quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

O NOSSO INFANTIL!

Olá Queridos! Este é um texto que foi escrito baseado em experiências que vivenciei com a Mayra em um Parquinho ao lado do Cemitério Cachoeirinha!


O NOSSO infantil!

Em uma balança de um parque, parque esse que oniricamente faz parte da vida de uma amiga, foi onde comecei a retornar aos acontecimentos da minha infância nesse lugar e a congregar essas preciosas e poderosas lembranças.

No começo foi um leve balançar, que foi se intensificando com o uso da minha força física e mental, lembranças foram me impulsionando a querer ir mais alto, logo, mais (pro)fundo, e o barulho constante pelo tempo de uso da balança foi me tomando, hoje com meu conhecimento alternativo (tipo, meu?!) posso afirmar se assemelhar a uma música da Bjork, e é impressionante como fazemos associações com o atual, no caso a música de Bjork se assemelha ao som da Balança, não é nem preciso divagar sobre que veio primeiro (ovo, galinha, ajudou?!), enfim, com o som fui entrando num transe, e com ele a companhia do medo da exibição, de escancarar o que estava lembrando, mas aos poucos a criança foi emergindo, não com toda sua potência, mas foi o bastante para que eu começasse a contar minhas experiências, sem muito as aumentar para ganhar a aprovação (um policiamento meu, para que eu não minta!), e mágico foi ver que minha amiga também estava na mesma atmosfera, iniciou-se ai uma congregação que a um tempo namorávamos, e que se depender da criança vai dar samba!

Fomos a Gangorra, um sobe e desce bem metafórico (hehe!) e de lá começamos uma conversa um tanto prática, sobre artefatos técnicos do que hoje nos cerca, o Teatro, Uma luz. Tobogã, escorregador, a quem vamos dirigir, dramaturgia, palco de madeira, pequenas apresentações, um processo nosso, Beatles, Arnaldo Antunes, Palavra Cantada. Tudo isso são prés, mas mutáveis e RITUALizados, senão seriam(ão) parativos ;).

sábado, 20 de dezembro de 2008

Transtornos alimentares.

Bia Cavalcante postando aqui.
Bom, há um tempo atrás eu recebi uma carta que me emocionou muito. Que, na minha opinião, é cheia de inteligência sem perder humanidade. E eu gostaria muito de compartilhá-la com vocês, então...

"Não estou aqui para confessar tudo e contar sobre como foi horrível, que meu pai era mau, a minha mãe era má e algum garoto me chamou de balofa na terceira série, porque nada disso é verdade. Eu não vou repetir sem parar o quanto os transtornos alimentares "têm a ver com controle", porque todos já ouvimos isso. É uma palavra-chave, reduzida, categórica, uma forma organizada de amontoar as pessoas numa quarentena mental e dizer: Pronto. É isso. Transtornos alimentares "têm a ver com": sim, controle, e história, filosofia, sociedade, estranheza pessoal, problemas familiares, auto-erotismo, mitos, espelhos, amor e morte e sadomasoquismo, revistas e religião, os tropeções de um indivíduo de olhos vendados através de um mundo cada vez mais estranho. A questão não é realmente se os transtornos alimentares são "neuróticos" e indicam uma falha na mente, mas sim por quê. Por que esta falha, o que ligou esta chave, por que somos tantos de nós? Por que esta escolha tão fácil? Por que agora? Alguma toxina no ar? Algum aborto da natureza que virou as mulheres contra seus próprios corpos com uma virulência nunca antes vista na história, de repente, sem qualquer motivo? O indivíduo não existe fora da sociedade. Há motivos pelos quais isto está acontecendo, e eles não estão apenas na mente.
Os meus termos correspondem à heresia cultural. Precisei dizer: vou comer o que quiser, ter a aparência que me der na telha, rir tão alto quanto tiver vontade, usar o garfo errado e lamber a minha faca. Tive de aprender lições estranhas e deliciosas, lições que muito poucas mulheres aprendem: a amar o barulho dos meus passos, o sifnigicado do peso, da presença e do espaço ocupado, a amar as fomes rebeldes do meu corpo, respostas ao toque, a compreender a mim mesma como mais do que um cérebro ligado a um feixe de ossos. Preciso ignorar a cacofonia cultural que canta o dia inteiro, numa ladainha, muito, muito, muito. Como escreve Abra Fortune Chernik, "Ganhar peso e erguer a minha cabeça da privada foi o maior ato político da minha vida".
Um transtorno alimentar é, em muitos sentidos, uma elaboração bastante lógica de uma idéia cultural. Enquanto a personalidade de uma pessoa com transtorno alimentar exerce uma função imensa - somos freqüentemente pessoas de extremos, altamente competitivas, incrivelmente autocríticas, determinadas, perfeccionistas, com tendência ao excesso - e, embora a família de uma pessoa com transtorno alimentar desempenhe um papel bastante crucial na criação de um ambiente no qual o transtorno possa se desenvolver como uma flor de estufa, eu acredito que o ambiente cultural é igualmente, se não mais, culpado da absoluta popularidade dos transtornos alimentares. Havia inúmeros métodos de autodestruição disponíveis para mim, incontáveis saídas que poderiam ter canalizado a minha determinação, o meu perfeccionismo, a minha ambição e o meu excesso de intensidade em geral, milhões de maneiras com as quais eu poderia ter reagido a uma cultura que considerava altamente problemática. Eu não escolhi essas maneiras. Eu escolhi um transtorno alimentar.
A menina se levanta todos os dias e cria a si mesma com roupas e pintura. Ela escreve à noite sobre homens que olharam e garotos que tocaram, e se pesa. Ela escreve sobre a grande fraqueza que a levou até o armário da cozinha e a fez comer. Ela nunca escreve o suficiente. A confissão é insuficiente. A absolvição nunca vem na articulação, apenas na penitência. Ela pensa nas santas: seus flagelos, suas camas de pregos, saus desculpas com séculos de atraso por Eva, que condenou todas as mulheres às dores da carne ao ceder aos prazeres dessa carne. Elas laceram a própria carne em penitência por Eva, pelos pecados do mundo, que carregam nos ombros como se fossem seus. Vestem cilício ou navalhas perto da pele.
Ela lê livros sobre as santas. As anoréticas santificadas, que, em seu asceticismo sagrado, insistiam que Deus as estava mandando jejuar. Ela pensa em Deus. Ela determina que, se os dois estivessem se falando, ele a mandaria jejuar pelos pecados em geral. O cilício é a sua própria pele, raspando a crueza do que há por baixo. Ela se dispôs a se erguer acima da carne: sem comida, sem sexo, sem toque, sem sono. Ela cheira cocaína em seu quarto floreado para não sucumbir ao sono, uma fraqueza, e ela, já fraca demais recusa-se a sucumbir. A bulimia e as drogas levam à insônia e ao desequilíbrio químico. A insônia leva à mania, um fluxo de pensamentos constantes e imagens sadicamente realistas brotando no cérebro - "a atroz lucidez da insônia", definiu Borges -, os pensamentos girando para cima, num assovio agudo, enquanto uma chaleira apita dentro do cérebro.
Ela passa tempo demais sem dormir e pira.
Ela não lembra de quando começou. Volta a sentir um violento medo do escuro. Está velha demais para isso, lembram os pais. Toda noite, ela faz o pai conferir cada fechadura, cada janela e cada porta, vasculhar o porão atrás do homem que ela tem certeza que veio pegá-la, o homem com a faca. Ela fica deitada na cama, dura como um cadáver, esperando pelos passos na escada. Ela não consegue dormir. Cada movimento e suspiro da casa, cada rajada de vento nas paredes e nas árvores, faz com que ela dê um salto na cama, gritando pelo pai. O pai vem correndo e se esforça muito para compreender. Ela não pode ficar sozinha em casa. Ela fica sozinha em casa desde os 9 anos de idade. Aos 14, isso se torna impossível. Ela se senta nos degraus da frente da casa quando chega da escola e espera até alguém chegar. A tremedeira: ela lembra principalmente da tremedeira, de todo o seu corpo, tenso e trêmulo, esperando pelo homem que vai encurralá-la no quarto e despedaçá-la com sua faca.
Olhando para trás, ela pensa que aquilo era uma premonição. Foi o último ano que ela morou em casa. Ela quer que a mãe e o pai a salvem. Ela diz issom e o pai pergunta a sério: de quê?
De mim mesma.
A voz corrente sobre os transtornos alimentares é que eles são uma tentativa de voltar a ser criança, uma regressão. Em vez de olhar para os transtornos alimentares como um desejo infantil de voltar para uma simbiose ex utero com a mãe, acho que é importante registrar que eles podem ser um genômeno cultural e geracional do bom e velho burnout. A minha geração foi alienada por propaganda subliminar, televisão burra, filmes violentos, uma insípida literatura de balcão, MTV, videocassetes, fast food, informes comerciais, anúncios em papel cuchê, auxílio a dieta, cirurgia plástica, uma cultura pop na qual a supermodelo hiperblasé de olhos inexpressivos era uma heroína. Isso é o equivalente intelectual e emocional de não comer nada além de doces industrializados - você fica subnutrida e cansada. Crescemos num mundo em que a superfície da coisa é infinitamente mais importante do que a sua substância - e no qual a superfície da coisa precisa ser "perfeita", urbana, sofisticada, blasé, adulta. Eu diria que se você crescer tentando ser constantemente um adulto, um adulto de sucesso, você estará cansando de ser adulto quando atingir a maioridade."

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Iremos começar um novo processo no ano que vem.
Um estudo sobre 'Hamlet' e 'A Gaivota'.
E vamos tentar ter como foco questões sociais.

Eu coloco um texto aqui para todos nós.
São dois professores.
O de matemática e o de história.

Acho que tem um pouco a ver com o nosso novo processo.

