terça-feira, 29 de setembro de 2009

O meu amor morreu em um texto sem título.

Não tive tempo de cultivar os meus sonhos, por que eles foram - rapido demais - se tornando em realidade. Minhas metas se tornaram possíveis, minhas vontades se tornaram costumes e eu comecei a criar situações imaginárias, metafóricas... para poder sobreviver. Meus amores só podem ser chamados de amores quando são impossíveis. Caso contrário, são mágoas alheias que acumulo no meu peito e me torno, cada vez mais, uma pedra ambulante.
As vezes me questiono sobre a minha incapacidade de me apaixonar, e cada vez descubro mais que sou uma pessoa que se apaixona loucamente de forma errada, e que isso me machuca ao ponto de eu conseguir machucar o outro para apartar a minha chaga.

Esses dias, pensei que houvesse me apaixonado novamente. Esses tipos de amores impossíveis que quando se tornam reais não podem perder o gosto da impossibilidade. Mas tudo se esvai no momento em que essa 'complexidade' é domada. E tudo parece plástico, sintético.
Vai-se embora o meu amor! E me deixa, mais uma vez, com um coração de pedra. Porque só assim, eu aprendo o que é sofrer para não temer a morte. Mas, talvez, eu caminhe cada vez mais para uma morte solitária. Talvez eu morra sorrindo, mas temeroso demais para deixar alguém me segurar e me beijar antes de morrer.

Vai-se embora meu amor sem ao menos eu tê-lo vivido! Sem ao menos eu escrever sobre o inicio desse sentimento, mesmo havendo um texto sobre seu fim.

Bruno Lourenço

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Sobre as Temporadas

Tudo foi - e nem por isso vai deixar de ser.
Quando eu olho para trás, eu tenho noção da quantidade de ruas, avenidas, becos, vielas, largos, praças e parques que passei para estar aqui. E quando olho para frente, tudo o que vejo, são mais logradouros que me esperam, sempre pedindo que eu tenha a disposição de deixar um pouco de mim por lá, para que eu leve um pouco deles também.

Os espetáculos do Torneado ainda conhecem poucas ruas, poucas praças e cidades, mas começam a carregar a curiosidade de instigar alguém. No ano de 2009, o nosso grupo fez coisas como viajar para fora do estado, apresentar mostras de repertório, ocupar artisticamente um espaço público, até cumprimos temporadas, até marcamos apresentações únicas, leituras de texto, projetos paralelos, oficinas, parcerias...
E hoje, num domingo que tinha tudo para ser triste nossa vara de luz não ficou de pé. Descobrimos que, enfim, estreamos por último o nosso primeiro espetáculo. E foi feliz. E foi lindo.

Depois de todo um fim de semana apresentando "Refugo" e "Dias de Campo Belo", o domingo de "Primavera" começou preocupante. Era a estréia do espetáculo em 2009 e com 4 substituições (metade do elenco). Apresentamos numa lona de circo - que ao meio dia era transformada numa sauna mambembe - e tivemos que rebolar para conseguirmos montar a estrutura do espetáculo. Mas a vara de iluminação não ficava pronta. As luzes não funcionavam e ela ficava feia, esticada daquele jeito. Toda desengonçada em cima de nossas frutas, malas, vinhos e folhas. Quando tudo parecia perdido e - perdoem-me a rima - fudido, as nossas luminárias ficaram como unica opção de luz, então fizemos o nosso espetáculo com aquilo que tinhamos: insegurança, medo, desamparo, mas muito (e bota muito) amor.

Me faltam palavras sensíveis para descrever tudo que sinto, mas se pudesse transformar meu sentimento e sensação em metáfora, seria algo como uma mistura de Bruno Lourenço, Fernando Pessoa e Galvão Bueno, em homenagem ao clássico "Corinthians" x "São Paulo", que os fanáticos por futebol do Torneado não puderam ver que terminou em 1x1. Ainda bem, por que o que menos precisávamos era de fogos de artificio durante a apresentação.

