Rafaela Rocha, um pouco mais Rafaela Rocha agora. Sem medo e morrendo de curiosidade.
Nossa vida começa quando não negamos mais nossos gostos, sonhos e cultura.
Olho para o passado e reconheço que nada foi tempo perdido ou saudade mal sentida, tendo em vista que cada partícula de mim é um fenótipo modificado pelo ambiente em que vivo ou vivi, ambiente esse formado por pessoas amadas e que amam, jasmins, sorrisos, abraços, calçadas apagadas, ônibus atrasados, metrôs que entram nos buracos, crianças sem pais, família felizes, cotonetes sujos. Toda pequena coisa se torna única, pela cera que saiu da minha orelha, pelas famílias que me fizeram pensar e repensar nas relações que construí ou devo reconstruir, pelo abandono injusto que não me deixa acomodar, os atrasos por conta do trânsito ou de um objeto não identificado na linha do metrô, atrasos fundamentais para que eu tivesse idéias mirabolantes sobre quando e como, pelos tropeções que provocaram o riso de mim sobre mim ao correr dos carros, os carros que passam por essas ruas de faixas gastas, cheias de carros e pessoas. Pessoas que amam e por isso me fizeram entender o que é ser amada e que melhor do que isso, só aprender a amar sem esperar a reciprocidade. Pessoas da rua, que me sorriram de graça, que me abraçaram de graça, que me fizeram entender a simplicidade que existe na beleza de uma jasmim, jasmim que acaba de cair na calçada, calçada que as pessoas pisam, calçada que testemunha o barulho dos carros, que forma meu ambiente e que acolhe a bela jasmim. Jasmim, que não perde suas cores NUNCA, mas as transforma com o tempo.

Que as cores que aprendi a enxergam nunca se percam, mas se transformem e procurem cada vez mais simplicidade em sua beleza dentro do seu tempo de existência infinita.

Comentários

Beatriz disse…
Este comentário foi removido pelo autor.
Beatriz disse…
mas que texto mais lindo e doce do nosso passarinho!

que bom saber que todas as cores e sons foram e serão sempre bem vindas para ti, minha linda rafaela.

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