quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Manifesto do ‘Teatro de Casinha’

Manifesto do ‘Teatro de Casinha’

E o mundo – o tudo - é repleto de coisas maravilhosas: ares, amores, amoras, sabores, sangues, dores, prazeres, mortes, raivas, amargos, doces... Esse compreende tudo o que há para se descobrir, destrinchar e explorar qual um jardim de possibilidades infinitas ignoto à nossa consciência. Mas, ainda que cada ser humano, em sua dita peculiaridade, buscasse nesse tão imenso mundo absorver suas próprias descobertas, deparar-se-ia, em determinado momento, com o que nos é, por essência, comum. O ‘comum’ já “pejorativizado” – de aquilo que é medíocre - deve ser excluído de nossa mente. Refiro-me ao que nos liga quanto seres humanos: nossa carência pelo abraço, nosso abraço pelo carinho, nossa saudade da avenida da Saudade, nosso barranco de terra do qual despencaríamos não fosse a mão suja do primo mais velho... Tudo aquilo que nos acalanta e nos ‘nina’ – música sincera em ouvidos rendidos – remete, diretamente, à Casinha. Ela mora esquecida nos nossos sonhos. Mas, ‘volta e meia’ é n’Ela que nos refugiamos. É n’Ela que alçamos vôo pra Oz. O que, costumeiramente, chama-se de Deus, é preferível chamar de Casinha, pois é lá que se encontra a verdadeira comunhão dos homens, é lá que estamos nus e aquecidos.
O homem criou a filosofia, as religiões, o teatro, a literatura, a música, o vinho, a sopa, o Deus e a meia, com um único ideal: estar mais tempo dentro da Casinha.
E é buscando nessa concepção universal do que para os cristãos pode ser ‘caverna de adulão de Davi’, para os budistas a citação constante de um mantra em meditação, que surge a idéia de Teatro de Casinha - no qual se partilha a própria carne (física e psíquica) de quem está presente.
E a justificativa – sempre ela – para a reunião dessas palavras numa introdução de um post, é a relação quase que intuitiva do Pequeno Teatro de Torneado com esse comprometimento.
Patuléia, povo e gentio dentre os sensíveis de todo o mundo, abri vossas portas (àquela camada)!

Thiago França

por Pequeno Teatro de Torneado

3 comentários:

Bruno disse...

E é gostoso estar na casinha.
Procurá-la.
Vivê-la e não deixá-la.

Vamos descobrir nossa canção de ninar. :D

Mayra disse...

Que bonito...

Projeto Meu Olho-Meu Mundo disse...

Sábado, duas casinhas do Cenário do "Primavera"caíram... Alguém se lembra disso?

O meu avô já foi dono de muitas terras... Eles as perdeu para seus quinze filhos...

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