Não importa a forma oportuna que se forma diante de mim.
Já não se nota o tom da nota que desce pela minha garganta arranha gato. A porta se fechou pela brecha que me fez se perder por ai. A madrugadas dos embriagados da esquina é a vida se formando por uma metafórica teoria. A vida não é justa e nem se faz jus ao que lhe convém. Não tem por onde voltar, gire a corda que te corta pelo movimento, criando conceitos até já não saber mais quem eu sou, hoje eu me perdi, perdi o movimento robótico que transforma algo que te libera em opressão. Irreal. A corda bamba de alguém sem equilíbrio e a ansiedade que satisfaz o morto vivo. Certas vezes se ama, ama essa vida cruel e desesperada de lutos e anseios que nos rodeia a cada suspiro.
Na imagem deformada de minha memória eu fui única, apenas para mim.
A multidão de claustrofobicos enfurecidos perseguindo um misero pensar. Agora estamos pensando com o coração, amando apenas com um leve desespero dentro de si.
Decadências não assustam, elas multiplicam a abertura em série dos cabimentos sem anseio. Eu fui a luta para descobrir algo que jamais vi, a luz que não funciona de noite, a sim, a noite, ela mostra em quem você realmente se transforma, ela habita sua mente inalando suas idéias igualadas. Hoje eu já não me arrependo do que eu fiz e se fiz algo que me arrependo eu apenas aceito a vaga idéia transformista de explicação, não a caminhos para lugar nenhum e sim lugares nenhuns que te levam para caminhos.
Pouco me importa, que música a vida me propõe, eu apenas danço, girando, girando, sem parar. No meu corpo tem duas mil vozes berrando e só agora eu consigo ouvir mais de uma claramente, eu não sei para onde elas me levam, mas até agora eu as desejo até o fim.


Bruna Tavares.

Comentários

Mayra disse…
Muito legal ter você por aqui, Bruna!
Seja bem vinda!!!

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