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Mostrando postagens de 2009

Bons Ventos (Ou assim espero)

Estamos em fase de renovação. De transformação.
Agora é a hora de saber focar e de abrir os olhos.

É bonita a procura da criança, mas a organização do adulto nos faz falta, a sabedoria do sábio nem sempre chega em nós.

Estamos com um novo processo ‘Gritar por Cida’, uma pesquisa sobre amor e violência. Talvez seja o trabalho mais maduro do Torneado. Estamos buscando a sensibilidade, a busca pela boa estética, a boa dramaturgia, o bom trabalho de ator e também buscamos o efêmero, o híbrido, o dinheiro e a noite sem preocupações.

Terminamos uma temporada hoje. Dias de Campo Belo, no histórico Teatro de Arena. Uma temporada fraca de público, mas muito importante para o grupo. O Dias foi a primeira peça do grupo onde a maturidade foi um dos fatores principais. Talvez o Dias seja uma nova fase do Torneado. Então pensaremos da seguinte forma: Não é que ainda não somos bem vistos.

É que ainda não fomos bem vistos.

Talvez agora comece.

É raça, mermão. Uma beijoca molhada.
Em breve produzo algo com um…

Colaborações da crítica teatral Paulistana... Ou um olhar crítico sobre o crítico...

A Crítica Teatral Jornalística: Qual Seu Papel?

Michel Fernandes*, especial para o Jornal de Teatro (michel@aplausobrasil.com)

*Artigo escrito para a edição número 11 do Jornal de Teatro

Sábato Magaldi, crítico e pesquisador de teatro

Sábato Magaldi, crítico e pesquisador de teatro



Na edição número 8 do Jornal de Teatro

, o editor Rodrigoh Bueno, registrou em seu editorial um justificado espanto com a conversa de alguns críticos de teatro, que estavam na mesma van que ele, num determinado festival de teatro. Segundo Rodrigoh, tais críticos não gostaram do espetáculo que tinham visto, mas teriam de “pegar leve” em seus textos, pois o espetáculo levava a assinatura de um “figurão”.



Deprimente saber que a autocensura dos que não têm coragem para assumir suas posições frente a uma peça – por medo de desagradar a alguém cuja carreira é coroada por sucessos ou aos artistas que, em sua trajetória, compilaram um exército de amigos influentes – exista e seja mais praticada do que sonha nossa vã filo…

Sobre "Sinfonia de Sofhia"

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Escrito em 2007, quando eu ainda cursava o núcleo de dramaturgia da Escola Livre de Teatro de Santo André, sob coordenação do mestre Kil Abreu. A "Lição de Casa" era a seguinte; um texto, com as características de um drama moderno sem perder um certo traço de linearidade na trama.

O texto aborda o olhar de uma jovem atriz, vinda de Maceió, que tenta seguir carreira artística em São Paulo.

De todos os textos que escrevi e gostaria de montar pelo Torneado, talvez esse seja o que menos me empolgue. Mas, dependendo da recepção dos nossos artístas criadores tudo pode mudar, inclusive o texto!

"Sinfonia de Sofhia" será lido no Ciclo de dramaturgia da Gastão Tojeiro.

Segue as informações:






















A seguir um trecho dessa dramaturgia:

Na pensão.

Madalena: Parece feio, mas podia ser pior.

Sophia: Cê não sabe de onde eu venho. Lá que é feio demais.

Madalena: E eu sei.

Sophia: Pois conhece?

Madalena: E precisa conhecer, com uma cara feia dessa, cê só podia vir de um lugar feio. Sus…

Sobre o "Menina de Louça".

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Primeiro Cartaz da montagem(Setembro de 2006).



"Menina de Louça", pode ser considerada a primeira montagem do grupo, antes dela havíamos realizado apenas o exercício; “A incrível Saga” (mencionado no post anterior). “Menina de Louça”, trata da questão da Histeria adolescente e tem como pano de fundo a lenda urbana da “Loira do Banheiro”. Era um momento em que eu buscava o lugar da comunicação entre ao ator e o essencial para a cena. Essencial também, foi realizar o processo com a dispota e vibrante Heloisa Evelyn, na época com 12 anos e muita coragem.

A seguir um pouco mais sobre o espetáculo, através de fotos, imagens, depoimentos colhidos.