"Foi servir-se de um café, voltou a sentar-se e, sossegadamente, estendeu o jornal em cima da mesa, disposto a inteirar-se do estado geral do mundo e do país. Depois de percorrer os títulos da primeira página e franzir o nariz a cada um deles, disse, Às vezes pergunto-me se a primeira culpa do desastre a que esse planeta chegou não terá sido nossa, disse, Nossa, de quem, minha, sua, perguntou Tertuliano Máximo Afonso, fazendo-se de interessado, mas confiando que a conversa, mesmo com um início tão afastado das suas preocupações, acabasse por levá-los ao âmago do caso, Imagine um cesto de laranjas, disse o outro, imagine que uma delas, lá no fundo, começa a apodrecer, imagine que, uma após outra, vão todas apodrecendo, quem é que poderá, nessa altura, pergunto eu, dizer aonde a podridão principiou, Essas laranjas a que está a referir-se são os países, ou são as pessoas, quis saber Tertuliano Máximo Afonso, Dentro de um país, são as pessoas, no mundo são os países, e como não há países nem pessoas, por elas é que o apodrecimento começa, inevitavelmente, E por que teríamos tido de ser nós, eu, você, os culpados, Alguém foi, Observo-lhe que não está a tornar em consideração o factor sociedade, A sociedade, meu querido amigo, tal como a humanidade, é uma abstração, Como a matemática, Muito mais que a matemática, ao pé delas a matemática é tão concreta quanto a madeira desta mesa, Que me diz, então, dos estudos sociais, Não é raro que os chamados estudos sociais sejam tudo menos estudos sobre pessoas, Livre-se de que ouçam os sociólogos, condena-lo-iam à morte cívica, pelo menos, Contentar-se com a música da orquestra em que se toca e com a parte que nela lhe coube tocar, é um erro muito espalhado, sobretudo entre os que não são músicos, Alguns terão mais responsabilidades que outros, você e eu, por exemplo, estamos relativamente inocentes, ao menos dos males piores, Esse costuma ser o discurso da boa consciência, Que o diga a boa consciência, não deixa por isso de ser verdade, O melhor caminho para uma desculpabilização universal é chegar à conclusão de que, por que toda a gente tem culpas, ninguém é culpado, Se calhar não há nada que possamos fazer, são os problemas do mundo, disse Tertuliano Máximo Afonso, como para rematar a conversação, mas o matemático rectificou, O mundo não tem mais problemas que os problemas das pessoas, e, tenho deixado cair esta sentença, meteu o nariz no jornal."


SARAMAGO, José - O homem Duplicado. São Paulo. Companhia das Letras, 2008.


Bruno Lourenço

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Comecei a escrever isso há um tempo atrás.
É bem maior e eu não sei o que é.
Mas me deu vontade de partilhar com vocês.

"Eu não conheço o nome daquela árvore e o único nome que eu sei foi um nome que eu inventei. As coisas mudam. As pessoas crescem. Encontros se fazem, desfazem, refazem e quando nosso olhar só encontra o seu reflexo nós vemos a necessidade de algum encontro com o novo.
Eu queria um gole de café, um fiapo de calça, uma colherada de açúcar... Não sei. Algo me faça ser humano. Nesse meu anseio, eu já juntei um monte de tranqueira e meus dentes estão cheios de cáries.

Tudo começou num momento que eu desacreditava ser o momento de um ‘encontro com o novo’, então fui pronto para andar só. Era algum feriado. A gente se usa de uma convenção pra ser feliz e se sentir amado. Tem gente que fala que as datas comemorativas são ‘jogadas de marketing’. Eu acho que é a forma que o ser humano encontrou de amar o próximo. Eu poderia fazer uma jogada de marketing beijando a minha mãe. E ao invés disso, demonstro meu amor comprando uma geladeira..."

Bruno Lourenço

sábado, 6 de dezembro de 2008

Lembranças do Refugo

Bia Barros postando. Estava arrumando minhas coisas e encontrei isto aqui, que escrevi na época do refugo, acho uma boa postar.

Hoje lembrei que meus pulmões são nas minhas costas, que estão atrás de mim, junto com a minha memória. E eu tenho mantido a respiração ofegante para não perder minhas imagens formadas naquele passado. Eu só respiro, só respiro, só respiro. A minha memória perece que carrega o verde, o marrom, o azul, o vermelho. E da minha voz e dos meus olhos só sai este vermelho, o vermelho que desce e escorre sobre minhas roupas, e cai no chão que já tá seco, com toda aquela terra que quando se junta com o vermelho daquele sangue não se sabe mais distinguir o que é terra e o que é sangue. É a mesma terra que cai sobre o laranja de uma lona e sobe, com a dança que fazemos com os nossos pés descalços, sobe pro céu e vai embora, vira ar, o ar que meus pulmões respiram.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Momento da divulgação: Mostra da Escola Livre de Teatro de Santo André

Saudações, amigos torneásticos! Venho por meio desta, divulgar a participação de alguns torneados na Mostra da Escola Livre de Teatro.

Para ficar mais claro:

O Fernando faz a Formação de ator.

O William é um dos diretores do Núcleo de direção (Mas também está em cena.)

A Éride e eu somos atrizes do Núcleo de direção (Fazemos cenas de três outros diretores)

Segue abaixo os dias e horários das apresentações de cada um:

Quinta (dia 4)
18:30 - William (Dias de Campo Belo)
20:30 - Fernando (Questões sem necessidade de nome)

Sexta (dia 5)
18:30 - William (Dias de Campo Belo)
19:00 - Mayra (Isso não é Rasga Coração)


Sábado (dia 6)
18:00 - Éride (Tapetes)
18:30 - Mayra (Isso não é Rasga Coração) e William (Dias de Campo Belo)*

Domingo (dia 7)
18:30 - Mayra (Isso não é Rasga Coração) e William (Dias de Campo Belo)

Segunda (dia 8) **
18:30 - William (Dias de Campo Belo)
19:00 - Mayra (Rasgão do Coração)***
19:30 - Mayra (Isso não é Rasga Coração)
20:00 - Éride (Tapetes)

* No sábado e domingo eu apresento ao mesmo tempo que o William.
** Na segunda tem apresentação de todas as cenas do Núcleo de direção e depois tem um debate com o núcleo
*** Ah, eu faço duas cenas. Uma delas só apresento na segunda.

Pra quem tiver vontade de assistir os quatro amiguinhos, sugiro que assista o William e o Fernando num dia e a Èride e eu em outro.

Aqui as informações sobre o que vamos fazer:

Questões sem necessidade de nome - Sufismo e HQ foram as provocações para a produção de cenas autorais, resultando em um exercício cênico, onde uma trajetória de cenas aborda temas como a opressão social e a individuação. Turma 12 do Núcleo de Formação do Ator. Orientação de Edgar Castro

Núcleo de direção - 9 cenas de Rasga Coração - Composto por nove coletivos e tendo como objeto provocador o texto Rasga Coração (1974) de Oduvaldo Vianna Filho, o Núcleo desenvolve um processo no qual o foco está na qualidade da relação entre diretor e atores, sem abrir mão da complexidade dos conflitos e questões abordados no texto de Vianinha. Orientação de Lubi Marques

Programação completa:

http://www.escolalivredeteatro.blogspot.com/

Serviço:

Escola Livre de Teatro/ Teatro Conchita de Moraes
Praça Rui Barbosa, s/n – Santa Terezinha (Próximo a estação prefeito saladino)
Fone: 49962164 – e-mail: escolalivre@ig.com.br



Mayra

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Sobre o processo, o petróleo, o teatro e o social.

E qual é a relação de tudo isso?
Vamos lá...


30 de Novembro de 2008
Vestibular da PUC-SP

O Processo Seletivo
“...produza um texto que considere:
1.A presença do petróleo na vida social, na tecnologia e na economia do século XX e no início do século XXI;
2.As relações entre consumidores e produtores e os conflitos associados à disputa por essa fonte de energia;
3.As perspectivas futuras dessa matriz energética e o risco (ou não) de seu esgotamento rápido.”

O Petróleo
Guerra santa? Santa ignorância! Nossa sociedade atual de sustenta na falta de sustentabilidade social naquilo que mais necessita. Por conta de possíveis recursos naturais para uma energia não renovável, homens entram em guerras e esquecem que aos poucos estão extinguindo sua própria espécie.
Estamos todos cientes de que a preservação do que é nosso deve existir, mas parece que estamos cada vez mais conformados também. É bem mais cômodo pegar um carro, dirigir até o posto e reabastecer de gasolina, o difícil é ter uma vida saudável e ir trabalhar de bicicleta.
O ser humano só toma uma atitude quando a realidade o afeta diretamente e errar sempre será humano. Se hoje, tempo em que ainda temos reservas de petróleo, existem guerras para saber a quem estas pertencem, não quero nem pensar no que acontecerá quando essas fontes se esgotarem, como Rita Lee já dizia "tá cada vez mais down!".

O Teatro

Ele é pequeno mas torneado! ;)

O Social
Eu não cobro...Hehehe.

Minha primeira vez, no blog e na PUC!
O Teatro e a área Social, ontem, hoje e sempre casados, na busca de uma segurança e equilíbrio para a reeducação e conscientização daquele que se diz racional. O Social é o sonho, Teatro a ponte e a satisfação que liga e estimula Rafaela ao Social.

Ah... O processo seletivo só serve pra você ganhar um papelzinho depois de alguns anos, papel esse que você mostra pros donos das reservas petrolíferas.


Abraço Grátis pra vocês,
Rafaela Rocha

domingo, 30 de novembro de 2008

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Barros postando!

