e meu corpo pra minha cabeça. Desejos pra um lado, de um lado pra outro. Mas aquele pózinho da fadinha malvada não deixa. Agora minha cabeça é corpo e meu corpo é cabeça. Eu sou o dobro de mim e muito mais eu.
Perco todos os amores. E eles viram pó na quarta-feira de cinzas.
Mas com a chuva, que sempre acompanha o fim das festas, a cinza vira terra, a terra vira barro, o barro vira argila e a argila vira pote, vira jarro... Vira amor.
E eu sobrevivo à inconstância dos amores.

Bruno Lourenço


por Pequeno Teatro de Torneado * 13:41

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[Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2009]

Herói!

Há mais ou menos um mês atrás fui trabalhar numa loja. Era um lugar frio, meio monótono. Tinha um ar condicionado tipo daqueles do shopping, sabe? Aqueles que dão um friozinho na espinha?
Essa loja ficava quase todos os dias cheia de gente. Comprando, gastando dinheiro como loucos. E eu gostava de ver a variedade de pessoas que passavam por ali, era interessante. Advogados, médicos, donas de casa, servidores públicos, adolescentes, músicos... Muita gente. Mas eu só gostava quando a loja fechava. Aí sim, eu achava legal. O ar condicionado que dava um frio era desligado, podia-se ouvir música na sala da gerência e o salão de compras estava vazio. Um salão inteiro, vazio. E quando eu não tinha compromissos posteriores eu ficava lá, sentado num banco e observando aquele imenso salão. Ouvindo Alcione no rádio do chefe. Com calor. E foi durante um desses dias que apareceu o Victor. Ele era o filho do gerente, tinha cinco anos, e ficava o dia todo dentro do escritório jogando Homem-Aranha no Playstation 2 dele. Eu nunca havia falado com ele.
Ele se aproximou com um pouco de vergonha, sentou do meu lado e ficou olhando para onde eu estava olhando. Procurando por alguma coisa. Então, ele apontou para o próprio peito e perguntou:
- Você conhece?
Olhei para a camisa dele, e vi que ele estava apontando para o Homem-Aranha. Eu acho que sorri no momento, mas não me lembro de ter sorrido. Mas acho que sorri, e respondi que sim. E ele novamente continuou olhando o salão.
E assim passou um dois minutos. Então, ele se levantou e disse:
- Você é muito chato!
Tomei um susto. Sim, eu sou meio chato mesmo, mas ouvir isso de uma criança de cinco anos foi meio forte.
- Porque? - perguntei.
- Porque você não brinca comigo.
E continuou andando, sem me dar atenção. E parou no meio do salão, onde começou a brincar de Homem-Aranha, salvando as pessoas que existiam apenas em sua imaginação. Ele pulava, soltava teia, gritava e quando estava quase acabando com o inimigo, dizia: "Chegou seu fim, Fulano-de-Tal". Toda vez. Repetiu isso umas três vezes, até que me cansei e me levantei. Fui até o meio do salão e disse:
- Tudo bem, Homem-Aranha. Você nunca será páreo para mim. Sou o Dr. Octopus!
Nunca havia visto o olhar de uma criança brilhar tanto. E aquele brilho durou. Durou uns dois segundos, vai... pois no instante seguinte o olhar dele se transformou em justiça. Ele já havia voltado a se transformar no Homem-Aranha e agora estava lutando contra mim. Brincamos durante meia hora, e então, depois de ele ter dito umas seis vezes a frase "Chegou seu fim, Dr. Octopus", sentamos novamente no banco. Rindo. E cansados. Havia gostado muito de brincar dessa forma com o Victor. Ele era uma criança bem divertida. Me fazia rir.
- Victor, eu tenho que ir. - Eu disse e ele tomou um susto, olhando pra mim.
- Não. - ele disse.
- Tenho que ir, já está tarde e...
- Sua mãe vai brigar com você?
- Não... Talvez meu pai. - Desta vez eu lembro de ter sorrido.
Ele confirmou com a cabeça, e disse para eu esperar um pouco. Correu até o escritório, e voltou com uma folha de papel e uma caneta. Colocou a folha no banco, e rabiscou várias vezes a folha. E no final dela, com muita dificuldade, escreveu "Victor."
Me entregou a folha e disse:
- Tá escrito... Você agora é meu amigo. Você tem que ir embora, mas amanhã vai brincar de novo comigo. Não me decepcione. Victor.
Peguei a folha, dobrei e guardei dentro de minha carteira. A tenho até hoje.

Depois desse dia começamos a brincar sempre. Até o meu último dia na loja. Lutas árduas.
Mas o Homem-Aranha sempre vencia.


Renan Almeida.


por Pequeno Teatro de Torneado * 20:07

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[Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009]

Rafaela Rocha, um pouco mais Rafaela Rocha agora. Sem medo e morrendo de curiosidade.
Nossa vida começa quando não negamos mais nossos gostos, sonhos e cultura.
Olho para o passado e reconheço que nada foi tempo perdido ou saudade mal sentida, tendo em vista que cada partícula de mim é um fenótipo modificado pelo ambiente em que vivo ou vivi, ambiente esse formado por pessoas amadas e que amam, jasmins, sorrisos, abraços, calçadas apagadas, ônibus atrasados, metrôs que entram nos buracos, crianças sem pais, família felizes, cotonetes sujos. Toda pequena coisa se torna única, pela cera que saiu da minha orelha, pelas famílias que me fizeram pensar e repensar nas relações que construí ou devo reconstruir, pelo abandono injusto que não me deixa acomodar, os atrasos por conta do trânsito ou de um objeto não identificado na linha do metrô, atrasos fundamentais para que eu tivesse idéias mirabolantes sobre quando e como, pelos tropeções que provocaram o riso de mim sobre mim ao correr dos carros, os carros que passam por essas ruas de faixas gastas, cheias de carros e pessoas. Pessoas que amam e por isso me fizeram entender o que é ser amada e que melhor do que isso, só aprender a amar sem esperar a reciprocidade. Pessoas da rua, que me sorriram de graça, que me abraçaram de graça, que me fizeram entender a simplicidade que existe na beleza de uma jasmim, jasmim que acaba de cair na calçada, calçada que as pessoas pisam, calçada que testemunha o barulho dos carros, que forma meu ambiente e que acolhe a bela jasmim. Jasmim, que não perde suas cores NUNCA, mas as transforma com o tempo.

Que as cores que aprendi a enxergam nunca se percam, mas se transformem e procurem cada vez mais simplicidade em sua beleza dentro do seu tempo de existência infinita.


por Pequeno Teatro de Torneado * 12:59

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[Sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2009]

Vestibular.
Desço a rua para ir à casa do meu vizinho pegar os livros dele para estudar.
Ele passou na USP..
Eu preciso passar, eu quero passar.
Só que na UNESP.
Desço, desço, desço a rua correndo.
Chego lá, ele não tem como sair de casa.
Eu grito.
"IAN! JOGA OS LIVROS PELA JANELA!"
E então ele joga.

Os livros caem, um por um, eu vou pegando, e colocando eles no chão.
As pessoas na rua param, olham todos aqueles livros sendo jogados, de mão em mão, enquanto eu desejava que eles caíssem com todo o seu conteúdo em minha cabeça, direto em minha cabeça: ou para me matar e acabar logo com isso ou para eles se introduzirem de modo mais fácil, prático e rápido dentro de mim.
O Ian termina de jogar, e eu grito:
"Só vindo uma ajuda do céu para eu passar nisso!"

Um livro nunca pensou em voar, um livro nunca teve a ambição de voar. Mas eu, eu nunca quis tanto ser um livro como hoje de tarde. Eu nunca quis tanto saber tudo o que ele sabe e ser jogado no ar, flutuar em míseros segundos e depois relembrar da lei da gravidade e, cair. Que o oxigênio invadisse entre as minhas folhas, com liberdade total para circular dentro de mim, com total intimidade para tudo. Eu sinto tudo, sinto o ar, a força que me move, o meu corpo se queixando do frio da ventania que eu provoquei.

Corre, corre!
Desce a rua correndo, da um pulo e.. De repente. De repente o que era grande vira pequeno, e o que era pequeno vira nada. De repente você mergulha em um oceano onde só existe você e nuvens para flutuar.
Eu já estou lá em cima, e ver que liberdade é uma das palavras mais clichês do universo quando você sente que, abrir os braços não é o suficiente para se expandir o quanto você quer. Eu me sinto limitada por ser um ser humano. Eu vivo buscando o vôo, a minha expansão, até a hora que eu apagar, sumir do céu, do universo, cair.

Cair sem fim, cair dentro de um buraco negro pra não ouvir meu corpo se estatelando no chão e meu cérebro apagando. Mas aí eu penso, e desejo que o fim demorasse muito para chegar, pois ultimamente... Eu tenho tanto medo dele.
Eu tenho medo do que vai ser, a preparação me deixa nervosa, ansiosa. Eu penso tanta coisa, eu sinto falta de tanta coisa. Sinto falta de voar por outros meios, de voar com o torneado, de voar pra Recife.

A minha histeria é como um vício para mim, uma droga que se eu não consumi-la eu vou triturando a mim mesma bem devagar. Eu sinto a necessidade de gritar, para aliviar tudo isso.



Prazer, este é o meu grito.

Beatriz Barros


por Pequeno Teatro de Torneado * 13:26

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[Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2009]

Anti-sol, Ante Luz

Sabe aquela plantinha que fica presa na caixa e depois de algum tempo, sobe em direção a luz?
É algum lugar que fez parte de mim, mas eu não conheci.
São figuras que estavam presas dentro de mim, que eu sempre tento fazer sair.
A angústia que fica desse lado da janela, quando não conseguimos conhecer o mundo que existe lá fora.
O nosso sagrado, constítuido em espaço cênico
A idéia de que o teatro existe, pode existir em qualquer lugar
Na forma simples e bela.
E a nossa pesquisa, amadurecida, viva
Presente em outros corpos.
Fico feliz em saber que, a Primavera se prorroga mesmo e continuamos florescendo.
E somos todos parte desse jardim.

Mayra


por Pequeno Teatro de Torneado * 05:04

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Torneado e sua fada madrinha.

Há algum tempo eu tive um sonho.

Primeiramente, ele começava com a fada madrinha do Pinóquio. Ela simplesmente apareceu do nada e começou a falar: “A história que vou lhes contar veio dos tempos mais antigos e das terras mais distantes. A história que vou lhes contar se chama: Primavera.”
Aí começou.
Estávamos em cartaz com o Primavera no Pyndorama. Estávamos terminando... Era a última cena e as luzes já estavam se apagando. Enfim, apagou. Ela acendeu novamente e o William foi agradecer ao público e essas coisinhas. O público saiu e começamos a arrumar as coisas. E durante a desmontagem, o Fernando vira pra gente e fala: “Vamos assistir aquele Despertar da Primavera que está no Estúdio do Clã?” Todos concordamos, e assim que terminamos a desmontagem, corremos para o Clã. Chegando na bilheteria eles não nos deixam entrar. Diziam que o Torneado estava totalmente proibido de assistir esse Despertar. A gente achou estranho, né? Mas constatamos que devia ser de alguma pessoa que não gosta da gente, então, resolvemos ir embora. Mas antes, o Fê quis ir ao banheiro que era ao lado do Estúdio e de lá ele pôde ouvir o texto... Que era exatamente idêntico ao do Primavera!!! Ele saiu do banheiro muito bravo e venho contar pra gente. Todos ficaram irados, e estávamos prestes a tomar um partido quando a Bia Cavalcante disse: “Espera aí, gente... Vou resolver essas paradas!”
Passou pelos caras que não queriam nos deixar entrar, e chegou ao lugar... O cenário era exatamente o mesmo do Primavera, alguns atores eram até meio parecidos. Com exceção de alguns: o Morritz era um loirinho de olhos verdes e o Melchior um negro careca de uns dois metros.
A Bia chegou lá e começou a gritar, armar o maior barraco. E a gente só via pessoas saindo correndo de dentro do clã, e alguns atores sendo chutados pra fora. (sabe aquela cena de Um Maluco no Pedaço? Quando o tio Phil chuta o Jazz pra fora? Exatamente!)

Depois de alguns minutos, ela chama pela Bia Barros, que também entra. E depois de mais algum tempo, elas saem carregando todo o cenário e dizendo que a gente podia usar como reserva.

Aí, aparecia a fada madrinha de novo e dizia: “Não usem drogas, sejam felizes. FIM!”

