sábado, 30 de maio de 2009

"Bru! Vou dar uma palestra na ETEC de Itaquera. Quer ir comigo pra falar alguma coisa?"

Foi assim que começou.
Fiquei feliz ao saber que o Will ia lá na ETEC de Itaquera (um Paula Souza que abriu há pouco mais de um ano), e que ficava pertíssimo ao local aonde eu morava (e onde ainda mora minha família). Combinamos de nos encontrar, eu e o William, para que pudéssemos elaborar uma fala para mim. Algum discurso, comentário... Enfim, algo que falasse para os alunos algo sobre como um jovem da periferia precisa se deslocar e se multiplicar para poder lidar com arte.
Não conseguimos nos encontrar e acabamos por achar que eu não ia ao encontro. Mas esbocei um texto, e fomos à ETEC.

Eu, William e a Éride.

Acordei 5:30 (devia ter dormido por lá)
Cheguei às 7:00 na casa do Will
Saímos às 8:00
Chegamos às 9:45 na ETEC

Os alunos iam apresentar 2 exercícios. Um de cada 2º ano.
O primeiro seria uma releitura de 'Romeu e Julieta' (Juleu e Rulieta)
O segundo, um exercício que usava os mesmo recursos do espetáculo 'Improvável' da Cia Improváveis (No Improviso)

Os dois exercícios foram incríveis!
A galera mostrava um instinto aguçado para um movimento crítico no fazer teatral que foi muito bacana. No Romeu e Julieta, uma direção exemplar para qualquer grupo de teatro colaborativo - direção COLETIVA - e um trabalho de ator que nos impressionou no exercício do improviso. Até fomos convidados para participar - e eu fui humilhado no 'Só Perguntas', diga-se de passagem.
Depois íamos começar a "palestra". Falar sobre o que vimos e ouvir bastante, mas foi complicado no começo. Por conta da quantidade de pessoas, do barulho constante, da ameaça de apanhar... Brincadeirinha.

Mas depois de um tempo, fomos conquistando um estado de conforto entre todos nós que permitiu que a conversa fosse muito bacana. Dos 80 jovens que começaram, terminamos com aproximadamente 30, pois uma galera precisava ir para o curso técnico. Alguns até faltaram no curso para continuar lá com a gente, mas não fomos nós que mandamos eles faltarem... HUAUHAUHAHU - risada adolescente.
Falamos sobre arte-educação, a re-evolução educacional, sobre histeria, teatro, Torneado... O que nos cerca. A nós e a eles. Que agora também já são nós.
Mostramos fotos dos espetáculos do grupo. Só esquecemos de falar do Cramância, mas isso pode ser na próxima conversa - que vai existir de alguma forma.
A conversa, que a principio duraria cerca de 1 hora, extendeu-se para o tempo de quase 3 horas e meia. Essa coisa do tempo nos persegue...

Terminamos com uma partilha com o jarro de agua que fez parte da trilha sonora da conversa, já que toda vez o Will chutava ou esbarrava nele durante. A água foi o elemento mais perfeito para expressar tudo o que acontecia naquele momento/encontro.
Após muitas lágrimas, abraços, beijos, trocas de e-mails/orkuts e etcs, encerramos o nosso encontro.

Foi lindo conhecer aquele espaço. Uma galera incrível, uma administração que nos recebeu muito bem.
A vontade que eu tinha era de ficar ali cada vez mais... e mais... e mais... e mais...

E para finalizar esse post, coloco aqui o texto de um dos alunos da ETEC. Ele nos leu esse texto em roda, na hora da nossa despedida.


É como uma droga.
É como se fosse uma droga
Que você para.
Inspira, respira fundo,
Repete... Espera... Pensa.
E inspira de novo.
É a única droga que não mata mas é fatal
Que ilude mas não é real
Que te deixa mais pra bem do que pra mal
Que te leva de Marte a Jupiter
Que te leva de Saturno a Plutão
Que te revela o que é o "ser ou não ser"
Em uma constelação estrelada de emoção.
Que ao mesmo tempo te energiza e te consome
As vezes aparece e as vezes some, sem nem dizer seu nome
...
Eu posso morrer em minutos, mas em segundos eu luto para que não me parem essa alucinação
A única droga que ao invés de neurônios afeta o coração
É preciso inventar a sua droga