Programinha da temporada do CCSP(Maio de 2007).










































Foto do processo de montagem(Agosto de 2006).



























E agora olhar da fotógrafa Sylvia Sanchez para a nossa "Menina de Louça".





















































































Para finalizar um trecho da dramaturgia:

"Em um pote de iogurte plantei um feijão, que germinou em duas gramas de algodão. Parecia milagre, mas não era não. Era…

Torneado e essa história de uma Dramaturgia Autoral.

Quem acompanha nossa trajetória deve perceber que uma das questões que procuramos nos aprofundar é a da dramaturgia.

Eu particulamente, posso retratar o quanto tem sido importante o exercício de ter um coletivo disposto a tentar entender as minhas idéias através da busca de uma dramaturgia autoral.

Paralelo a isso, também nos preocupa a busca individual de cada um por essa dramaturgia autoral. “Responsabilizando” não na palavra “dramaturgia” e sim na palavra “autoral”, o lugar em que iremos expor o nosso caos. O sufixo “dramaturgia” acaba sendo só uma ferramenta de organização do espaço para autoria/caos. E assim, sempre que ensaiamos uma obra, por mais que seja um texto que estamos repetindo há três anos, não ensaiamos para saber executar a dramaturgia e sim para preencher de caos o espaço da autoria. E foi o que senti no final do último ensaio do “Primavera”, um caos vivo e leve (porque assim também pode ser).

Já não ensaiavamos mais para saber a obra e sim para a organizar a catástrof…

Um silêncio lá de traz....

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Como Bruno já mencionou no último post, estamos em um momento de revisão crítica do que somos. Ultimamente, em tantos momentos, me pego vivendo um passado onde falar em reuniões de produção, verbas, editais... era algo que eu não imaginava. Eu conseguia ser menos que um "jovem promissor", que um dia cismo de ver em um grupo de crianças a sua única oportunidade de se fazer um teatro mais livre do próprio teatro.

A seguir o cartaz, o programinha e fotos da primeira montagem de um exercício, em OITO de dezembro de 2005, quando ainda nos chamavamos por "Projeto Meu Olho -Meu Mundo". Esse exercício,mais tarde seria entendido como o sêmem da "Dramaturgia dos Moleques".













Cartaz da montagem.





























Parte interna do Programinha.






















Letícia Galla em cena como o prefeito.






A Mesma Letícia Galla Transmutada de Diabo.





















Todo o elenco nos movimentos de cenas coletivas.











































Parte da Dramaturgia contruída a doze mãos. (Crianças de 07 a 11 anos)







Esse pedacinho de terra que vocês vão adentrar ag…

Estamos nesse estado precário

Decidimos ensaiar menos durante esse mês de novembro, para que as pessoas pudessem se organiza para esse fim de ano. Tanto com grana, quanto com estudos, tempo... etc. Recentemente passamos por mudanças bruscas com relação a horários, relações e algumas pessoas saíram do grupo. Tiramos esse tempo para nos organizar individualmente, por que isso parecia ser o principal fator da nossa organização. Alguns, como eu, se sentiram um pouco deslocados com essa diminuição de encontros, mas depois foi bom perceber que, pra esse momento, era necessário. Penso que a nossa relação estava ficando super-saturada. Nos encontrávamos demais para fazer coisas que deveríamos conseguir fazer em menos tempo, menos energia e mais concentração.
Costumamos levar nossas incertezas da vida para o teatro. Esse tempo foi o tempo de descobrirmos as incertezas da vida e o tempo de tentar encontrar uma solução para elas. Esse tempo, esse respiro, ainda continuará por um tempo. Todos precisamos nos organizar... Pagar …

Estudo Musical 1

ESTUDO MUSICAL 1:


(Olhe em volta...Puxe batidas ritmicas no que estiver mais próximo e seja passível de bater...E comece a cantar).


Sociedade adormecida,
Amortecida.
Existência ilesa
Desde feto, só no aplique
Aplica aqui, aplica ali
Eterna anestesia.

Tampa a visão
Chapa a audição
Educa o olfato
Doma o tato
Enlaça o paladar.

Mascara-se diversas injeções:
Televisões, livros, educações.
DI-TA-DÔ
Vou te ditar o que você deve usar
DI-TA-DÔ
Amor a dois, o resto deixa pra depois.

