Me acomodo no desejo de esperar
Vem flamaria, vem vidente
É clara a condição de se rasgar
É iminente a chegada do amor

Se subo ao topo... Desespero a me ver sorrir para vertigem
Sempre que posso me alerto algo sobre o perigo de cair
Assim que escuto dou indícios de uma surdez
É necessário romper o vício de uma voz

Do que me deu a distância além da vontade de medir?

Forte as pernas da mesa
Elegante o polar do sofá
Extremo o fundo da geladeira
E tudo delicadamente sobreposto a um piso docilmente apelidado de “Béginho”.

Aprisionado a fotos em movimento
E ainda sim, tudo se faz de tão sépia que parece me enganar
Eu sei de mim
Eu sempre sei algo sobre mim
Eu sempre acompanho novelas e seriados de época
Sei do o quão é vão e valente o risco de friccionar-se sobre um corpo
Sei que procurar a solidão também é serviço nulo e fugas

Ainda sei um pouco mais
E procurar entreter meu coração não me cabe a mim
Serviço sujo e vulgar é esse de tentar fazer arte da vida sem antes vivê-la
Não lhe prometo uma obra sem antes prometer uma desconstrução

Não farei um filme
Dispensarei vanguardas de possibilidades de cordéis
Nada que discuta a verossimilhança das mãos e das pegadas que possam causar
O estrangulo será real e possível
E ainda assim eu peço para realmente não se aproximar
Por favor, permaneça ao longe de qualquer abertura intangível de seu pequeno e sempre seu universo... para sempre seu universo...
Aprendi a me reconhecer na espera de coisas que nunca se alarmam
E por isso procuro amigavelmente me aproximar e dizê-las que nunca virão

Porque desde que me conheço por gente passei a conhecer também a iminente condição de se esperar para sempre e só

Comentários

Rafaela Rocha disse…
Eis aqui meu coração, ouro de artista é amar muito.
Inara Vechina disse…
um turbilhão de pensamentos.mas muito profundo, coloca uma interrogação pelo caminho, faz pensar.

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