quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Anti-sol, Ante Luz

Anti-sol, Ante Luz

Sabe aquela plantinha que fica presa na caixa e depois de algum tempo, sobe em direção a luz?
É algum lugar que fez parte de mim, mas eu não conheci.
São figuras que estavam presas dentro de mim, que eu sempre tento fazer sair.
A angústia que fica desse lado da janela, quando não conseguimos conhecer o mundo que existe lá fora.
O nosso sagrado, constítuido em espaço cênico
A idéia de que o teatro existe, pode existir em qualquer lugar
Na forma simples e bela.
E a nossa pesquisa, amadurecida, viva
Presente em outros corpos.
Fico feliz em saber que, a Primavera se prorroga mesmo e continuamos florescendo.
E somos todos parte desse jardim.

Mayra

Torneado e sua fada madrinha.

Há algum tempo eu tive um sonho.

Primeiramente, ele começava com a fada madrinha do Pinóquio. Ela simplesmente apareceu do nada e começou a falar: “A história que vou lhes contar veio dos tempos mais antigos e das terras mais distantes. A história que vou lhes contar se chama: Primavera.”
Aí começou.
Estávamos em cartaz com o Primavera no Pyndorama. Estávamos terminando... Era a última cena e as luzes já estavam se apagando. Enfim, apagou. Ela acendeu novamente e o William foi agradecer ao público e essas coisinhas. O público saiu e começamos a arrumar as coisas. E durante a desmontagem, o Fernando vira pra gente e fala: “Vamos assistir aquele Despertar da Primavera que está no Estúdio do Clã?” Todos concordamos, e assim que terminamos a desmontagem, corremos para o Clã. Chegando na bilheteria eles não nos deixam entrar. Diziam que o Torneado estava totalmente proibido de assistir esse Despertar. A gente achou estranho, né? Mas constatamos que devia ser de alguma pessoa que não gosta da gente, então, resolvemos ir embora. Mas antes, o Fê quis ir ao banheiro que era ao lado do Estúdio e de lá ele pôde ouvir o texto... Que era exatamente idêntico ao do Primavera!!! Ele saiu do banheiro muito bravo e venho contar pra gente. Todos ficaram irados, e estávamos prestes a tomar um partido quando a Bia Cavalcante disse: “Espera aí, gente... Vou resolver essas paradas!”
Passou pelos caras que não queriam nos deixar entrar, e chegou ao lugar... O cenário era exatamente o mesmo do Primavera, alguns atores eram até meio parecidos. Com exceção de alguns: o Morritz era um loirinho de olhos verdes e o Melchior um negro careca de uns dois metros.
A Bia chegou lá e começou a gritar, armar o maior barraco. E a gente só via pessoas saindo correndo de dentro do clã, e alguns atores sendo chutados pra fora. (sabe aquela cena de Um Maluco no Pedaço? Quando o tio Phil chuta o Jazz pra fora? Exatamente!)

Depois de alguns minutos, ela chama pela Bia Barros, que também entra. E depois de mais algum tempo, elas saem carregando todo o cenário e dizendo que a gente podia usar como reserva.

Aí, aparecia a fada madrinha de novo e dizia: “Não usem drogas, sejam felizes. FIM!”

Renan Almeida.

domingo, 25 de janeiro de 2009

A mulher se desmembra ao longo da sua vida.