Poema de Rodrigo dos Santos Espíndola - 15 anos
Postado por Bruno Lourenço

quinta-feira, 28 de maio de 2009

A prova está nos dentes

O ser humano não atingiu o grau mais elevado da escala evolutiva. Notamos isso pelos dentes. Todas as partes do corpo humano são capazes de se regenerar quando danificadas - até os ossos, quando quebram, são naturalmente revestidos de cartilagem - menos os dentes.
O dente não se manifesta ao primeiro sinal de algo errado. Ele espera a coisa atingir um grau elevado de dano, para depois doer. E o homem, precavido, aprendeu a escovar os dentes.
A escovação dos dentes é a prova irrefutável de que o homem aceitou seus defeitos e acostumou-se com eles.
Quantas pessoas não escovam os dentes?
A escovação tornou-se uma extensão do nosso corpo, assim como a lâmina. Pois é necessário ter a boca limpa e o corpo nú, o que deveria ser um trabalho do próprio organismo.
Dentes e pelos. São eles que delimitam a passagem do tempo e do quão acostumados com a evolulção estamos.

O nascimento dos dentes, o fio de barba, o dente do siso, o fio de cabelo branco, a troca da mordida, a queda do cabelo, a queda dos dentes...

Parar de escovar os dentes e de pentear os cabelos são os sinais mais concretos que imploramos por evolução.

Bruno Lourenço

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Dos cumplices...

Certo dia perdida pelos rumos que a vida tomou por mim, encontrei um brilho no meio do percurso. Só não consegui discernir se tava longe, ou perto... se tava forte ou fraca aquela luzinha que acreditei ser a que me acompanharia no tal percurso, afinal não surgiria assim, a toa. Nessas de acreditar fielmente nas supostas surpresas do destino me vi enfeitiçada e levada sem saber como poderia ter sido capaz de ser influenciada pelo objeto não identificado!

Advogados, fórum...
Olho no olho... choro (sei que num vou agüentar!)
Memória: Carrego bem pesado
Bebedisses, chamegos, afetos
Cama, lençol, desfeitura de um leito
Casa, minha, sua, nossa
Quebra a maçaneta, torce a chave
Chaveiro cai no chão, como um copo de vidro que se despedaça
Se espalha e desfaz a mascara, a relação frágil.

Mesmo acreditando no destino, na sorte de dar tudo, ou errado novamente, ou certo definitivamente, sei que ainda é capaz ser cúmplice e ter cúmplices.
Torneasticamente, cada vez mais consigo ser acolchoada pelos torneasticos, que me cansam de provar que há muito do fundamental na relação vivida na vida e na cena.
Tomo, embora que por experiencia nada agradavel e de maneira completamente tragica, um partido: 'Não sejamos Objetos não Identificados!'

Faremos pactos de sangue, de folhas, de velas, de areia, de cumplicidade, pra que esse nosso sagrado não se despedace por banalidades ou desatenção. Indiferente das diferenças, distancias, sem deixar de colocar no nosso altar esse respeito, que é poder estar junto.
73 bolos.
73 presentes.
73 dias de espera.

Feliz aniversario. Obrigada, hoje não tem mais velinha, só velhinha. Deixa só o tempo passar pra gente sentir o cheiro no quarto. É que eu to com sono, to indo dormir 19h30. Outro dia fui pegar um ônibus, peguei o ônibus errado, entrei numa transe, parecia música, imagens apareciam, era uma dança, de macro onde minhas micropercepçoes confundiam meu estado formatado pelo tempo que vivi, já não sabia o que eu fazia lá, como tinha chegado lá, mas o importante era preencher o vazio, e lá fiquei, indo pra qualquer lugar que não fosse minha casa, um desconhecido, mas sabendo que na volta já não seria mais, em questões de segundos eu repetiria o novo, como em todos esses 73 anos. Posso contar com os 49 de uma e os 17 de outra? É tanta vida, tanta coisa nova se repetindo. Mas eu não conto pra ninguém, já vou dormir as 19h30, as outras ainda não. Fui cansada, cansaram de mim. Aprendi a preencher um vazio esperando até a próxima visita ou festa de família, talvez uma reunião da terceira idade. Um dia roubei figurinhas e minha mãe fez com que eu devolvesse, me agarrou pelos braços e fez com que eu devolvesse. Devolvi. Desde então não segurei mais nada. Hoje preencho o vazio que ficou nas minhas mãos com a lembrança do que tive em minhas mãos mesmo que por pouco tempo. Nunca prendi, o que não quer dizer que eu não quisesse. Sinto falta, mas preencho, com doenças, compras, fotos, lembranças, comidas, risadas, suspiros, telefonemas, brancos, produtos de limpezas, coisas novas, coisas repetidas. Preencho enquanto espero e só espero pra poder preencher, até que eu não ganhe mais bolos ou presentes e canse de esperar. Preencherei e deixarei o vazio dentro dos que me fizeram sentir cheia.
Te amo, feliz aniversário.

