Sobre o ator-criador - Uma visão particular

Imagine-se na posição de alguém que espera, observa e guarda. Alguém que não tem controle de nada daquilo que lhe rodeia. Que sente uma falta de interesse absurdo por algo que, outro dia, lhe havia sido uma proposta de distração. Imagine-se extremamente rodeado de movimento e você ali, inerte, olhando as mochilas. É como se a mente implorasse algum tipo de distração. Mas aquilo tudo te sufoca de forma tão suprema que você não consegue, sequer, se ensimesmar. Uma espécie de tranqüilidade artificial.
Então você entende o que você precisa fazer para girar a chave.

Eu me coloco à margem de tudo aquilo que não me interessa por que é daí que eu me provoco. Eu falo daquilo que me dói, por que eu transformo a dor em brincadeira.
Nunca foi fácil ser provocado. Ainda mais sentir a provocação reverberar em você até que se manifestar numa mão que escreva ou numa boca que grite. O caminho pra fora é dolorido.

Sento-me num cantinho de grama e é como se eu colocasse minha mente e meu olhar num lugar obsoleto. E, ao mesmo tempo, eu tenho a consciência de minha inércia e se insisto em não pensar, não me mover e só criar aquilo que é filtrado por algo, ou por mim, é por que sei que estou no olho do furacão.

Bruno Lourenço
(Viajando no olho do furacão)

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