Amor configurado, tudo formatado
Amor configurado, tudo formatado
Amor configurado, tudo formatado
Amor configurado, tudo formatado.
Amorconfiguradotudoformatadoamorconfiguradotudoformata..................(EXPLOSÃO)


FERNANDO MELO
A onda é não se sentir culpado quando expor as suas fragilidades.
Mesmo que você fale sem sentir ou sem pensar aquilo saiu pra você se estabilizar.

A onda é lutar contra a corrente e saber que isso é natural.

Nós nos cobramos para nos conhecer e, a partir daí, para conhecer o próximo que vai nos ajudar com as dores. Aliviando-as ou trazendo-as, mas ajudando.
É só uma forma de abraçar o mundo, por mais piegas que seja.

Do outro, só podemos esperar. E quando a espera vem em forma de projeção, de cobrança, a melhor maneira é desviá-la e pensar no agora. No que é efêmero.
(Mesmo que ele seja triste... Pelo menos pra mim)

Que Roberto Carlos diga o que não consegui dizer:
Eu quero apenas olhar os campos,
Eu quero apenas cantar meu canto,
Eu só não quero cantar sozinho,
Eu quero um coro de passarinho,
Quero levar o meu canto amigo,
A qualquer amigo que precisar.(Refrão)
Eu quero ter um milhão de amigos
E bem mais forte poder cantar
Eu quero ter um milhão de amigos
E bem mais forte poder cantarEu que…
Quando me vejo dentro de uma sala vazia, a primeira coisa que penso é rodar, dançar. Não pra preencher aquela sala, mas sim para me preencher. Preencher aquele espaço vazio externo, que existe dentro de mim.
Me acomodo nas pontas dos meus pés para alcançar planos que eu nunca alcançei, visões que eu nunca vi.
Dilato os movimentos, dilato minha respiração, dilato o tempo buscando um espaço dentro/fora de mim que eu nunca alcançei. Busco o equilíbrio e o desequilíbrio, e busco a junção deles dois no mesmo movimento. Busco os meus braços em contato com as minhas pernas, em contato com partes que normalmente ele não está em contato. Busco o impulso vindo dos meus dedos, do meu joelho, da minha cabeça para o restante do meu corpo. Então eu percebo que a sala vazia é uma continuação do meu corpo. Que por algum momento, eu apenas fiz do seu chão o meu apoio, fiz do seu teto a minha proteção, fiz das suas janelas a minha conexão com o que está por fora, fiz das paredes brancas o início para alg…

Voa, voa, passarinhos.

“Com seus pássaros
Ou a lembrança de seus pássaros
Com seus filhos
Ou a lembrança de seus filhos
Com seu povo
Ou a lembrança de seu povo
Todos emigram”

E a passarinha vôo.Em seus vôos longos e desajustados com as asas escancaradas, pousa de estações em estações para cumprir com o pacto de sua natureza: voar.Seu vôo com um trajeto certo cheio de inseguranças não a permiti parar para pensar. Mais uma vez, segue contando com a sua natureza, a de um pássaro que não sabe pensar, mas que organiza seu trajeto no caos do vento que faz abrir ainda mais as suas asas.Sorte da ocasião, se vez ou outra, topar com admiráveis bandos de desconhecidas espécies. Não, não deve mudar seu rumo, mas entender que não há só um caminho possível de se seguir.Vendo de perto, pode-se perceber que até os pássaros da mesma espécie voam diferente, deve ser o numero de penas que cada um possui ou o modo como seus pais o ensinaram a voar.Podemos dizer então que se unir a um bando de outra espécie é estudar as imperfeições d…
1- menino
2- menina

1 - O que é rosa para você?
2 – O nome da minha boneca!
1 - Você tem uma boneca?
2 – Toda menina tem.
1 – Você parece uma boneca.
2 – E você, parece um cravo!
1 – E bonecas e cravos?
2 – Sei das rosas, e não de bonecas com cravos.
1 – Então seja uma rosa.
2 – Mas o cravo brigou com a rosa debaixo de uma sacada.
1 – Estamos em cima de uma!
2 – Construiremos a nossa.
1 – Então não brigaremos antes de termos uma.
2 – Teremos uma nossa?
1 – Eu já tenho a rosa, isso não é o que importa?
2 – E o que é a rosa para você?
1 – Não consigo dizer.
2 – E te machuca não saber dizer?
1 – E você, te machuca ao me chamar de cravo?
2 – Me machuco por não conseguir dizer.
1 – Dizer o que?
2 – Tudo o que eu queria.
1 – Então o cravo sai ferido e a rosa despedaçada.
2 – É normal não saber dizer?
1 – Acho que sim. E gostaria de dizer tudo?
2 – Por enquanto não.
1 – Por que não?
2 – Porque nunca disse. Quando eu disse “eu te amo”, acabei perdendo essa frase nas pessoas, de modo que, por enquanto, procuro ela dentro …
O meu amor morreu em um texto sem título.

