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Mostrando postagens de Fevereiro, 2009
Sobre a inconstância dos amores

O onibus vai passando pela avenida e eu vou dando 'Adeus' ao carnaval que passou.
Anjos e Diabos se encontram, se colocam duelando em diferentes pratos de uma mesma balança
Um ano não é feito de carnavais. É feito de feriados para a devoção religiosa, de 'dias do carteiros', de "Aulas normais na segunda-feira".
Criamos sonhos e ilusões durante 361 dias. Nossos sonhos viram metas, e nossas metas viram sucesso. Ou pior, viram utopia.
Mas nesses 4 dias que sobram tudo se converte. Não em menos pureza, mas é como se uma fadinha malvada viesse, é como se o Puck chegasse e fizesse 'plim', tudo que é cabeça vira corpo, e tudo que é corpo vira cabeça.
Daí os amores somem, se transformam, se renovam. Viram outros, deixam de existir... mas fica tudo lá em casa.
"Não tem problema por que essa marchinha já canta tudo que eu quero dizer."
"Não tem problema por que o maracatu grita o tambor do meu coração."
Então, quando t…
Herói!

Há mais ou menos um mês atrás fui trabalhar numa loja. Era um lugar frio, meio monótono. Tinha um ar condicionado tipo daqueles do shopping, sabe? Aqueles que dão um friozinho na espinha?
Essa loja ficava quase todos os dias cheia de gente. Comprando, gastando dinheiro como loucos. E eu gostava de ver a variedade de pessoas que passavam por ali, era interessante. Advogados, médicos, donas de casa, servidores públicos, adolescentes, músicos... Muita gente. Mas eu só gostava quando a loja fechava. Aí sim, eu achava legal. O ar condicionado que dava um frio era desligado, podia-se ouvir música na sala da gerência e o salão de compras estava vazio. Um salão inteiro, vazio. E quando eu não tinha compromissos posteriores eu ficava lá, sentado num banco e observando aquele imenso salão. Ouvindo Alcione no rádio do chefe. Com calor. E foi durante um desses dias que apareceu o Victor. Ele era o filho do gerente, tinha cinco anos, e ficava o dia todo dentro do escritório jogando Homem-Aran…
Rafaela Rocha, um pouco mais Rafaela Rocha agora. Sem medo e morrendo de curiosidade.
Nossa vida começa quando não negamos mais nossos gostos, sonhos e cultura.
Olho para o passado e reconheço que nada foi tempo perdido ou saudade mal sentida, tendo em vista que cada partícula de mim é um fenótipo modificado pelo ambiente em que vivo ou vivi, ambiente esse formado por pessoas amadas e que amam, jasmins, sorrisos, abraços, calçadas apagadas, ônibus atrasados, metrôs que entram nos buracos, crianças sem pais, família felizes, cotonetes sujos. Toda pequena coisa se torna única, pela cera que saiu da minha orelha, pelas famílias que me fizeram pensar e repensar nas relações que construí ou devo reconstruir, pelo abandono injusto que não me deixa acomodar, os atrasos por conta do trânsito ou de um objeto não identificado na linha do metrô, atrasos fundamentais para que eu tivesse idéias mirabolantes sobre quando e como, pelos tropeções que provocaram o riso de mim sobre mim ao correr dos car…
Vestibular.
Desço a rua para ir à casa do meu vizinho pegar os livros dele para estudar.
Ele passou na USP..
Eu preciso passar, eu quero passar.
Só que na UNESP.
Desço, desço, desço a rua correndo.
Chego lá, ele não tem como sair de casa.
Eu grito.
"IAN! JOGA OS LIVROS PELA JANELA!"
E então ele joga.

Os livros caem, um por um, eu vou pegando, e colocando eles no chão.
As pessoas na rua param, olham todos aqueles livros sendo jogados, de mão em mão, enquanto eu desejava que eles caíssem com todo o seu conteúdo em minha cabeça, direto em minha cabeça: ou para me matar e acabar logo com isso ou para eles se introduzirem de modo mais fácil, prático e rápido dentro de mim.
O Ian termina de jogar, e eu grito:
"Só vindo uma ajuda do céu para eu passar nisso!"

Um livro nunca pensou em voar, um livro nunca teve a ambição de voar. Mas eu, eu nunca quis tanto ser um livro como hoje de tarde. Eu nunca quis tanto saber tudo o que ele sabe e ser jogado no ar, flutuar em míseros segundos e dep…