quinta-feira, 10 de julho de 2008

O primeiro dos primeiros...

O ínicio da euforia

Ano de 2005. Fevereiro. Ou quinta, ou sexta-feira de manhã. Estava começando a cursar o sétimo ano (minha antiga e querida sexta série!). Não era um dia como qualquer outro. Me lembro como se fosse hoje.
Eu era realmente feliz com 11 aninhos. Feliz de ter a liberdade de comprar chicletes na padaria da esquina e tirar um dez na redação da escola. Uma felicidade que só se tem no início do caminho. Era o início da euforia.


Soledade, uma das funcionárias quebra-galho do meu antigo colégio, entrou na sala de aula pedindo licença para a divulgação do novo curso extracurricular da escola. Sempre odiei cursos extracurriculares do Colégio Terra! Pois seu único intuito era, e deve ser até hoje, roubar o salário dos pais e retirar-nos o nosso valioso tempo de não fazer nada de tarde.


Já estava cansada disto! Então deitei na carteira, fechei os olhos e fiquei rabiscando a mesa. “Aulas de teatro com William Costa Lima”, quem é esse cara? (como se eu conhessece alguém de teatro aquela época além do Wolf Maia) Que sono... O cara era um esquisitão. Usava uma calça larga marrom-cocô, um tênis velho e rasgado da Reebok e uma camiseta verde. Não dei muita importância pra ele, preferia decorar os tipos de relevo de origem vulcânica. Disse que quem se interessasse pelo curso, que levantasse a mão. Levantei. Até que gostava de teatro. Ou pelo menos dos infantis comerciais que meu pai me levava pra assistir no Shopping Higienópolis. Fui uma das poucas a erguer o braço. Ele me olhou e abaixei a cabeça de fininho. Disse que se eu fosse tímida eu poderia ser a porta da sua peça(demonstrou com o corpo a porta). Todos riram. Engraçadinho! E burro! Não vai conseguir alunos fazendo piadas deles! Mas eu fui; só pra não ter de assistir a Lagoa Azul de quintas-feiras à tarde.


Odeio ter que mudar de opinião. Eu adorei a primeira aula! Foi o estopim dos meus dias excitantes. Contava os dias, os minutos e os segundos para a quinta feira chegar novamente. Ansiedade. Era muito prazeroso, o ano que eu mais gostei de estudar teatro; o primeiro. Lembro de muitas improvisações com temas nordestinos. Muitas conversas empolgantes sobre espetáculos e escolas de teatro. Exercícios físicos como cambalhota, estrela. E alongamentos. Leituras do Despertar da Primavera, de Frank Wedekind. Eu era muito mais disciplinada que agora! Maníaca por teatro! Lia todos os livros que ele me indicava. Lembro que o Auto da Compadecida eu fiquei desesperada, pois só havia quarta a noite para eu ler, mas eu consegui acabar de madrugada (coisa que nunca havia feito até aquele tempo). Lembro também, que depois da aula de teatro achei dois livros na estante onde o professor deixava sua mala, um era sobre mitologia grega e outro era sobre imigração. Li os dois; só pra mostrar serviço. Ah! E quando eu chorei porque minha mãe não deixou eu ver a peça do Saci! Ai ai! Incrível como em poucos meses mudei minha rotina e como aquele estranho que invadiu minha aula de Geografia se tornava um professor confiável e um incentivador constante da minha artee também, da minha pessoa. Essa é a palavra que resume exatamente o início do teatro em mim e do Projeto Meu –olho, Meu-Mundo: empolgante!


E continua sendo... Mesmo depois de três anos! Tendo surgido do projeto o grupo Pequeno Teatro de Torneado, a empolgação se mantém em todos os ensaios e apresentações, sendo trabalhada com seriedade e na tentativa de desmistificação da sonhada profissão de ser ator( uma coisa que martelou muito na minha cabeça esses dias e percebi que no grupo fazemos muito isso), com novos colaboradores, atores, figurinistas, enfim gente empolgada para ser e fazer e ajudar a acontecer não sei o quê!

Desmistificação do teatro: Uma frase que li e me identifiquei quanto a essa questão é: "O que advém do desaparecimento da ilusão e o declínio da aura nas obras de arte é um crescimento considerável de possibilidades com as quias podemos jogar"

Por Heloisa Evelyn

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