Nascemos com a postura de um membro extravassado de seu conforto, de sua casa. Este membro que, logo após sua saída, da um berro de desconforto pela sua primeira parcela de oxigênio que invade os seus pequeninos membros e, logo depois, chora pelo conforto perdido, pela falta de um mundo que nunca mais verá: a partir de agora será apenas externo, não pode mais voltar.
Uma dor agonizante nos invade, e para amenizar esta dor, alguem nos pega no colo e canta uma canção de ninar. E aí, o toque é descoberto como toque, a lágrima é descoberta como o líquido aminótico, a mão é descoberta como mãozinha, e a mulher é descoberta como o externo da minha casinha. E então você pensa "eu fui feito aí", o meu sangue é o teu sangue e a minha pele é a tua pele. E você ve a sua origem, a sua raíz.
É uma relação de acordo, de relembrar o seu conforto perdido, o seu útero despedaçado agora se transforma em braços que te envolvem e te acolhem, são nove meses para uma vida sem garantia de tempo, e é necessário os braços para nos levantar, para nos ensinar, para nos aconchegar da perda.
Nós crescemos, anos se passam e o nosso corpo se expande, abrange lugares e nosso olhar e nossa mente abrangem distâncias, conhecimento do externo desconhecido. E depois, descobrirmos que podemos gerar alguem, mas aí que começa a essência: passamos por um processo de perda. Todo mês, a mulher perde uma parte de si, se renova para a preparação de sua criação. Durante anos, ela se prepara para o maior desmembramento de sua vida, a maior perda e o maior ganho. A junção de duas partes que se encaixam, gera o caminho mais híbrido da sua vida. A partir desta junção a mulher deverá amar e odiar, sorrir e chorar, sofrer e amar. Pois um ser humano necessita dos dois lados dispostos em sua formação, para se descobrir e descobrir o mundo em que ele foi posto.
E então, durante a preparação, nós descobrimos o que é amor, e a sua necessidade para a criação de outro alguem. E tudo se coloca na frente, tudo é transmitido com a mesma fórmula inicial, com a mesma origem. Você descobre que um "como foi seu dia?", ou "você está com frio?" ou mesmo um "machucou?" saíram do mesmo lugar. Que o seu útero se manifesta com palavras que não sabem se organizar direito, que se perdem de tão carregadas que são.
Depois de um "eu te amo", depois de noites, dias, tardes vivenciando este amor, depois do seu homem descansar dentro de você durante diversos momentos, depois de ser preenchida, completada, de ser renovada nos seus desejos e renovar os desejos de alguem, nasce outro alguem. O nascimento não é apenas a saída de sua casa, mas é o nascimento de uma ídeia, da existência de um novo indivíduo em nossas vidas. O amor de um ser humano nunca foi tão grande e direcionado para algo tão minúsculo, tão microscópico. Meses se passam, e o tamanho do seu amor, cresce assim como o seu indivíduo dono do seu amor. A consumação do seu corpo se torna algo disponível para ele, pois ele é seu e você é dele, e uma troca mais justa não existe. Você vive para ele.
Nove, nove meses. Nove meses de novos movimentos dentro de você, de novas células sendo criadas, novas dores, e nove meses para se preparar para desmembrar aquilo que você ama, tira-lo de sua casa e dar-lhe uma nova casa. E aí, quando nasce, você percebe que agora, você é o útero.
E se desmembrar, é mais do que um motivo de existência.


Beijobeijo, Beatriz Barros.

sábado, 17 de janeiro de 2009


Hoje voltei pra casa. Eu vi coisas muito bonitas, parece que quando estou com minha família, com a minha raiz, eu me recordo de fatos que estavam bloquados na minha memória. Me encontrei em situações que me fizeram recordar, me trouxeram lembranças de acontecimentos doces que eu queria dividir com vocês, pelo fato de que todas estas lembranças automaticamente colocaram o grupo na minha mente. São textos simples que eu acho que tem relação com nossa pesquisa.
Eu acho que, eu descobri que para mim, o caminho mais fácil de chegar perto da minha infância e relembrar, tanto sensações como imagens e palavras é: quando eu estou com minha família... e quando eu estou com o torneado. O texto que o Bruno postou anterior a este, comentando sobre os diálogos com os seus primos, tambem me incentivou a postar estes textos.



"Eu queria ter o tamanho de não alcançar o tamanho de nada"

1
Quando eu era criança, a tia Bebel as vezes estava no Brasil.
Ela morava na Inglaterra, e eu sabia que ela ja tinha morado na índia graças aos elefantes indianos que eu encontrava pelos cantos do quarto da minha mãe, eles eram deuses para mim, eu sempre achava que a minha mãe ia me matar quando me pegasse brincando com eles. Pequeninos e de madeira, eram do tamanho da palma da minha mão, e eu queria leva-los comigo e esconde-los. Eu achava a minha tia uma figura mística, e não vou mentir que ainda acho um pouco, eu sempre sentia um desejo incontrolável de busca quando entrava em sua casa, uma curiosidade maior que qualquer empurrão dentro de um buraco escuro desconhecido. Certo dia, em uma destas vindas ao Brasil, eu me lembro de ter ido para Teresópolis com ela. Estavamos as duas sentadas no banco de trás do carro, quando ela quebrou o silêncio me perguntando:

- Gosta das montanhas Beatriz?