Hoje eu escrevi um texto pra Cavalcante, acho que tem um pouco a ver com o nosso processo. Sobre esses lugares que ultimamente estamos passando com mais freqüência. Talvez não faça muito sentido, na verdade quando escrevi ele muitas coisas não tiveram um sentido completo, e eu acho que um dia, em um futuro não muito próximo, terá. De qualquer forma, está aí:

A minha carne pesa.
Eu sempre achei essa frase forte. Só que às vezes a minha mente é tão pesada que a carne fica tão leve, mais leve do que um pássaro, mais leve que uma de suas plumas. A complexidade humana me leva a loucura, eu vejo as pessoas passando e eu ali, algumas vezes aceitando elas em minha vida, outras aceitando com a possibilidade de elas saírem, continuarem passando. Parece que nascemos em uma casa, e ficamos olhando para fora da janela desta casa, e lá fora tem uma rua, onde as pessoas andam, algumas tropeçam em pedrinhas que estão pelo caminho ou mesmo pedrinhas que nós mesmos jogamos da janela. Algumas continuam andando, vão andando até o final da rua onde você não possa mais enxergar, às vezes elas param e entram na casa, entram na casa e ficam. Ficam 1, 2, 3 horas. 4, 6, 9 dias, anos, décadas, uma vida, uma casa.
Às vezes elas desaparecem, some, dentro da sua casa, você corre pelos corredores pelos quartos pelos banheiros e não encontra, ela simplesmente seguiu para outro corredor, ou até mesmo conseguiu encontrar uma porta dos fundos. Parece que a nossa casa fica, vai enchendo de coisas, de objetos. Livros escritos por você mesmo, CD's que você gravou seus projetos em estantes, suas lembranças em fotografias, seus restos de roupa viraram pano de chão, suas escovas de dente se tornaram instrumentos para limpar sapatos de couro. E você na janela, olhando, observando tudo isso. Tudo muda, as pessoas aprenderam a andar quando crianças e você viu esse desenvolvimento do primeiro passo até o último, os objetos são constituídos por pessoas e você vê eles sendo destruídos por outras e você fica ali. Absorvendo tudo isso e olhando, olhando... olhando.
E de repente, um espelho aparece de frente pra você. E você se toca ve o seu reflexo e começa a lembrar de tudo:
Lembra daquele senhor que entrou na sua casa e comeu o queijo com geléia sentado na mesa com você, dando risadas altas e divertidas. Sobre o vinil colocado na sala quando você aprendera a dançar com seu pai, sobre o cheiro das receitas de sua mãe, sobre as histórias que a sua irmã te contava, sobre o seu primeiro amor, sobre o seu segundo amor, sobre o seu último amor que acabara de morrer. E ai, você vê, que você também passou. Que sua casa já esta velha, antiga. Que suas pernas já andaram tanto que você está sentado, frágil em uma cadeira, com joelhos de cristal. E que tudo o que você percebe, é que a sua rua, o seu jardim, era seu apenas para você, mas tem algo que realmente, DE VERDADE VERDADEIRA, é só seu. Só seu e de mais ninguem. Algo fica, eu não sei o que, e eu não sei o que esperar, mas algo... algo fica.
A pluma volta a pesar, o pássaro fica mais pesado do que a minha mente, e eu vou para longe com a minha carne, enquanto penso em tudo isso.


Beatriz Barros

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Em busca...

Dia chuvoso. Gostinho de guarda-chuva quebrado.
Chegamos no espaço (Espaço em frente ao nosso. A por ta de uma garagem) à espera da famosa chave que abre a porta da nossa 'Pequena Sede de Torneado'.
Entre brincadeiras (Adolescente contemporâneo, né meo?) e conversinha do fim de semana, falamos sobre o espaço que o Fernando, William e Renan haviam ido conhecer.
Não que não estejamos felizes com nosso espaço, mas precisamos de certas seguranças que nossa casinha não pode dar.

Tratava-se de um galpão, localizado no centro de São Paulo.
Depois de uma rápida reunião falando sobre assuntos pendentes de reuniões anteriores (Sentiu a fuga do assunto, né? hehehe) começamos a falar sobre esse espaço.
Fomos comer algo no nosso 'Pequeno Intervalo de Torneado' e durante ele, recebemos (O William, na verdade) uma ligação e rumamos para o espaço (O galpão) afim de conhecê-lo.

Aquele 'espacinho' que parece ter visto dias melhores é muito a nossa cara.
Alguns defeitos pequenos, porém faremos a soma dos prós e dos contras.
Não iremos nos empolgar devido à experiências anteriores, mas teremos uma (Ou mais de uma) conversa sensata para decidir.

Depois disso, talvez veremos se aceitamos e/ou fomos aceitos (Afinal, nós somos os novatos. hehehe)

Mas quem sabe daqui há algum tempo, durante uma volta pelos prédios cinzas da cidade de São Paulo, você possa ver uma plaquinha escrito:
Sede Provisória do Pequeno Teatro de Torneado.

Bruno Lourenço

sábado, 22 de novembro de 2008

Das coisas que eu ainda não havia falado...

Das coisas que eu ainda não disse...

Impressionante é essa capacidade de acolher.
Todas as pessoas.
Todos os lugares.
Tudo que chega até nós.

O caos.

O caos é um moleque travesso que insisti em querer atrapalhar. Ele chega sem pedir licença e vai tomando conta.
Ele invade as nossas dicussões, as nossas arrumações e o nosso espaço.

Mas quando o caos chega nós saímos pela porta e penduramos uma placa de "Seja bem vindo".
Sabe, apesar de tudo, nós vamos te receber bem. Nós vamos te dar banho, comida e carinho.

Nós vamos te acolher na nossa pequena casinha.

Mayra


terça-feira, 4 de novembro de 2008

O Processo do 'Pequeno Teatro de Torneado' na montagem de "Refugo", do Projeto Conexões.

O projeto 'Conexões' visa fazer e discutir teatro jovem com o intuito de preencher a lacuna existente entre o teatro infantil e o teatro adulto. O projeto, que em boa parte do seu discurso dialoga com o discurso do 'Pequeno Teatro de Torneado', nos despertou o interesse de conhecê-lo e de, dele, participar.
Os primeiros contatos diretos com o 'Conexões' foram extremamente importantes para a nossa concepção da estrutura do projeto. O que foi essencial para que o grupo conhecesse os alicerces aonde poderia - ou não - se apoiar.
"Refugo" é o segundo resultado coletivo do 'Pequeno Teatro de Torneado'. O grupo acabava de sair de um processo de criação aonde o contato com o palco italiano e com o texto pronto antes do início dos ensaios era nulo, o que gerou um - já esperado - 'baque' em alguns dos integrantes.
O que nos levou a escolher o "Refugo" foi a maior quantidade de semelhanças entre o texto e a pesquisa do 'Pequeno Teatro de Torneado'. Desde sempre o encaramos, não como um texto adolescente, e sim como um texto social. Uma estória contada por adolescentes mas que envolve todo um contexto maior, como a retratação da perda da infância através da violência. O recurso épico foi outro objeto de estudo do 'Pequeno Teatro de Torneado' que, presente em "Refugo" nos levou a crer que esse seria o texto que encararíamos com maior propriedade.
"Refugo" assume um protagonista para contar essa estória: o menino Kojo, da Costa do Marfim. A "desprotagonização" com a qual trabalhamos em nossa primeira montagem, não poderia ser feita dessa vez com tanta liberdade, uma vez que é obviamente escolhido um ponto de vista principal para que essa estória seja contada.
O texto deixa claro não se tratar de um 'flagrante na desconstrução de uma rotina', mas assume um ponto de vista individual de uma estória contada por todos. E foi esse um dos mais importantes passos para a nossa concepção do espetáculo. Depois de contaminações de conversas, estudos do texto e algumas discussões, o processo de criação consistiu na aplicação do ponto de vista cênico do ator que interpretava o Kojo para que, depois, isto passasse pelo filtro do diretor.
Para um grupo que, antes, tinha como compromisso maior as suas próprias necessidades, o 'Conexões' foi uma nova chave para o "amadurecimento" de idéias.
Montar um texto de um adulto que tenta pensar como um jovem já causa um estranhamento que tentamos quebrar nos apoiando no 'cênico e na porosidade do ator'.
Criar esse espetáculo num estado ritualístico foi uma das formas encontradas para que pudéssemos nos aproximar da verdade necessária. Isso cria uma dialética entre as culturas abrangidas e joga o espetáculo num clima aonde a terra que todos pisamos é parte viva dessa estória, tornando-a algo que diz respeito, não só aos jovens, mas a todos os seres humanos.
Talvez, após finalizado todo o circuito de compromissos do Conexões, nós - os jovens participantes desse projeto - possamos sentar e conversar sobre as diferentes experiências e sobre como fazer desse projeto o 'adubo' de um próximo estudo.
Uma vez que possamos conversar, discordar, debater e relatar tudo que se passou durante a 'gestação' dos espetáculos, o teatro jovem estará realmente a um passo de preencher aquela "lacuna".

Bruno Lourenço

sábado, 1 de novembro de 2008

Das Épocas

Das Épocas...

• Ele é uma CRIANÇA, cara. - Refugo.
• Sou uma PRÉ-MOCINHA, tá? Já tenho nove anos! - Celofane.
• Os JOVENS crescem, tornam-se pais, avós... Constituem família, ganham dinheiro e são felizes. - Primavera.

Renan de Almeida.

domingo, 12 de outubro de 2008

Aqui.

Aqui.

Há tempos que comecei a estudar teatro com todo o vigor. Não sei, acho que a gente nunca aprende demais e eu precisava de alguma coisa mais direta pra entender o que eu não queria escutar. Um destes estudos era uma oficina de teatro pública que eu fazia em Guarulhos. Algo muito iniciante, com uma carga estranha e tudo muito empurrado, não sei, começávamos a fazer tudo de uma forma quadrada. O coordenador da oficina era um cara meio estranho, parecia meio cansado do teatro. Que estava fazendo aquilo simplesmente pelo dinheiro ou por algum outro motivo que eu desconhecia, porque ele nunca esteve com muita vontade de fazer teatro.

Então, infelizmente e felizmente, ele saiu e em seu lugar entrou uma mulher inteligente. Ela era inovadora, fazia tudo com muita vontade e organização... Conseguia manter um padrão de aula muito gostoso e incrível. Eu conversava com ela algumas vezes e ela demonstrou um grande prazer ao ouvir que eu fazia parte de um grupo de teatro. Um grande interesse. Estranho, mas um interesse.

Pois bem, o curso corria tranquilamente até que ela deixou escapar para os alunos a história do grupo de teatro. Bem, na verdade, eles não gostaram muito da notícia. Recebi um email de uma garota do curso estes dias, ela dizia que o pessoal se sentia um tanto quanto intimidado ou sendo julgados por mim. Não sei, só sei que desde que eles souberam disso passaram a me odiar profundamente. Faziam comentários maldosos sobre mim, tentavam me expôr, me agredir... Enfim, estes termos.

Diante tantos comentários, pareceu-me que a coordenadora também já estava começando a ficar um pouco inclinada para o lado deles. Ela realmente parecia achar que eu estava julgando os alunos, os observando e falando mal deles, o que era uma mentira sem limites. Eu estava super de boa, eu queria aprender e não ficar julgando as pessoas. Analisar se são boas ou não nunca foi a minha meta.

