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Mostrando postagens de Junho, 2009

A calma (um texto didático ou para se explicar que a tormenta pode começar a passar).

A calma (um texto didático ou para se explicar que a tormenta pode começar a passar).
Durante um tempo me preocupei em mostrar para demonstrar o como se faz. Eram inúmeras as minhas demonstrações de como se poderia fazer; fosse uma cena, elaborar uma dramaturgia, costurar um pano, agendar uma apresentação, conseguir um espaço para ensaio... Isso tudo me cansava o suficiente, ao ponto de no final sempre me sentir exposto. E acredito, que isso não me fazia bem. Tamanho era a força que eu fazia que o resultado sempre parecia ser menor do que minha exaustão. Mas, algo me pedia paciência. Uma paciência que a minha ansiedade pode ter sufocado. A todos que passaram por esses momentos comigo, tento “jurar” que, dentro do meu descontrole esbocei uma paciência. Chamei diversas expulsões de “aprendizado”. Tanto nos expulsou e tanto se expulsou de nós. Talvez, na honra do que pode ser uma generosa permanência, tantos nunca estiveram… E no meio do caminho alguém me coloca a seguinte questão:“Estar …
Acabei de chegar de viagem, estava com minha família.

Sempre quando eu olho pra certas pessoas nesse mundo eu me reconheço.
Chego à casa da minha tia, sinto um cheiro diferente, o cheiro dela.
Olho pra ela, olho pra fotos de trinta anos atrás, me olho no espelho e vejo a foto de trinta anos.
Olho-me no espelho, escuto histórias paralelamente.
"Lembra quando morávamos lá em botafogo? E quando a mãe levava a gente no posto seis pra tomar banho de mar?"
Olho pra minha mãe é reconheço ela.
Consigo compreendê-la melhor.
Vejo os erros que cometeu ao longo da sua vida.
Eu tenho vontade de chorar quando vejo o que a minha mãe fez de errado. Ela é um dos seres humanos mais incríveis. Vejo a carga histórica da minha família e vejo os caminhos que cada um deles seguiu.
Vejo-os no meu sangue, nas manias, nos traços, no meu tom de voz. E me sinto parte de algo.
E sempre penso em não ficar mal pelos erros, não exatamente pelos erros porque não sei ainda classificar o que é certo ou o que é errado na…
Como falar sobre o amor?Já tentei desenhos, textos, músicas. Já, até, tentei vive-lo e já tentei sonha-lo. Hoje eu busco uma outra forma de amar, que ainda não consigo lidar. Acho que desaprendi. Ou tentei esquecer.O homem não é humano quando tenta ser completo. E a completude do homem vem com a sua “incompletude”, ou seja, o homem completo é aquele que se deixa ser incompleto. Então, o coração do homem incompleto sempre pede algo para se completar do que perdeu, para continuar incompleto.E como fazer quando coração só se lembra de completar, e não de perder?Pergunto isso, não como uma retórica, mas como uma forma de ficar mais tranqüilo com a resposta.Descobrir-se um ser pensante – por mais ingênuo que seja – nos limita a muitos movimentos sentimentais. É que eu desaprendi. Desaprendi a tentar um movimento primitivo-amoroso com as pessoas. E esse coração tentativo, tenta encontrar uma nova forma delicada de lidar com o amor. Uma forma que não machuque na primeira tentativa, que pareç…
Novos desejos de realidadePara Hanschen e ErnestVocê não pode fugir quando tem um filho. Meu sonho é ter um filho, mas eu ainda quero fugir. Os homens vivem essa constante provação. Os homens, quando ainda vivem uma espécia de ‘poesia primitiva’, se vêem necessitados da necessidade de ser pai. De deixar de fugir, e colocar um freio. E eu preciso colocar um freio, por que essa necessidade é primitiva. Sabe por que? Por que senão eu morro.A sensação de viver a poesia, então, se esvai. Por que é decidida a sensação de lembrar-se dela.Foi bom.Fica!Você esqueceu suas meias nos meus sapatos.O movimento da vida já é frenético demais, e eu não tenho o direito de tentar continuar a bagunça-lo. Hoje eu não te amo mais. Por culpa sua, por culpa minha e por que todos os outros me fizeram te odiar. Eu concordei, você não disse nada, mas pareceu concordar também. O banho de mangueira ficou pra outro dia. Assim como nosso sorvete de morango, assim como nosso casamento no mesmo dia ou como nosso “rou…
Conversa minha...