Não tive tempo de cultivar os meus sonhos, por que eles foram - rapido demais - se tornando em realidade. Minhas metas se tornaram possíveis, minhas vontades se tornaram costumes e eu comecei a criar situações imaginárias, metafóricas... para poder sobreviver. Meus amores só podem ser chamados de amores quando são impossíveis. Caso contrário, são mágoas alheias que acumulo no meu peito e me torno, cada vez mais, uma pedra ambulante.
As vezes me questiono sobre a minha incapacidade de me apaixonar, e cada vez descubro mais que sou uma pessoa que se apaixona loucamente de forma errada, e que isso me machuca ao ponto de eu conseguir machucar o outro para apartar a minha chaga.

Esses dias, pensei que houvesse me apaixonado novamente. Esses tipos de amores impossíveis que quando se tornam reais não podem perder o gosto da impossibilidade. Mas tudo se esvai no momento em que essa 'complexidade' é domada. E tudo parece plástico, sintético.
Vai-se…
Sobre as Temporadas

Tudo foi - e nem por isso vai deixar de ser.
Quando eu olho para trás, eu tenho noção da quantidade de ruas, avenidas, becos, vielas, largos, praças e parques que passei para estar aqui. E quando olho para frente, tudo o que vejo, são mais logradouros que me esperam, sempre pedindo que eu tenha a disposição de deixar um pouco de mim por lá, para que eu leve um pouco deles também.

Os espetáculos do Torneado ainda conhecem poucas ruas, poucas praças e cidades, mas começam a carregar a curiosidade de instigar alguém. No ano de 2009, o nosso grupo fez coisas como viajar para fora do estado, apresentar mostras de repertório, ocupar artisticamente um espaço público, até cumprimos temporadas, até marcamos apresentações únicas, leituras de texto, projetos paralelos, oficinas, parcerias...
E hoje, num domingo que tinha tudo para ser triste nossa vara de luz não ficou de pé. Descobrimos que, enfim, estreamos por último o nosso primeiro espetáculo. E foi feliz. E foi lindo.

Depois…
E as minhas mãos parecem facas escondidas em teu pescoço E as palavras feitas somente pra ti parecem desaparecer agora Nada do que eu um dia falar parece fazer sentido Eu só queria ter a voz de um homem escondido em tuas mãos.
Caroline Cavallo
Seja, cultive, cresça, transpareça, nunca esqueça. Apague tudo que eu disse e reescreva assim : talvez alguém aprenda, o sorriso do palhaço quando vê o sorriso da criança, a mágica tumba do silêncio, é também a misera esperança.
Bruna Tavares
Eu olho pro céu e vejo as nuvens embassando meus olhos, qual é a sensação de se sentir em cima de uma arvore encostando no céu ? Eu adoro sentir sua voz suavizando os meus ouvidos. - E qual nosso programa pra amanha ? - a cada palavra que sai da sua boca. As pedrinhas da construção em frente a minha varanda estão entrando entre os meus pés, que droga. seria tão simples se somente ficasse do outro lado da rua, como deveriam estar, elas então invadem minha casa e a poeira aumenta num tom onde eu nem consigo mais me olhar no espelho, eu abro então minha casa ao meio, e subo na arvore novamente, e faço um pedido. - faça chover, enquanto eu lavo meus pensamentos em cima de sua constante agua pura. - as nuvens lavaram minha casa, está sem pedras, está sem poeira, e a construção acabou, enquanto eu durmo, acordada permanecerei o resto inteiro da semana, - Proibido construções nessa cidade. eu quero apenas evitar.
Caroline Cavallo
Não importa a forma oportuna que se forma diante de mim.
Já não se nota o tom da nota que desce pela minha garganta arranha gato. A porta se fechou pela brecha que me fez se perder por ai. A madrugadas dos embriagados da esquina é a vida se formando por uma metafórica teoria. A vida não é justa e nem se faz jus ao que lhe convém. Não tem por onde voltar, gire a corda que te corta pelo movimento, criando conceitos até já não saber mais quem eu sou, hoje eu me perdi, perdi o movimento robótico que transforma algo que te libera em opressão. Irreal. A corda bamba de alguém sem equilíbrio e a ansiedade que satisfaz o morto vivo. Certas vezes se ama, ama essa vida cruel e desesperada de lutos e anseios que nos rodeia a cada suspiro.
Na imagem deformada de minha memória eu fui única, apenas para mim.
A multidão de claustrofobicos enfurecidos perseguindo um misero pensar. Agora estamos pensando com o coração, amando apenas com um leve desespero dentro de si.
Decadências não assustam, elas multipl…

