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Mostrando postagens de Setembro, 2009
O meu amor morreu em um texto sem título.

Não tive tempo de cultivar os meus sonhos, por que eles foram - rapido demais - se tornando em realidade. Minhas metas se tornaram possíveis, minhas vontades se tornaram costumes e eu comecei a criar situações imaginárias, metafóricas... para poder sobreviver. Meus amores só podem ser chamados de amores quando são impossíveis. Caso contrário, são mágoas alheias que acumulo no meu peito e me torno, cada vez mais, uma pedra ambulante.
As vezes me questiono sobre a minha incapacidade de me apaixonar, e cada vez descubro mais que sou uma pessoa que se apaixona loucamente de forma errada, e que isso me machuca ao ponto de eu conseguir machucar o outro para apartar a minha chaga.

Esses dias, pensei que houvesse me apaixonado novamente. Esses tipos de amores impossíveis que quando se tornam reais não podem perder o gosto da impossibilidade. Mas tudo se esvai no momento em que essa 'complexidade' é domada. E tudo parece plástico, sintético.
Vai-se…
Sobre as Temporadas

Tudo foi - e nem por isso vai deixar de ser.
Quando eu olho para trás, eu tenho noção da quantidade de ruas, avenidas, becos, vielas, largos, praças e parques que passei para estar aqui. E quando olho para frente, tudo o que vejo, são mais logradouros que me esperam, sempre pedindo que eu tenha a disposição de deixar um pouco de mim por lá, para que eu leve um pouco deles também.

Os espetáculos do Torneado ainda conhecem poucas ruas, poucas praças e cidades, mas começam a carregar a curiosidade de instigar alguém. No ano de 2009, o nosso grupo fez coisas como viajar para fora do estado, apresentar mostras de repertório, ocupar artisticamente um espaço público, até cumprimos temporadas, até marcamos apresentações únicas, leituras de texto, projetos paralelos, oficinas, parcerias...
E hoje, num domingo que tinha tudo para ser triste nossa vara de luz não ficou de pé. Descobrimos que, enfim, estreamos por último o nosso primeiro espetáculo. E foi feliz. E foi lindo.

Depois…
E as minhas mãos parecem facas escondidas em teu pescoço E as palavras feitas somente pra ti parecem desaparecer agora Nada do que eu um dia falar parece fazer sentido Eu só queria ter a voz de um homem escondido em tuas mãos.
Caroline Cavallo
Seja, cultive, cresça, transpareça, nunca esqueça. Apague tudo que eu disse e reescreva assim : talvez alguém aprenda, o sorriso do palhaço quando vê o sorriso da criança, a mágica tumba do silêncio, é também a misera esperança.
Bruna Tavares
Eu olho pro céu e vejo as nuvens embassando meus olhos, qual é a sensação de se sentir em cima de uma arvore encostando no céu ? Eu adoro sentir sua voz suavizando os meus ouvidos. - E qual nosso programa pra amanha ? - a cada palavra que sai da sua boca. As pedrinhas da construção em frente a minha varanda estão entrando entre os meus pés, que droga. seria tão simples se somente ficasse do outro lado da rua, como deveriam estar, elas então invadem minha casa e a poeira aumenta num tom onde eu nem consigo mais me olhar no espelho, eu abro então minha casa ao meio, e subo na arvore novamente, e faço um pedido. - faça chover, enquanto eu lavo meus pensamentos em cima de sua constante agua pura. - as nuvens lavaram minha casa, está sem pedras, está sem poeira, e a construção acabou, enquanto eu durmo, acordada permanecerei o resto inteiro da semana, - Proibido construções nessa cidade. eu quero apenas evitar.
Caroline Cavallo
Não importa a forma oportuna que se forma diante de mim.
Já não se nota o tom da nota que desce pela minha garganta arranha gato. A porta se fechou pela brecha que me fez se perder por ai. A madrugadas dos embriagados da esquina é a vida se formando por uma metafórica teoria. A vida não é justa e nem se faz jus ao que lhe convém. Não tem por onde voltar, gire a corda que te corta pelo movimento, criando conceitos até já não saber mais quem eu sou, hoje eu me perdi, perdi o movimento robótico que transforma algo que te libera em opressão. Irreal. A corda bamba de alguém sem equilíbrio e a ansiedade que satisfaz o morto vivo. Certas vezes se ama, ama essa vida cruel e desesperada de lutos e anseios que nos rodeia a cada suspiro.
Na imagem deformada de minha memória eu fui única, apenas para mim.
A multidão de claustrofobicos enfurecidos perseguindo um misero pensar. Agora estamos pensando com o coração, amando apenas com um leve desespero dentro de si.
Decadências não assustam, elas multipl…