Renan Almeida.



por Pequeno Teatro de Torneado * 03:38

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[Sábado, 24 de Janeiro de 2009]

Nascemos com a postura de um membro extravassado de seu conforto, de sua casa. Este membro que, logo após sua saída, da um berro de desconforto pela sua primeira parcela de oxigênio que invade os seus pequeninos membros e, logo depois, chora pelo conforto perdido, pela falta de um mundo que nunca mais verá: a partir de agora será apenas externo, não pode mais voltar.
Uma dor agonizante nos invade, e para amenizar esta dor, alguem nos pega no colo e canta uma canção de ninar. E aí, o toque é descoberto como toque, a lágrima é descoberta como o líquido aminótico, a mão é descoberta como mãozinha, e a mulher é descoberta como o externo da minha casinha. E então você pensa "eu fui feito aí", o meu sangue é o teu sangue e a minha pele é a tua pele. E você ve a sua origem, a sua raíz.
É uma relação de acordo, de relembrar o seu conforto perdido, o seu útero despedaçado agora se transforma em braços que te envolvem e te acolhem, são nove meses para uma vida sem garantia de tempo, e é necessário os braços para nos levantar, para nos ensinar, para nos aconchegar da perda.
Nós crescemos, anos se passam e o nosso corpo se expande, abrange lugares e nosso olhar e nossa mente abrangem distâncias, conhecimento do externo desconhecido. E depois, descobrirmos que podemos gerar alguem, mas aí que começa a essência: passamos por um processo de perda. Todo mês, a mulher perde uma parte de si, se renova para a preparação de sua criação. Durante anos, ela se prepara para o maior desmembramento de sua vida, a maior perda e o maior ganho. A junção de duas partes que se encaixam, gera o caminho mais híbrido da sua vida. A partir desta junção a mulher deverá amar e odiar, sorrir e chorar, sofrer e amar. Pois um ser humano necessita dos dois lados dispostos em sua formação, para se descobrir e descobrir o mundo em que ele foi posto.
E então, durante a preparação, nós descobrimos o que é amor, e a sua necessidade para a criação de outro alguem. E tudo se coloca na frente, tudo é transmitido com a mesma fórmula inicial, com a mesma origem. Você descobre que um "como foi seu dia?", ou "você está com frio?" ou mesmo um "machucou?" saíram do mesmo lugar. Que o seu útero se manifesta com palavras que não sabem se organizar direito, que se perdem de tão carregadas que são.
Depois de um "eu te amo", depois de noites, dias, tardes vivenciando este amor, depois do seu homem descansar dentro de você durante diversos momentos, depois de ser preenchida, completada, de ser renovada nos seus desejos e renovar os desejos de alguem, nasce outro alguem. O nascimento não é apenas a saída de sua casa, mas é o nascimento de uma ídeia, da existência de um novo indivíduo em nossas vidas. O amor de um ser humano nunca foi tão grande e direcionado para algo tão minúsculo, tão microscópico. Meses se passam, e o tamanho do seu amor, cresce assim como o seu indivíduo dono do seu amor. A consumação do seu corpo se torna algo disponível para ele, pois ele é seu e você é dele, e uma troca mais justa não existe. Você vive para ele.
Nove, nove meses. Nove meses de novos movimentos dentro de você, de novas células sendo criadas, novas dores, e nove meses para se preparar para desmembrar aquilo que você ama, tira-lo de sua casa e dar-lhe uma nova casa. E aí, quando nasce, você percebe que agora, você é o útero.
E se desmembrar, é mais do que um motivo de existência.


Beijobeijo, Beatriz Barros.


por Pequeno Teatro de Torneado * 20:08

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[Sexta-feira, 16 de Janeiro de 2009]


Hoje voltei pra casa. Eu vi coisas muito bonitas, parece que quando estou com minha família, com a minha raiz, eu me recordo de fatos que estavam bloquados na minha memória. Me encontrei em situações que me fizeram recordar, me trouxeram lembranças de acontecimentos doces que eu queria dividir com vocês, pelo fato de que todas estas lembranças automaticamente colocaram o grupo na minha mente. São textos simples que eu acho que tem relação com nossa pesquisa.
Eu acho que, eu descobri que para mim, o caminho mais fácil de chegar perto da minha infância e relembrar, tanto sensações como imagens e palavras é: quando eu estou com minha família... e quando eu estou com o torneado. O texto que o Bruno postou anterior a este, comentando sobre os diálogos com os seus primos, tambem me incentivou a postar estes textos.



"Eu queria ter o tamanho de não alcançar o tamanho de nada"

1
Quando eu era criança, a tia Bebel as vezes estava no Brasil.
Ela morava na Inglaterra, e eu sabia que ela ja tinha morado na índia graças aos elefantes indianos que eu encontrava pelos cantos do quarto da minha mãe, eles eram deuses para mim, eu sempre achava que a minha mãe ia me matar quando me pegasse brincando com eles. Pequeninos e de madeira, eram do tamanho da palma da minha mão, e eu queria leva-los comigo e esconde-los. Eu achava a minha tia uma figura mística, e não vou mentir que ainda acho um pouco, eu sempre sentia um desejo incontrolável de busca quando entrava em sua casa, uma curiosidade maior que qualquer empurrão dentro de um buraco escuro desconhecido. Certo dia, em uma destas vindas ao Brasil, eu me lembro de ter ido para Teresópolis com ela. Estavamos as duas sentadas no banco de trás do carro, quando ela quebrou o silêncio me perguntando:

- Gosta das montanhas Beatriz?

- Eu gosto - Disse rápida e surpresa.

- E o que você mais pensa sobre elas?

Eu hesitei por um momento, e me perguntei o que penso quando vejo uma montanha. E então respondi:

- Eu sempre olho para a mais distante e me pergunto "o que dá pra vê de lá?". Com certeza, desta montanha mais distante eu consiga ver outra, ainda mais distante, então eu iria correndo até aquela segunda mais distante, até fazer isso diversas vezes e chegar no oceano.

Minha tia ficou em silêncio, observando as montanhas, e então, depois de um longo espaço de tempo, ela disse:

- Eu gosto de ficar observando qual é a montanha mais azul entre todas que eu possa ver. Esta, que eu encontrar com o tom mais escuro de azul, é a mais distante.

- Então a gente sempre busca o azul neh?

E então, ela olhou nos fundos dos meus olhos, e sorriu pra mim. Até hoje, quando eu viajo e vejo montanhas distantes, eu lembro da minha tia, e da minha vontade de sair correndo montanha abaixo para chegar no oceano mais próximo, e buscar o meu azul.


2
Nesta viagem, eu conheçi o Joãozinho: meu primo de 4º grau. Ele tem 4 anos, é um menino magrelo loirinho de cabelo liso, todo meloso e saltitante. Tava no jardim, tirando foto dele, quando ele pegou uma pedra, virou para mim, e disse:

- Guarda para mim?
E eu assustada, perguntei:
- Pra que João?

- Pra colocar na ponta do meu castelo! - Ele gritou com um sorriso imenso por ter a sabedoria de construir um castelo de areia.

Obivo que eu guardei a pedra, e levei para a praia junto comigo. Chegando lá, o João se esqueceu dela quando viu o tamanho do mar cheio de pedras que tava na frente dele.

No começo, ele ficou com vergonha de entrar, tava com medo da maré puxar ele lá pro fundão. Mas aí, o meu tio pegou ele no colo, e ele entrou. Depois disso, o João saia correndo do mar até onde eu e o restante da minha família estavamos sentados. E ele gritava "EU MERGULHEI E BEBI ÁGUA DOCE! EU MERGULHEI E BEBI ÁGUA DOCE!"

Voltando para casa, eu perguntei:

- Quer dizer então que você bebeu água doce João?

- É sim! - Com o maior sorriso de dentes de leite que eu já vi.

- Mas ué, a água do mar não é salgada?

E aí, ele parou de andar, puxou a minha mão, e disse:
- É claro que não, se eu pegar um saco de açúcar que tem lá em casa e abrir no mar, ele vai ficar docinho, mais doce que qualquer doce que tu já comeu! Com certeza alguem abriu um saco de açúcar antes de eu entrar no mar e jogo para mim!


3
Quando eu era pequena, eu sempre pensava: vou cortar um pedaço da estrada que me separa da minha família que mora longe, e vou jogar no mar este pedaço. E a terra em que eles estão eu empurraria com muita força pra se juntar com a outra terra, e aí, tudo se encaixava. Juntava e formava uma cidade só, com todo mundo morando na mesma rua. Minha família do Rio de Janeiro com meus amigos de São Paulo.


4
Eu vou ser sincera.
Essa é uma confição meio que, engraçada até para alguns, mas aa.. porque não dividir agora?

Eu tenho um sonho, desde quando eu morava em Recife. Uma vez, eu fui no circo de lá. Todo mundo tem vontade de ser equilibrista, ou bailarina, ou domador de animais, ou até o palhaço alguem quer ser. Bom, eu tinha vontade, não de ser pipoqueiro ou vendedor de ingresso, mas eu tinha vontade de ser apresentadora do circo.

Sabe, eu sempre quis, chegar lá na frente e gritar, com um paletó vermelho, uma cartola dourada e um bigodão preto "SENHOOOOOOOOOOOOOOOOOOORAAAAAAAAAAAAAAAAAAS E SENHOOOOOOOREEEEEEEEEES!!",





e os tambores tocam.

Eu não queria crescer e ser médica, ou ser veterinária, eu queria apresentar um circo. Queria subir em um elefante branco e ir viajando, de cidade em cidade, gritando e berrando e chamando todos para assistir o espetáculo de hoje a noite. Eu queria dar gargalhadas e gargalhadas daquelas de botar medo na platéia e logo depois derramar lágrimas de felicidade saídas de uma flor, graças ao palhaço ter feito o público rir e do mágico ter feito um coelho nascer de seu chapéu. Queria me emocionar todo dia com o amor do equilibrista e da bailarina atrás do picadeiro, e soltar os animais das gaiolas antes do domador sentir que este pode ser o último momento da sua vida. Eu queria coordenar aquela brincadeira, aquele jogo de aplausos e risadas e emoções escancaradas, cheias de cores e brilhantes que o circo me disponibilizava. Eu queria uma duas três cambalhotas todos os dias do ano, todos os dias da vida, e que eu pudesse morrer dando uma cambalhota! Que eu pudesse morrer abraçando tudo isso, todas as crianças que eu encantava e que me encantavam.

Mas eu só tinha 7 anos.





*a foto que eu postei fui eu mesma que tirei! É o João, correndo na praia.
um beijo para todos,

Beatriz Barros.



por Pequeno Teatro de Torneado * 21:50

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[Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2009]

Pequeno repertório de férias - Crianças

Estávamos o Léo, o Mateus e eu a caminhar pela praia quando o assunto virou 'profissão'.
Léo, com seus magnificos 13 anos (idade maravilhosa - de espinhas na cara) me perguntou qual seria minha profissão.
Eu, mais curtindo brincar com o Mateus, de 5 anos (idade maravilhosa - de areia na cara), respondi:
- Vai ser a mesma que a do Teus.
Então veio a pergunta:
- Teus, o que você quer ser quando crescer?
Ele, entretido pelas ondas, parou e pensou um segundo. Numa posição clássica dos desenhos animados.
Levantou os olhinhos, colocou a mão no queixo e após criar um pequeno momento de expectativa, disparou a resposta que ele já conhecia:
- Um príncipe!
Por um segundo eu estranhei e perguntei, quase que autômato:
- Mas o que você vai fazer pra ganhar dinheiro?
- Nada. Só vou ser um príncipe.


-

Alguns dias mais tarde eu estava aqui em casa com a minha irmã Adriana (5 anos) e alguns amiguinhos dela; A Larissa (Com uns 4 anos) e o Gustavo (com 6).
No meu tempo (falou o veterano) as crianças brincavam de esconde-esconde e pega-pega. Sempre juntas. Era raro ver crianças brincando sozinhas, e eu era uma que oscilava entre os dois pontos.
Deixei a Di e o Gustavo brincando no computador (no meu tempo... Ah, deixa!) e fui pegar um copo d'água. Quando fui lavar o copo, vi a Larissa sentada no quarto da Di brincando com alguns brinquedos dela, sozinha.
- Oi Larissa! Não vai querer brincar com a Di e com o Gustavo?
- Ah, eu não gosto muito de mexer no computador. A Adriana me chama pra brincar aqui, mas eu gosto de brincar sozinha também
- Ela tem uma vozinha fina, mesmo pra sua idade, e um jeito de falar enrolado... Mesmo pra sua idade. Não vou escrever como ela fala, deixo a imaginação de vocês falar mais alto. - Sabia que minha irmã quebrou minha bicicleta? Eu ganhei uma bicicleta no meu aniversário e minha irmã quebrou.
- Ah é? E você quer ganhar outra?
- Ah, eu queria.... Mas fazer o quê? Mais importante é a vida...


Bruno Lourenço



por Pequeno Teatro de Torneado * 21:12

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[Domingo, 4 de Janeiro de 2009]

Torneados na Tv!

Essa semana vai passar o programa que nós gravamos na Tv Cultura.

Programa Ao Ponto

Dia 5/1 - Tv Futura - 20:30
Dia 8/1 - Tv Cultura - 19:30

Um ótimo 2009 para todos!


por Pequeno Teatro de Torneado * 18:59

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[Quinta-feira, 25 de Dezembro de 2008]

Olá Queridos! Este é um texto que foi escrito baseado em experiências que vivenciei com a Mayra em um Parquinho ao lado do Cemitério Cachoeirinha!


O NOSSO infantil!

Em uma balança de um parque, parque esse que oniricamente faz parte da vida de uma amiga, foi onde comecei a retornar aos acontecimentos da minha infância nesse lugar e a congregar essas preciosas e poderosas lembranças.

No começo foi um leve balançar, que foi se intensificando com o uso da minha força física e mental, lembranças foram me impulsionando a querer ir mais alto, logo, mais (pro)fundo, e o barulho constante pelo tempo de uso da balança foi me tomando, hoje com meu conhecimento alternativo (tipo, meu?!) posso afirmar se assemelhar a uma música da Bjork, e é impressionante como fazemos associações com o atual, no caso a música de Bjork se assemelha ao som da Balança, não é nem preciso divagar sobre que veio primeiro (ovo, galinha, ajudou?!), enfim, com o som fui entrando num transe, e com ele a companhia do medo da exibição, de escancarar o que estava lembrando, mas aos poucos a criança foi emergindo, não com toda sua potência, mas foi o bastante para que eu começasse a contar minhas experiências, sem muito as aumentar para ganhar a aprovação (um policiamento meu, para que eu não minta!), e mágico foi ver que minha amiga também estava na mesma atmosfera, iniciou-se ai uma congregação que a um tempo namorávamos, e que se depender da criança vai dar samba!

Fomos a Gangorra, um sobe e desce bem metafórico (hehe!) e de lá começamos uma conversa um tanto prática, sobre artefatos técnicos do que hoje nos cerca, o Teatro, Uma luz. Tobogã, escorregador, a quem vamos dirigir, dramaturgia, palco de madeira, pequenas apresentações, um processo nosso, Beatles, Arnaldo Antunes, Palavra Cantada. Tudo isso são prés, mas mutáveis e RITUALizados, senão seriam(ão) parativos ;).


por Pequeno Teatro de Torneado * 12:49

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[Sexta-feira, 19 de Dezembro de 2008]

Bia Cavalcante postando aqui.
Bom, há um tempo atrás eu recebi uma carta que me emocionou muito. Que, na minha opinião, é cheia de inteligência sem perder humanidade. E eu gostaria muito de compartilhá-la com vocês, então...