Antes de tudo, fizemos uma roda e eu percebi que o Torneado não é mais aquele grupinho de oito pessoas aonde um ou outro se destacavam. É um coletivo cada vez maior, com maior vontade de fazer e aonde cresceremos juntos, até onde der, para que possamos brincar de felicidade. Quando demos as mãos e senti isso, me veio uma vontade louca de chorar de alegria e medo, mas o público logo entraria, então chorei algumas poucas lágrimas para ficar mais fácil de limpar e começamos o espetáculo. E dessa vez foi mais dificil, por que nós oito precisávamos contar a história de 15, 30, 80... Não éramos mais oito jovens.
No orkut de uma amiga que passou pelo grupo eu li a frase "Porque há o direito ao grito. Então eu grito." da Clarice Lispector, daí eu tomei a liberdade de acrescentar um adendo que a nossa amiga escritora esqueceu de mencionar para o grito no coletivo. "Não que eu queira gritar sozinho. Mas há o direito ao grito. Então eu grito. Grito por mim e por alguém que também queira gritar...".

Para mim, o nosso cavalo tá voando, tá voando, tá voando... e ele vai despencar junto comigo no momento em que eu cair na cama.

Boa noite pessoal, e desculpem um texto mal-escrito pelo sono, mas esse momento precisava entrar para a história - nem que fosse em forma de post de blog.

Bruno Lourenço
Morrendo de sono, com bolhas no pé e folhas secas no cabelo

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

E as minhas mãos parecem facas escondidas em teu pescoço
E as palavras feitas somente pra ti parecem desaparecer agora
Nada do que eu um dia falar parece fazer sentido
Eu só queria ter a voz de um homem escondido em tuas mãos.

Caroline Cavallo

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Seja, cultive, cresça, transpareça, nunca esqueça.
Apague tudo que eu disse e reescreva assim :
talvez alguém aprenda, o sorriso do palhaço
quando vê o sorriso da criança,
a mágica tumba do silêncio, é também a misera esperança.

Bruna Tavares
Eu olho pro céu e vejo as nuvens embassando meus olhos, qual é a sensação de se sentir em cima de uma arvore encostando no céu ? Eu adoro sentir sua voz suavizando os meus ouvidos. - E qual nosso programa pra amanha ? - a cada palavra que sai da sua boca. As pedrinhas da construção em frente a minha varanda estão entrando entre os meus pés, que droga. seria tão simples se somente ficasse do outro lado da rua, como deveriam estar, elas então invadem minha casa e a poeira aumenta num tom onde eu nem consigo mais me olhar no espelho, eu abro então minha casa ao meio, e subo na arvore novamente, e faço um pedido. - faça chover, enquanto eu lavo meus pensamentos em cima de sua constante agua pura. - as nuvens lavaram minha casa, está sem pedras, está sem poeira, e a construção acabou, enquanto eu durmo, acordada permanecerei o resto inteiro da semana, - Proibido construções nessa cidade. eu quero apenas evitar.

Caroline Cavallo

domingo, 20 de setembro de 2009

Não importa a forma oportuna que se forma diante de mim.
Já não se nota o tom da nota que desce pela minha garganta arranha gato. A porta se fechou pela brecha que me fez se perder por ai. A madrugadas dos embriagados da esquina é a vida se formando por uma metafórica teoria. A vida não é justa e nem se faz jus ao que lhe convém. Não tem por onde voltar, gire a corda que te corta pelo movimento, criando conceitos até já não saber mais quem eu sou, hoje eu me perdi, perdi o movimento robótico que transforma algo que te libera em opressão. Irreal. A corda bamba de alguém sem equilíbrio e a ansiedade que satisfaz o morto vivo. Certas vezes se ama, ama essa vida cruel e desesperada de lutos e anseios que nos rodeia a cada suspiro.
Na imagem deformada de minha memória eu fui única, apenas para mim.
A multidão de claustrofobicos enfurecidos perseguindo um misero pensar. Agora estamos pensando com o coração, amando apenas com um leve desespero dentro de si.
Decadências não assustam, elas multiplicam a abertura em série dos cabimentos sem anseio. Eu fui a luta para descobrir algo que jamais vi, a luz que não funciona de noite, a sim, a noite, ela mostra em quem você realmente se transforma, ela habita sua mente inalando suas idéias igualadas. Hoje eu já não me arrependo do que eu fiz e se fiz algo que me arrependo eu apenas aceito a vaga idéia transformista de explicação, não a caminhos para lugar nenhum e sim lugares nenhuns que te levam para caminhos.
Pouco me importa, que música a vida me propõe, eu apenas danço, girando, girando, sem parar. No meu corpo tem duas mil vozes berrando e só agora eu consigo ouvir mais de uma claramente, eu não sei para onde elas me levam, mas até agora eu as desejo até o fim.