Da neta, Rafaela Rocha.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Hoje eu quero pisar
No chao
E desabar

Lavar o meu quintal
E o meu terreno
Para eu sambar

Até que o meu sapato quebre
Até que a minha perna sangre
E o meu sangue me carregue
E a minha dor, se entregar.


Beatriz Barros

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Eu sei que ultimamente, a única coisa que passa pela minha cabeça é a frase "minha cabeça ta pesada".
É engraçado, a gente acha que não vai dá conta de nada.
Porque mostraram pra gente, que se nós escolhermos esse caminho que nós estamos seguindo, nós automaticamente não vamos dar conta de nada.
A vida inteira, as pessoas nos mostraram o lugar onde elas estão.

Eu aprendi a me ver em um futuro, e não ver o meu presente indo para o futuro. Eu aprendi que eu estudo porque eu tenho um vestibular, aprendi que eu estudo porque eu tenho que educar meus filhos, tem que dar comida para eles, eu preciso de dinheiro para ir ao cinema, minha mãe não vai me dar dinheiro, eu preciso respirar com uma freqüência não muito acelerada e para isso, eu preciso chegar lá.
Só que, ultimamente, é muito doloroso chegar lá, as pessoas colocam o chegar lá de uma forma que machuca. A minha cabeça machuca o meu pescoço, que cai com uma dor em cima da minha coluna e os meus braços e as minhas pernas ficam paradas, sem se movimentarem. E eu não tenho nem mais vontade de chorar, nem de gritar. Porque o grito e o choro não serão suficientes para isso, porque esse sentimento vai continuar ali. E a força para chorar e para gritar, eu perdi.
Me desculpa, eu fui ensinada.
Todos que estão em volta de mim passaram por isso. Eu tenho que passar. É natural, é normal. Só que dói muito, muito, muito, saber que o natural e o normal são tão frios.
Hoje, eu estava na aula de álgebra. E eu comecei a me organizar, estou de recuperação em algumas matérias, e eu sempre fico pensando se eu vou dar conta de tudo isso. Eu sei que eu vou, eu sei que os meus horários serão bem distribuídos, eu preciso afirmar isso constantemente para mim, eu não posso me esquecer disso. Só que, teve uma hora, que eu coloquei minhas alternativas:

- estudar segunda feira.
- tocar flauta na terça feira.
- me matar na quarta feira.

Chega uma hora, em que você percebe que o seu corpo pede uma morte. Pede uma finalização, pede, implora! Grita.. chora..
E você, com a sua cabeça pesada, tenta novamente levantá-la e, pensa no futuro. Pensa no seu grupo de teatro, pensa nos seus filhos.
Querendo ou não, o futuro que me colocam me incentiva. Porque, me desculpe, eu fui ensinada a continuar vivendo pela esperança que colocaram pra mim, porque se o presente está ruim, onde mais eu posso ser boa?

Eu só queria ouvir um "calma, ta tudo bem", "eu to com você, é só uma fase, é só um período, eu já passei, e eu posso te ajudar.. ok?".

Hoje no intervalo, perguntei para os meus amigos o que a palavra respiração remete eles, as primeiras coisas que eu escutei foram "bronquíolos, pulmão"... Depois eu disse a palavra "cores da respiração", e eles falaram "azul, verde", e finalmente, eles falaram "alívio, o fim, uma bolha".

Respira..
Conta até 3..
1 (escola, provas, álgebra, bascara, eletricidade, formulas, números complexos, mitose, meiose..)

2 (vestibular, filhos, casa, leite, marido, janta, faculdade, emprego, cheguei lá, dor de cabeça, dor de estomago, vomito, sangue, água..)

3 (torneado..)

E solta.

Beatriz Barros

domingo, 10 de maio de 2009

"É assim que isso funciona: você espia seu interior através de uma fresta, aí você consegue as coisas que gosta e tenta amar as coisas que consegue. E então você pega todo o amor que você fez e crava em alguém, no coração de outro alguém, bombeando o sangue de outra pessoa. E andando de braços dados você espera que isso não o machuque com o tempo, mas mesmo se isso acontecer..
Você simplesmente vai fazer tudo de novo."

Regina Spektor - on the radio

Um beijo, Beatriz Barros.

sábado, 9 de maio de 2009

Torneado e as novas experiências...
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