"Não estou aqui para confessar tudo e contar sobre como foi horrível, que meu pai era mau, a minha mãe era má e algum garoto me chamou de balofa na terceira série, porque nada disso é verdade. Eu não vou repetir sem parar o quanto os transtornos alimentares "têm a ver com controle", porque todos já ouvimos isso. É uma palavra-chave, reduzida, categórica, uma forma organizada de amontoar as pessoas numa quarentena mental e dizer: Pronto. É isso. Transtornos alimentares "têm a ver com": sim, controle, e história, filosofia, sociedade, estranheza pessoal, problemas familiares, auto-erotismo, mitos, espelhos, amor e morte e sadomasoquismo, revistas e religião, os tropeções de um indivíduo de olhos vendados através de um mundo cada vez mais estranho. A questão não é realmente se os transtornos alimentares são "neuróticos" e indicam uma falha na mente, mas sim por quê. Por que esta falha, o que ligou esta chave, por que somos tantos de nós? Por que esta escolha tão fácil? Por que agora? Alguma toxina no ar? Algum aborto da natureza que virou as mulheres contra seus próprios corpos com uma virulência nunca antes vista na história, de repente, sem qualquer motivo? O indivíduo não existe fora da sociedade. Há motivos pelos quais isto está acontecendo, e eles não estão apenas na mente.
Os meus termos correspondem à heresia cultural. Precisei dizer: vou comer o que quiser, ter a aparência que me der na telha, rir tão alto quanto tiver vontade, usar o garfo errado e lamber a minha faca. Tive de aprender lições estranhas e deliciosas, lições que muito poucas mulheres aprendem: a amar o barulho dos meus passos, o sifnigicado do peso, da presença e do espaço ocupado, a amar as fomes rebeldes do meu corpo, respostas ao toque, a compreender a mim mesma como mais do que um cérebro ligado a um feixe de ossos. Preciso ignorar a cacofonia cultural que canta o dia inteiro, numa ladainha, muito, muito, muito. Como escreve Abra Fortune Chernik, "Ganhar peso e erguer a minha cabeça da privada foi o maior ato político da minha vida".
Um transtorno alimentar é, em muitos sentidos, uma elaboração bastante lógica de uma idéia cultural. Enquanto a personalidade de uma pessoa com transtorno alimentar exerce uma função imensa - somos freqüentemente pessoas de extremos, altamente competitivas, incrivelmente autocríticas, determinadas, perfeccionistas, com tendência ao excesso - e, embora a família de uma pessoa com transtorno alimentar desempenhe um papel bastante crucial na criação de um ambiente no qual o transtorno possa se desenvolver como uma flor de estufa, eu acredito que o ambiente cultural é igualmente, se não mais, culpado da absoluta popularidade dos transtornos alimentares. Havia inúmeros métodos de autodestruição disponíveis para mim, incontáveis saídas que poderiam ter canalizado a minha determinação, o meu perfeccionismo, a minha ambição e o meu excesso de intensidade em geral, milhões de maneiras com as quais eu poderia ter reagido a uma cultura que considerava altamente problemática. Eu não escolhi essas maneiras. Eu escolhi um transtorno alimentar.
A menina se levanta todos os dias e cria a si mesma com roupas e pintura. Ela escreve à noite sobre homens que olharam e garotos que tocaram, e se pesa. Ela escreve sobre a grande fraqueza que a levou até o armário da cozinha e a fez comer. Ela nunca escreve o suficiente. A confissão é insuficiente. A absolvição nunca vem na articulação, apenas na penitência. Ela pensa nas santas: seus flagelos, suas camas de pregos, saus desculpas com séculos de atraso por Eva, que condenou todas as mulheres às dores da carne ao ceder aos prazeres dessa carne. Elas laceram a própria carne em penitência por Eva, pelos pecados do mundo, que carregam nos ombros como se fossem seus. Vestem cilício ou navalhas perto da pele.
Ela lê livros sobre as santas. As anoréticas santificadas, que, em seu asceticismo sagrado, insistiam que Deus as estava mandando jejuar. Ela pensa em Deus. Ela determina que, se os dois estivessem se falando, ele a mandaria jejuar pelos pecados em geral. O cilício é a sua própria pele, raspando a crueza do que há por baixo. Ela se dispôs a se erguer acima da carne: sem comida, sem sexo, sem toque, sem sono. Ela cheira cocaína em seu quarto floreado para não sucumbir ao sono, uma fraqueza, e ela, já fraca demais recusa-se a sucumbir. A bulimia e as drogas levam à insônia e ao desequilíbrio químico. A insônia leva à mania, um fluxo de pensamentos constantes e imagens sadicamente realistas brotando no cérebro - "a atroz lucidez da insônia", definiu Borges -, os pensamentos girando para cima, num assovio agudo, enquanto uma chaleira apita dentro do cérebro.
Ela passa tempo demais sem dormir e pira.
Ela não lembra de quando começou. Volta a sentir um violento medo do escuro. Está velha demais para isso, lembram os pais. Toda noite, ela faz o pai conferir cada fechadura, cada janela e cada porta, vasculhar o porão atrás do homem que ela tem certeza que veio pegá-la, o homem com a faca. Ela fica deitada na cama, dura como um cadáver, esperando pelos passos na escada. Ela não consegue dormir. Cada movimento e suspiro da casa, cada rajada de vento nas paredes e nas árvores, faz com que ela dê um salto na cama, gritando pelo pai. O pai vem correndo e se esforça muito para compreender. Ela não pode ficar sozinha em casa. Ela fica sozinha em casa desde os 9 anos de idade. Aos 14, isso se torna impossível. Ela se senta nos degraus da frente da casa quando chega da escola e espera até alguém chegar. A tremedeira: ela lembra principalmente da tremedeira, de todo o seu corpo, tenso e trêmulo, esperando pelo homem que vai encurralá-la no quarto e despedaçá-la com sua faca.
Olhando para trás, ela pensa que aquilo era uma premonição. Foi o último ano que ela morou em casa. Ela quer que a mãe e o pai a salvem. Ela diz issom e o pai pergunta a sério: de quê?
De mim mesma.
A voz corrente sobre os transtornos alimentares é que eles são uma tentativa de voltar a ser criança, uma regressão. Em vez de olhar para os transtornos alimentares como um desejo infantil de voltar para uma simbiose ex utero com a mãe, acho que é importante registrar que eles podem ser um genômeno cultural e geracional do bom e velho burnout. A minha geração foi alienada por propaganda subliminar, televisão burra, filmes violentos, uma insípida literatura de balcão, MTV, videocassetes, fast food, informes comerciais, anúncios em papel cuchê, auxílio a dieta, cirurgia plástica, uma cultura pop na qual a supermodelo hiperblasé de olhos inexpressivos era uma heroína. Isso é o equivalente intelectual e emocional de não comer nada além de doces industrializados - você fica subnutrida e cansada. Crescemos num mundo em que a superfície da coisa é infinitamente mais importante do que a sua substância - e no qual a superfície da coisa precisa ser "perfeita", urbana, sofisticada, blasé, adulta. Eu diria que se você crescer tentando ser constantemente um adulto, um adulto de sucesso, você estará cansando de ser adulto quando atingir a maioridade."


por Pequeno Teatro de Torneado * 19:30

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[Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2008]

Iremos começar um novo processo no ano que vem.
Um estudo sobre 'Hamlet' e 'A Gaivota'.
E vamos tentar ter como foco questões sociais.

Eu coloco um texto aqui para todos nós.
São dois professores.
O de matemática e o de história.

Acho que tem um pouco a ver com o nosso novo processo.

"Foi servir-se de um café, voltou a sentar-se e, sossegadamente, estendeu o jornal em cima da mesa, disposto a inteirar-se do estado geral do mundo e do país. Depois de percorrer os títulos da primeira página e franzir o nariz a cada um deles, disse, Às vezes pergunto-me se a primeira culpa do desastre a que esse planeta chegou não terá sido nossa, disse, Nossa, de quem, minha, sua, perguntou Tertuliano Máximo Afonso, fazendo-se de interessado, mas confiando que a conversa, mesmo com um início tão afastado das suas preocupações, acabasse por levá-los ao âmago do caso, Imagine um cesto de laranjas, disse o outro, imagine que uma delas, lá no fundo, começa a apodrecer, imagine que, uma após outra, vão todas apodrecendo, quem é que poderá, nessa altura, pergunto eu, dizer aonde a podridão principiou, Essas laranjas a que está a referir-se são os países, ou são as pessoas, quis saber Tertuliano Máximo Afonso, Dentro de um país, são as pessoas, no mundo são os países, e como não há países nem pessoas, por elas é que o apodrecimento começa, inevitavelmente, E por que teríamos tido de ser nós, eu, você, os culpados, Alguém foi, Observo-lhe que não está a tornar em consideração o factor sociedade, A sociedade, meu querido amigo, tal como a humanidade, é uma abstração, Como a matemática, Muito mais que a matemática, ao pé delas a matemática é tão concreta quanto a madeira desta mesa, Que me diz, então, dos estudos sociais, Não é raro que os chamados estudos sociais sejam tudo menos estudos sobre pessoas, Livre-se de que ouçam os sociólogos, condena-lo-iam à morte cívica, pelo menos, Contentar-se com a música da orquestra em que se toca e com a parte que nela lhe coube tocar, é um erro muito espalhado, sobretudo entre os que não são músicos, Alguns terão mais responsabilidades que outros, você e eu, por exemplo, estamos relativamente inocentes, ao menos dos males piores, Esse costuma ser o discurso da boa consciência, Que o diga a boa consciência, não deixa por isso de ser verdade, O melhor caminho para uma desculpabilização universal é chegar à conclusão de que, por que toda a gente tem culpas, ninguém é culpado, Se calhar não há nada que possamos fazer, são os problemas do mundo, disse Tertuliano Máximo Afonso, como para rematar a conversação, mas o matemático rectificou, O mundo não tem mais problemas que os problemas das pessoas, e, tenho deixado cair esta sentença, meteu o nariz no jornal."


SARAMAGO, José - O homem Duplicado. São Paulo. Companhia das Letras, 2008.


Bruno Lourenço


por Pequeno Teatro de Torneado * 09:27

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[Domingo, 7 de Dezembro de 2008]

Comecei a escrever isso há um tempo atrás.
É bem maior e eu não sei o que é.
Mas me deu vontade de partilhar com vocês.

"Eu não conheço o nome daquela árvore e o único nome que eu sei foi um nome que eu inventei. As coisas mudam. As pessoas crescem. Encontros se fazem, desfazem, refazem e quando nosso olhar só encontra o seu reflexo nós vemos a necessidade de algum encontro com o novo.
Eu queria um gole de café, um fiapo de calça, uma colherada de açúcar... Não sei. Algo me faça ser humano. Nesse meu anseio, eu já juntei um monte de tranqueira e meus dentes estão cheios de cáries.

Tudo começou num momento que eu desacreditava ser o momento de um ‘encontro com o novo’, então fui pronto para andar só. Era algum feriado. A gente se usa de uma convenção pra ser feliz e se sentir amado. Tem gente que fala que as datas comemorativas são ‘jogadas de marketing’. Eu acho que é a forma que o ser humano encontrou de amar o próximo. Eu poderia fazer uma jogada de marketing beijando a minha mãe. E ao invés disso, demonstro meu amor comprando uma geladeira..."

Bruno Lourenço


por Pequeno Teatro de Torneado * 21:07

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[Sábado, 6 de Dezembro de 2008]

Bia Barros postando. Estava arrumando minhas coisas e encontrei isto aqui, que escrevi na época do refugo, acho uma boa postar.

Hoje lembrei que meus pulmões são nas minhas costas, que estão atrás de mim, junto com a minha memória. E eu tenho mantido a respiração ofegante para não perder minhas imagens formadas naquele passado. Eu só respiro, só respiro, só respiro. A minha memória perece que carrega o verde, o marrom, o azul, o vermelho. E da minha voz e dos meus olhos só sai este vermelho, o vermelho que desce e escorre sobre minhas roupas, e cai no chão que já tá seco, com toda aquela terra que quando se junta com o vermelho daquele sangue não se sabe mais distinguir o que é terra e o que é sangue. É a mesma terra que cai sobre o laranja de uma lona e sobe, com a dança que fazemos com os nossos pés descalços, sobe pro céu e vai embora, vira ar, o ar que meus pulmões respiram.


por Pequeno Teatro de Torneado * 09:45

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[Segunda-feira, 1 de Dezembro de 2008]

Momento da divulgação: Mostra da Escola Livre de Teatro de Santo André

Saudações, amigos torneásticos! Venho por meio desta, divulgar a participação de alguns torneados na Mostra da Escola Livre de Teatro.

Para ficar mais claro:

O Fernando faz a Formação de ator.

O William é um dos diretores do Núcleo de direção (Mas também está em cena.)

A Éride e eu somos atrizes do Núcleo de direção (Fazemos cenas de três outros diretores)

Segue abaixo os dias e horários das apresentações de cada um:

Quinta (dia 4)
18:30 - William (Dias de Campo Belo)
20:30 - Fernando (Questões sem necessidade de nome)

Sexta (dia 5)
18:30 - William (Dias de Campo Belo)
19:00 - Mayra (Isso não é Rasga Coração)


Sábado (dia 6)
18:00 - Éride (Tapetes)
18:30 - Mayra (Isso não é Rasga Coração) e William (Dias de Campo Belo)*

Domingo (dia 7)
18:30 - Mayra (Isso não é Rasga Coração) e William (Dias de Campo Belo)

Segunda (dia 8) **
18:30 - William (Dias de Campo Belo)
19:00 - Mayra (Rasgão do Coração)***
19:30 - Mayra (Isso não é Rasga Coração)
20:00 - Éride (Tapetes)

* No sábado e domingo eu apresento ao mesmo tempo que o William.
** Na segunda tem apresentação de todas as cenas do Núcleo de direção e depois tem um debate com o núcleo
*** Ah, eu faço duas cenas. Uma delas só apresento na segunda.