Bruna Tavares.

Diálogo entre dois amigos

1 menino
2 menina

2. E você, lembra dessa?
1. NOSSA!
2. Sabia que você ia se assustar!
1. Olha a sua cara olhando para o Benjamim! Seu sorriso era lindo!
2. E continua!
1. Eu sei! eu só to enxendo o seu saco.
2. Tá com fome? Tem fruta aí, comprei um saco de laranjas, sempre me lembro que é sua fruta favorita. Vejo uma laranja e lembro de você acredita!
1. Obrigada, mas já escovei os dentes.
2. Aceita cara!
1. Tá vai, tudo bem. Tem faca aí?
2. Naquele copo.
1. E agora, consegue me ver? Eu comendo eu mesmo?
2. Ok, você continuará me lembrando uma laranja. Agora muito mais! Não, já sei, melhor você me lembrar uma maçã.
1. E porque?
2. É que eu esqueci da sua voz, durante muitos anos.
1. Não me ligou?
2. Maçã faz bem pra voz.
1. Porque não me ligou?
2. Perdi seu telefone, aí você tocou aqui e eu abri a porta pra você.
1. Deveria ter ido até em casa, não acha? Você e essa sua lógica que eu não entendo.
2. É que eu esqueci da sua voz, não me lembro onde ela se meteu. Da voz e das palavras que ela dizia. Logo me esqueci do endereço!
1. Eu to aqui pow!
2. É eu sei! Com essa cara de quem já viveu mais tempo!
1. Acredita que meu cabelo não cresce faz tanto tempo?
2. E isso é ruim?
1. Sei lá, to com medo de ficar a cara do meu pai, totalmente careca.
2. Se fosse assim você já teria entradas na sua cabeça, ou talvez seu cabelo fosse caindo com o tempo.
1. Ou pararia de crescer!
2. Nada para de crescer de um dia para noite ô mané!
1. Talvez quase nada!
2. É, voce deveria parar com essa mania de ser besta!
1. Acostumar-me-ei com a idéia.
2. Eu posso ser sincera?
1. Não!
2. Então serei sincera!
1. Então fala logo!
2. Eu adorava quando você usava esses verbos, tipo "acostumar-me-ei".
1. É mania.
2. De ser correto?
1. Não, de utilizar esses verbos. É que eu sou travado na regularidade do portugues.
2. Mania de ser correto.
1. Mania de tá certo, isso sim.
2. Deus que me livre e guarde!
1. Aaaa, nem vem que você gosta da forma que eu escrevo!
2. É, eu acho doce.
1. E que continue sendo doce.
2. Que seja, mais do que ja é.
1. Pois se já é, eu digo que continue.
2. Só não pode ficar enjoativo!
1. Agora sim!
2. Eu completei! Mandei bem!
1. Não, aproveitou a oportunidade para não mandar mal!
2. Filho da puta! Acaba de perder estrelinhas douradas!
1. AAAAAAAA VOCE E ESSA MANIA DE ESTRELINHAS!
2. Cada mania que me agrada eu dou uma estrelinha, é simples a regra. E não vem me enxer o saco que você tem manias horríveis, que nao mereciam nem uma tentativa de porpurina!
1. Eu adoro a história daquela vez, que você deu uma caixa de estrelinhas douradas para um amigo seu, e ele odiava essa mania das estrelinhas.
2. EU LEMBRO! ahahah, ele ficou puto com o presente!
1. É, eu tambem ficaria
2. É?
1. Sim
2. Filho da puta.
1. Eu ganhei isso?
2. É, você prefere um filho da puta do que uma estrela.
1. Nossa, ganhei um filho, só preciso achar a puta, a mãe.
2. No seu aniversário, te darei então uma caixa cheia de filhos da puta.
1. Ou uma mãe, uma puta.
2. Ou vários bebes.
1.Prefiro só a caixa.
2. A, tanto faz.
1. O que?
2. Sei lá, nós, mulheres. Uma hora uma dessas aparece e vira a mãe dos seus filhos.
1. Uma dessas? Po cara, não fala assim! Essa "uma dessas" será a mãe dos meus filhos.
2. É, engraçado é não conhecer. Ou já, sei lá.
1. Pouco tempo juntos e você já me deu tanto presente.
2. Maçãs, laranjas, bebes, putas, estrelas, fotos, e lembranças.
1. Eu vou embora.
2. Fica aí.
1. Tenho que pegar uns documentos no cartório.
2. E tudo bem?
1. Tá, ela levou um vaso que eu gostava muito, com umas flores. Sei lá, é dificil escutar o silencio do apartamento. Não ouvir uma pisada no chão a mais.
2. Já já passa.
1. Foi facil para você?
2. O que?
1. Se acostumar..
1. Sim, foi dificil aceitar a condição.
2. De estar só?
1. Tambem, é que a minha solidão não tem volta.
2. Entendo..
1. Eu to bem.
2. É, é perceptível. Me lembro que foi a última vez que te vi foi no dia que aconteceu. Eu fui correndo pro hospital, fiquei preocupado com você.
1. Eu me lembro de você lá. Foi a última vez que eu te vi.
2. Você está melhor.
1. Obrigada, eu tambem me sinto assim. Bom, eu tenho um vaso aí, só não tenho as flores! Se você quiser..
1. Para com essa mania de me dar tudo.
2. E você deveria parar com essa mania de sumir.
1. Jajá eu volto.
2. Tá.
1. Eu to indo!
2. Leva as laranjas!
1. Prefiro a fotografia.
2. Tudo bem, pega o que você quiser.
1. Sem problema?
2. Poxa, você já entrou neh?
1. Tá, eu to indo.
2. Um beijo, me liga, promete?
1. Um beijo, eu ligo sim.