Depois de um certo tempo, essa coordenadora me expulsou do grupo da oficina. Disse com muita ironia que eu já havia aprendido demais, que isso era o bastante para eu levar pro grupo e que era isso que eu estava fazendo. Disse que eu estava prejudicando o aprendizado dos outros alunos, que prejudiquei as aulas dela e que os alunos não conseguiam mais ter a mesma desenvoltura que tinham quando não sabiam que eu pertencia ao Torneado. Enfim, fui expulso.

Precisei disto pra perceber onde é meu verdadeiro lugar pra aprender.

Renan de Almeida.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Oxigênio - Lá e cá

'E sem justificativa... Pois é a arte de renovar a renovação da arte! Bebamos no mesmo cálice das vanguardas as bebidas do nosso tempo... Nos embriaguemos do verde de Toulouse Lautrec e do borrão impressionista!'

-Vamos para a inglaterra?
-Talvez... Por quê?
-O Big Ben... ele é bonito!
-É. É bonito.
-Será que poderei pisar com meus pés descalços por onde Lennon passou?
-Sim. A terra é terra ainda que o concreto relute.

Reflexão particular: Dificuldade em entender o 'verb to be'. Afinal, ser e estar me soam tão diversos entre si... Entre si e dó também quando do refrão de "Let it be"(Deixe estar/ser). Me pego, covardiamente, partilhando da vontade de dizer "I am" e me isentado da culpa de ter dito "Eu sou" quando, na verdade, "estou". E estar acaba sendo tão mais belo e poético no fato de um sentimento não ser "imortal posto que é chama"... Então, devemos aceitar a supremacia linguística dos ingleses de Shakespeare (do "Ser ou não ser", ou seria "estar ou não estar"?) pelo poder da síntese que o idioma anglo-saxão nos ofereceu?
*Dúvida (doubt).
*Medo (fear).

God! A insight in my mind!

Esqueçamos por um breve momento da beleza da poética das palavras de Lennon e Shakespeare... Há algo que sobrevive além da forma... [Algo] Que Saramago, Victor Hugo e Fernando Pessoa já exploraram: pode-se isentar da culpa na duplicidade de uma palavra, mas não no olhar que esta propõe - timidamente.

(E pensar que Machado de Assis traduzia Edgar Allan Poe do francês...)



Thiago França,

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Pois é, foi doce, mas, nesse jardim a Primavera não prorrogou, mas com certeza sementes ela deixou. (trocadilho infame, não?!)

Iemanjá sempre presente em nosso meio e com um auto-influenciado-corte-frutifero uma oferenda ela levou, e, o universo com sua sincronicidade e Iemanjá com sua rapidez, trouxe pelo CÉUDEX 10 outras oferendas, que vieram para fazer parte da nossa constelação. Constelação essa, que sente o melado, o ácido, o colorido, de fruta despencada ao chão, e agora é difícil de achá-la no meio das folhas (né Má?!)

E que boas novas entrem na galeria torneada, e o que está e fez estar são coisas diversas, mas uma delas é ingrediente fundamental para nossa essência: É O AMOR!

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Manifesto do ‘Teatro de Casinha’

Manifesto do ‘Teatro de Casinha’

E o mundo – o tudo - é repleto de coisas maravilhosas: ares, amores, amoras, sabores, sangues, dores, prazeres, mortes, raivas, amargos, doces... Esse compreende tudo o que há para se descobrir, destrinchar e explorar qual um jardim de possibilidades infinitas ignoto à nossa consciência. Mas, ainda que cada ser humano, em sua dita peculiaridade, buscasse nesse tão imenso mundo absorver suas próprias descobertas, deparar-se-ia, em determinado momento, com o que nos é, por essência, comum. O ‘comum’ já “pejorativizado” – de aquilo que é medíocre - deve ser excluído de nossa mente. Refiro-me ao que nos liga quanto seres humanos: nossa carência pelo abraço, nosso abraço pelo carinho, nossa saudade da avenida da Saudade, nosso barranco de terra do qual despencaríamos não fosse a mão suja do primo mais velho... Tudo aquilo que nos acalanta e nos ‘nina’ – música sincera em ouvidos rendidos – remete, diretamente, à Casinha. Ela mora esquecida nos nossos sonhos. Mas, ‘volta e meia’ é n’Ela que nos refugiamos. É n’Ela que alçamos vôo pra Oz. O que, costumeiramente, chama-se de Deus, é preferível chamar de Casinha, pois é lá que se encontra a verdadeira comunhão dos homens, é lá que estamos nus e aquecidos.
O homem criou a filosofia, as religiões, o teatro, a literatura, a música, o vinho, a sopa, o Deus e a meia, com um único ideal: estar mais tempo dentro da Casinha.
E é buscando nessa concepção universal do que para os cristãos pode ser ‘caverna de adulão de Davi’, para os budistas a citação constante de um mantra em meditação, que surge a idéia de Teatro de Casinha - no qual se partilha a própria carne (física e psíquica) de quem está presente.
E a justificativa – sempre ela – para a reunião dessas palavras numa introdução de um post, é a relação quase que intuitiva do Pequeno Teatro de Torneado com esse comprometimento.
Patuléia, povo e gentio dentre os sensíveis de todo o mundo, abri vossas portas (àquela camada)!

Thiago França

por Pequeno Teatro de Torneado

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Eu não tenho mais quem cante minhas canções de ninar.
Todos os meus sonhos são frutos do que alguém já sonhou.
Tudo aquilo que me cerca, me faz pensar.
E talvez seja algo que alguém já pensou.

O tempo faz o gênio.
E isso não sou eu quem diz.
Um segundo.
Um segundo pode me fazer feliz.

Deixa eu matar alguém.
Deixa eu matar meu carnaval.
Deixa eu matar o meu amor.
Deixa eu matar. Deixa eu matar.

Deixa eu matar o que me faz falta.
Deixo matar o que me satisfaz.
Canta! Canta que eu preciso ouvir!
Canta até não aguentar mais!

O meu último abraço foi o de uma parede.
O meu próximo beijo, eu quero conquistar.
Se é ajuda, se é samba, se é benção...
Inventa! Inventa sua canção de ninar.

Até logo...

Bruno Lourenço

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Quando estamos em roda, cantando "Minha canção", que nós costumamos chamar de canção de cidade, eu olho ao meu redor e sempre penso a mesma coisa:

- Puxa. Nós somos um grupo mesmo...

Mayra

terça-feira, 16 de setembro de 2008

. - Algo sobre o caos

O adolescente contemporâneo?

Hoje eu tenho 17 anos.

Fico confuso na minha falta de organização.

Os carros passam por mim fazendo barulho. Lembra disso? É Refugo.

Quando eu corria, eu era criança.
Hoje eu, tão novo, estou sempre atrasado.

"Fica mais um pouco! Dá um beijo"
"Desculpa, não posso!"

Todos os dias, eu vejo pessoas que o tempo todo são rotuladas como fúteis, como bobas, como pessoas sem cultura.
Então eu, na minha falta de maturidade, tento fazer o contrário. Tento ser diferente delas.
Usar roupas diferentes, falar diferente.
E quando eu vejo, ó: Já dei a volta.
Fiquei bobo de novo.

E bobo por quê?
"Novela, Mallu Magalhães, Rua Augusta, Nação Tantan, Baile Funk..."

Quando eu falo por mim, eu falo por nós.
Eu sou uma voz.
Só uma voz.

Fico confuso na minha falta de organização.

Só dedos que digitam algo que não só uma cabeça pensa.
E que pena que não é só uma cabeça.

Se fosse só uma, eu seria louco, neutóritco...

Somos alguns tantos, que somos bobos.

(Ih, começou!)

É tanta coisa.
É tanta coisa que eu me sinto atropelado de informações.

Eu não sei quando eu tenho uma personalidade e não sei quando fui moldado.
E esse meu medo, essa minha neura só me faz ter certeza da alienação.

Alienação?

Da onde isso?

Para se chegar no senso comum, não precisa de um senso crítico?
Acho que não, né?

Ontem meu avô me disse "Faça Direito!" (a faculdade)

Fiquei com dó.

É chato sentir dó, né?
Dó.
Ré.
Mi...

Ok, você já entendeu.

Ontem eu era gordo, hoje eu sou magro.
Antes de ontem? Eu nem tinha nascido.

São tanto filósofos...
Tantos livros e tanta vontade de saber que as vezes eu me esqueço que o saber vem...

Vem com o tempo.
Vem com a vida.
Com a falta de tempo.
Ou a falta de vida.

Mas vem... Mesmo quando não vem.
Só vem...

Hoje eu sei (ou penso que sei) que posso me perder na minha falta de opinião.
Talvez isso já seja um resquício de que ela não existe...
(Ih! Dei a volta de novo)

É que eu fico confuso na minha falta de organização.


Bruno Lourenço

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Fotos primavera e texto celofane

Bia Barros postando..
Bom, eu queria postar umas fotos que tiramos esse domingo, enquanto pegavamos folhas secas no parque da luz. E queria postar uma carta que eu escrevi para o Fernando nas férias, falando um pouco sobre o processo do “Celofane”. Eu escrevi a carta quando estava voltando no ônibus, de Balneário Camboriu para São Paulo, e estava contando sobre a experiência de conviver três dias com minha prima de três anos. O “Celofane” é uma peça infantil, e na carta eu conto como foi essa convivência com a minha prima e como essa convivência me influenciou.

FOTOS:

pinacoteca!


Fernando e Ma, climão.






Morritz, tem como colocar a sua cabeça embaixo do braço?