Diálogo entre dois amigos

1 menino
2 menina

2. E você, lembra dessa?
1. NOSSA!
2. Sabia que você ia se assustar!
1. Olha a sua cara olhando para o Benjamim! Seu sorriso era lindo!
2. E continua!
1. Eu sei! eu só to enxendo o seu saco.
2. Tá com fome? Tem fruta aí, comprei um saco de laranjas, sempre me lembro que é sua fruta favorita. Vejo uma laranja e lembro de você acredita!
1. Obrigada, mas já escovei os dentes.
2. Aceita cara!
1. Tá vai, tudo bem. Tem faca aí?
2. Naquele copo.
1. E agora, consegue me ver? Eu comendo eu mesmo?
2. Ok, você continuará me lembrando uma laranja. Agora muito mais! Não, já sei, melhor você me lembrar uma maçã.
1. E porque?
2. É que eu esqueci da sua voz, durante muitos anos.
1. Não me ligou?
2. Maçã faz bem pra voz.
1. Porque não me ligou?
2. Perdi seu telefone, aí você tocou aqui e eu abri a porta pra você.
1. Deveria ter ido até em casa, não acha? Você e essa sua lógica que eu não entendo.
2. É que eu esqueci da sua voz, não me lembro onde ela se meteu. Da voz e das palavras que ela dizia. Logo me…
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Só da imagem...

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Só da imagem.

Olhar de Francesco Zappa para "Primavera".






Monta, re-monta, desmonta, constrói, re-constrói, e por aí vamos.
Tenho percebido as mudanças que a minha casa faz ao longo dos anos. As mudanças que as pessoas, os móveis, o oxigênio, os animais, o externo faz sobre o interno. Existe um ciclo que as coisas seguem ao longo de um tempo. As mesmas coisas se repetem, acontece na mesma época. Existe também a possibilidade de um fator novo entrar neste ciclo, e assim ter seu ciclo próprio, seu tempo próprio dentro deste tempo.
Antigamente tinha um armário no meu banheiro. Esse armário, em certa época do ano (normalmente no final, nos meses de setembro e outubro) ficava cheio de cupim. Os cupins invadiam meu banheiro, e a prova concreta disto eram asas de cupim pelo chão do meu banheiro. Aquelas asinhas transparentes e finas, que em grande quantidade elas parecem pequenas folinhas de uma árvore minúscula. Eu gostava de girar no meu banheiro, porque assim, as asas seguiam a direção que o ar que o meu corpo mexia determinava, eu fazia as asas v…
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Pessoal! Eu Fernando Melo faço parte como aprendiz da comunidade da Escola Livre de Teatro de Santo André! E venho aqui para divulgar o que está acontecendo na nossa Escola:

A Escola Livre de Teatro de Santo André (ELT), projeto artístico-pedagógico que se firmou como referência para a formação de atores no Brasil e que se aproxima agora dos seus 20 anos de enraizamento na cidade, acaba de ter seu coordenador, o ator Edgar Castro, sumariamente demitido. Nesta sexta-feira, onze de setembro, artistas representantes dos principais coletivos de artes cênicas das cidades de Santo André e São Paulo - entre os confirmados as atrizes Maria Alice Vergueiro e Leona Cavalli, o ator Antônio Petrim, os diretores Francisco Medeiros e Cibele Forjaz - farão um ato público em prol da manutenção do projeto artístico-pedagógico original, que se encontra ameaçado. Internacionalmente conhecida por seu projeto inovador desde sua fundação, em 1990, a ELT foi idealizada pela artista-pedagoga Mari…

um desenho Torneadolístico

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Parece que não só provamos da arte em palcos, como também somos extraordinários desenhistas. Créditos à Rafaela
Sobre o ator-criador - Uma visão particular

Imagine-se na posição de alguém que espera, observa e guarda. Alguém que não tem controle de nada daquilo que lhe rodeia. Que sente uma falta de interesse absurdo por algo que, outro dia, lhe havia sido uma proposta de distração. Imagine-se extremamente rodeado de movimento e você ali, inerte, olhando as mochilas. É como se a mente implorasse algum tipo de distração. Mas aquilo tudo te sufoca de forma tão suprema que você não consegue, sequer, se ensimesmar. Uma espécie de tranqüilidade artificial.
Então você entende o que você precisa fazer para girar a chave.

Eu me coloco à margem de tudo aquilo que não me interessa por que é daí que eu me provoco. Eu falo daquilo que me dói, por que eu transformo a dor em brincadeira.
Nunca foi fácil ser provocado. Ainda mais sentir a provocação reverberar em você até que se manifestar numa mão que escreva ou numa boca que grite. O caminho pra fora é dolorido.

Sento-me num cantinho de grama e é como se eu colo…