domingo, 30 de novembro de 2008

O Teatro faz todo o sentido.
Principalmente porque eu tô num coletivo que justifica essa afirmação.

Mayra

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Barros postando!

Hoje eu escrevi um texto pra Cavalcante, acho que tem um pouco a ver com o nosso processo. Sobre esses lugares que ultimamente estamos passando com mais freqüência. Talvez não faça muito sentido, na verdade quando escrevi ele muitas coisas não tiveram um sentido completo, e eu acho que um dia, em um futuro não muito próximo, terá. De qualquer forma, está aí:

A minha carne pesa.
Eu sempre achei essa frase forte. Só que às vezes a minha mente é tão pesada que a carne fica tão leve, mais leve do que um pássaro, mais leve que uma de suas plumas. A complexidade humana me leva a loucura, eu vejo as pessoas passando e eu ali, algumas vezes aceitando elas em minha vida, outras aceitando com a possibilidade de elas saírem, continuarem passando. Parece que nascemos em uma casa, e ficamos olhando para fora da janela desta casa, e lá fora tem uma rua, onde as pessoas andam, algumas tropeçam em pedrinhas que estão pelo caminho ou mesmo pedrinhas que nós mesmos jogamos da janela. Algumas continuam andando, vão andando até o final da rua onde você não possa mais enxergar, às vezes elas param e entram na casa, entram na casa e ficam. Ficam 1, 2, 3 horas. 4, 6, 9 dias, anos, décadas, uma vida, uma casa.
Às vezes elas desaparecem, some, dentro da sua casa, você corre pelos corredores pelos quartos pelos banheiros e não encontra, ela simplesmente seguiu para outro corredor, ou até mesmo conseguiu encontrar uma porta dos fundos. Parece que a nossa casa fica, vai enchendo de coisas, de objetos. Livros escritos por você mesmo, CD's que você gravou seus projetos em estantes, suas lembranças em fotografias, seus restos de roupa viraram pano de chão, suas escovas de dente se tornaram instrumentos para limpar sapatos de couro. E você na janela, olhando, observando tudo isso. Tudo muda, as pessoas aprenderam a andar quando crianças e você viu esse desenvolvimento do primeiro passo até o último, os objetos são constituídos por pessoas e você vê eles sendo destruídos por outras e você fica ali. Absorvendo tudo isso e olhando, olhando... olhando.
E de repente, um espelho aparece de frente pra você. E você se toca ve o seu reflexo e começa a lembrar de tudo:
Lembra daquele senhor que entrou na sua casa e comeu o queijo com geléia sentado na mesa com você, dando risadas altas e divertidas. Sobre o vinil colocado na sala quando você aprendera a dançar com seu pai, sobre o cheiro das receitas de sua mãe, sobre as histórias que a sua irmã te contava, sobre o seu primeiro amor, sobre o seu segundo amor, sobre o seu último amor que acabara de morrer. E ai, você vê, que você também passou. Que sua casa já esta velha, antiga. Que suas pernas já andaram tanto que você está sentado, frágil em uma cadeira, com joelhos de cristal. E que tudo o que você percebe, é que a sua rua, o seu jardim, era seu apenas para você, mas tem algo que realmente, DE VERDADE VERDADEIRA, é só seu. Só seu e de mais ninguem. Algo fica, eu não sei o que, e eu não sei o que esperar, mas algo... algo fica.
A pluma volta a pesar, o pássaro fica mais pesado do que a minha mente, e eu vou para longe com a minha carne, enquanto penso em tudo isso.


Beatriz Barros

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Em busca...

Dia chuvoso. Gostinho de guarda-chuva quebrado.
Chegamos no espaço (Espaço em frente ao nosso. A por ta de uma garagem) à espera da famosa chave que abre a porta da nossa 'Pequena Sede de Torneado'.
Entre brincadeiras (Adolescente contemporâneo, né meo?) e conversinha do fim de semana, falamos sobre o espaço que o Fernando, William e Renan haviam ido conhecer.
Não que não estejamos felizes com nosso espaço, mas precisamos de certas seguranças que nossa casinha não pode dar.

Tratava-se de um galpão, localizado no centro de São Paulo.
Depois de uma rápida reunião falando sobre assuntos pendentes de reuniões anteriores (Sentiu a fuga do assunto, né? hehehe) começamos a falar sobre esse espaço.
Fomos comer algo no nosso 'Pequeno Intervalo de Torneado' e durante ele, recebemos (O William, na verdade) uma ligação e rumamos para o espaço (O galpão) afim de conhecê-lo.

Aquele 'espacinho' que parece ter visto dias melhores é muito a nossa cara.
Alguns defeitos pequenos, porém faremos a soma dos prós e dos contras.
Não iremos nos empolgar devido à experiências anteriores, mas teremos uma (Ou mais de uma) conversa sensata para decidir.

