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Mostrando postagens de Julho, 2009
Me acomodo no desejo de esperar
Vem flamaria, vem vidente
É clara a condição de se rasgar
É iminente a chegada do amor

Se subo ao topo... Desespero a me ver sorrir para vertigem
Sempre que posso me alerto algo sobre o perigo de cair
Assim que escuto dou indícios de uma surdez
É necessário romper o vício de uma voz

Do que me deu a distância além da vontade de medir?

Forte as pernas da mesa
Elegante o polar do sofá
Extremo o fundo da geladeira
E tudo delicadamente sobreposto a um piso docilmente apelidado de “Béginho”.

Aprisionado a fotos em movimento
E ainda sim, tudo se faz de tão sépia que parece me enganar
Eu sei de mim
Eu sempre sei algo sobre mim
Eu sempre acompanho novelas e seriados de época
Sei do o quão é vão e valente o risco de friccionar-se sobre um corpo
Sei que procurar a solidão também é serviço nulo e fugas

Ainda sei um pouco mais
E procurar entreter meu coração não me cabe a mim
Serviço sujo e vulgar é esse de tentar fazer arte da vida sem antes vivê-la
Não lhe prometo uma obra sem antes pro…

Painho

Hoje passei na frente de um barbeiro.
Um daqueles que os homens vão fazer a barba.
É engraçado isso pra mim, na minha família, os homens se reúnem e vão juntos ao barbeiro em alguma data especial. Casamento, natal, aniversário, esse tipo de coisa.
E aí eles ficam felizes. Eu tenho uma dificuldade incrível de conceber o porquê dessa felicidade. Fui criada pela minha mãe, meu pai não foi muito presente na minha criação. Hoje em dia consigo olhar para ele com mais clareza, ver as suas atitudes com certo distanciamento consigo analisar o porquê de certos fatos, mas ainda com uma visão muito obscura.
O Torneado faz uma peça chamada "Dias de Campo Belo", é uma peça que fala sobre o universo masculino, as relações que os homens criam entre si. Pai, filho, irmão, primo, amigos. O mais engraçado é que, eu não consigo entrar em contato com o masculino de forma clara, parece que as coisas são sempre obscuras. Sinto uma dúvida, incontrolável. Eu tenho vontade de perguntar para o meu pai o p…
Partindo ainda, daquela última improvisação.

Eu não estou aberta para negociações. Aqui dentro está sendo montado o espetáculo do meu coração e eu não vou trocar o protagonista. Não vou, por mais complicado, mais louco, mais insano, mais insólito que seja, não vou. Não se fazem mais artistas assim, em lugar nenhum. E eu demorei pra conseguir selecionar, foi um rigoroso teste de seleção e ele passou em todas as milhares de fases com boas notas. E hoje a nota de corte já está muito alta, ninguém é capaz de alcançá-lo. Até parece que tenho que subir montanhas para conseguir um beijo, fazer cara de doce para conseguir um abraço, mover mil neorônios para conseguir uma resposta. Pois é, eu faço escolhas dificeis e esse é mais um dia de ensaio do espetáculo do meu coração. É lindo, tudo lindo. Sei que ele vai chegar com uma cena linda, amarrada numa música que ele mesmo criou. Sei que haverão imagens lindas do começo ao fim, todas executadas com tranquilidade e segurança de mestre. Ao final d…
Sobre a oficina do Pequeno Teatro de Torneado.

Estou há algum tempo para escrever sobre o que foi essa experiência no grupo.Pois bem. Estou no Torneado há três anos. E uma das coisas que lembro de ter planejado mais com o grupo era a ocupação de uma escola pública.Não é de hoje que temos o objetivo de ocupar um lugar e fazer desse lugar um espaço para a formação de público.Um espaço para que as pessoas conheçam o nosso trabalho e acima de tudo, se interessem por movimentos artísticos.Um espaço que sirva de ponte, onde o teatro finalmente, está ao alcance de todos.A ocupação no colégio Alves Cruz, no bairro do Sumaré, apareceu num momento em que estavámos saindo de várias crises.E ao adentrar aquele lugar, uma energia nova pareceu se incorporar ao grupo, uma energia que nos ajudou a continuar caminhando, com mais força.
Junto com a ocupação do grupo (Passamos a ensaiar na escola) veio a oficina. A príncipio era uma oficina apenas para os alunos da escola.Alunos estes que, já haviam inici…
Imagem
Eu só queria falar quê.

Eu tomei consciência da morte. Da minha morte. Um dia eu vou morrer e vou deixar esse mundo pra trás. Talvez eu nem saiba que eu esteja fazendo isso, talvez eu não entenda a passagem quando eu estiver passando. Eu resolvi não deixar tanto, as coisas para o depois, para o amanhã. Eu não sei quantos amanhãs ainda terei. Eu resolvi viver, eu resolvi amar. Entrar em cartaz, trabalhar, fazer uma faculdade, morar sozinha e amar. Não, eu já posso amar. Mesmo que eu ainda não tenha nada disso. Eu posso amar. A vida é isso que tá acontecendo, enquanto tô planejando tantas outras vidas. Até os meus 17 anos eu estive morta e depois eu acordei. Depois de alguns chutes na cara é possível acordar. E agora eu me permito. Eu me permito. Eu olho para o caos e digo, pode entrar seja bem vindo. Eu deixo qualquer pessoa entrar. Mas não pode ter medo de se jogar e rolar na lama. Meu coração é um latifúndio e há um grande espaço para todos Eu nunca deixei de ser aquela criança, toda …