TEXTO (celofane):
Estou sentada no ônibus, estou na janela, olhando as estrelas. sentada no ônibus olhando as estrelas e escrevendo um texto para você. sabe, acabei de viver durante três dias uma experiência única. eu convivi com uma criança. e nossa! como eu fiquei nervosa, em sentir uma criança perto de mim.. com esse processo do celofane, o que eu mais precisava era relembrar de uma criança. eu estava com uma dificuldade tremenda, de relembrar a criança dentro de mim, a mim mesma alguns anos atrás. aí eu encontrei a Júlia: minha prima de 3 anos. Julia Gomes Martins de barros, 3 anos, criatura de um metro e alguns mínimos centímetros que não sabe a diferença de sim e não. e então eu relembrei o que é não saber qual é a diferença entre sim e não, eu relembrei o que é não ter horários concretos sobre acordar, comer, dormir, trabalhar, porque você acaba de chegar de um lugar onde os únicos horários existentes são aqueles que você mesmo determina. eu relembrei o que é um brinquedo favorito para alguém, o que era o meu brinquedo favorito e como eu amava ele mais do que eu amo meus amigos e meus Julia Gomes Martins de barros, três anos, criatura de um metro e alguns mínimos centímetros que não sabe a diferença de sim e não. e então eu relembrei o que é não saber qual é a diferença entre sim e não, eu relembrei o que é não ter horários concretos sobre acordar, comer, dormir, trabalhar, porque você acaba de chegar de um lugar onde os únicos horários existentes são aqueles que você mesmo determina. eu relembrei o que é um brinquedo favorito para alguém, o que era o meu brinquedo favorito e como eu o amava mais do que eu amo meus amigos e meus namorados hoje em dia, eu relembrei o que é andar flutuando segurando a mão de alguém, eu relembrei como o mundo era grande e o meu quintal era pequeno, e era meu só meu. Eu relembrei de como a vida era bonita com meus olhos simples. Só que eu tambem relembrei, que hoje em dia, depois de alguns anos, eu aprendi que às vezes a diferença entre o sim e o não realmente não existe, que esse sim e não é apenas a determinação de uma escolha que devemos fazer que hoje em dia eu devesse fazer escolhas, como naquela época. Eu aprendi o que é a rotina, só que eu também relembrei, que hoje em dia eu devo fazer escolhas, como naquela época. Eu aprendi que a rotina, é a organização da vida, e mesmo preferido anteriormente, eu preciso dela, querendo ou não, em alguns momentos. Eu aprendi que hoje em dia meus brinquedos estão muito mais concretizados em algo que não é material, e que o meu jardim não é o único, que toda a minha volta tem um jardim, e juntos fazemos um jardim gigantesco, a questão é mesmo me deixareu entrar nos jardins dos outros e olhar as suas flores.
E sabe Fernando, eu nunca vou esquecer-me do dia em que você disse para mim e para o grupo o exercício que você fez na escola livre, aquele de relembrar a sua casa, a sua casa da infância. Uma noite, depois de ter brincado com a minha prima, eu deitei na cama e comecei a pensar na minha casa. E como eu sinto saudades dela! Como foi bom relembrar detalhes que eu não lembrava. Do espelho grande na sala, que os passarinhos apareciam lá e ficavam piando ou cantando de frente para ele, acreditando que existia outro pássaro igual a ele mesmo na sua frente; do sofá que dava de frente para o corredor, onde eu ficava com medo de aparecer um monstro de uma das portas do tal corredor; da minha mesinha, cheia de papel e giz de cera para os meus desenhos; do meu quarto cheio de estantes de brinquedos e da cortina do Peter pan; da janela da sala onde minha mãe falava "não encosta bia! você pode cair!" e eu sempre me encostava para olhar para o mundo que estava lá fora; do quarto da minha mãe, que era grande, branco, com uma janela imensa, e todo iluminado; do meu banheiro cheio de espelhos com um azulejo azul calcinha onde eu ficava me encarando, de frente, passando a mão na minha barriga e no meu cabelo; do quarto onde ficavam as fantasias para brincar que ficava dentro de um baú que estava dentro de um armário imenso, tal armário que hoje se encontra no meu quarto, tal armário que diminuiu de tamanho, tal armário que hoje é devorado por cupins, tal armário que hoje o esquecimento devorou a minha memória.
Tais detalhes que, comecei a chorar depois de ter relembrado. E outros detalhes, e como eu sinto falta da minha mãe na cozinha fazendo os bolinhos de banana, como eu sinto falta de escutar Chico Buarque com o meu pai, na vitrola, e ele me puxar para dançar uma valsinha, em seu colo, como eu queria a minha Irma de volta do meu lado, assistindo TV cultura comigo, sentada comigo naquela mesa gigante, fazendo cara torta para comer os legumes. A minha tia, me disse uma vez, que acha maravilhoso olhar para uma criança, quando ela se depara com ela mesma no espelho. Então, depois de ter relembrado de tudo isso, e de ter me levantado da cama, e ter me encarado, de frente a um espelho, eu consegui me enxergar. De verdade.
Como eu te amo Fernando, como eu amo olhar para tudo isso e ver que hoje em dia, eu encontrei pessoas que não conviveram comigo nessa época, mas que me conseguiram fazereu ter a possibilidade de voltar, voltar e relembrar essas coisas. E obrigada, por você, pelo William, Thiago, Maira, irei, pelo, bia, Diego, Bruno, me darem essa doçura, de todos os momentos que eu vivi e viverei, por vocês terem mostrado um caminho para mim que eu não conhecia por terem feito eu ter novas paixões, novas descobertas, novos amigos, novos amores, vocês são meus amores, meus eternos, o meu recife, o meu armário com meu baú de fantasias, a minha caixinha guardada com o que eu tenho de mais puro em minha alma, vocês conheceram uma parta da minha essência, que eu não esquecerei mais, que está com vocês. Então, que continue sendo doce.


é isso :) beijos, até.
Galeraaaaaaa!

vocês estão sabendo que pela campanha "Teatro é um barato!" o ingresso do Primavera é mais em conta, por isso ai está o link com o site, lá o ingresso é APENAS R$2,00, Se algué nessa tempora dizer que não foi por falta de grana, vai apanhaaaaaaar!

http://carrinho.ingresso.com.br/br/teatro/porpeca.asp?T_IDCIDADE=00000001

Beijoooooooos Troneados!

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Dá uma geral, faz um bom defumador
Enche a casa de flor
Que eu tô voltando!
Faz um cabelo bonito pra eu notar
Que eu só quero mesmo é despentear
Quero te agarrar
Pode se preparar porque eu tô voltando!

PRIMAVERA!

O espetáculo PRIMAVERA, com O Pequeno Teatro de Torneado, reestréia no Teatro da Vila no dia 6 de setembro (sabado que vem) e propõe uma reflexão sobre o adolescente contemporâneo e suas angústias, que tipos de influências a educação e as posições políticas dos adolescentes do século 19 trouxeram para o comportamento do jovem de hoje!

Direção e dramaturgia: William Costa Lima

Elenco: Beatriz Barros, Beatriz Cavalcante, Bruno Lourenço, Diego Chimenes, Fernando Melo, Heloisa Evelyn, Mayra Guanaes e Thiago França.

Local: Teatro da Vila – Rua Jericó, 256, Vila Madalena – fone: (11) 3813-7719 – 80 lugares

Temporada: de 06 a 28 de setembro de 2008

Dias e horários: Sábados e Domingos, às 18h

Ingressos: R$10,00 (inteira) e R$5,00 (meia-entrada)

Duração: 3h (com um intervalo de 20 minutos)

Que seja doce!


Vamo ai galeraaaaaaaaaaa!!

Fernando!

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

A primeira vez que eu ouvi falar sobre tudo isso

Beatriz Barros postando :
Quinta-feira conversávamos enquanto montávamos o cenário, das coisas que já passamos juntos. E aí, eu comecei a lembrar de tudo! Desde o início, desde a primeira vez que eu ouvi falar desse grupo, desse pequeno teatro de torneado.
As primeiras palavras vieram da Mariana, irmã da Beatriz Cavalcante. Ela estuda no meu colégio, um dia sentadas em um banco começamos a falar sobre teatro, e então ela começou a falar sobre o seu grupo. Começou falando sobre a peça: primavera. E então me disse sobre coisas totalmente abstratas no primeiro momento, palavras soltas que eu tive que juntar e formatar um sentido em minha mente: vestido de noiva, Ilse, Minas Gerais, William Costa Lima, Bruno, Thiago, Helô, menina de louça. E então veio o resultado: as imagens que eu formatei são as primeiras imagens da peça em minha mente, algo que não é tão distante da realidade. Uma luz amarela, caída sobre uma noite cheia de estrelas, pessoas em frente de uma igreja branca com detalhes azuis, com arquitetura barroca. Uma menina dançando com um vestido branco de noiva de tecidos leves e soltos que seguiam o caminho do vento, e meninas com flores grande e coloridas e suas cabeças, com vestidos que cada vez mais ficavam sujos e carregados com a terra que se levantava com os pés em movimento. E elas dançavam! Com toda terra, todas as flores, todas aquelas cores.
Depois de um tempo, descobri que o grupo iria fazer uma apresentação na minha escola, de um monólogo chamado “menina de louça”, a Mariana, minha amiga, que conseguiu fazer eles apresentarem lá, com um projeto que o curso técnico dela fez. De repente, estou dentro da biblioteca observando a Helô interpretando de uma forma que eu nunca vi nada parecido. Uma cadeira, um batom e um vestido azul em uma atriz que falava um texto que me envolveu 100% foi o necessário para eu ficar ali, parada, prestando atenção em cada detalhe, em cada passo que ela dava e tudo, tudo era motivo para eu ficar cada vez mais interessada em tudo aquilo, toda aquela atmosfera proporcionada para mim naquele momento, e eu me perguntava “quando que isso vai acabar?” e eu esperava que não acabasse mais, que eu continuasse me perdendo no tempo escutando aquela história, e me perdendo cada vez mais com o som da voz da Heloisa em minha mente. Aquilo mexeu comigo, cheguei em casa berrando “MÃE! EU VI UM MONÓLOGO FANTÁSTICO HOJE!” e meus olhos brilhavam e eu não parava de falar sobre cada detalhe de tudo o que eu tinha visto, aquele sentimento se prolongou muito, as sensações que aquela peça marcou em mim ficaram ecoando durante longas horas.
No outro dia, foi-se o tempo da peça “primavera”. A peça ainda estava em processo, foi mesmo um ensaio aberto mostrando apenas algumas cenas, e alguns exercícios teatrais que eles faziam. E foi no mesmo lugar, na biblioteca do meu colégio, que naquele momento, estava sem nenhuma mesa, nenhuma cadeira, e cheia de folhas secas, velas, incensos, malas, e uma luz amarela forte, foi um dos lugares mais prazerosos, misteriosos e confortáveis que eu já estive. E pessoas correndo, atores correndo se movimentando pelo espaço, meninos e meninas da mesma idade que eu! E o vestido! O vestido de noiva estava lá! A noiva, o ritual, os seus amigos, e aquelas frases, aquelas pessoas! TUDO, tudo era fantástico, tudo me atraía. E quando eu vi já tinha atores atuando na minha frente, eu compreendo hoje em dia que eu não consegui enxergar um momento para tudo aquilo começar, eu simplesmente entrei naquela biblioteca e fui, seguindo eles, em direção aos seus caminhos, eu simplesmente sentei e escutei suas histórias, estive aberta porque eles fizeram eu me sentir totalmente aberta e confortável para estar ali, e eu me senti uma parte daqueles jovens, toda hora eu pensava em ser um deles, eu me encarava e via eles falando coisas que eu pensava, coisas que eu já disse e que um dia eu poderia e com certeza vou dizer. E questões que ficavam cada vez mais presentes na minha mente eu conseguia me desprender e me prender delas a qualquer momento, e sempre vinham novas questões, mas tudo me despertava uma curiosidade que me instigava cada vez mais a continuar ali, as imagens, a falta de determinação de tempo, e até onde eu enxergava aquilo como teatro, e não como qualquer outra coisa. Como uma reunião de amigos que se conhecem faz anos, como um relacionamento amoroso entre dois seres humanos, como uma demonstração de oito humanos.
Depois de um tempo, de ter feito contatos de alguns dos atores, de ter dado aula de flauta para um e ter saído para passar uma tarde com outros, eu entrei no grupo. Me indicaram, fiz um teste, e entrei. Admito que não foi fácil, era tudo novo, tudo mesmo! O ritmo, as conversas, as idéias, a concentração, era tudo com uma energia diferente que eu nunca tinha encarado daquela forma, as pessoas mesmo! Mas com o tempo, com o tempo você vê que algo nos liga, que algo existe para eu estar ali também. Com o tempo eu cresci, eu me adaptei e comecei a crescer junto com eles. E hoje em dia, eu me sinto parte desse grupo, eu me sinto a vontade, sei que posso rir e chorar com alguém, tanto em cena como na vida real.
É isso, beijos.

