segunda-feira, 6 de julho de 2009

Eu só queria falar quê.

Eu tomei consciência da morte. Da minha morte. Um dia eu vou morrer e vou deixar esse mundo pra trás. Talvez eu nem saiba que eu esteja fazendo isso, talvez eu não entenda a passagem quando eu estiver passando. Eu resolvi não deixar tanto, as coisas para o depois, para o amanhã. Eu não sei quantos amanhãs ainda terei. Eu resolvi viver, eu resolvi amar. Entrar em cartaz, trabalhar, fazer uma faculdade, morar sozinha e amar. Não, eu já posso amar. Mesmo que eu ainda não tenha nada disso. Eu posso amar. A vida é isso que tá acontecendo, enquanto tô planejando tantas outras vidas. Até os meus 17 anos eu estive morta e depois eu acordei. Depois de alguns chutes na cara é possível acordar. E agora eu me permito. Eu me permito. Eu olho para o caos e digo, pode entrar seja bem vindo. Eu deixo qualquer pessoa entrar. Mas não pode ter medo de se jogar e rolar na lama. Meu coração é um latifúndio e há um grande espaço para todos Eu nunca deixei de ser aquela criança, toda esfolada, cheia de arranhões e machucados. Uma criança que ainda pulsa e pede carinho, mesmo assim. Ela não desiste. Depois de tanto tempo, ela ainda é capaz de fazer um truque em troca de uma esmola, daquele moço. Ela chora e olha nos olhos dele. Tio...olha pra mim, me dá atenção, me dá carinho. Me abraça também? Eu vivo paixões todos os dias. Todos os dias eu me apaixono por um novo alguém. E paixões vão embora com a mesma rapidez com que vêm. Mas o amor fica, e dizem que o único jeito de matar o amor é vivê-lo. Eu me permito viver o amor, mesmo que seja pra ele morrer daqui a pouquinho. Tudo bem, porque um dia eu também vou morrer e você também, todos nós. Me deixe sujar com esse amor. Eu quero morrer de amor.


Mayra

3 comentários:

Rafaela Rocha disse...

E eu só queria falar que te amo e te abraço todos os dias. Obrigada por me deixar acomodar nesse latifundio.

Atriz disse...

Também morrerei de amor, não dá falta mas da pesença latente e incomportável dele.

Bruno Lourenço disse...

Estava escrito numa placa pendurada num antigo prédio do século XIX: "Só me dói morrer se não for de amor."
Quando lembramos da morte, também lembramos de amor.
Talvez seja por isso que as pessoas choram nos enterros, por lembrar que ainda há tempo para amar.

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