beatriz barros

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Monta, re-monta, desmonta, constrói, re-constrói, e por aí vamos.
Tenho percebido as mudanças que a minha casa faz ao longo dos anos. As mudanças que as pessoas, os móveis, o oxigênio, os animais, o externo faz sobre o interno. Existe um ciclo que as coisas seguem ao longo de um tempo. As mesmas coisas se repetem, acontece na mesma época. Existe também a possibilidade de um fator novo entrar neste ciclo, e assim ter seu ciclo próprio, seu tempo próprio dentro deste tempo.
Antigamente tinha um armário no meu banheiro. Esse armário, em certa época do ano (normalmente no final, nos meses de setembro e outubro) ficava cheio de cupim. Os cupins invadiam meu banheiro, e a prova concreta disto eram asas de cupim pelo chão do meu banheiro. Aquelas asinhas transparentes e finas, que em grande quantidade elas parecem pequenas folinhas de uma árvore minúscula. Eu gostava de girar no meu banheiro, porque assim, as asas seguiam a direção que o ar que o meu corpo mexia determinava, eu fazia as asas voarem. Depois de um tempo minha mãe tirou o armário do banheiro.
Antigamente minha mãe ficava olhando pela janela quando eu saia de casa, ela ficava observando se eu atravessava a rua corretamente, se nenhum carro iria me atropelar. Hoje em dia, minha mãe não fica mais me olhando pela janela. Quem fica é a minha cadela. Ela sobe no sofá que está encostado na parede e fica observando a rua, aquela movimentação toda, sendo que o vidro da janela já está formando marcas de respiração, na altura que a cadela alcança.
Antigamente os móveis eram distribuídos de outras formas pela minha casa. E mesmo sendo os mesmos móveis eu vejo eles em lugares novos e penso como eles são novos.
Percebo essas mudanças nos nossos espetáculos. Principalmente no "Primavera", com o passar do tempo percebemos como o "Primavera" é uma peça nova. Uma nova montagem. Novas pessoas (mesmo sabendo que pessoas antigas sempre estão presentes em diversos aspectos) sempre trazem o novo. Trazem a visão de um móvel de outro ponto de vista. Trazem outros olhares pelas janelas. Até mesmo quem ficou absorve mudanças. E são tantos fatores novos, antigos, transformados, reconstruídos e modificamos, que sim: a peça é outra.
"Três anos, como o tempo passa". O tempo passou. Fui me acostumando com minha cadela andando pela casa, a ponto de que hoje em dia, vou à casa de pessoas que eu não conheço e escuto o andar de quatro patas sobre um piso de madeira. E é uma junção de passado, presente e futuro no mesmo ritual, que somos capazes de nos encontrar quando tínhamos cinco anos e, ao mesmo tempo, quando eu tenho dezessete anos. Pois sendo um ciclo, de tudo fica um pouco.
Um dos assuntos que "O despertar da Primavera" fala é sobre os ciclos internos e ciclos externos, e como esses ciclos se juntam e se separam ao longo da vida. O meu começo pode ser o meio de um coletivo, e assim o meu fim definido pode ser o início de um fim para alguém (por exemplo, a última cena da peça). As personagens morrem, vivem, nascem e renascem ao longo disso tudo. E seguem caminhos dúbios, híbridos.
Fizemos pesquisas novas. Questões como gênero, escolas internas, a relação com o pai, a relação com a mãe, o toque humano na sociedade de hoje, e diversas outras coisas foram presentes nessas pesquisas. Imagens, sons, músicas, músicas internas e externas, objetos, vinhos, copos, mapas, energia. E eu me encontro perguntando sobre diversas questões como "até que ponto eu não sirvo de estímulo para o outro quando estou em cena? Até que ponto o meu masculino não é o masculino de outro? E o meu feminino não é estímulo de outro?". Analisamos não apenas os jovens de hoje em dia, mas o ser humano de hoje em dia. O que é a educação de hoje em dia? Não apenas para o adolescente, mas para a criança, para o velho, para nós. Educamos-nos cada dia que passa. Educamos nosso corpo, nossas mentes, nossos movimentos, cada segundo nos controlamos e nos mostramos coisas, também sofremos a educação dos outros. E o que é esse outro? O dever, o querer? O que é tudo isso, tanto para mim, para você, para nós?
Hibridez. É essa a palavra que eu vejo a peça que montamos. Vejo que o grupo não está mais buscando uma definição concreta. Somos movidos por perguntas, por estímulos. Queremos a complementação do outro por viés da troca. Trocamos entre nós mesmos e queremos trocar com o próximo. Trocamos textos, trocamos histórias, trocamos pactos. Trocamos a ponto de nos complementar, complementar um e complementar outro. E não se complementar também acaba sendo uma complementação.
Paramos,
Respiramos,
Olhamos nos olhos de uns,
Nos olhos dos outros,
E então falamos: vamos,
Que seja doce.