A mala.


Temos uma mala. Dentro dela criamos coisas, as coisas se criam. As emoções brotam dela, passam por nós e voltam para a mala. Como um círculo. Paramos. Nos olhamos. Conversamos. Pensamos. Resolvemos abrir a mala. Deve ser importante. Abrimos e as criações começam a se montar. Montamos. Tudo de uma forma. Tudo com significado. E está montado. Novas emoções. Lidamos com catástrofes. Tudo é aqui, na mão. Tic tac. Paramos. Respiramos. Nos olhamos. E voltamos. Mais catástrofes. Emoções. Recortamos, desistimos, rasgamos. Êxtase. As emoções se findam. Olhamos em volta. Tudo desmontado, de volta a mala. Fechamos a mala.
E saímos ao sereno.

Renan Almeida.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Resolvo escrever num dia que não estou menos criativo do que estou!

Gente, Setembro se aproxima e coisas devem se concretizar e mais do que nunca precisamos nos juntarmos, respirarmos e com muita “calma” seguirmos em frente, e que venham os novos-velhos processos e que neles contenham o que a Má nos disse abaixo!!!

Beijos Torneásticos!
E que seja Doce!



Fernando
27/08/2008 00:19

domingo, 24 de agosto de 2008

Livre associação de palavras.

Refugo. Tempo. Espera. Escuta. Ponto de partida. Cores. Luz. Madeira. Pratos. Diferença. Estranhos. Adaptação. Ganhar. Perder. Jogo. Procurar. Idade. Dentes. Braços. Poder. Números. Idioma. Faca. Correr. Girar. Parar. Abraçar. Rolar. Passar. Voltar. Ponto de partida. Escuta. Espera. Tempo. Refugo.

Mayra

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Eu queria ser ginasta. Mas eu não sabia voar.
Então eu descobri a arte e pude encontrar aqui dentro mesmo as minhas próprias asas..

Mayra

domingo, 10 de agosto de 2008

Um post direto.

Um post direto...

Temos agora uma caixinha de comentários, para que você, pessoa paciente que acessa o nosso blog, mesmo com tão poucas atualizações, possa interagir. Valeu, Renan.

Temos também uma comunidade no orkut, que não foi tão divulgada, mas agora não há mais desculpa. Todos podem ter acesso clicando aqui.

E temos essa foto que nós tiramos no dia 30/05/08, na abertura do workshop de imersão do Projeto Conexões.



Para quem quiser saber sobre o projeto é só clicar aqui.

Mayra

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Começando pelo blog...

Hoje falamos sobre produção, a produção das coisas.
Conclui que eu ando dormindo no ponto. Lembrei que durante o processo do Primavera, eu vivia experimentando figurinos e adereços novos, criava coisas na luz, no texto e em tudo mais que, eu por ser uma “atriz-criadora” pudesse dar a minha contribuição. Tentei lembrar aonde eu havia deixado a minha caixa com os meus figurinos da nossa atual peça e senti um desespero ao perceber que eu não sabia aonde.
Notei que fui perdendo algumas coisas ao longo do processo. Fui deixando coisas para trás. Ao longo dos dias, me deixo contagiar pelo exterior e deixo de trabalhar.
Eu preciso experimentar, inventar, construir, criar e arriscar.

Resolvi recomeçar pelo blog. Coloquei aqui, um contador de acessos e um link para que as pessoas comentem os nossos posts. Na hora de publicar, nada funcionou.
Eu não to entendendo aonde eu to errando. Todas as instruções estão em inglês, e nem o mínimo do mínimo que eu entendo de html e de inglês, são suficientes para que eu perceba onde eu estou errando. E eu queria que as coisas funcionassem.

Mesmo que eu sempre erre, eu quero ver as coisas funcionando.


Mayra Guanaes

sábado, 19 de julho de 2008

Sem/Com


Foto: "As cores que o Refugo nos aponta"...

Passo apenas para dizer que estou perdido...

São muitas cores... e que vontade de ver, sentir e resumir essa euforia...

Helô, tempos bestas eram aqueles!

William Costa Lima(constrangido)

quinta-feira, 10 de julho de 2008

O primeiro dos primeiros...

O ínicio da euforia

Ano de 2005. Fevereiro. Ou quinta, ou sexta-feira de manhã. Estava começando a cursar o sétimo ano (minha antiga e querida sexta série!). Não era um dia como qualquer outro. Me lembro como se fosse hoje.
Eu era realmente feliz com 11 aninhos. Feliz de ter a liberdade de comprar chicletes na padaria da esquina e tirar um dez na redação da escola. Uma felicidade que só se tem no início do caminho. Era o início da euforia.


Soledade, uma das funcionárias quebra-galho do meu antigo colégio, entrou na sala de aula pedindo licença para a divulgação do novo curso extracurricular da escola. Sempre odiei cursos extracurriculares do Colégio Terra! Pois seu único intuito era, e deve ser até hoje, roubar o salário dos pais e retirar-nos o nosso valioso tempo de não fazer nada de tarde.


Já estava cansada disto! Então deitei na carteira, fechei os olhos e fiquei rabiscando a mesa. “Aulas de teatro com William Costa Lima”, quem é esse cara? (como se eu conhessece alguém de teatro aquela época além do Wolf Maia) Que sono... O cara era um esquisitão. Usava uma calça larga marrom-cocô, um tênis velho e rasgado da Reebok e uma camiseta verde. Não dei muita importância pra ele, preferia decorar os tipos de relevo de origem vulcânica. Disse que quem se interessasse pelo curso, que levantasse a mão. Levantei. Até que gostava de teatro. Ou pelo menos dos infantis comerciais que meu pai me levava pra assistir no Shopping Higienópolis. Fui uma das poucas a erguer o braço. Ele me olhou e abaixei a cabeça de fininho. Disse que se eu fosse tímida eu poderia ser a porta da sua peça(demonstrou com o corpo a porta). Todos riram. Engraçadinho! E burro! Não vai conseguir alunos fazendo piadas deles! Mas eu fui; só pra não ter de assistir a Lagoa Azul de quintas-feiras à tarde.


Odeio ter que mudar de opinião. Eu adorei a primeira aula! Foi o estopim dos meus dias excitantes. Contava os dias, os minutos e os segundos para a quinta feira chegar novamente. Ansiedade. Era muito prazeroso, o ano que eu mais gostei de estudar teatro; o primeiro. Lembro de muitas improvisações com temas nordestinos. Muitas conversas empolgantes sobre espetáculos e escolas de teatro. Exercícios físicos como cambalhota, estrela. E alongamentos. Leituras do Despertar da Primavera, de Frank Wedekind. Eu era muito mais disciplinada que agora! Maníaca por teatro! Lia todos os livros que ele me indicava. Lembro que o Auto da Compadecida eu fiquei desesperada, pois só havia quarta a noite para eu ler, mas eu consegui acabar de madrugada (coisa que nunca havia feito até aquele tempo). Lembro também, que depois da aula de teatro achei dois livros na estante onde o professor deixava sua mala, um era sobre mitologia grega e outro era sobre imigração. Li os dois; só pra mostrar serviço. Ah! E quando eu chorei porque minha mãe não deixou eu ver a peça do Saci! Ai ai! Incrível como em poucos meses mudei minha rotina e como aquele estranho que invadiu minha aula de Geografia se tornava um professor confiável e um incentivador constante da minha artee também, da minha pessoa. Essa é a palavra que resume exatamente o início do teatro em mim e do Projeto Meu –olho, Meu-Mundo: empolgante!


E continua sendo... Mesmo depois de três anos! Tendo surgido do projeto o grupo Pequeno Teatro de Torneado, a empolgação se mantém em todos os ensaios e apresentações, sendo trabalhada com seriedade e na tentativa de desmistificação da sonhada profissão de ser ator( uma coisa que martelou muito na minha cabeça esses dias e percebi que no grupo fazemos muito isso), com novos colaboradores, atores, figurinistas, enfim gente empolgada para ser e fazer e ajudar a acontecer não sei o quê!