Pra quem tiver vontade de assistir os quatro amiguinhos, sugiro que assista o William e o Fernando num dia e a Èride e eu em outro.

Aqui as informações sobre o que vamos fazer:

Questões sem necessidade de nome - Sufismo e HQ foram as provocações para a produção de cenas autorais, resultando em um exercício cênico, onde uma trajetória de cenas aborda temas como a opressão social e a individuação. Turma 12 do Núcleo de Formação do Ator. Orientação de Edgar Castro

Núcleo de direção - 9 cenas de Rasga Coração - Composto por nove coletivos e tendo como objeto provocador o texto Rasga Coração (1974) de Oduvaldo Vianna Filho, o Núcleo desenvolve um processo no qual o foco está na qualidade da relação entre diretor e atores, sem abrir mão da complexidade dos conflitos e questões abordados no texto de Vianinha. Orientação de Lubi Marques

Programação completa:

http://www.escolalivredeteatro.blogspot.com/

Serviço:

Escola Livre de Teatro/ Teatro Conchita de Moraes
Praça Rui Barbosa, s/n – Santa Terezinha (Próximo a estação prefeito saladino)
Fone: 49962164 – e-mail: escolalivre@ig.com.br



Mayra


por Pequeno Teatro de Torneado * 18:02

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[Domingo, 30 de Novembro de 2008]

Sobre o processo, o petróleo, o teatro e o social.

E qual é a relação de tudo isso?
Vamos lá...


30 de Novembro de 2008
Vestibular da PUC-SP

O Processo Seletivo
“...produza um texto que considere:
1.A presença do petróleo na vida social, na tecnologia e na economia do século XX e no início do século XXI;
2.As relações entre consumidores e produtores e os conflitos associados à disputa por essa fonte de energia;
3.As perspectivas futuras dessa matriz energética e o risco (ou não) de seu esgotamento rápido.”

O Petróleo
Guerra santa? Santa ignorância! Nossa sociedade atual de sustenta na falta de sustentabilidade social naquilo que mais necessita. Por conta de possíveis recursos naturais para uma energia não renovável, homens entram em guerras e esquecem que aos poucos estão extinguindo sua própria espécie.
Estamos todos cientes de que a preservação do que é nosso deve existir, mas parece que estamos cada vez mais conformados também. É bem mais cômodo pegar um carro, dirigir até o posto e reabastecer de gasolina, o difícil é ter uma vida saudável e ir trabalhar de bicicleta.
O ser humano só toma uma atitude quando a realidade o afeta diretamente e errar sempre será humano. Se hoje, tempo em que ainda temos reservas de petróleo, existem guerras para saber a quem estas pertencem, não quero nem pensar no que acontecerá quando essas fontes se esgotarem, como Rita Lee já dizia "tá cada vez mais down!".

O Teatro

Ele é pequeno mas torneado! ;)

O Social
Eu não cobro...Hehehe.

Minha primeira vez, no blog e na PUC!
O Teatro e a área Social, ontem, hoje e sempre casados, na busca de uma segurança e equilíbrio para a reeducação e conscientização daquele que se diz racional. O Social é o sonho, Teatro a ponte e a satisfação que liga e estimula Rafaela ao Social.

Ah... O processo seletivo só serve pra você ganhar um papelzinho depois de alguns anos, papel esse que você mostra pros donos das reservas petrolíferas.


Abraço Grátis pra vocês,
Rafaela Rocha


por Pequeno Teatro de Torneado * 19:30

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O Teatro faz todo o sentido.
Principalmente porque eu tô num coletivo que justifica essa afirmação.

Mayra



por Pequeno Teatro de Torneado * 06:58

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[Quarta-feira, 26 de Novembro de 2008]

Hoje eu escrevi um texto pra Cavalcante, acho que tem um pouco a ver com o nosso processo. Sobre esses lugares que ultimamente estamos passando com mais freqüência. Talvez não faça muito sentido, na verdade quando escrevi ele muitas coisas não tiveram um sentido completo, e eu acho que um dia, em um futuro não muito próximo, terá. De qualquer forma, está aí:

A minha carne pesa.
Eu sempre achei essa frase forte. Só que às vezes a minha mente é tão pesada que a carne fica tão leve, mais leve do que um pássaro, mais leve que uma de suas plumas. A complexidade humana me leva a loucura, eu vejo as pessoas passando e eu ali, algumas vezes aceitando elas em minha vida, outras aceitando com a possibilidade de elas saírem, continuarem passando. Parece que nascemos em uma casa, e ficamos olhando para fora da janela desta casa, e lá fora tem uma rua, onde as pessoas andam, algumas tropeçam em pedrinhas que estão pelo caminho ou mesmo pedrinhas que nós mesmos jogamos da janela. Algumas continuam andando, vão andando até o final da rua onde você não possa mais enxergar, às vezes elas param e entram na casa, entram na casa e ficam. Ficam 1, 2, 3 horas. 4, 6, 9 dias, anos, décadas, uma vida, uma casa.
Às vezes elas desaparecem, some, dentro da sua casa, você corre pelos corredores pelos quartos pelos banheiros e não encontra, ela simplesmente seguiu para outro corredor, ou até mesmo conseguiu encontrar uma porta dos fundos. Parece que a nossa casa fica, vai enchendo de coisas, de objetos. Livros escritos por você mesmo, CD's que você gravou seus projetos em estantes, suas lembranças em fotografias, seus restos de roupa viraram pano de chão, suas escovas de dente se tornaram instrumentos para limpar sapatos de couro. E você na janela, olhando, observando tudo isso. Tudo muda, as pessoas aprenderam a andar quando crianças e você viu esse desenvolvimento do primeiro passo até o último, os objetos são constituídos por pessoas e você vê eles sendo destruídos por outras e você fica ali. Absorvendo tudo isso e olhando, olhando... olhando.
E de repente, um espelho aparece de frente pra você. E você se toca ve o seu reflexo e começa a lembrar de tudo:
Lembra daquele senhor que entrou na sua casa e comeu o queijo com geléia sentado na mesa com você, dando risadas altas e divertidas. Sobre o vinil colocado na sala quando você aprendera a dançar com seu pai, sobre o cheiro das receitas de sua mãe, sobre as histórias que a sua irmã te contava, sobre o seu primeiro amor, sobre o seu segundo amor, sobre o seu último amor que acabara de morrer. E ai, você vê, que você também passou. Que sua casa já esta velha, antiga. Que suas pernas já andaram tanto que você está sentado, frágil em uma cadeira, com joelhos de cristal. E que tudo o que você percebe, é que a sua rua, o seu jardim, era seu apenas para você, mas tem algo que realmente, DE VERDADE VERDADEIRA, é só seu. Só seu e de mais ninguem. Algo fica, eu não sei o que, e eu não sei o que esperar, mas algo... algo fica.
A pluma volta a pesar, o pássaro fica mais pesado do que a minha mente, e eu vou para longe com a minha carne, enquanto penso em tudo isso.


Beatriz Barros


por Pequeno Teatro de Torneado * 16:13

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[Segunda-feira, 24 de Novembro de 2008]

Em busca...

Dia chuvoso. Gostinho de guarda-chuva quebrado.
Chegamos no espaço (Espaço em frente ao nosso. A por ta de uma garagem) à espera da famosa chave que abre a porta da nossa 'Pequena Sede de Torneado'.
Entre brincadeiras (Adolescente contemporâneo, né meo?) e conversinha do fim de semana, falamos sobre o espaço que o Fernando, William e Renan haviam ido conhecer.
Não que não estejamos felizes com nosso espaço, mas precisamos de certas seguranças que nossa casinha não pode dar.

Tratava-se de um galpão, localizado no centro de São Paulo.
Depois de uma rápida reunião falando sobre assuntos pendentes de reuniões anteriores (Sentiu a fuga do assunto, né? hehehe) começamos a falar sobre esse espaço.
Fomos comer algo no nosso 'Pequeno Intervalo de Torneado' e durante ele, recebemos (O William, na verdade) uma ligação e rumamos para o espaço (O galpão) afim de conhecê-lo.

Aquele 'espacinho' que parece ter visto dias melhores é muito a nossa cara.
Alguns defeitos pequenos, porém faremos a soma dos prós e dos contras.
Não iremos nos empolgar devido à experiências anteriores, mas teremos uma (Ou mais de uma) conversa sensata para decidir.

Depois disso, talvez veremos se aceitamos e/ou fomos aceitos (Afinal, nós somos os novatos. hehehe)

Mas quem sabe daqui há algum tempo, durante uma volta pelos prédios cinzas da cidade de São Paulo, você possa ver uma plaquinha escrito:
Sede Provisória do Pequeno Teatro de Torneado.

Bruno Lourenço


por Pequeno Teatro de Torneado * 18:22

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[Sábado, 22 de Novembro de 2008]

Das coisas que eu ainda não disse...

Impressionante é essa capacidade de acolher.
Todas as pessoas.
Todos os lugares.
Tudo que chega até nós.

O caos.

O caos é um moleque travesso que insisti em querer atrapalhar. Ele chega sem pedir licença e vai tomando conta.
Ele invade as nossas dicussões, as nossas arrumações e o nosso espaço.

Mas quando o caos chega nós saímos pela porta e penduramos uma placa de "Seja bem vindo".
Sabe, apesar de tudo, nós vamos te receber bem. Nós vamos te dar banho, comida e carinho.

Nós vamos te acolher na nossa pequena casinha.

Mayra




por Pequeno Teatro de Torneado * 10:12

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[Segunda-feira, 3 de Novembro de 2008]

O Processo do 'Pequeno Teatro de Torneado' na montagem de "Refugo", do Projeto Conexões.

O projeto 'Conexões' visa fazer e discutir teatro jovem com o intuito de preencher a lacuna existente entre o teatro infantil e o teatro adulto. O projeto, que em boa parte do seu discurso dialoga com o discurso do 'Pequeno Teatro de Torneado', nos despertou o interesse de conhecê-lo e de, dele, participar.
Os primeiros contatos diretos com o 'Conexões' foram extremamente importantes para a nossa concepção da estrutura do projeto. O que foi essencial para que o grupo conhecesse os alicerces aonde poderia - ou não - se apoiar.
"Refugo" é o segundo resultado coletivo do 'Pequeno Teatro de Torneado'. O grupo acabava de sair de um processo de criação aonde o contato com o palco italiano e com o texto pronto antes do início dos ensaios era nulo, o que gerou um - já esperado - 'baque' em alguns dos integrantes.
O que nos levou a escolher o "Refugo" foi a maior quantidade de semelhanças entre o texto e a pesquisa do 'Pequeno Teatro de Torneado'. Desde sempre o encaramos, não como um texto adolescente, e sim como um texto social. Uma estória contada por adolescentes mas que envolve todo um contexto maior, como a retratação da perda da infância através da violência. O recurso épico foi outro objeto de estudo do 'Pequeno Teatro de Torneado' que, presente em "Refugo" nos levou a crer que esse seria o texto que encararíamos com maior propriedade.
"Refugo" assume um protagonista para contar essa estória: o menino Kojo, da Costa do Marfim. A "desprotagonização" com a qual trabalhamos em nossa primeira montagem, não poderia ser feita dessa vez com tanta liberdade, uma vez que é obviamente escolhido um ponto de vista principal para que essa estória seja contada.
O texto deixa claro não se tratar de um 'flagrante na desconstrução de uma rotina', mas assume um ponto de vista individual de uma estória contada por todos. E foi esse um dos mais importantes passos para a nossa concepção do espetáculo. Depois de contaminações de conversas, estudos do texto e algumas discussões, o processo de criação consistiu na aplicação do ponto de vista cênico do ator que interpretava o Kojo para que, depois, isto passasse pelo filtro do diretor.
Para um grupo que, antes, tinha como compromisso maior as suas próprias necessidades, o 'Conexões' foi uma nova chave para o "amadurecimento" de idéias.
Montar um texto de um adulto que tenta pensar como um jovem já causa um estranhamento que tentamos quebrar nos apoiando no 'cênico e na porosidade do ator'.
Criar esse espetáculo num estado ritualístico foi uma das formas encontradas para que pudéssemos nos aproximar da verdade necessária. Isso cria uma dialética entre as culturas abrangidas e joga o espetáculo num clima aonde a terra que todos pisamos é parte viva dessa estória, tornando-a algo que diz respeito, não só aos jovens, mas a todos os seres humanos.
Talvez, após finalizado todo o circuito de compromissos do Conexões, nós - os jovens participantes desse projeto - possamos sentar e conversar sobre as diferentes experiências e sobre como fazer desse projeto o 'adubo' de um próximo estudo.
Uma vez que possamos conversar, discordar, debater e relatar tudo que se passou durante a 'gestação' dos espetáculos, o teatro jovem estará realmente a um passo de preencher aquela "lacuna".

Bruno Lourenço


por Pequeno Teatro de Torneado * 18:00

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[Sábado, 1 de Novembro de 2008]

Das Épocas...

• Ele é uma CRIANÇA, cara. - Refugo.
• Sou uma PRÉ-MOCINHA, tá? Já tenho nove anos! - Celofane.
• Os JOVENS crescem, tornam-se pais, avós... Constituem família, ganham dinheiro e são felizes. - Primavera.