Tocamos no nosso pacto. "Eu seguro..". Acabamos sendo nove portos-seguros ambulantes em um palco. Pisamos no mesmo chão e sentimos que não estamos sozinhos no meio de tantas folhas secas. Porque tudo mudou e mesmo assim, continuo não me sentindo sozinha em casa. Porque eu vejo que não é só a minha casa que está presente. Aprendi a olhar pela janela, aprendi a mover um móvel, aprendi nesses últimos meses, que não estou sozinha. E mesmo algumas coisas machucando. Mesmo tocando em mim por dentro e sentindo algumas dores, “eu senti dor interna”, aprendi que a dor é um viés. A provocação interna, corporal, mental, é uma retirada da segurança. Mas mesmo assim: não estou sozinha.
Eu repito: de tudo fica um pouco.

Beatriz Barros

Pessoal! Eu Fernando Melo faço parte como aprendiz da comunidade da Escola Livre de Teatro de Santo André! E venho aqui para divulgar o que está acontecendo na nossa Escola:

A Escola Livre de Teatro de Santo André (ELT), projeto artístico-pedagógico que se firmou como referência para a formação de atores no Brasil e que se aproxima agora dos seus 20 anos de enraizamento na cidade, acaba de ter seu coordenador, o ator Edgar Castro, sumariamente demitido.

Nesta sexta-feira, onze de setembro, artistas representantes dos principais coletivos de artes cênicas das cidades de Santo André e São Paulo - entre os confirmados as atrizes Maria Alice Vergueiro e Leona Cavalli, o ator Antônio Petrim, os diretores Francisco Medeiros e Cibele Forjaz - farão um ato público em prol da manutenção do projeto artístico-pedagógico original, que se encontra ameaçado.

Internacionalmente conhecida por seu projeto inovador desde sua fundação, em 1990, a ELT foi idealizada pela artista-pedagoga Maria Thaís Lima Santos, (hoje professora doutora da USP e coordenadora do TUSP), e coerentemente transformada pela experiência e pelos diversos mestres que passaram por ela tais como: Luis Alberto de Abreu Antonio Araújo, Tiche Vianna, Francisco Medeiros, Cacá Carvalho, Renata Zhaneta, Cibele Forjaz, Cláudia Schapira, Denise Weinberg, Sergio de Carvalho.