Desmistificação do teatro: Uma frase que li e me identifiquei quanto a essa questão é: "O que advém do desaparecimento da ilusão e o declínio da aura nas obras de arte é um crescimento considerável de possibilidades com as quias podemos jogar"

Por Heloisa Evelyn

sexta-feira, 4 de julho de 2008

De Fernando para o Universo:



“Comunhão Miscelânica”, esse é o meu sentimento em relação ao espírito que o Torneado vem munido nesse novo semestre, essa é a dialética de pessoas de riquezas sublimes e únicas, que partilharão novos momentos, que serão, antes de tudo, momentos doces, e que cada singularidade abasteça essa pluralidade dos novos capítulos que estão a serem escritos e publicados em corações, braços, cabelos, estômagos, almas, úteros, rins, corpos. Agora é a hora do novo, mas com a certeza de que o passado está presente, em novos amigos, em novos projetos, em novos locais, em novos amores, em novas paixões, em novos, em velhos, em novos...



São Genésio, o padroeiro dos epiléticos, atores e músicos

De Gero Camilo e Tata Fernandes

Santinho pequenininho
De coração assim assim pequenininho
Protege tua legião
Abençoa nosso ofício
Que o drama, que o riso
De forma assim assim pequenininha
Conceda a todos coração
Abençoa nosso ofício
Que o drama, que o riso
De forma assim assim pequenininha
Conceda nosso ganha pão
São Genésio protege tua legião
São Genésio concede a todos coração
São Genésio concede nosso ganha pão
AMÉM!!!

terça-feira, 1 de julho de 2008

Acabou, acabou...

O Bruno sempre fala que ninguém escreve aqui. Eu, particularmente, me sinto tímida ao dar as caras no blog do grupo.
Já pensou se eu escrevo uma besteira? Vai demorar para alguém ler. Depois mais um tempo até apagar...
Que melindre mais bobo esse meu não?

Antes que eu comece a divagar sobre coisas não tão interessantes, deixo aqui um post que eu tunguei do meu próprio blog.
E, por falar em blog, essa semana vou tentar resolver essa questão dos comentários, prometo!

Depois de dois meses em cartaz, acabou a temporada do Primavera.
E finalizamos apresentando para um público muito espontâneo. As pessoas assistiram, gostaram, recomendaram e uma galera apareceu no último fim de semana...
É engraçado olhar para a platéia e notar que não conhecemos quase ninguém. E mesmo sem nos conhecer, as pessoas estão ali, dispostas a dividir com a gente o nosso momento.
No último dia, tinha mais de 40 pessoas assistindo. Teatro lotado. Que puta prazer fazer uma peça com um teatro lotado.
Tinha um brilho diferente nos nossos olhos. Foi tão legal quanto aquele dia em que nós apresentamos só para seis pessoas, nessa mesma temporada.
Nossa peça funciona com pouco ou muito público. A gente só precisa de um público aberto. E quando as pessoas estão abertas, a gente entra mesmo.
Fiquei muito feliz, extremamente feliz com a presença dos meus amigos que compareceram. É muito bom compartilhar o nosso trabalho com as pessoas que a gente gosta.
Tivemos muitos ganhos durante essa temporada. Foi uma experiência bacana.
E continuamos aí. Uma pausa com a Primavera, sem deixar que ela continue despertando.


Essas foram só as primeiras impressões. Porque na verdade, a temporada toda ainda está reverberando.

Por Mayra Guanaes

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Dia de dormir na aula e no trem.

Hoje tivemos um ensaio muito interessante... Na verdade, sentamos para conversar.

Discutimos coisas sobre o 'Primavera' (É a última semana! Assistam!), acertamos algumas coisinhas...
Enfim, um pit-stop necessário.

Intervalinho.

Fomos comer na padoca. 13 rodadas de pão na chapa. E dá-lhe café com leite!

Voltamos ao PCO.

Quando cheguei, uma discussão estava sendo travada: Aonde está o nosso espaço de trabalho?
Nosso grupo, há algum tempo, procura um local para poder estabelecer uma sede para que possamos organizar nosso trabalho e nos administrar melhor.

Estou empolgado sabendo que o nosso lar continuará sendo o nosso lar.
Vamos nos mobilizar por algo maior que todos nós almejamos.
Aquela suposta felicidade. Aquela nostalgia gostosa de algo que a gente não viveu.
O momento em que todas as vozes se calam e outra voz fala mais alto.
Nosso teto já voou longe, mas vamos fixá-lo agora.
Vamos derrubar uma parede. Vamos escrever na parede levantada:

O TEATRO ESTA MORTO
VIVA O TEATRO



Bruno Lourenço

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Ultimamente ando pensando muito sobre o futuro. Temazinho meio besta esse, né? Batido...
Mas eu vou fazer o que? Eu só vou ser um intelectual daqui uns 40 anos (no mínimo)...

Quando eu era pequeno, eu queria ser advogado. Pra ter uma sala com uma lâmpada e usar calça jeans. Pelo menos foi assim o desenho que eu fiz, quando eu tinha 6 anos. Meu pai é advogado.
Eu já quis ser advogado, já quis ser cantor, médico, arquiteto, engenheiro...
É muito futuro pra uma pessoa só.

Eu fico me programando para algo que me aguarda, mas não sei se me deseja.
Não sei se eu desejo.

A meta é única, mas o caminho pode ser bem diferente.

“Que tal você parar de limpar o umbigo, heim Bruno?”

Boa idéia... De volta à prancheta...



Bruno Lourenço

sexta-feira, 6 de junho de 2008

O que é ser de celofane pra você?

Eu tenho dois relógios. Um, eu embrulho num papel de celofane vermelho. É bonito, transparente e não nega a realidade do que está dentro. Um relógio! Você pode até ver que horas são, sem precisar desmanchar o embrulho.
O outro, eu coloco dentro de uma caixa. Não nego que existe um relógio ali dentro, mas quem não sabe que eu o coloquei jamais saberá, ao menos que abra o embrulho e faça uso do que está no seu interior. Ou, numa situação mais cautelosa, faça um silêncio absoluto para simplesmente poder ouvir o tiquetaquear.

É engraçado como hoje (e sempre, não nos esqueçamos da história), o olhar perfura o celofane transparente. Não que o celofane seja algo imperceptível. Talvez seja o medo da nossa realidade primitiva.

É visto como algo fora do eixo, quando na verdade é um grito de atenção disfarçado de ‘tic-tac’.


Bruno Lourenço

quinta-feira, 5 de junho de 2008

E para que lado olhar?


Velha vontade de parar. De deixar a espada ali. Eu descobri algo arrematador sobre minha pessoa, de que meu fluxo é próprio demais... Ai que vontade de transformar isso em cena, mas eu sei que não devo, já ando com idéias acumuladas demais. Tudo é tão cena que a vez de ser cena é algo tão inóspito. Foram muitos anos, foi muita crença, e hoje o que não tenho? Eu devo, em todos os sentidos ao tempo e a minha tolerância. Tão novo e já tão velho... E hoje eu acordei com uma vontade de lhe dar um presente... O que você deseja? Algo físico mesmo? Em valor monetário? Desculpa não lhe abrir a porta do meu carro... Desculpe pelo cardápio... Desculpe pela indicação do filme, não observei a faixa etária... Desculpe, é que eu ando cheio de impressões sobre tudo e todos, às vezes eu até erro o lado da calçada. Eu sou tão quase pai... Quanto sou tão quase feliz.

São muitas amarras eu venho me sentido um pouco sufocado...

A verdade é um instrumento indispensável a quem pretende ser feliz...

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Esse fim de semana fomos ao coquetel e ao 1º workshop de imersão do Projeto Conexões, para o qual nós fomos sorteados.

Para quem não conhece, o Conexões, é um projeto que incentiva o teatro feito por jovens e para jovens como ferramenta para a formação humana e cultural, fomentando, por intermédio do trabalho em equipe, a criação de espaços para a reflexão e expressão das questões presentes no jovem de hoje.
Eles trabalham por sorteio. Não estamos lá por sermos legais.
(HAHAHA)

Mas foi bem divertido. Nós já tínhamos participado do workshop para imersão de diretores, que tinha dado um tom diferente do que experimentamos esse final de semana.
Conhecemos bastante pessoas, outros grupos que também montarão o texto ‘Refugo’, de Abi Morgan (O texto que escolhemos montar) e comemos muitos grãos, patezinhos e tomamos suco. Isso no coquetel.

No workshop, fizemos uma aula com Max Key, do National Theatre de Londres. Pulamos, dançamos, cantamos e deitamos no chão. Foi divertido.
Lá, foi mais reservado para o pessoal que tinha escolhido o mesmo texto. Então ele separaram a gente pela cor da camisa (cada integrante do grupo ganhou uma camisa com a cor referente ao texto que escolheu. O Refugo foi verde)e fomos para o teatro do Colégio Sâo Luís. Conversamos com a tradutora do nosso texto, com alguns diretores que irão auxiliar a montagem dos espetáculos e discutimos um pouco o Refugo.

Nossas fotógrafas de plantão não estavam preparadas com suas câmeras de última geração, mas vamos roubar umas fotos do site do Conexões e logo postaremos aqui.

Tivemos que sair um pouco mais cedo, pois tínhamos apresentação as 14 hrs, mas antes disso, eu tive um tempinho para falar com o próprio Max.
Fomos eu e a Bia Barros. Eu fiquei tremendo na hora de falar com o cara. Não por que eu sou fã dele (na verdade eu acharia que ele é um amigo do meu pai, se eu visse ele na rua), mas por causa do domínio do inglês numa situação que poderia queimar o grupo.
Eu meio que ‘interrompi’ uma conversa que ele estava tendo com a Ligia Cortez, uma das diretoras que irão auxiliar as montagens. Mas ele foi super simpático e a Ligia participou da conversa também. Nós falamos para os dois sobre o Primavera e o Max disse que o Gabriel Carmona (O diretor que vai nos auxiliar) já tinha lhe dito sobre o Primavera.

Ele nos contou que vai para Paraty, Salvador, Recife e depois voltará para São Paulo. Disse que quando voltar, talvez dê uma passadinha. Eu brinquei dizendo que a peça é muito sensorial e a língua não será uma barreira e ele deu risada.

Gostei bastante desse fim de semana e espero que o Conexões seja prazeroso, seguido de um trabalho com verdade e competência.

Colocamos o pezinho na Inglaterra!
(Com o Conexões, é claro...)



Bruno Lourenço

O bom filho ao lar retorna... Eu já fiz essa piada

Primavera estreou aqui em São Paulo e nem viemos falar sobre como foi estar de volta ao lar.