1: Onde você ta?
2: To sentado. Na porta de uma igreja.
1: Fazendo o que?
2: Sei lá... Pensando. Vendo.
1: Vendo o quê?
2: To vendo pessoas. Semáforos. Cores... Um carro de polícia passou na minha frente e os policiais nem me viram.
1: Não ficou com medo?
2: Não. Senti vontade de fazer xixi na porta da igreja.
1: Pra quê?
2: Sei lá... Pra ter alguém pra conversar.
1: Pra conversar com Deus?
2: Não. Com os policiais.
1: Você está conversando comigo.
2: E você não está aqui.
1: Quer que eu vá até aí?
2: Não. Já vou sair. Só vim aqui pra pensar.
1: E daí você vai pra onde?
2: Tem uma placa indicando o caminho...
1: De transito?
2: Da igreja.
1: Deu pra falar com Deus, é?
2: As vezes eu tento.
1: E o que acontece?
2: Bato com a cara na porta.
1: Me diz onde você tá. O que você vê daí?
2: Três homens vermelhos. Um sol verde. Uma constelação ao meu lado. Tem um Cometa passando. Uma cegonha também.
1: Você ta bem?
2: To na frente de Deus. Isso é bom?
1: Isso é uma tentativa de ser poético.
2: Isso é bom…
Eu nunca mais escrevi aqui. Eu passei um tempo dentro de um buraco tentando me apoiar em alguma coisa para sair.Agora penso que talvez seja mais fácil afofar minha grande bunda em todo esse caos e criar em cima dele.Até esse caos ir subindo, subindo, subindo e eu receber essa luz que vem do mundo exterior.Vocês vão desculpar todas essas minhas linhas tortas, porque hoje vou escrever.É uma época de escolhas. Todos vamos passar por isso.Hoje em dia uma das poucas coisas que eu tenho na vida é esse tal Pequeno Teatro de Torneado.E caralho, fazer teatro não é só isso, não é mais só isso depois que eu entrei pro grupo.Depois que firmamos um pacto. Hoje eu digo que faço teatro, porque o teatro como nós, torneadinhos, costumamos dizer, teatro é a reflexão do ser humano.Teatro me traz a reflexão sobre um mundo periférico que poderia passar despercebido por mim se eu não tivesse esse espaço para tais reflexões.
Soube que acabou a luz de um quarteirão todo e um teatro não apresentou suas peças.S…
"É necessário que enfiem uma faca dentro de mim para eu sentir o que é se derramar no mundo!
E para que eu sinta uma faca dentro de mim, é necessário um amor!
Um amor que faça eu morrer de amores por alguém!"
Um homem bêbado gritava.
Com suas vestes sendo perdidas pelas ruas a cada passo que ele dava, e a cada palavra, mais um dos seus últimos passos por este mundo se prolongavam e se estendiam, até ele mesmo não saber mais qual seria o seu último momento neste local, seu último passo nesta terra.
A questão é que não era só o grito de um homem bêbado que eu escutava, mas sim de milhões. Dezenas de homens e mulheres berravam. Aquilo ali parecia um nevoeiro de seres humanos perdidos e intensos, procurando e esperando algo chegar. A comemoração de uma passagem, ou mesmo a espera de um futuro que nunca chegaria. Para eles, o mundo girava em torno daquela atmosfera, harmonizada em todas as notas possíveis e impossíveis, causando uma polifonia assustadora.
No carnaval, o mundo esquece-s…