Renan de Almeida.


por Pequeno Teatro de Torneado * 08:42

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[Quarta-feira, 29 de Outubro de 2008]

É SÓ CLICAR NA IMAGEM QUE ELA AUMENTA!



por Pequeno Teatro de Torneado * 21:56

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[Domingo, 12 de Outubro de 2008]

Aqui.

Há tempos que comecei a estudar teatro com todo o vigor. Não sei, acho que a gente nunca aprende demais e eu precisava de alguma coisa mais direta pra entender o que eu não queria escutar. Um destes estudos era uma oficina de teatro pública que eu fazia em Guarulhos. Algo muito iniciante, com uma carga estranha e tudo muito empurrado, não sei, começávamos a fazer tudo de uma forma quadrada. O coordenador da oficina era um cara meio estranho, parecia meio cansado do teatro. Que estava fazendo aquilo simplesmente pelo dinheiro ou por algum outro motivo que eu desconhecia, porque ele nunca esteve com muita vontade de fazer teatro.

Então, infelizmente e felizmente, ele saiu e em seu lugar entrou uma mulher inteligente. Ela era inovadora, fazia tudo com muita vontade e organização... Conseguia manter um padrão de aula muito gostoso e incrível. Eu conversava com ela algumas vezes e ela demonstrou um grande prazer ao ouvir que eu fazia parte de um grupo de teatro. Um grande interesse. Estranho, mas um interesse.

Pois bem, o curso corria tranquilamente até que ela deixou escapar para os alunos a história do grupo de teatro. Bem, na verdade, eles não gostaram muito da notícia. Recebi um email de uma garota do curso estes dias, ela dizia que o pessoal se sentia um tanto quanto intimidado ou sendo julgados por mim. Não sei, só sei que desde que eles souberam disso passaram a me odiar profundamente. Faziam comentários maldosos sobre mim, tentavam me expôr, me agredir... Enfim, estes termos.

Diante tantos comentários, pareceu-me que a coordenadora também já estava começando a ficar um pouco inclinada para o lado deles. Ela realmente parecia achar que eu estava julgando os alunos, os observando e falando mal deles, o que era uma mentira sem limites. Eu estava super de boa, eu queria aprender e não ficar julgando as pessoas. Analisar se são boas ou não nunca foi a minha meta.

Depois de um certo tempo, essa coordenadora me expulsou do grupo da oficina. Disse com muita ironia que eu já havia aprendido demais, que isso era o bastante para eu levar pro grupo e que era isso que eu estava fazendo. Disse que eu estava prejudicando o aprendizado dos outros alunos, que prejudiquei as aulas dela e que os alunos não conseguiam mais ter a mesma desenvoltura que tinham quando não sabiam que eu pertencia ao Torneado. Enfim, fui expulso.

Precisei disto pra perceber onde é meu verdadeiro lugar pra aprender.

Renan de Almeida.


por Pequeno Teatro de Torneado * 14:39

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[Sexta-feira, 10 de Outubro de 2008]

Oxigênio - Lá e cá

'E sem justificativa... Pois é a arte de renovar a renovação da arte! Bebamos no mesmo cálice das vanguardas as bebidas do nosso tempo... Nos embriaguemos do verde de Toulouse Lautrec e do borrão impressionista!'

-Vamos para a inglaterra?
-Talvez... Por quê?
-O Big Ben... ele é bonito!
-É. É bonito.
-Será que poderei pisar com meus pés descalços por onde Lennon passou?
-Sim. A terra é terra ainda que o concreto relute.

Reflexão particular: Dificuldade em entender o 'verb to be'. Afinal, ser e estar me soam tão diversos entre si... Entre si e dó também quando do refrão de "Let it be"(Deixe estar/ser). Me pego, covardiamente, partilhando da vontade de dizer "I am" e me isentado da culpa de ter dito "Eu sou" quando, na verdade, "estou". E estar acaba sendo tão mais belo e poético no fato de um sentimento não ser "imortal posto que é chama"... Então, devemos aceitar a supremacia linguística dos ingleses de Shakespeare (do "Ser ou não ser", ou seria "estar ou não estar"?) pelo poder da síntese que o idioma anglo-saxão nos ofereceu?
*Dúvida (doubt).
*Medo (fear).

God! A insight in my mind!

Esqueçamos por um breve momento da beleza da poética das palavras de Lennon e Shakespeare... Há algo que sobrevive além da forma... [Algo] Que Saramago, Victor Hugo e Fernando Pessoa já exploraram: pode-se isentar da culpa na duplicidade de uma palavra, mas não no olhar que esta propõe - timidamente.

(E pensar que Machado de Assis traduzia Edgar Allan Poe do francês...)



Thiago França,


por Pequeno Teatro de Torneado * 07:56

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[Segunda-feira, 6 de Outubro de 2008]



Só não sejam omissos, POR FAVOR!


por Pequeno Teatro de Torneado * 19:28

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[Quarta-feira, 1 de Outubro de 2008]

Pois é, foi doce, mas, nesse jardim a Primavera não prorrogou, mas com certeza sementes ela deixou. (trocadilho infame, não?!)

Iemanjá sempre presente em nosso meio e com um auto-influenciado-corte-frutifero uma oferenda ela levou, e, o universo com sua sincronicidade e Iemanjá com sua rapidez, trouxe pelo CÉUDEX 10 outras oferendas, que vieram para fazer parte da nossa constelação. Constelação essa, que sente o melado, o ácido, o colorido, de fruta despencada ao chão, e agora é difícil de achá-la no meio das folhas (né Má?!)

E que boas novas entrem na galeria torneada, e o que está e fez estar são coisas diversas, mas uma delas é ingrediente fundamental para nossa essência: É O AMOR!



por Pequeno Teatro de Torneado * 05:42

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[Terça-feira, 23 de Setembro de 2008]

Manifesto do ‘Teatro de Casinha’

E o mundo – o tudo - é repleto de coisas maravilhosas: ares, amores, amoras, sabores, sangues, dores, prazeres, mortes, raivas, amargos, doces... Esse compreende tudo o que há para se descobrir, destrinchar e explorar qual um jardim de possibilidades infinitas ignoto à nossa consciência. Mas, ainda que cada ser humano, em sua dita peculiaridade, buscasse nesse tão imenso mundo absorver suas próprias descobertas, deparar-se-ia, em determinado momento, com o que nos é, por essência, comum. O ‘comum’ já “pejorativizado” – de aquilo que é medíocre - deve ser excluído de nossa mente. Refiro-me ao que nos liga quanto seres humanos: nossa carência pelo abraço, nosso abraço pelo carinho, nossa saudade da avenida da Saudade, nosso barranco de terra do qual despencaríamos não fosse a mão suja do primo mais velho... Tudo aquilo que nos acalanta e nos ‘nina’ – música sincera em ouvidos rendidos – remete, diretamente, à Casinha. Ela mora esquecida nos nossos sonhos. Mas, ‘volta e meia’ é n’Ela que nos refugiamos. É n’Ela que alçamos vôo pra Oz. O que, costumeiramente, chama-se de Deus, é preferível chamar de Casinha, pois é lá que se encontra a verdadeira comunhão dos homens, é lá que estamos nus e aquecidos.
O homem criou a filosofia, as religiões, o teatro, a literatura, a música, o vinho, a sopa, o Deus e a meia, com um único ideal: estar mais tempo dentro da Casinha.
E é buscando nessa concepção universal do que para os cristãos pode ser ‘caverna de adulão de Davi’, para os budistas a citação constante de um mantra em meditação, que surge a idéia de Teatro de Casinha - no qual se partilha a própria carne (física e psíquica) de quem está presente.
E a justificativa – sempre ela – para a reunião dessas palavras numa introdução de um post, é a relação quase que intuitiva do Pequeno Teatro de Torneado com esse comprometimento.
Patuléia, povo e gentio dentre os sensíveis de todo o mundo, abri vossas portas (àquela camada)!

Thiago França

por Pequeno Teatro de Torneado


por Pequeno Teatro de Torneado * 20:15

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Eu não tenho mais quem cante minhas canções de ninar.
Todos os meus sonhos são frutos do que alguém já sonhou.
Tudo aquilo que me cerca, me faz pensar.
E talvez seja algo que alguém já pensou.

O tempo faz o gênio.
E isso não sou eu quem diz.
Um segundo.
Um segundo pode me fazer feliz.

Deixa eu matar alguém.
Deixa eu matar meu carnaval.
Deixa eu matar o meu amor.
Deixa eu matar. Deixa eu matar.

Deixa eu matar o que me faz falta.
Deixo matar o que me satisfaz.
Canta! Canta que eu preciso ouvir!
Canta até não aguentar mais!

O meu último abraço foi o de uma parede.
O meu próximo beijo, eu quero conquistar.
Se é ajuda, se é samba, se é benção...
Inventa! Inventa sua canção de ninar.

Até logo...

Bruno Lourenço


por Pequeno Teatro de Torneado * 06:23

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[Quarta-feira, 17 de Setembro de 2008]

Quando estamos em roda, cantando "Minha canção", que nós costumamos chamar de canção de cidade, eu olho ao meu redor e sempre penso a mesma coisa:

- Puxa. Nós somos um grupo mesmo...

Mayra


por Pequeno Teatro de Torneado * 18:25

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[Terça-feira, 16 de Setembro de 2008]

. - Algo sobre o caos

O adolescente contemporâneo?

Hoje eu tenho 17 anos.

Fico confuso na minha falta de organização.

Os carros passam por mim fazendo barulho. Lembra disso? É Refugo.

Quando eu corria, eu era criança.
Hoje eu, tão novo, estou sempre atrasado.

"Fica mais um pouco! Dá um beijo"
"Desculpa, não posso!"

Todos os dias, eu vejo pessoas que o tempo todo são rotuladas como fúteis, como bobas, como pessoas sem cultura.
Então eu, na minha falta de maturidade, tento fazer o contrário. Tento ser diferente delas.
Usar roupas diferentes, falar diferente.
E quando eu vejo, ó: Já dei a volta.
Fiquei bobo de novo.

E bobo por quê?
"Novela, Mallu Magalhães, Rua Augusta, Nação Tantan, Baile Funk..."

Quando eu falo por mim, eu falo por nós.
Eu sou uma voz.
Só uma voz.

Fico confuso na minha falta de organização.

Só dedos que digitam algo que não só uma cabeça pensa.
E que pena que não é só uma cabeça.

Se fosse só uma, eu seria louco, neutóritco...

Somos alguns tantos, que somos bobos.

(Ih, começou!)

É tanta coisa.
É tanta coisa que eu me sinto atropelado de informações.

Eu não sei quando eu tenho uma personalidade e não sei quando fui moldado.
E esse meu medo, essa minha neura só me faz ter certeza da alienação.

Alienação?

Da onde isso?

Para se chegar no senso comum, não precisa de um senso crítico?
Acho que não, né?

Ontem meu avô me disse "Faça Direito!" (a faculdade)

Fiquei com dó.

É chato sentir dó, né?
Dó.
Ré.
Mi...

Ok, você já entendeu.

Ontem eu era gordo, hoje eu sou magro.
Antes de ontem? Eu nem tinha nascido.

São tanto filósofos...
Tantos livros e tanta vontade de saber que as vezes eu me esqueço que o saber vem...

Vem com o tempo.
Vem com a vida.
Com a falta de tempo.
Ou a falta de vida.

Mas vem... Mesmo quando não vem.
Só vem...

Hoje eu sei (ou penso que sei) que posso me perder na minha falta de opinião.
Talvez isso já seja um resquício de que ela não existe...
(Ih! Dei a volta de novo)

É que eu fico confuso na minha falta de organização.


Bruno Lourenço


por Pequeno Teatro de Torneado * 16:38

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[Segunda-feira, 8 de Setembro de 2008]

Bia Barros postando..
Bom, eu queria postar umas fotos que tiramos esse domingo, enquanto pegavamos folhas secas no parque da luz. E queria postar uma carta que eu escrevi para o Fernando nas férias, falando um pouco sobre o processo do “Celofane”. Eu escrevi a carta quando estava voltando no ônibus, de Balneário Camboriu para São Paulo, e estava contando sobre a experiência de conviver três dias com minha prima de três anos. O “Celofane” é uma peça infantil, e na carta eu conto como foi essa convivência com a minha prima e como essa convivência me influenciou.

FOTOS:

pinacoteca!


Fernando e Ma, climão.






Morritz, tem como colocar a sua cabeça embaixo do braço?