No dia 17/5, estreou aqui em São Paulo, o espetáculo Primavera.
Voltamos de Curitiba bastante empolgados para apresentar, sabendo que a temporada daqui de São Paulo seria bem melhor do que a de lá.
A nossa estréia foi acompanhada de horas de montagem de cenário, aquecimentos, danças, cirandas e um piadinhas a parte do tipo: O bom filho ao lar retorna.

Mas é isso aí!
Estamos aqui e super felizes de poder aconchegar aqueles que nos prestigiam com a sua presença e, tentando mostrar para todos o despertar de uma Primavera conhecida e pouco lembrada de todos nós.

"Primavera"



Espaço Pyndorama
Rua Turiaçu, 481, Perdizes, São Paulo.
Tel: (11) 3871-0373Próx. ao Metrô Barra Funda e ao Parque da Água Branca. Em frente ao CNA.

Quando: Sábados e Domingos: às 14hsDe 17 de maio a 29 de junho


Excepcionalmente no dia 1/06 não haverá espetáculo


Quanto: R$ 20, 00 (inteira) e R$ 10,00 (meia)












Bruno Lourenço

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Saudações!

Confesso que eu estava tentando superar a minha timidez para escrever aqui.

Já vai fazer um mês que voltamos de Curitiba. Embora eu pense que podíamos ter trabalhado um pouco mais, creio que esse tempo por lá nos trouxe novas experiências que em algum momento poderemos usar no nosso processo. Uma grande experiência é aprender estar preparado para qualquer possível imprevisto que possa ocorrer.

No segundo dia, saí em busca de um café da manhã e ao voltar, percebi uma placa em frente a Casa do Estudante, do outro lado da rua, na calçada da maior escola estadual do sul do país. Era uma placa “Fringe Aqui”. Eu pensei, nossa que bacana, vamos trocar divulgação com o pessoal da escola... Olhei para frente do lugar que nós iríamos nos apresentar para ter o prazer de ver a nossa própria placa e não tinha placa nenhuma. Antes que eu pensasse em alguma explicação, vejo os meninos trazendo uma escada. Era a primeira pegadinha do Fringe para o nosso grupo. A nossa placa de divulgação estava no lugar errado e nós é que precisaríamos mudar.





Estamos em harmonia, a Primavera voltou mais tranqüila daquela cidade de brisa gelada. Tenho sentido um clima muito bom durante os ensaios e mesmo que ainda tenha questões para resolver na peça, tudo parece estar resolvido, não estamos mais tão estressados e aprendemos a nos divertir com a nossa peça.
Agora estamos correndo para mostrar o nosso trabalho.

Mayra Guanaes

terça-feira, 15 de abril de 2008

Festival de Curitiba!



De Curitiba, voltamos nós.
Do dia 20 ao dia 30 de março, NÓS, ou seja, o grupo Pequeno Teatro de Torneado do Projeto Meu Olho - Meu Mundo, apresentou o espetáculo “Primavera” no Festival de Curitiba, o Fringe.


Primavera é o resultado de um processo de dois anos que retrata o adolescente contemporâneo a partir da obra de Frank Wedekind, “O Despertar da Primavera” , do qual vocês ainda vão ouvir falar muito neste blog.


O Fringe é o seguinte: grupos de teatro e dança de todo o Brasil, e alguns até de fora do Brasil, se reúnem para apresentar seus espetáculos na cidade de Curitiba-PR, espalham-se nos teatros de toda a cidade. Uma mostra de teatro sem competições, não há critérios para os grupos participarem, cada grupo cobra a bilheteria que quiser e apresentam nos dias e horários que pedirem. E é a maior farra! Muita peça (283)! Muita gente misturada! Muitas festas! Bares! Espetáculos de rua etc.
Site da programação do Fringe, para mais informações:
http://www.festivaldeteatro.com.br/ftc2008/index.asp

Os grupos concentram-se principalmente no Largo da Ordem, centro da cidade, onde há muitos bares, teatros, livrarias, espaços culturais, pessoas que vão ao teatro e o Memorial de Curitiba, que é a sede do festival. Pode ser comparado à Praça Roosevelt, de São Paulo.


Nós não ficamos em cartaz lá, feliz e infelizmente. Infelizmente porque a divulgação dos espetáculos do Fringe é muito, mas muito fraquinha e o pouco público que há, se concentra no Largo da Ordem. Então, se estivéssemos lá, talvez conseguiríamos mais público. Felizmente porque ficamos na Casa do Estudante Universitário (CEU), uma espécie de república mantida pelo governo e pelos estudantes, centenas de estudantes que vêm de outros Estados para cursar faculdade ou estagiar em Curitiba. Um ambiente que relaciona muito com a temática do espetáculo pelo lado estudantil, pelo fato de estudantes morarem sozinhos no ambiente que estudam, sem família e amigos, como um colégio interno, o que é retratado no nosso espetáculo, e pelo fato do isolamento de estudantes pelo sexo, pois na casa do estudante só podem hospedar-se os homens. As mulheres são em outra república de Curitiba.


Foi uma média de onze dias montando cenário, ensaiando, indo às coletivas de imprensa, ensaiando, entregando filipetas, ensaiando, pegando folhas secas, ensaiando, fazendo reuniões e principalmente ensaiando! Afinal de contas, lá foi nossa estréia com todo o cenário, todas as cenas e marcas executadas.
Foi divertido. O grupo se uniu, atores progrediram individualmente, fizemos nossa primeira viagem para apresentação(com o grupo inteiro), conhecemos muita gente, fizemos nossa primeira intervenção de rua, curtimos a linda cidade (de custo de vida muito baixo), onde seis grandes pãezinhos de queijo saem por R$ 1,00, conhecemos um pouco do teatro dos outros Estados e novamente nos divertimos! Mas sobre a estrutura do Fringe...


Este ano, o Fringe esteve com muitos problemas em sua organização, principalmente nos erros de divulgação. No principal Guia de programação do Fringe, nosso espetáculo saiu com duração e nomes de atores errados.


Primavera

DRAMA | SÃO PAULO – SP | CEU – Casa do Estudante Universitário.
DIAS: 21, 27 e 28 às 20hs; 23 e 30 às 16hs: 22 e 29 de março às 16hs e às 21hs | INGRESSOS: R$ 16, 00 E R$ 8,00.

“Que tipos de influências a educação e as posições políticas dos adolescentes do século 19 trouxeram para o comportamento do jovem contemporâneo e para os rumos da educação no Brasil? O espetáculo propõe uma reflexão sobre este tema, trazendo ao palco uma desconstrução épico-dramática de uma obra de Wedekind.”

PEQUENO TEATRO DE TORNEADO – TEXTO: FRANK WEDEKIND. DIREÇÃO E ADAPTAÇÃO: WILLIAM COSTA LIMA ELENCO: HELOISA EVELYN, TAIGUARA VACCARI CHAGAS, TIAGO FRANÇA, BEATRIZ CAVALCANTE, DIOGO ALVES, TATIANA FONTES AVANCHELO, BRUNO GONÇALVEZ, MAYRA GUANAES. DURAÇÃO: 90’


90’? Por esse relapso errinho, perdemos um grande número de público que estavam programados para assistir outras peças do festival. Nosso espetáculo tem quase quatro horas de duração. Muitas pessoas saíam no intervalo do espetáculo. “O público foi despedaçando na mesma velocidade dos personagens da peça pra balancear”, como disse o crítico Michel Fernandes.


Os atores Taiguara Chagas, Tatiana Fontes e Diogo Alves foram substituídos por Beatriz Barros, Diego Chimenes e Fernando Mello, na época da substituição o e-mail foi mandado novamente para o festival com os nomes corretos, mas consideraram os nomes do primeiro e-mail.


Além de tudo isso, pouco público nas apresentações, má distribuição de espetáculos, uma das apresentações o festival errou o horário da apresentação vendendo em sua sede ingressos para hora errada, e também, a pouca divulgação para os moradores da cidade. Ainda bem que não foi só com a gente!


É isso aí, Fringe! Espero que ano que vêm vocês melhorem. Principalmente, em divulgação e organização. Obrigado e merda prô ceis!
Até que no finzinho nós conseguimos um pouco de atenção da imprensa e dos críticos, alguns deles foram aos últimos dias do espetáculo e eis que:

http://igbandalarga.ig.com.br/materias/478501-479000/478915/478915_1.html
http://www.bacante.com.br/revista/critica/primavera
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u387081.shtml

E novamente na rotina apressada, porém, divertida de Sampa. 3 projetos: Conexões. Primavera e Peter em Fúria. Pouco tempo. Muitas idéias. Empolgação. Euforia. Excitação. E o famoso Trabalho...

7/04 – Reunião de Leitura dos textos do “Conexões”



WILLIAM na ponta do fundo, na esquerda BIA BARROS e BIA CAVALCANTE, na direita está o THIAGO, BRUNO e MAYRA, FERNANDO na ponta da frente. HELOISA tirando e foto e DIEGO não estava presente no dia.

Que todos quebremos a perna! (Depois do espetáculo, é claro!)




Heloisa Evelyn

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Eis aqui o primeiro post do blog do ‘Pequeno Teatro de Torneado’!

Só para alertá-los, gostaria de dizer que o choque da transformação de ‘curso’ em ‘grupo’ nos remete a uma imaturidade (em questão de grupo) que talvez vocês encontrem com alguma freqüência nessa página. Mas se teatro é exposição, blog de teatro é a exposição com erros de português e acho que essa pode ser uma maneira inteligente das pessoas perceberem, com o passar do tempo, o amadurecimento do grupo.
Aqui iremos colocar críticas, sugestões de peças, reflexões sobre conversas, além de propor fóruns de discussão que podem ser acompanhados na comunidade do
‘Projeto Meu Olho-Meu Mundo’ , de onde o grupo se formou.
Espero que vocês se divirtam e aproveitem esse espaço para refletir que o teatro jovem pode não ser superficial.
O ‘Pequeno Teatro de Torneado’ do ‘Projeto Meu Olho-Meu Mundo de Pesquisa Cênica’ agradece a sua visita.

Que seja doce!



Bruno Lourenço

Sobre o sentir e o dançar de um corpo gordo

Sempre achei estranha a vontade que eu tinha de dançar. Durante muito tempo, meu corpo ficou inerte. Fugia das aulas de educação física, ...