Diálogo entre dois amigos

1 menino
2 menina

2. E você, lembra dessa?
1. NOSSA!
2. Sabia que você ia se assustar!
1. Olha a sua cara olhando para o Benjamim! Seu sorriso era lindo!
2. E continua!
1. Eu sei! eu só to enxendo o seu saco.
2. Tá com fome? Tem fruta aí, comprei um saco de laranjas, sempre me lembro que é sua fruta favorita. Vejo uma laranja e lembro de você acredita!
1. Obrigada, mas já escovei os dentes.
2. Aceita cara!
1. Tá vai, tudo bem. Tem faca aí?
2. Naquele copo.
1. E agora, consegue me ver? Eu comendo eu mesmo?
2. Ok, você continuará me lembrando uma laranja. Agora muito mais! Não, já sei, melhor você me lembrar uma maçã.
1. E porque?
2. É que eu esqueci da sua voz, durante muitos anos.
1. Não me ligou?
2. Maçã faz bem pra voz.
1. Porque não me ligou?
2. Perdi seu telefone, aí você tocou aqui e eu abri a porta pra você.
1. Deveria ter ido até em casa, não acha? Você e essa sua lógica que eu não entendo.
2. É que eu esqueci da sua voz, não me lembro onde ela se meteu. Da voz e das palavras que ela dizia. Logo me…
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Só da imagem...

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Só da imagem.

Olhar de Francesco Zappa para "Primavera".






Monta, re-monta, desmonta, constrói, re-constrói, e por aí vamos.
Tenho percebido as mudanças que a minha casa faz ao longo dos anos. As mudanças que as pessoas, os móveis, o oxigênio, os animais, o externo faz sobre o interno. Existe um ciclo que as coisas seguem ao longo de um tempo. As mesmas coisas se repetem, acontece na mesma época. Existe também a possibilidade de um fator novo entrar neste ciclo, e assim ter seu ciclo próprio, seu tempo próprio dentro deste tempo.
Antigamente tinha um armário no meu banheiro. Esse armário, em certa época do ano (normalmente no final, nos meses de setembro e outubro) ficava cheio de cupim. Os cupins invadiam meu banheiro, e a prova concreta disto eram asas de cupim pelo chão do meu banheiro. Aquelas asinhas transparentes e finas, que em grande quantidade elas parecem pequenas folinhas de uma árvore minúscula. Eu gostava de girar no meu banheiro, porque assim, as asas seguiam a direção que o ar que o meu corpo mexia determinava, eu fazia as asas v…
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Pessoal! Eu Fernando Melo faço parte como aprendiz da comunidade da Escola Livre de Teatro de Santo André! E venho aqui para divulgar o que está acontecendo na nossa Escola:

A Escola Livre de Teatro de Santo André (ELT), projeto artístico-pedagógico que se firmou como referência para a formação de atores no Brasil e que se aproxima agora dos seus 20 anos de enraizamento na cidade, acaba de ter seu coordenador, o ator Edgar Castro, sumariamente demitido. Nesta sexta-feira, onze de setembro, artistas representantes dos principais coletivos de artes cênicas das cidades de Santo André e São Paulo - entre os confirmados as atrizes Maria Alice Vergueiro e Leona Cavalli, o ator Antônio Petrim, os diretores Francisco Medeiros e Cibele Forjaz - farão um ato público em prol da manutenção do projeto artístico-pedagógico original, que se encontra ameaçado. Internacionalmente conhecida por seu projeto inovador desde sua fundação, em 1990, a ELT foi idealizada pela artista-pedagoga Mari…

um desenho Torneadolístico

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Parece que não só provamos da arte em palcos, como também somos extraordinários desenhistas. Créditos à Rafaela
Sobre o ator-criador - Uma visão particular