Da palavra "Livre" - presente no nome da Escola - emerge um campo pedagógico próprio, que pressupõe o conceito de deliberação coletiva, derivado do contínuo diálogo entre mestres, aprendizes e funcionários (constituintes legítimos da comunidade ELT), num processo de não-hierarquização, radicalmente contrário a imposições.

Desde o final do ano passado, após a eleição do atual prefeito Dr. Aidan Ravin, a comunidade da Escola Livre de Teatro tem se reunido para conhecer o projeto cultural para a cidade de Santo André. Em 28 de novembro, organizou um ato público, o Encontro Cultural da Cidade, quando se esperava como convidado principal Dr. Aidan Ravin. O então futuro prefeito não compareceu, mas fez-se presente através de seus assessores e do vereador recém eleito Gilberto do Primavera, que firmou publicamente seu compromisso com a cultura da cidade e com a manutenção do projeto original da ELT.

No entanto, como primeira medida, designaram para escola uma nova coordenadora não pertencente ao quadro de mestres e desconhecedora do projeto em curso. Em assembléia geral da escola, em 3 de fevereiro de 2009, com a presença de toda comunidade ELT e da coordenadora, o atual Secretário de Cultura, sr. Edson Salvo Melo, não só reiterou a continuidade do projeto artístico-pedagógico como também acenou a reforma física do prédio da ELT, readequando o espaço para as atuais necessidades da escola.

Passados oito meses da nova gestão, de contínuas tentativas de diálogo entre a comunidade, a coordenadora sra. Eliana Gonçalves e os funcionários também recém transferidos para a escola, encontros mediados pelo coordenador Edgar Castro (mestre da escola há 11 anos), fomos surpreendidos por esta repentina demissão feita pelo diretor de cultura Sr. Pedro Botaro no dia oito de setembro.

No ato público os artistas entregarão uma carta ao Secretário de Cultura, Esporte, Lazer e Turismo, sr. Edson Salvo Melo. A idéia é pedir que se reveja a demissão de Edgar Castro - escolhido democraticamente pela comunidade escolar e com ampla aderência de todos - e a que se possa dialogar sobre a presença da sra. Eliana Gonçalves.

A concentração para o ato será às 14h em frente à ELT:

Praça Rui Barbosa s/ nº, bairro Santa Terezinha, Santo André.

Segue em passeata até o Paço Municipal de Santo André.

Os interessados também poderão participar do movimento que reivindica a manutenção do projeto pelo blog: www.movimentolivre-sa.blogspot.com

terça-feira, 8 de setembro de 2009

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Sobre o ator-criador - Uma visão particular

Imagine-se na posição de alguém que espera, observa e guarda. Alguém que não tem controle de nada daquilo que lhe rodeia. Que sente uma falta de interesse absurdo por algo que, outro dia, lhe havia sido uma proposta de distração. Imagine-se extremamente rodeado de movimento e você ali, inerte, olhando as mochilas. É como se a mente implorasse algum tipo de distração. Mas aquilo tudo te sufoca de forma tão suprema que você não consegue, sequer, se ensimesmar. Uma espécie de tranqüilidade artificial.
Então você entende o que você precisa fazer para girar a chave.

Eu me coloco à margem de tudo aquilo que não me interessa por que é daí que eu me provoco. Eu falo daquilo que me dói, por que eu transformo a dor em brincadeira.
Nunca foi fácil ser provocado. Ainda mais sentir a provocação reverberar em você até que se manifestar numa mão que escreva ou numa boca que grite. O caminho pra fora é dolorido.

Sento-me num cantinho de grama e é como se eu colocasse minha mente e meu olhar num lugar obsoleto. E, ao mesmo tempo, eu tenho a consciência de minha inércia e se insisto em não pensar, não me mover e só criar aquilo que é filtrado por algo, ou por mim, é por que sei que estou no olho do furacão.

Bruno Lourenço
(Viajando no olho do furacão)

Sobre o sentir e o dançar de um corpo gordo

Sempre achei estranha a vontade que eu tinha de dançar. Durante muito tempo, meu corpo ficou inerte. Fugia das aulas de educação física, ...