TEXTO (celofane):
Estou sentada no ônibus, estou na janela, olhando as estrelas. sentada no ônibus olhando as estrelas e escrevendo um texto para você. sabe, acabei de viver durante três dias uma experiência única. eu convivi com uma criança. e nossa! como eu fiquei nervosa, em sentir uma criança perto de mim.. com esse processo do celofane, o que eu mais precisava era relembrar de uma criança. eu estava com uma dificuldade tremenda, de relembrar a criança dentro de mim, a mim mesma alguns anos atrás. aí eu encontrei a Júlia: minha prima de 3 anos. Julia Gomes Martins de barros, 3 anos, criatura de um metro e alguns mínimos centímetros que não sabe a diferença de sim e não. e então eu relembrei o que é não saber qual é a diferença entre sim e não, eu relembrei o que é não ter horários concretos sobre acordar, comer, dormir, trabalhar, porque você acaba de chegar de um lugar onde os únicos horários existentes são aqueles que você mesmo determina. eu relembrei o que é um brinquedo favorito para alguém, o que era o meu brinquedo favorito e como eu amava ele mais do que eu amo meus amigos e meus Julia Gomes Martins de barros, três anos, criatura de um metro e alguns mínimos centímetros que não sabe a diferença de sim e não. e então eu relembrei o que é não saber qual é a diferença entre sim e não, eu relembrei o que é não ter horários concretos sobre acordar, comer, dormir, trabalhar, porque você acaba de chegar de um lugar onde os únicos horários existentes são aqueles que você mesmo determina. eu relembrei o que é um brinquedo favorito para alguém, o que era o meu brinquedo favorito e como eu o amava mais do que eu amo meus amigos e meus namorados hoje em dia, eu relembrei o que é andar flutuando segurando a mão de alguém, eu relembrei como o mundo era grande e o meu quintal era pequeno, e era meu só meu. Eu relembrei de como a vida era bonita com meus olhos simples. Só que eu tambem relembrei, que hoje em dia, depois de alguns anos, eu aprendi que às vezes a diferença entre o sim e o não realmente não existe, que esse sim e não é apenas a determinação de uma escolha que devemos fazer que hoje em dia eu devesse fazer escolhas, como naquela época. Eu aprendi o que é a rotina, só que eu também relembrei, que hoje em dia eu devo fazer escolhas, como naquela época. Eu aprendi que a rotina, é a organização da vida, e mesmo preferido anteriormente, eu preciso dela, querendo ou não, em alguns momentos. Eu aprendi que hoje em dia meus brinquedos estão muito mais concretizados em algo que não é material, e que o meu jardim não é o único, que toda a minha volta tem um jardim, e juntos fazemos um jardim gigantesco, a questão é mesmo me deixareu entrar nos jardins dos outros e olhar as suas flores.
E sabe Fernando, eu nunca vou esquecer-me do dia em que você disse para mim e para o grupo o exercício que você fez na escola livre, aquele de relembrar a sua casa, a sua casa da infância. Uma noite, depois de ter brincado com a minha prima, eu deitei na cama e comecei a pensar na minha casa. E como eu sinto saudades dela! Como foi bom relembrar detalhes que eu não lembrava. Do espelho grande na sala, que os passarinhos apareciam lá e ficavam piando ou cantando de frente para ele, acreditando que existia outro pássaro igual a ele mesmo na sua frente; do sofá que dava de frente para o corredor, onde eu ficava com medo de aparecer um monstro de uma das portas do tal corredor; da minha mesinha, cheia de papel e giz de cera para os meus desenhos; do meu quarto cheio de estantes de brinquedos e da cortina do Peter pan; da janela da sala onde minha mãe falava "não encosta bia! você pode cair!" e eu sempre me encostava para olhar para o mundo que estava lá fora; do quarto da minha mãe, que era grande, branco, com uma janela imensa, e todo iluminado; do meu banheiro cheio de espelhos com um azulejo azul calcinha onde eu ficava me encarando, de frente, passando a mão na minha barriga e no meu cabelo; do quarto onde ficavam as fantasias para brincar que ficava dentro de um baú que estava dentro de um armário imenso, tal armário que hoje se encontra no meu quarto, tal armário que diminuiu de tamanho, tal armário que hoje é devorado por cupins, tal armário que hoje o esquecimento devorou a minha memória.
Tais detalhes que, comecei a chorar depois de ter relembrado. E outros detalhes, e como eu sinto falta da minha mãe na cozinha fazendo os bolinhos de banana, como eu sinto falta de escutar Chico Buarque com o meu pai, na vitrola, e ele me puxar para dançar uma valsinha, em seu colo, como eu queria a minha Irma de volta do meu lado, assistindo TV cultura comigo, sentada comigo naquela mesa gigante, fazendo cara torta para comer os legumes. A minha tia, me disse uma vez, que acha maravilhoso olhar para uma criança, quando ela se depara com ela mesma no espelho. Então, depois de ter relembrado de tudo isso, e de ter me levantado da cama, e ter me encarado, de frente a um espelho, eu consegui me enxergar. De verdade.
Como eu te amo Fernando, como eu amo olhar para tudo isso e ver que hoje em dia, eu encontrei pessoas que não conviveram comigo nessa época, mas que me conseguiram fazereu ter a possibilidade de voltar, voltar e relembrar essas coisas. E obrigada, por você, pelo William, Thiago, Maira, irei, pelo, bia, Diego, Bruno, me darem essa doçura, de todos os momentos que eu vivi e viverei, por vocês terem mostrado um caminho para mim que eu não conhecia por terem feito eu ter novas paixões, novas descobertas, novos amigos, novos amores, vocês são meus amores, meus eternos, o meu recife, o meu armário com meu baú de fantasias, a minha caixinha guardada com o que eu tenho de mais puro em minha alma, vocês conheceram uma parta da minha essência, que eu não esquecerei mais, que está com vocês. Então, que continue sendo doce.


é isso :) beijos, até.


por Pequeno Teatro de Torneado * 18:40

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Galeraaaaaaa!

vocês estão sabendo que pela campanha "Teatro é um barato!" o ingresso do Primavera é mais em conta, por isso ai está o link com o site, lá o ingresso é APENAS R$2,00, Se algué nessa tempora dizer que não foi por falta de grana, vai apanhaaaaaaar!

http://carrinho.ingresso.com.br/br/teatro/porpeca.asp?T_IDCIDADE=00000001

Beijoooooooos Troneados!


por Pequeno Teatro de Torneado * 07:02

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[Terça-feira, 2 de Setembro de 2008]

Dá uma geral, faz um bom defumador
Enche a casa de flor
Que eu tô voltando!
Faz um cabelo bonito pra eu notar
Que eu só quero mesmo é despentear
Quero te agarrar
Pode se preparar porque eu tô voltando!

PRIMAVERA!

O espetáculo PRIMAVERA, com O Pequeno Teatro de Torneado, reestréia no Teatro da Vila no dia 6 de setembro (sabado que vem) e propõe uma reflexão sobre o adolescente contemporâneo e suas angústias, que tipos de influências a educação e as posições políticas dos adolescentes do século 19 trouxeram para o comportamento do jovem de hoje!

Direção e dramaturgia: William Costa Lima

Elenco: Beatriz Barros, Beatriz Cavalcante, Bruno Lourenço, Diego Chimenes, Fernando Melo, Heloisa Evelyn, Mayra Guanaes e Thiago França.

Local: Teatro da Vila – Rua Jericó, 256, Vila Madalena – fone: (11) 3813-7719 – 80 lugares

Temporada: de 06 a 28 de setembro de 2008

Dias e horários: Sábados e Domingos, às 18h

Ingressos: R$10,00 (inteira) e R$5,00 (meia-entrada)

Duração: 3h (com um intervalo de 20 minutos)

Que seja doce!


Vamo ai galeraaaaaaaaaaa!!

Fernando!


por Pequeno Teatro de Torneado * 05:59

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[Segunda-feira, 1 de Setembro de 2008]

Beatriz Barros postando :
Quinta-feira conversávamos enquanto montávamos o cenário, das coisas que já passamos juntos. E aí, eu comecei a lembrar de tudo! Desde o início, desde a primeira vez que eu ouvi falar desse grupo, desse pequeno teatro de torneado.
As primeiras palavras vieram da Mariana, irmã da Beatriz Cavalcante. Ela estuda no meu colégio, um dia sentadas em um banco começamos a falar sobre teatro, e então ela começou a falar sobre o seu grupo. Começou falando sobre a peça: primavera. E então me disse sobre coisas totalmente abstratas no primeiro momento, palavras soltas que eu tive que juntar e formatar um sentido em minha mente: vestido de noiva, Ilse, Minas Gerais, William Costa Lima, Bruno, Thiago, Helô, menina de louça. E então veio o resultado: as imagens que eu formatei são as primeiras imagens da peça em minha mente, algo que não é tão distante da realidade. Uma luz amarela, caída sobre uma noite cheia de estrelas, pessoas em frente de uma igreja branca com detalhes azuis, com arquitetura barroca. Uma menina dançando com um vestido branco de noiva de tecidos leves e soltos que seguiam o caminho do vento, e meninas com flores grande e coloridas e suas cabeças, com vestidos que cada vez mais ficavam sujos e carregados com a terra que se levantava com os pés em movimento. E elas dançavam! Com toda terra, todas as flores, todas aquelas cores.
Depois de um tempo, descobri que o grupo iria fazer uma apresentação na minha escola, de um monólogo chamado “menina de louça”, a Mariana, minha amiga, que conseguiu fazer eles apresentarem lá, com um projeto que o curso técnico dela fez. De repente, estou dentro da biblioteca observando a Helô interpretando de uma forma que eu nunca vi nada parecido. Uma cadeira, um batom e um vestido azul em uma atriz que falava um texto que me envolveu 100% foi o necessário para eu ficar ali, parada, prestando atenção em cada detalhe, em cada passo que ela dava e tudo, tudo era motivo para eu ficar cada vez mais interessada em tudo aquilo, toda aquela atmosfera proporcionada para mim naquele momento, e eu me perguntava “quando que isso vai acabar?” e eu esperava que não acabasse mais, que eu continuasse me perdendo no tempo escutando aquela história, e me perdendo cada vez mais com o som da voz da Heloisa em minha mente. Aquilo mexeu comigo, cheguei em casa berrando “MÃE! EU VI UM MONÓLOGO FANTÁSTICO HOJE!” e meus olhos brilhavam e eu não parava de falar sobre cada detalhe de tudo o que eu tinha visto, aquele sentimento se prolongou muito, as sensações que aquela peça marcou em mim ficaram ecoando durante longas horas.
No outro dia, foi-se o tempo da peça “primavera”. A peça ainda estava em processo, foi mesmo um ensaio aberto mostrando apenas algumas cenas, e alguns exercícios teatrais que eles faziam. E foi no mesmo lugar, na biblioteca do meu colégio, que naquele momento, estava sem nenhuma mesa, nenhuma cadeira, e cheia de folhas secas, velas, incensos, malas, e uma luz amarela forte, foi um dos lugares mais prazerosos, misteriosos e confortáveis que eu já estive. E pessoas correndo, atores correndo se movimentando pelo espaço, meninos e meninas da mesma idade que eu! E o vestido! O vestido de noiva estava lá! A noiva, o ritual, os seus amigos, e aquelas frases, aquelas pessoas! TUDO, tudo era fantástico, tudo me atraía. E quando eu vi já tinha atores atuando na minha frente, eu compreendo hoje em dia que eu não consegui enxergar um momento para tudo aquilo começar, eu simplesmente entrei naquela biblioteca e fui, seguindo eles, em direção aos seus caminhos, eu simplesmente sentei e escutei suas histórias, estive aberta porque eles fizeram eu me sentir totalmente aberta e confortável para estar ali, e eu me senti uma parte daqueles jovens, toda hora eu pensava em ser um deles, eu me encarava e via eles falando coisas que eu pensava, coisas que eu já disse e que um dia eu poderia e com certeza vou dizer. E questões que ficavam cada vez mais presentes na minha mente eu conseguia me desprender e me prender delas a qualquer momento, e sempre vinham novas questões, mas tudo me despertava uma curiosidade que me instigava cada vez mais a continuar ali, as imagens, a falta de determinação de tempo, e até onde eu enxergava aquilo como teatro, e não como qualquer outra coisa. Como uma reunião de amigos que se conhecem faz anos, como um relacionamento amoroso entre dois seres humanos, como uma demonstração de oito humanos.
Depois de um tempo, de ter feito contatos de alguns dos atores, de ter dado aula de flauta para um e ter saído para passar uma tarde com outros, eu entrei no grupo. Me indicaram, fiz um teste, e entrei. Admito que não foi fácil, era tudo novo, tudo mesmo! O ritmo, as conversas, as idéias, a concentração, era tudo com uma energia diferente que eu nunca tinha encarado daquela forma, as pessoas mesmo! Mas com o tempo, com o tempo você vê que algo nos liga, que algo existe para eu estar ali também. Com o tempo eu cresci, eu me adaptei e comecei a crescer junto com eles. E hoje em dia, eu me sinto parte desse grupo, eu me sinto a vontade, sei que posso rir e chorar com alguém, tanto em cena como na vida real.
É isso, beijos.


por Pequeno Teatro de Torneado * 17:17

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Temos uma mala. Dentro dela criamos coisas, as coisas se criam. As emoções brotam dela, passam por nós e voltam para a mala. Como um círculo. Paramos. Nos olhamos. Conversamos. Pensamos. Resolvemos abrir a mala. Deve ser importante. Abrimos e as criações começam a se montar. Montamos. Tudo de uma forma. Tudo com significado. E está montado. Novas emoções. Lidamos com catástrofes. Tudo é aqui, na mão. Tic tac. Paramos. Respiramos. Nos olhamos. E voltamos. Mais catástrofes. Emoções. Recortamos, desistimos, rasgamos. Êxtase. As emoções se findam. Olhamos em volta. Tudo desmontado, de volta a mala. Fechamos a mala.
E saímos ao sereno.

Renan Almeida.


por Pequeno Teatro de Torneado * 08:39

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[Terça-feira, 26 de Agosto de 2008]

Resolvo escrever num dia que não estou menos criativo do que estou!

Gente, Setembro se aproxima e coisas devem se concretizar e mais do que nunca precisamos nos juntarmos, respirarmos e com muita “calma” seguirmos em frente, e que venham os novos-velhos processos e que neles contenham o que a Má nos disse abaixo!!!

Beijos Torneásticos!
E que seja Doce!



Fernando
27/08/2008 00:19


por Pequeno Teatro de Torneado * 20:21

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[Sábado, 23 de Agosto de 2008]

Refugo. Tempo. Espera. Escuta. Ponto de partida. Cores. Luz. Madeira. Pratos. Diferença. Estranhos. Adaptação. Ganhar. Perder. Jogo. Procurar. Idade. Dentes. Braços. Poder. Números. Idioma. Faca. Correr. Girar. Parar. Abraçar. Rolar. Passar. Voltar. Ponto de partida. Escuta. Espera. Tempo. Refugo.

Mayra


por Pequeno Teatro de Torneado * 21:05

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[Terça-feira, 12 de Agosto de 2008]

Eu queria ser ginasta. Mas eu não sabia voar.
Então eu descobri a arte e pude encontrar aqui dentro mesmo as minhas próprias asas..