Imagine-se na posição de alguém que espera, observa e guarda. Alguém que não tem controle de nada daquilo que lhe rodeia. Que sente uma falta de interesse absurdo por algo que, outro dia, lhe havia sido uma proposta de distração. Imagine-se extremamente rodeado de movimento e você ali, inerte, olhando as mochilas. É como se a mente implorasse algum tipo de distração. Mas aquilo tudo te sufoca de forma tão suprema que você não consegue, sequer, se ensimesmar. Uma espécie de tranqüilidade artificial.
Então você entende o que você precisa fazer para girar a chave.

Eu me coloco à margem de tudo aquilo que não me interessa por que é daí que eu me provoco. Eu falo daquilo que me dói, por que eu transformo a dor em brincadeira.
Nunca foi fácil ser provocado. Ainda mais sentir a provocação reverberar em você até que se manifestar numa mão que escreva ou numa boca que grite. O caminho pra fora é dolorido.

Sento-me num cantinho de grama e é como se eu colo…
Hoje foi um dia muito triste.

No final do ano passado, eu estava em uma cantina italiana com o pessoal do núcleo de direção.
Havia um moço bonito ao meu lado mas eu o conhecia só por nome. Ele era professor de matemática e ator. Lembro dele fazendo um paralelo sobre o teatro e triângulos. Agora não lembro a relação entre os dois, mas naquele dia eu achei aquilo tão genial, que passei um tempo relacionando tudo que tinha a minha volta com triângulos.
Hoje eu fiquei sabendo que ele foi embora. O teatro perdeu alguém muito especial.
Mesmo sem o conhecer tão bem, eu me senti triste. Creio que todos que ficaram aqui se sentiram tristes. E hoje deve ser um dia de festa lá no céu, com a chegada de alguém tão especial para brilhar lá em cima.

Mayra
Pensei que o Diabo fosse cair em cima de mim,
mas era só uma folha de árvore.

Bruno

A história de dois narizes

Acalma teu coração, chorar não faz mal não, chora toda dor e insegurança, toda saudades que sem sentir te faz ter medo de não voltar. E se acha que teu abrigo voo, abre os olhos pequena, ele está a uma ligaçao de distancia.
Somos fortes, somos um, nos descobrindo em meio a narizes entupidos e poças de lágrimas.
Tudo vai ficar bem, voa e voa pra dançar, dança, dança pra voltar.
Se sina de mulher já é esperar, estarei de braços abertos, e o convite eu deixo, volte que nós também vamos bailar.
E que nosso bailado seja eterno para que se um dia se desmembrar seja pra representar o solo do que nunca foi sozinho mais sozinho sempre estará.
As pessoas e os lugares nunca são os mesmo, mas nós somos pois tudo depende de um ponto de vista, e o bom é que nosso ponto de vista a gente que escolhe.

Voe, cure, dance, chore, gire, brilhe, entope, ligue, voe, pouse, abrace, chore!

Mulheres Mangas

E o coração saiu pela boca. Esperei, esperei, esperei... pra isso. Ver parte de mim dividir-se, ver o fruto cair da árvore maduro, pronto para apodrecer.
E as leis da natureza fizeram com que minhas mãos ternas de amor colhesse o fruto que caiu de minha árvore, como roubar manga com os moleques no quintal, como se já tivesse passado por aquilo antes, só que agora de uma maneira inversa.
Minha avó compra manga só pra deixar o cheiro na cozinha.
Talvez minhas mãos estivessem ternas de amor próprio que apodreceriam lentamente o fruto que se soltou de mim, amor demais, amor cego, amor doido, amor de árvore, amor de mãe.
Se precisar, corra de minhas mãos e faça-se alimento para quem precisa do amor que quase te apodreceu.
Ou espere virar lixo pra ter a chance de renascer, mesmo que sem querer.

por Rafaela Rocha
Me acomodo no desejo de esperar
Vem flamaria, vem vidente
É clara a condição de se rasgar
É iminente a chegada do amor

Se subo ao topo... Desespero a me ver sorrir para vertigem
Sempre que posso me alerto algo sobre o perigo de cair
Assim que escuto dou indícios de uma surdez
É necessário romper o vício de uma voz

Do que me deu a distância além da vontade de medir?