Depois disso, talvez veremos se aceitamos e/ou fomos aceitos (Afinal, nós somos os novatos. hehehe)

Mas quem sabe daqui há algum tempo, durante uma volta pelos prédios cinzas da cidade de São Paulo, você possa ver uma plaquinha escrito:
Sede Provisória do Pequeno Teatro de Torneado.

Bruno Lourenço

sábado, 22 de novembro de 2008

Das coisas que eu ainda não havia falado...

Das coisas que eu ainda não disse...

Impressionante é essa capacidade de acolher.
Todas as pessoas.
Todos os lugares.
Tudo que chega até nós.

O caos.

O caos é um moleque travesso que insisti em querer atrapalhar. Ele chega sem pedir licença e vai tomando conta.
Ele invade as nossas dicussões, as nossas arrumações e o nosso espaço.

Mas quando o caos chega nós saímos pela porta e penduramos uma placa de "Seja bem vindo".
Sabe, apesar de tudo, nós vamos te receber bem. Nós vamos te dar banho, comida e carinho.

Nós vamos te acolher na nossa pequena casinha.

Mayra


terça-feira, 4 de novembro de 2008

O Processo do 'Pequeno Teatro de Torneado' na montagem de "Refugo", do Projeto Conexões.

O projeto 'Conexões' visa fazer e discutir teatro jovem com o intuito de preencher a lacuna existente entre o teatro infantil e o teatro adulto. O projeto, que em boa parte do seu discurso dialoga com o discurso do 'Pequeno Teatro de Torneado', nos despertou o interesse de conhecê-lo e de, dele, participar.
Os primeiros contatos diretos com o 'Conexões' foram extremamente importantes para a nossa concepção da estrutura do projeto. O que foi essencial para que o grupo conhecesse os alicerces aonde poderia - ou não - se apoiar.
"Refugo" é o segundo resultado coletivo do 'Pequeno Teatro de Torneado'. O grupo acabava de sair de um processo de criação aonde o contato com o palco italiano e com o texto pronto antes do início dos ensaios era nulo, o que gerou um - já esperado - 'baque' em alguns dos integrantes.
O que nos levou a escolher o "Refugo" foi a maior quantidade de semelhanças entre o texto e a pesquisa do 'Pequeno Teatro de Torneado'. Desde sempre o encaramos, não como um texto adolescente, e sim como um texto social. Uma estória contada por adolescentes mas que envolve todo um contexto maior, como a retratação da perda da infância através da violência. O recurso épico foi outro objeto de estudo do 'Pequeno Teatro de Torneado' que, presente em "Refugo" nos levou a crer que esse seria o texto que encararíamos com maior propriedade.
"Refugo" assume um protagonista para contar essa estória: o menino Kojo, da Costa do Marfim. A "desprotagonização" com a qual trabalhamos em nossa primeira montagem, não poderia ser feita dessa vez com tanta liberdade, uma vez que é obviamente escolhido um ponto de vista principal para que essa estória seja contada.
O texto deixa claro não se tratar de um 'flagrante na desconstrução de uma rotina', mas assume um ponto de vista individual de uma estória contada por todos. E foi esse um dos mais importantes passos para a nossa concepção do espetáculo. Depois de contaminações de conversas, estudos do texto e algumas discussões, o processo de criação consistiu na aplicação do ponto de vista cênico do ator que interpretava o Kojo para que, depois, isto passasse pelo filtro do diretor.
Para um grupo que, antes, tinha como compromisso maior as suas próprias necessidades, o 'Conexões' foi uma nova chave para o "amadurecimento" de idéias.
Montar um texto de um adulto que tenta pensar como um jovem já causa um estranhamento que tentamos quebrar nos apoiando no 'cênico e na porosidade do ator'.
Criar esse espetáculo num estado ritualístico foi uma das formas encontradas para que pudéssemos nos aproximar da verdade necessária. Isso cria uma dialética entre as culturas abrangidas e joga o espetáculo num clima aonde a terra que todos pisamos é parte viva dessa estória, tornando-a algo que diz respeito, não só aos jovens, mas a todos os seres humanos.
Talvez, após finalizado todo o circuito de compromissos do Conexões, nós - os jovens participantes desse projeto - possamos sentar e conversar sobre as diferentes experiências e sobre como fazer desse projeto o 'adubo' de um próximo estudo.
Uma vez que possamos conversar, discordar, debater e relatar tudo que se passou durante a 'gestação' dos espetáculos, o teatro jovem estará realmente a um passo de preencher aquela "lacuna".

Bruno Lourenço

sábado, 1 de novembro de 2008

Das Épocas

Das Épocas...

• Ele é uma CRIANÇA, cara. - Refugo.
• Sou uma PRÉ-MOCINHA, tá? Já tenho nove anos! - Celofane.
• Os JOVENS crescem, tornam-se pais, avós... Constituem família, ganham dinheiro e são felizes. - Primavera.

Renan de Almeida.