Pequeno repertório de férias - Crianças

Estávamos o Léo, o Mateus e eu a caminhar pela praia quando o assunto virou 'profissão'.
Léo, com seus magnificos 13 anos (idade maravilhosa - de espinhas na cara) me perguntou qual seria minha profissão.
Eu, mais curtindo brincar com o Mateus, de 5 anos (idade maravilhosa - de areia na cara), respondi:
- Vai ser a mesma que a do Teus.
Então veio a pergunta:
- Teus, o que você quer ser quando crescer?
Ele, entretido pelas ondas, parou e pensou um segundo. Numa posição clássica dos desenhos animados.
Levantou os olhinhos, colocou a mão no queixo e após criar um pequeno momento de expectativa, disparou a resposta que ele já conhecia:
- Um príncipe!
Por um segundo eu estranhei e perguntei, quase que autômato:
- Mas o que você vai fazer pra ganhar dinheiro?
- Nada. Só vou ser um príncipe.


-

Alguns dias mais tarde eu estava aqui em casa com a minha irmã Adriana (5 anos) e alguns amiguinhos dela; A Larissa (Com uns 4 anos) e o Gustavo (com 6).
No meu tempo (falou o veterano) as crianças brincavam de esconde-esconde e pega-pega. Sempre juntas. Era raro ver crianças brincando sozinhas, e eu era uma que oscilava entre os dois pontos.
Deixei a Di e o Gustavo brincando no computador (no meu tempo... Ah, deixa!) e fui pegar um copo d'água. Quando fui lavar o copo, vi a Larissa sentada no quarto da Di brincando com alguns brinquedos dela, sozinha.
- Oi Larissa! Não vai querer brincar com a Di e com o Gustavo?
- Ah, eu não gosto muito de mexer no computador. A Adriana me chama pra brincar aqui, mas eu gosto de brincar sozinha também
- Ela tem uma vozinha fina, mesmo pra sua idade, e um jeito de falar enrolado... Mesmo pra sua idade. Não vou escrever como ela fala, deixo a imaginação de vocês falar mais alto. - Sabia que minha irmã quebrou minha bicicleta? Eu ganhei uma bicicleta no meu aniversário e minha irmã quebrou.
- Ah é? E você quer ganhar outra?
- Ah, eu queria.... Mas fazer o quê? Mais importante é a vida...


Bruno Lourenço

Comentários

Fernando Melo disse…
Bonito repertório de férias, crianças são contatos maravilhosos, necessários!
Anônimo disse…
"E a criança tão humana que é divina
É a minha quotidiana vida de poeta,
E é por que ele ( a criança) anda sempre comigo que eu sou poeta sempre(...)

A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as coisas.
Aponta-me todas as coisas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando agente as tem na mão
E olha devagar para elas(...)

A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.(...)
Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro,
Mas vivemos juntos e dois
Com um acordo íntimo
Como a mão direita e a esquerda."
Alberto Caieiro

A vida
Marina Vecchione Ungaro

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