- Eu gosto - Disse rápida e surpresa.

- E o que você mais pensa sobre elas?

Eu hesitei por um momento, e me perguntei o que penso quando vejo uma montanha. E então respondi:

- Eu sempre olho para a mais distante e me pergunto "o que dá pra vê de lá?". Com certeza, desta montanha mais distante eu consiga ver outra, ainda mais distante, então eu iria correndo até aquela segunda mais distante, até fazer isso diversas vezes e chegar no oceano.

Minha tia ficou em silêncio, observando as montanhas, e então, depois de um longo espaço de tempo, ela disse:

- Eu gosto de ficar observando qual é a montanha mais azul entre todas que eu possa ver. Esta, que eu encontrar com o tom mais escuro de azul, é a mais distante.

- Então a gente sempre busca o azul neh?

E então, ela olhou nos fundos dos meus olhos, e sorriu pra mim. Até hoje, quando eu viajo e vejo montanhas distantes, eu lembro da minha tia, e da minha vontade de sair correndo montanha abaixo para chegar no oceano mais próximo, e buscar o meu azul.


2
Nesta viagem, eu conheçi o Joãozinho: meu primo de 4º grau. Ele tem 4 anos, é um menino magrelo loirinho de cabelo liso, todo meloso e saltitante. Tava no jardim, tirando foto dele, quando ele pegou uma pedra, virou para mim, e disse:

- Guarda para mim?
E eu assustada, perguntei:
- Pra que João?

- Pra colocar na ponta do meu castelo! - Ele gritou com um sorriso imenso por ter a sabedoria de construir um castelo de areia.

Obivo que eu guardei a pedra, e levei para a praia junto comigo. Chegando lá, o João se esqueceu dela quando viu o tamanho do mar cheio de pedras que tava na frente dele.

No começo, ele ficou com vergonha de entrar, tava com medo da maré puxar ele lá pro fundão. Mas aí, o meu tio pegou ele no colo, e ele entrou. Depois disso, o João saia correndo do mar até onde eu e o restante da minha família estavamos sentados. E ele gritava "EU MERGULHEI E BEBI ÁGUA DOCE! EU MERGULHEI E BEBI ÁGUA DOCE!"

Voltando para casa, eu perguntei:

- Quer dizer então que você bebeu água doce João?

- É sim! - Com o maior sorriso de dentes de leite que eu já vi.

- Mas ué, a água do mar não é salgada?

E aí, ele parou de andar, puxou a minha mão, e disse:
- É claro que não, se eu pegar um saco de açúcar que tem lá em casa e abrir no mar, ele vai ficar docinho, mais doce que qualquer doce que tu já comeu! Com certeza alguem abriu um saco de açúcar antes de eu entrar no mar e jogo para mim!


3
Quando eu era pequena, eu sempre pensava: vou cortar um pedaço da estrada que me separa da minha família que mora longe, e vou jogar no mar este pedaço. E a terra em que eles estão eu empurraria com muita força pra se juntar com a outra terra, e aí, tudo se encaixava. Juntava e formava uma cidade só, com todo mundo morando na mesma rua. Minha família do Rio de Janeiro com meus amigos de São Paulo.


4
Eu vou ser sincera.
Essa é uma confição meio que, engraçada até para alguns, mas aa.. porque não dividir agora?

Eu tenho um sonho, desde quando eu morava em Recife. Uma vez, eu fui no circo de lá. Todo mundo tem vontade de ser equilibrista, ou bailarina, ou domador de animais, ou até o palhaço alguem quer ser. Bom, eu tinha vontade, não de ser pipoqueiro ou vendedor de ingresso, mas eu tinha vontade de ser apresentadora do circo.