Forte as pernas da mesa
Elegante o polar do sofá
Extremo o fundo da geladeira
E tudo delicadamente sobreposto a um piso docilmente apelidado de “Béginho”.

Aprisionado a fotos em movimento
E ainda sim, tudo se faz de tão sépia que parece me enganar
Eu sei de mim
Eu sempre sei algo sobre mim
Eu sempre acompanho novelas e seriados de época
Sei do o quão é vão e valente o risco de friccionar-se sobre um corpo
Sei que procurar a solidão também é serviço nulo e fugas

Ainda sei um pouco mais
E procurar entreter meu coração não me cabe a mim
Serviço sujo e vulgar é esse de tentar fazer arte da vida sem antes vivê-la
Não lhe prometo uma obra sem antes pro…

Painho

Hoje passei na frente de um barbeiro.
Um daqueles que os homens vão fazer a barba.
É engraçado isso pra mim, na minha família, os homens se reúnem e vão juntos ao barbeiro em alguma data especial. Casamento, natal, aniversário, esse tipo de coisa.
E aí eles ficam felizes. Eu tenho uma dificuldade incrível de conceber o porquê dessa felicidade. Fui criada pela minha mãe, meu pai não foi muito presente na minha criação. Hoje em dia consigo olhar para ele com mais clareza, ver as suas atitudes com certo distanciamento consigo analisar o porquê de certos fatos, mas ainda com uma visão muito obscura.
O Torneado faz uma peça chamada "Dias de Campo Belo", é uma peça que fala sobre o universo masculino, as relações que os homens criam entre si. Pai, filho, irmão, primo, amigos. O mais engraçado é que, eu não consigo entrar em contato com o masculino de forma clara, parece que as coisas são sempre obscuras. Sinto uma dúvida, incontrolável. Eu tenho vontade de perguntar para o meu pai o p…
Partindo ainda, daquela última improvisação.

Eu não estou aberta para negociações. Aqui dentro está sendo montado o espetáculo do meu coração e eu não vou trocar o protagonista. Não vou, por mais complicado, mais louco, mais insano, mais insólito que seja, não vou. Não se fazem mais artistas assim, em lugar nenhum. E eu demorei pra conseguir selecionar, foi um rigoroso teste de seleção e ele passou em todas as milhares de fases com boas notas. E hoje a nota de corte já está muito alta, ninguém é capaz de alcançá-lo. Até parece que tenho que subir montanhas para conseguir um beijo, fazer cara de doce para conseguir um abraço, mover mil neorônios para conseguir uma resposta. Pois é, eu faço escolhas dificeis e esse é mais um dia de ensaio do espetáculo do meu coração. É lindo, tudo lindo. Sei que ele vai chegar com uma cena linda, amarrada numa música que ele mesmo criou. Sei que haverão imagens lindas do começo ao fim, todas executadas com tranquilidade e segurança de mestre. Ao final d…
Sobre a oficina do Pequeno Teatro de Torneado.

Estou há algum tempo para escrever sobre o que foi essa experiência no grupo.Pois bem. Estou no Torneado há três anos. E uma das coisas que lembro de ter planejado mais com o grupo era a ocupação de uma escola pública.Não é de hoje que temos o objetivo de ocupar um lugar e fazer desse lugar um espaço para a formação de público.Um espaço para que as pessoas conheçam o nosso trabalho e acima de tudo, se interessem por movimentos artísticos.Um espaço que sirva de ponte, onde o teatro finalmente, está ao alcance de todos.A ocupação no colégio Alves Cruz, no bairro do Sumaré, apareceu num momento em que estavámos saindo de várias crises.E ao adentrar aquele lugar, uma energia nova pareceu se incorporar ao grupo, uma energia que nos ajudou a continuar caminhando, com mais força.
Junto com a ocupação do grupo (Passamos a ensaiar na escola) veio a oficina. A príncipio era uma oficina apenas para os alunos da escola.Alunos estes que, já haviam inici…
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