Mayra


por Pequeno Teatro de Torneado * 21:22

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[Sábado, 9 de Agosto de 2008]

Um post direto...

Temos agora uma caixinha de comentários, para que você, pessoa paciente que acessa o nosso blog, mesmo com tão poucas atualizações, possa interagir. Valeu, Renan.

Temos também uma comunidade no orkut, que não foi tão divulgada, mas agora não há mais desculpa. Todos podem ter acesso clicando aqui.

E temos essa foto que nós tiramos no dia 30/05/08, na abertura do workshop de imersão do Projeto Conexões.



Para quem quiser saber sobre o projeto é só clicar aqui.

Mayra


por Pequeno Teatro de Torneado * 22:06

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[Terça-feira, 5 de Agosto de 2008]

Hoje falamos sobre produção, a produção das coisas.
Conclui que eu ando dormindo no ponto. Lembrei que durante o processo do Primavera, eu vivia experimentando figurinos e adereços novos, criava coisas na luz, no texto e em tudo mais que, eu por ser uma “atriz-criadora” pudesse dar a minha contribuição. Tentei lembrar aonde eu havia deixado a minha caixa com os meus figurinos da nossa atual peça e senti um desespero ao perceber que eu não sabia aonde.
Notei que fui perdendo algumas coisas ao longo do processo. Fui deixando coisas para trás. Ao longo dos dias, me deixo contagiar pelo exterior e deixo de trabalhar.
Eu preciso experimentar, inventar, construir, criar e arriscar.

Resolvi recomeçar pelo blog. Coloquei aqui, um contador de acessos e um link para que as pessoas comentem os nossos posts. Na hora de publicar, nada funcionou.
Eu não to entendendo aonde eu to errando. Todas as instruções estão em inglês, e nem o mínimo do mínimo que eu entendo de html e de inglês, são suficientes para que eu perceba onde eu estou errando. E eu queria que as coisas funcionassem.

Mesmo que eu sempre erre, eu quero ver as coisas funcionando.


Mayra Guanaes


por Pequeno Teatro de Torneado * 21:10

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[Sexta-feira, 18 de Julho de 2008]


Foto: "As cores que o Refugo nos aponta"...

Passo apenas para dizer que estou perdido...

São muitas cores... e que vontade de ver, sentir e resumir essa euforia...

Helô, tempos bestas eram aqueles!

William Costa Lima(constrangido)


por Pequeno Teatro de Torneado * 21:57

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[Quinta-feira, 10 de Julho de 2008]

O ínicio da euforia

Ano de 2005. Fevereiro. Ou quinta, ou sexta-feira de manhã. Estava começando a cursar o sétimo ano (minha antiga e querida sexta série!). Não era um dia como qualquer outro. Me lembro como se fosse hoje.
Eu era realmente feliz com 11 aninhos. Feliz de ter a liberdade de comprar chicletes na padaria da esquina e tirar um dez na redação da escola. Uma felicidade que só se tem no início do caminho. Era o início da euforia.


Soledade, uma das funcionárias quebra-galho do meu antigo colégio, entrou na sala de aula pedindo licença para a divulgação do novo curso extracurricular da escola. Sempre odiei cursos extracurriculares do Colégio Terra! Pois seu único intuito era, e deve ser até hoje, roubar o salário dos pais e retirar-nos o nosso valioso tempo de não fazer nada de tarde.


Já estava cansada disto! Então deitei na carteira, fechei os olhos e fiquei rabiscando a mesa. “Aulas de teatro com William Costa Lima”, quem é esse cara? (como se eu conhessece alguém de teatro aquela época além do Wolf Maia) Que sono... O cara era um esquisitão. Usava uma calça larga marrom-cocô, um tênis velho e rasgado da Reebok e uma camiseta verde. Não dei muita importância pra ele, preferia decorar os tipos de relevo de origem vulcânica. Disse que quem se interessasse pelo curso, que levantasse a mão. Levantei. Até que gostava de teatro. Ou pelo menos dos infantis comerciais que meu pai me levava pra assistir no Shopping Higienópolis. Fui uma das poucas a erguer o braço. Ele me olhou e abaixei a cabeça de fininho. Disse que se eu fosse tímida eu poderia ser a porta da sua peça(demonstrou com o corpo a porta). Todos riram. Engraçadinho! E burro! Não vai conseguir alunos fazendo piadas deles! Mas eu fui; só pra não ter de assistir a Lagoa Azul de quintas-feiras à tarde.


Odeio ter que mudar de opinião. Eu adorei a primeira aula! Foi o estopim dos meus dias excitantes. Contava os dias, os minutos e os segundos para a quinta feira chegar novamente. Ansiedade. Era muito prazeroso, o ano que eu mais gostei de estudar teatro; o primeiro. Lembro de muitas improvisações com temas nordestinos. Muitas conversas empolgantes sobre espetáculos e escolas de teatro. Exercícios físicos como cambalhota, estrela. E alongamentos. Leituras do Despertar da Primavera, de Frank Wedekind. Eu era muito mais disciplinada que agora! Maníaca por teatro! Lia todos os livros que ele me indicava. Lembro que o Auto da Compadecida eu fiquei desesperada, pois só havia quarta a noite para eu ler, mas eu consegui acabar de madrugada (coisa que nunca havia feito até aquele tempo). Lembro também, que depois da aula de teatro achei dois livros na estante onde o professor deixava sua mala, um era sobre mitologia grega e outro era sobre imigração. Li os dois; só pra mostrar serviço. Ah! E quando eu chorei porque minha mãe não deixou eu ver a peça do Saci! Ai ai! Incrível como em poucos meses mudei minha rotina e como aquele estranho que invadiu minha aula de Geografia se tornava um professor confiável e um incentivador constante da minha artee também, da minha pessoa. Essa é a palavra que resume exatamente o início do teatro em mim e do Projeto Meu –olho, Meu-Mundo: empolgante!


E continua sendo... Mesmo depois de três anos! Tendo surgido do projeto o grupo Pequeno Teatro de Torneado, a empolgação se mantém em todos os ensaios e apresentações, sendo trabalhada com seriedade e na tentativa de desmistificação da sonhada profissão de ser ator( uma coisa que martelou muito na minha cabeça esses dias e percebi que no grupo fazemos muito isso), com novos colaboradores, atores, figurinistas, enfim gente empolgada para ser e fazer e ajudar a acontecer não sei o quê!

Desmistificação do teatro: Uma frase que li e me identifiquei quanto a essa questão é: "O que advém do desaparecimento da ilusão e o declínio da aura nas obras de arte é um crescimento considerável de possibilidades com as quias podemos jogar"

Por Heloisa Evelyn


por Pequeno Teatro de Torneado * 07:12

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[Quinta-feira, 3 de Julho de 2008]

De Fernando para o Universo:



“Comunhão Miscelânica”, esse é o meu sentimento em relação ao espírito que o Torneado vem munido nesse novo semestre, essa é a dialética de pessoas de riquezas sublimes e únicas, que partilharão novos momentos, que serão, antes de tudo, momentos doces, e que cada singularidade abasteça essa pluralidade dos novos capítulos que estão a serem escritos e publicados em corações, braços, cabelos, estômagos, almas, úteros, rins, corpos. Agora é a hora do novo, mas com a certeza de que o passado está presente, em novos amigos, em novos projetos, em novos locais, em novos amores, em novas paixões, em novos, em velhos, em novos...



São Genésio, o padroeiro dos epiléticos, atores e músicos

De Gero Camilo e Tata Fernandes

Santinho pequenininho
De coração assim assim pequenininho
Protege tua legião
Abençoa nosso ofício
Que o drama, que o riso
De forma assim assim pequenininha
Conceda a todos coração
Abençoa nosso ofício
Que o drama, que o riso
De forma assim assim pequenininha
Conceda nosso ganha pão
São Genésio protege tua legião
São Genésio concede a todos coração
São Genésio concede nosso ganha pão
AMÉM!!!


por Pequeno Teatro de Torneado * 20:20

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[Terça-feira, 1 de Julho de 2008]

O Bruno sempre fala que ninguém escreve aqui. Eu, particularmente, me sinto tímida ao dar as caras no blog do grupo.
Já pensou se eu escrevo uma besteira? Vai demorar para alguém ler. Depois mais um tempo até apagar...
Que melindre mais bobo esse meu não?

Antes que eu comece a divagar sobre coisas não tão interessantes, deixo aqui um post que eu tunguei do meu próprio blog.
E, por falar em blog, essa semana vou tentar resolver essa questão dos comentários, prometo!

Depois de dois meses em cartaz, acabou a temporada do Primavera.
E finalizamos apresentando para um público muito espontâneo. As pessoas assistiram, gostaram, recomendaram e uma galera apareceu no último fim de semana...
É engraçado olhar para a platéia e notar que não conhecemos quase ninguém. E mesmo sem nos conhecer, as pessoas estão ali, dispostas a dividir com a gente o nosso momento.
No último dia, tinha mais de 40 pessoas assistindo. Teatro lotado. Que puta prazer fazer uma peça com um teatro lotado.
Tinha um brilho diferente nos nossos olhos. Foi tão legal quanto aquele dia em que nós apresentamos só para seis pessoas, nessa mesma temporada.
Nossa peça funciona com pouco ou muito público. A gente só precisa de um público aberto. E quando as pessoas estão abertas, a gente entra mesmo.
Fiquei muito feliz, extremamente feliz com a presença dos meus amigos que compareceram. É muito bom compartilhar o nosso trabalho com as pessoas que a gente gosta.
Tivemos muitos ganhos durante essa temporada. Foi uma experiência bacana.
E continuamos aí. Uma pausa com a Primavera, sem deixar que ela continue despertando.


Essas foram só as primeiras impressões. Porque na verdade, a temporada toda ainda está reverberando.

Por Mayra Guanaes


por Pequeno Teatro de Torneado * 10:42

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[Segunda-feira, 23 de Junho de 2008]

Dia de dormir na aula e no trem.

Hoje tivemos um ensaio muito interessante... Na verdade, sentamos para conversar.

Discutimos coisas sobre o 'Primavera' (É a última semana! Assistam!), acertamos algumas coisinhas...
Enfim, um pit-stop necessário.

Intervalinho.

Fomos comer na padoca. 13 rodadas de pão na chapa. E dá-lhe café com leite!

Voltamos ao PCO.

Quando cheguei, uma discussão estava sendo travada: Aonde está o nosso espaço de trabalho?
Nosso grupo, há algum tempo, procura um local para poder estabelecer uma sede para que possamos organizar nosso trabalho e nos administrar melhor.

Estou empolgado sabendo que o nosso lar continuará sendo o nosso lar.
Vamos nos mobilizar por algo maior que todos nós almejamos.
Aquela suposta felicidade. Aquela nostalgia gostosa de algo que a gente não viveu.
O momento em que todas as vozes se calam e outra voz fala mais alto.
Nosso teto já voou longe, mas vamos fixá-lo agora.
Vamos derrubar uma parede. Vamos escrever na parede levantada:

O TEATRO ESTA MORTO
VIVA O TEATRO



Bruno Lourenço


por Pequeno Teatro de Torneado * 19:29

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[Segunda-feira, 16 de Junho de 2008]

Ultimamente ando pensando muito sobre o futuro. Temazinho meio besta esse, né? Batido...
Mas eu vou fazer o que? Eu só vou ser um intelectual daqui uns 40 anos (no mínimo)...

Quando eu era pequeno, eu queria ser advogado. Pra ter uma sala com uma lâmpada e usar calça jeans. Pelo menos foi assim o desenho que eu fiz, quando eu tinha 6 anos. Meu pai é advogado.
Eu já quis ser advogado, já quis ser cantor, médico, arquiteto, engenheiro...
É muito futuro pra uma pessoa só.

Eu fico me programando para algo que me aguarda, mas não sei se me deseja.
Não sei se eu desejo.

A meta é única, mas o caminho pode ser bem diferente.

“Que tal você parar de limpar o umbigo, heim Bruno?”

Boa idéia... De volta à prancheta...



Bruno Lourenço


por Pequeno Teatro de Torneado * 19:09

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[Sexta-feira, 6 de Junho de 2008]

O que é ser de celofane pra você?

Eu tenho dois relógios. Um, eu embrulho num papel de celofane vermelho. É bonito, transparente e não nega a realidade do que está dentro. Um relógio! Você pode até ver que horas são, sem precisar desmanchar o embrulho.
O outro, eu coloco dentro de uma caixa. Não nego que existe um relógio ali dentro, mas quem não sabe que eu o coloquei jamais saberá, ao menos que abra o embrulho e faça uso do que está no seu interior. Ou, numa situação mais cautelosa, faça um silêncio absoluto para simplesmente poder ouvir o tiquetaquear.

É engraçado como hoje (e sempre, não nos esqueçamos da história), o olhar perfura o celofane transparente. Não que o celofane seja algo imperceptível. Talvez seja o medo da nossa realidade primitiva.

É visto como algo fora do eixo, quando na verdade é um grito de atenção disfarçado de ‘tic-tac’.


Bruno Lourenço


por Pequeno Teatro de Torneado * 19:05

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[Quarta-feira, 4 de Junho de 2008]


Velha vontade de parar. De deixar a espada ali. Eu descobri algo arrematador sobre minha pessoa, de que meu fluxo é próprio demais... Ai que vontade de transformar isso em cena, mas eu sei que não devo, já ando com idéias acumuladas demais. Tudo é tão cena que a vez de ser cena é algo tão inóspito. Foram muitos anos, foi muita crença, e hoje o que não tenho? Eu devo, em todos os sentidos ao tempo e a minha tolerância. Tão novo e já tão velho... E hoje eu acordei com uma vontade de lhe dar um presente... O que você deseja? Algo físico mesmo? Em valor monetário? Desculpa não lhe abrir a porta do meu carro... Desculpe pelo cardápio... Desculpe pela indicação do filme, não observei a faixa etária... Desculpe, é que eu ando cheio de impressões sobre tudo e todos, às vezes eu até erro o lado da calçada. Eu sou tão quase pai... Quanto sou tão quase feliz.