Sabe, eu sempre quis, chegar lá na frente e gritar, com um paletó vermelho, uma cartola dourada e um bigodão preto "SENHOOOOOOOOOOOOOOOOOOORAAAAAAAAAAAAAAAAAAS E SENHOOOOOOOREEEEEEEEEES!!",





e os tambores tocam.

Eu não queria crescer e ser médica, ou ser veterinária, eu queria apresentar um circo. Queria subir em um elefante branco e ir viajando, de cidade em cidade, gritando e berrando e chamando todos para assistir o espetáculo de hoje a noite. Eu queria dar gargalhadas e gargalhadas daquelas de botar medo na platéia e logo depois derramar lágrimas de felicidade saídas de uma flor, graças ao palhaço ter feito o público rir e do mágico ter feito um coelho nascer de seu chapéu. Queria me emocionar todo dia com o amor do equilibrista e da bailarina atrás do picadeiro, e soltar os animais das gaiolas antes do domador sentir que este pode ser o último momento da sua vida. Eu queria coordenar aquela brincadeira, aquele jogo de aplausos e risadas e emoções escancaradas, cheias de cores e brilhantes que o circo me disponibilizava. Eu queria uma duas três cambalhotas todos os dias do ano, todos os dias da vida, e que eu pudesse morrer dando uma cambalhota! Que eu pudesse morrer abraçando tudo isso, todas as crianças que eu encantava e que me encantavam.

Mas eu só tinha 7 anos.





*a foto que eu postei fui eu mesma que tirei! É o João, correndo na praia.
um beijo para todos,

Beatriz Barros.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Pequeno repertório de férias - Crianças

Estávamos o Léo, o Mateus e eu a caminhar pela praia quando o assunto virou 'profissão'.
Léo, com seus magnificos 13 anos (idade maravilhosa - de espinhas na cara) me perguntou qual seria minha profissão.
Eu, mais curtindo brincar com o Mateus, de 5 anos (idade maravilhosa - de areia na cara), respondi:
- Vai ser a mesma que a do Teus.
Então veio a pergunta:
- Teus, o que você quer ser quando crescer?
Ele, entretido pelas ondas, parou e pensou um segundo. Numa posição clássica dos desenhos animados.
Levantou os olhinhos, colocou a mão no queixo e após criar um pequeno momento de expectativa, disparou a resposta que ele já conhecia:
- Um príncipe!
Por um segundo eu estranhei e perguntei, quase que autômato:
- Mas o que você vai fazer pra ganhar dinheiro?
- Nada. Só vou ser um príncipe.


-

Alguns dias mais tarde eu estava aqui em casa com a minha irmã Adriana (5 anos) e alguns amiguinhos dela; A Larissa (Com uns 4 anos) e o Gustavo (com 6).
No meu tempo (falou o veterano) as crianças brincavam de esconde-esconde e pega-pega. Sempre juntas. Era raro ver crianças brincando sozinhas, e eu era uma que oscilava entre os dois pontos.
Deixei a Di e o Gustavo brincando no computador (no meu tempo... Ah, deixa!) e fui pegar um copo d'água. Quando fui lavar o copo, vi a Larissa sentada no quarto da Di brincando com alguns brinquedos dela, sozinha.
- Oi Larissa! Não vai querer brincar com a Di e com o Gustavo?
- Ah, eu não gosto muito de mexer no computador. A Adriana me chama pra brincar aqui, mas eu gosto de brincar sozinha também
- Ela tem uma vozinha fina, mesmo pra sua idade, e um jeito de falar enrolado... Mesmo pra sua idade. Não vou escrever como ela fala, deixo a imaginação de vocês falar mais alto. - Sabia que minha irmã quebrou minha bicicleta? Eu ganhei uma bicicleta no meu aniversário e minha irmã quebrou.
- Ah é? E você quer ganhar outra?
- Ah, eu queria.... Mas fazer o quê? Mais importante é a vida...


Bruno Lourenço

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Torneados na Tv!

Essa semana vai passar o programa que nós gravamos na Tv Cultura.

Programa Ao Ponto

Dia 5/1 - Tv Futura - 20:30
Dia 8/1 - Tv Cultura - 19:30

Um ótimo 2009 para todos!