quarta-feira, 27 de maio de 2009

73 bolos.
73 presentes.
73 dias de espera.

Feliz aniversario. Obrigada, hoje não tem mais velinha, só velhinha. Deixa só o tempo passar pra gente sentir o cheiro no quarto. É que eu to com sono, to indo dormir 19h30. Outro dia fui pegar um ônibus, peguei o ônibus errado, entrei numa transe, parecia música, imagens apareciam, era uma dança, de macro onde minhas micropercepçoes confundiam meu estado formatado pelo tempo que vivi, já não sabia o que eu fazia lá, como tinha chegado lá, mas o importante era preencher o vazio, e lá fiquei, indo pra qualquer lugar que não fosse minha casa, um desconhecido, mas sabendo que na volta já não seria mais, em questões de segundos eu repetiria o novo, como em todos esses 73 anos. Posso contar com os 49 de uma e os 17 de outra? É tanta vida, tanta coisa nova se repetindo. Mas eu não conto pra ninguém, já vou dormir as 19h30, as outras ainda não. Fui cansada, cansaram de mim. Aprendi a preencher um vazio esperando até a próxima visita ou festa de família, talvez uma reunião da terceira idade. Um dia roubei figurinhas e minha mãe fez com que eu devolvesse, me agarrou pelos braços e fez com que eu devolvesse. Devolvi. Desde então não segurei mais nada. Hoje preencho o vazio que ficou nas minhas mãos com a lembrança do que tive em minhas mãos mesmo que por pouco tempo. Nunca prendi, o que não quer dizer que eu não quisesse. Sinto falta, mas preencho, com doenças, compras, fotos, lembranças, comidas, risadas, suspiros, telefonemas, brancos, produtos de limpezas, coisas novas, coisas repetidas. Preencho enquanto espero e só espero pra poder preencher, até que eu não ganhe mais bolos ou presentes e canse de esperar. Preencherei e deixarei o vazio dentro dos que me fizeram sentir cheia.
Te amo, feliz aniversário.

Da neta, Rafaela Rocha.

Um comentário:

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