Fotos primavera e texto celofane

Bia Barros postando..
Bom, eu queria postar umas fotos que tiramos esse domingo, enquanto pegavamos folhas secas no parque da luz. E queria postar uma carta que eu escrevi para o Fernando nas férias, falando um pouco sobre o processo do “Celofane”. Eu escrevi a carta quando estava voltando no ônibus, de Balneário Camboriu para São Paulo, e estava contando sobre a experiência de conviver três dias com minha prima de três anos. O “Celofane” é uma peça infantil, e na carta eu conto como foi essa convivência com a minha prima e como essa convivência me influenciou.

FOTOS:

pinacoteca!


Fernando e Ma, climão.






Morritz, tem como colocar a sua cabeça embaixo do braço?




TEXTO (celofane):
Estou sentada no ônibus, estou na janela, olhando as estrelas. sentada no ônibus olhando as estrelas e escrevendo um texto para você. sabe, acabei de viver durante três dias uma experiência única. eu convivi com uma criança. e nossa! como eu fiquei nervosa, em sentir uma criança perto de mim.. com esse processo do celofane, o que eu mais precisava era relembrar de uma criança. eu estava com uma dificuldade tremenda, de relembrar a criança dentro de mim, a mim mesma alguns anos atrás. aí eu encontrei a Júlia: minha prima de 3 anos. Julia Gomes Martins de barros, 3 anos, criatura de um metro e alguns mínimos centímetros que não sabe a diferença de sim e não. e então eu relembrei o que é não saber qual é a diferença entre sim e não, eu relembrei o que é não ter horários concretos sobre acordar, comer, dormir, trabalhar, porque você acaba de chegar de um lugar onde os únicos horários existentes são aqueles que você mesmo determina. eu relembrei o que é um brinquedo favorito para alguém, o que era o meu brinquedo favorito e como eu amava ele mais do que eu amo meus amigos e meus Julia Gomes Martins de barros, três anos, criatura de um metro e alguns mínimos centímetros que não sabe a diferença de sim e não. e então eu relembrei o que é não saber qual é a diferença entre sim e não, eu relembrei o que é não ter horários concretos sobre acordar, comer, dormir, trabalhar, porque você acaba de chegar de um lugar onde os únicos horários existentes são aqueles que você mesmo determina. eu relembrei o que é um brinquedo favorito para alguém, o que era o meu brinquedo favorito e como eu o amava mais do que eu amo meus amigos e meus namorados hoje em dia, eu relembrei o que é andar flutuando segurando a mão de alguém, eu relembrei como o mundo era grande e o meu quintal era pequeno, e era meu só meu. Eu relembrei de como a vida era bonita com meus olhos simples. Só que eu tambem relembrei, que hoje em dia, depois de alguns anos, eu aprendi que às vezes a diferença entre o sim e o não realmente não existe, que esse sim e não é apenas a determinação de uma escolha que devemos fazer que hoje em dia eu devesse fazer escolhas, como naquela época. Eu aprendi o que é a rotina, só que eu também relembrei, que hoje em dia eu devo fazer escolhas, como naquela época. Eu aprendi que a rotina, é a organização da vida, e mesmo preferido anteriormente, eu preciso dela, querendo ou não, em alguns momentos. Eu aprendi que hoje em dia meus brinquedos estão muito mais concretizados em algo que não é material, e que o meu jardim não é o único, que toda a minha volta tem um jardim, e juntos fazemos um jardim gigantesco, a questão é mesmo me deixareu entrar nos jardins dos outros e olhar as suas flores.
E sabe Fernando, eu nunca vou esquecer-me do dia em que você disse para mim e para o grupo o exercício que você fez na escola livre, aquele de relembrar a sua casa, a sua casa da infância. Uma noite, depois de ter brincado com a minha prima, eu deitei na cama e comecei a pensar na minha casa. E como eu sinto saudades dela! Como foi bom relembrar detalhes que eu não lembrava. Do espelho grande na sala, que os passarinhos apareciam lá e ficavam piando ou cantando de frente para ele, acreditando que existia outro pássaro igual a ele mesmo na sua frente; do sofá que dava de frente para o corredor, onde eu ficava com medo de aparecer um monstro de uma das portas do tal corredor; da minha mesinha, cheia de papel e giz de cera para os meus desenhos; do meu quarto cheio de estantes de brinquedos e da cortina do Peter pan; da janela da sala onde minha mãe falava "não encosta bia! você pode cair!" e eu sempre me encostava para olhar para o mundo que estava lá fora; do quarto da minha mãe, que era grande, branco, com uma janela imensa, e todo iluminado; do meu banheiro cheio de espelhos com um azulejo azul calcinha onde eu ficava me encarando, de frente, passando a mão na minha barriga e no meu cabelo; do quarto onde ficavam as fantasias para brincar que ficava dentro de um baú que estava dentro de um armário imenso, tal armário que hoje se encontra no meu quarto, tal armário que diminuiu de tamanho, tal armário que hoje é devorado por cupins, tal armário que hoje o esquecimento devorou a minha memória.
Tais detalhes que, comecei a chorar depois de ter relembrado. E outros detalhes, e como eu sinto falta da minha mãe na cozinha fazendo os bolinhos de banana, como eu sinto falta de escutar Chico Buarque com o meu pai, na vitrola, e ele me puxar para dançar uma valsinha, em seu colo, como eu queria a minha Irma de volta do meu lado, assistindo TV cultura comigo, sentada comigo naquela mesa gigante, fazendo cara torta para comer os legumes. A minha tia, me disse uma vez, que acha maravilhoso olhar para uma criança, quando ela se depara com ela mesma no espelho. Então, depois de ter relembrado de tudo isso, e de ter me levantado da cama, e ter me encarado, de frente a um espelho, eu consegui me enxergar. De verdade.
Como eu te amo Fernando, como eu amo olhar para tudo isso e ver que hoje em dia, eu encontrei pessoas que não conviveram comigo nessa época, mas que me conseguiram fazereu ter a possibilidade de voltar, voltar e relembrar essas coisas. E obrigada, por você, pelo William, Thiago, Maira, irei, pelo, bia, Diego, Bruno, me darem essa doçura, de todos os momentos que eu vivi e viverei, por vocês terem mostrado um caminho para mim que eu não conhecia por terem feito eu ter novas paixões, novas descobertas, novos amigos, novos amores, vocês são meus amores, meus eternos, o meu recife, o meu armário com meu baú de fantasias, a minha caixinha guardada com o que eu tenho de mais puro em minha alma, vocês conheceram uma parta da minha essência, que eu não esquecerei mais, que está com vocês. Então, que continue sendo doce.


é isso :) beijos, até.

Comentários

mayramguanaes disse…
Queria deixar claro, que as fotos foram tiradas depois de encher um saco e meio de folhas secas e um corpo inteiro de alergia.
Renan... disse…
Fantástico, Bia. Incrível, adorei.
Bruno disse…
Isso me lembra o cheiro de folhas secas. \o

Postagens mais visitadas deste blog

Verão de 2005.

Curtíssima temporada do espetáculo "O Girador" no Teatro Pequeno Ato

2014: um primeiro balanço e o nosso fim de ano