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Mostrando postagens de Abril, 2009
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E nessa historia de dandandear no caminho dos que se diziam serem grandes, se foi perdido e esquecido, desaparecido, tomado o brincar.
Dessas folhas secas que brotaram do grande tronco, seco que agora está. Saíram sementes que poderiam ser replantadas, com ajuda, doações, adubos uma nova árvore poderia renascer, florescer.
Mas o vento soprou e levou as sementes, o adubo e as possíveis mãos que o moveriam isso tudo.
Agora, sem nada, nem por fora nem por dentro espero um dia que o vento* bata e faça o movimento de derrubada, levando tudo ao pó. Pra que toda essa secura, ao menos seja valida, sirva de adubo a quem não pode lhe servir.
... do percurso das coisas. Cada qual, deverá desejar serem árvores ou folhas ou flores ou sementes. Que se assim quiser seja essa metamorfose, nesse caminho que se pode escolher qual jardim pousar.
*(Não se esqueça de desejar, e se mexer muito pra que esse vento lhe note) ... Divagações, piradas (talvez?) Éride Sousa
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Finge.
Finge que é gente grande.
Finge que seu olhar é o mais belo.
Finge que mata e passa fome.
Finge que faz filho, vira herói.
Finge vai morrer.
Finge que voltou a viver.
Finge seu amor, que ele vai ser o mais verdadeiro.
Finge que não tem gente que não finge.
Finge que se esqueceu da morte.
Finge pra ser feliz.

Foto: Renan Rosa
Bruno Lourenço
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A Gravidade

É preciso ficar atento à gravidade dos fatos.
Não é tão grave assim.
Na verdade, é fundamental.
Só é preciso tomar um pouco de cuidado com o percurso. É preciso estar atento, pois as pessoas querem lhe passar a perna, enfiar-lhe uma bebedeira e te fazer perder o rumo.
Claro que as leis são necessárias, mas nos lembramos delas somente quando nos machucamos, caímos e choramos. A dor pode vir como uma descoberta em forma de maçã que bate na cabeça ou pode vir como decepção quando percebemos que perdemos nosso chão.
Quando percebemos que o nosso chão não é o mesmo dos outros.
Mas apesar de não lembrarmos a causa do nosso aterramento, essa causa sempre está lá.
Está na hora de rever as leis.
Estou ansioso em cair pra cima.

A gravidade... a gravidade...

Bruno Lourenço
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Mês passado.
Na desmontagem do cenário da peça "Refugo", logo depois de uma das apresentações em Curitiba.
Eu pisei em um prego.
Dueu, dueu muito.
Eu gritei sem parar, e o restante do grupo me segurou, me deitou no chão, e falava para mim "calma, não grita!", só depois de um tempo, um homem que eu não conhecia conseguiu tirar aquilo de dentro de mim.
E então eu fiquei com uma pequena cicatriz fina e preta no meu pé.
Nos primeiros dias, duía muito.
Porém nos outros eu fui me acostumando. Aceitando aquela dor, me conformando com aquilo no meu pé. Acabou que depois de um tempo, não duia mais, apenas me incomodava.
Eu sentia uma angustia dentro de mim que não era normal, uma agonia daquela cicatriz não sarar, não melhorar ou, pelo menos, neutralizar a cor.
Hoje olhei pro meu pé. E eu começei a reparar. Vi que não era só uma cicatriz, peguei uma tesoura. Começei a me cortar. Me abrir, me fuçar.
Eu me cortava, delicadamente, mas me cortava. Mesmo sendo delicado, sendo gentil comig…
Já percebeu que se você fechar os olhos dentro da sua casa, você consegue andar perfeitamente?
É como se você já tivesse decorado tudo que está a sua volta, não é uma questão de sensibilidade, e sim de convívio com uma matéria, com um objeto, é como se acostumar. A gente se acostuma com uma cadeira, com uma mesa, com livros ao nosso redor, assim como nos acostumamos a pisar no chão, á saber que temos um teto em cima de nós que não irá nos esmagar. A gente aprender a confiar em paredes para não sermos esmagados, aprendemos a confiar nas cadeiras para sermos segurados, e aprendemos a confiar nas facas para não sermos mortos. Eu confio em uma continuação do meu corpo, assim como confio nas palavras que eu falo, como confio nas pessoas que eu convivo e sei que elas escolhem muito bem as cadeiras para eu sentar.
A minha mãe comprou a mesa que existe na minha sala, a mesa é daquelas que cresce, que aumenta de tamanho quando mais pessoas chegam aqui em casa para comer conosco. A minha mãe esco…