São muitas amarras eu venho me sentido um pouco sufocado...

A verdade é um instrumento indispensável a quem pretende ser feliz...


por Pequeno Teatro de Torneado * 22:56

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[Domingo, 1 de Junho de 2008]

Esse fim de semana fomos ao coquetel e ao 1º workshop de imersão do Projeto Conexões, para o qual nós fomos sorteados.

Para quem não conhece, o Conexões, é um projeto que incentiva o teatro feito por jovens e para jovens como ferramenta para a formação humana e cultural, fomentando, por intermédio do trabalho em equipe, a criação de espaços para a reflexão e expressão das questões presentes no jovem de hoje.
Eles trabalham por sorteio. Não estamos lá por sermos legais.
(HAHAHA)

Mas foi bem divertido. Nós já tínhamos participado do workshop para imersão de diretores, que tinha dado um tom diferente do que experimentamos esse final de semana.
Conhecemos bastante pessoas, outros grupos que também montarão o texto ‘Refugo’, de Abi Morgan (O texto que escolhemos montar) e comemos muitos grãos, patezinhos e tomamos suco. Isso no coquetel.

No workshop, fizemos uma aula com Max Key, do National Theatre de Londres. Pulamos, dançamos, cantamos e deitamos no chão. Foi divertido.
Lá, foi mais reservado para o pessoal que tinha escolhido o mesmo texto. Então ele separaram a gente pela cor da camisa (cada integrante do grupo ganhou uma camisa com a cor referente ao texto que escolheu. O Refugo foi verde)e fomos para o teatro do Colégio Sâo Luís. Conversamos com a tradutora do nosso texto, com alguns diretores que irão auxiliar a montagem dos espetáculos e discutimos um pouco o Refugo.

Nossas fotógrafas de plantão não estavam preparadas com suas câmeras de última geração, mas vamos roubar umas fotos do site do Conexões e logo postaremos aqui.

Tivemos que sair um pouco mais cedo, pois tínhamos apresentação as 14 hrs, mas antes disso, eu tive um tempinho para falar com o próprio Max.
Fomos eu e a Bia Barros. Eu fiquei tremendo na hora de falar com o cara. Não por que eu sou fã dele (na verdade eu acharia que ele é um amigo do meu pai, se eu visse ele na rua), mas por causa do domínio do inglês numa situação que poderia queimar o grupo.
Eu meio que ‘interrompi’ uma conversa que ele estava tendo com a Ligia Cortez, uma das diretoras que irão auxiliar as montagens. Mas ele foi super simpático e a Ligia participou da conversa também. Nós falamos para os dois sobre o Primavera e o Max disse que o Gabriel Carmona (O diretor que vai nos auxiliar) já tinha lhe dito sobre o Primavera.

Ele nos contou que vai para Paraty, Salvador, Recife e depois voltará para São Paulo. Disse que quando voltar, talvez dê uma passadinha. Eu brinquei dizendo que a peça é muito sensorial e a língua não será uma barreira e ele deu risada.

Gostei bastante desse fim de semana e espero que o Conexões seja prazeroso, seguido de um trabalho com verdade e competência.

Colocamos o pezinho na Inglaterra!
(Com o Conexões, é claro...)



Bruno Lourenço


por Pequeno Teatro de Torneado * 21:16

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Primavera estreou aqui em São Paulo e nem viemos falar sobre como foi estar de volta ao lar.

No dia 17/5, estreou aqui em São Paulo, o espetáculo Primavera.
Voltamos de Curitiba bastante empolgados para apresentar, sabendo que a temporada daqui de São Paulo seria bem melhor do que a de lá.
A nossa estréia foi acompanhada de horas de montagem de cenário, aquecimentos, danças, cirandas e um piadinhas a parte do tipo: O bom filho ao lar retorna.

Mas é isso aí!
Estamos aqui e super felizes de poder aconchegar aqueles que nos prestigiam com a sua presença e, tentando mostrar para todos o despertar de uma Primavera conhecida e pouco lembrada de todos nós.

"Primavera"



Espaço Pyndorama
Rua Turiaçu, 481, Perdizes, São Paulo.
Tel: (11) 3871-0373Próx. ao Metrô Barra Funda e ao Parque da Água Branca. Em frente ao CNA.

Quando: Sábados e Domingos: às 14hsDe 17 de maio a 29 de junho


Excepcionalmente no dia 1/06 não haverá espetáculo


Quanto: R$ 20, 00 (inteira) e R$ 10,00 (meia)












Bruno Lourenço


por Pequeno Teatro de Torneado * 20:47

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[Quinta-feira, 24 de Abril de 2008]

Confesso que eu estava tentando superar a minha timidez para escrever aqui.

Já vai fazer um mês que voltamos de Curitiba. Embora eu pense que podíamos ter trabalhado um pouco mais, creio que esse tempo por lá nos trouxe novas experiências que em algum momento poderemos usar no nosso processo. Uma grande experiência é aprender estar preparado para qualquer possível imprevisto que possa ocorrer.

No segundo dia, saí em busca de um café da manhã e ao voltar, percebi uma placa em frente a Casa do Estudante, do outro lado da rua, na calçada da maior escola estadual do sul do país. Era uma placa “Fringe Aqui”. Eu pensei, nossa que bacana, vamos trocar divulgação com o pessoal da escola... Olhei para frente do lugar que nós iríamos nos apresentar para ter o prazer de ver a nossa própria placa e não tinha placa nenhuma. Antes que eu pensasse em alguma explicação, vejo os meninos trazendo uma escada. Era a primeira pegadinha do Fringe para o nosso grupo. A nossa placa de divulgação estava no lugar errado e nós é que precisaríamos mudar.





Estamos em harmonia, a Primavera voltou mais tranqüila daquela cidade de brisa gelada. Tenho sentido um clima muito bom durante os ensaios e mesmo que ainda tenha questões para resolver na peça, tudo parece estar resolvido, não estamos mais tão estressados e aprendemos a nos divertir com a nossa peça.
Agora estamos correndo para mostrar o nosso trabalho.

Mayra Guanaes


por Pequeno Teatro de Torneado * 10:30

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[Terça-feira, 15 de Abril de 2008]



De Curitiba, voltamos nós.
Do dia 20 ao dia 30 de março, NÓS, ou seja, o grupo Pequeno Teatro de Torneado do Projeto Meu Olho - Meu Mundo, apresentou o espetáculo “Primavera” no Festival de Curitiba, o Fringe.


Primavera é o resultado de um processo de dois anos que retrata o adolescente contemporâneo a partir da obra de Frank Wedekind, “O Despertar da Primavera” , do qual vocês ainda vão ouvir falar muito neste blog.


O Fringe é o seguinte: grupos de teatro e dança de todo o Brasil, e alguns até de fora do Brasil, se reúnem para apresentar seus espetáculos na cidade de Curitiba-PR, espalham-se nos teatros de toda a cidade. Uma mostra de teatro sem competições, não há critérios para os grupos participarem, cada grupo cobra a bilheteria que quiser e apresentam nos dias e horários que pedirem. E é a maior farra! Muita peça (283)! Muita gente misturada! Muitas festas! Bares! Espetáculos de rua etc.
Site da programação do Fringe, para mais informações:
http://www.festivaldeteatro.com.br/ftc2008/index.asp

Os grupos concentram-se principalmente no Largo da Ordem, centro da cidade, onde há muitos bares, teatros, livrarias, espaços culturais, pessoas que vão ao teatro e o Memorial de Curitiba, que é a sede do festival. Pode ser comparado à Praça Roosevelt, de São Paulo.


Nós não ficamos em cartaz lá, feliz e infelizmente. Infelizmente porque a divulgação dos espetáculos do Fringe é muito, mas muito fraquinha e o pouco público que há, se concentra no Largo da Ordem. Então, se estivéssemos lá, talvez conseguiríamos mais público. Felizmente porque ficamos na Casa do Estudante Universitário (CEU), uma espécie de república mantida pelo governo e pelos estudantes, centenas de estudantes que vêm de outros Estados para cursar faculdade ou estagiar em Curitiba. Um ambiente que relaciona muito com a temática do espetáculo pelo lado estudantil, pelo fato de estudantes morarem sozinhos no ambiente que estudam, sem família e amigos, como um colégio interno, o que é retratado no nosso espetáculo, e pelo fato do isolamento de estudantes pelo sexo, pois na casa do estudante só podem hospedar-se os homens. As mulheres são em outra república de Curitiba.


Foi uma média de onze dias montando cenário, ensaiando, indo às coletivas de imprensa, ensaiando, entregando filipetas, ensaiando, pegando folhas secas, ensaiando, fazendo reuniões e principalmente ensaiando! Afinal de contas, lá foi nossa estréia com todo o cenário, todas as cenas e marcas executadas.
Foi divertido. O grupo se uniu, atores progrediram individualmente, fizemos nossa primeira viagem para apresentação(com o grupo inteiro), conhecemos muita gente, fizemos nossa primeira intervenção de rua, curtimos a linda cidade (de custo de vida muito baixo), onde seis grandes pãezinhos de queijo saem por R$ 1,00, conhecemos um pouco do teatro dos outros Estados e novamente nos divertimos! Mas sobre a estrutura do Fringe...


Este ano, o Fringe esteve com muitos problemas em sua organização, principalmente nos erros de divulgação. No principal Guia de programação do Fringe, nosso espetáculo saiu com duração e nomes de atores errados.


Primavera

DRAMA | SÃO PAULO – SP | CEU – Casa do Estudante Universitário.
DIAS: 21, 27 e 28 às 20hs; 23 e 30 às 16hs: 22 e 29 de março às 16hs e às 21hs | INGRESSOS: R$ 16, 00 E R$ 8,00.

“Que tipos de influências a educação e as posições políticas dos adolescentes do século 19 trouxeram para o comportamento do jovem contemporâneo e para os rumos da educação no Brasil? O espetáculo propõe uma reflexão sobre este tema, trazendo ao palco uma desconstrução épico-dramática de uma obra de Wedekind.”

PEQUENO TEATRO DE TORNEADO – TEXTO: FRANK WEDEKIND. DIREÇÃO E ADAPTAÇÃO: WILLIAM COSTA LIMA ELENCO: HELOISA EVELYN, TAIGUARA VACCARI CHAGAS, TIAGO FRANÇA, BEATRIZ CAVALCANTE, DIOGO ALVES, TATIANA FONTES AVANCHELO, BRUNO GONÇALVEZ, MAYRA GUANAES. DURAÇÃO: 90’


90’? Por esse relapso errinho, perdemos um grande número de público que estavam programados para assistir outras peças do festival. Nosso espetáculo tem quase quatro horas de duração. Muitas pessoas saíam no intervalo do espetáculo. “O público foi despedaçando na mesma velocidade dos personagens da peça pra balancear”, como disse o crítico Michel Fernandes.


Os atores Taiguara Chagas, Tatiana Fontes e Diogo Alves foram substituídos por Beatriz Barros, Diego Chimenes e Fernando Mello, na época da substituição o e-mail foi mandado novamente para o festival com os nomes corretos, mas consideraram os nomes do primeiro e-mail.


Além de tudo isso, pouco público nas apresentações, má distribuição de espetáculos, uma das apresentações o festival errou o horário da apresentação vendendo em sua sede ingressos para hora errada, e também, a pouca divulgação para os moradores da cidade. Ainda bem que não foi só com a gente!


É isso aí, Fringe! Espero que ano que vêm vocês melhorem. Principalmente, em divulgação e organização. Obrigado e merda prô ceis!
Até que no finzinho nós conseguimos um pouco de atenção da imprensa e dos críticos, alguns deles foram aos últimos dias do espetáculo e eis que:

http://igbandalarga.ig.com.br/materias/478501-479000/478915/478915_1.html
http://www.bacante.com.br/revista/critica/primavera
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u387081.shtml

E novamente na rotina apressada, porém, divertida de Sampa. 3 projetos: Conexões. Primavera e Peter em Fúria. Pouco tempo. Muitas idéias. Empolgação. Euforia. Excitação. E o famoso Trabalho...

7/04 – Reunião de Leitura dos textos do “Conexões”



WILLIAM na ponta do fundo, na esquerda BIA BARROS e BIA CAVALCANTE, na direita está o THIAGO, BRUNO e MAYRA, FERNANDO na ponta da frente. HELOISA tirando e foto e DIEGO não estava presente no dia.

Que todos quebremos a perna! (Depois do espetáculo, é claro!)




Heloisa Evelyn


por Pequeno Teatro de Torneado * 13:03

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[Quinta-feira, 10 de Abril de 2008]

Eis aqui o primeiro post do blog do ‘Pequeno Teatro de Torneado’!

Só para alertá-los, gostaria de dizer que o choque da transformação de ‘curso’ em ‘grupo’ nos remete a uma imaturidade (em questão de grupo) que talvez vocês encontrem com alguma freqüência nessa página. Mas se teatro é exposição, blog de teatro é a exposição com erros de português e acho que essa pode ser uma maneira inteligente das pessoas perceberem, com o passar do tempo, o amadurecimento do grupo.
Aqui iremos colocar críticas, sugestões de peças, reflexões sobre conversas, além de propor fóruns de discussão que podem ser acompanhados na comunidade do
‘Projeto Meu Olho-Meu Mundo’ , de onde o grupo se formou.
Espero que vocês se divirtam e aproveitem esse espaço para refletir que o teatro jovem pode não ser superficial.
O ‘Pequeno Teatro de Torneado’ do ‘Projeto Meu Olho-Meu Mundo de Pesquisa Cênica’ agradece a sua visita.

Que seja doce!



Bruno Lourenço


por Pequeno Teatro de Torneado * 15:01

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