sábado, 31 de outubro de 2009

Estamos nesse estado precário

Decidimos ensaiar menos durante esse mês de novembro, para que as pessoas pudessem se organiza para esse fim de ano. Tanto com grana, quanto com estudos, tempo... etc. Recentemente passamos por mudanças bruscas com relação a horários, relações e algumas pessoas saíram do grupo. Tiramos esse tempo para nos organizar individualmente, por que isso parecia ser o principal fator da nossa organização. Alguns, como eu, se sentiram um pouco deslocados com essa diminuição de encontros, mas depois foi bom perceber que, pra esse momento, era necessário. Penso que a nossa relação estava ficando super-saturada. Nos encontrávamos demais para fazer coisas que deveríamos conseguir fazer em menos tempo, menos energia e mais concentração.
Costumamos levar nossas incertezas da vida para o teatro. Esse tempo foi o tempo de descobrirmos as incertezas da vida e o tempo de tentar encontrar uma solução para elas. Esse tempo, esse respiro, ainda continuará por um tempo. Todos precisamos nos organizar... Pagar nossas contas, prestar nossos vestibulares, ter o nosso dinheir para viajar. E além disso, conseguir fazer nossas substituições, negociar uma temporada...

Aonde chegamos com o que somos não é tão diferente do que temos. Daqui pra frente, precisamos nos modificar para modificar aquilo que nos rodeia.
Conquistar um espaço, uma profissionalização, um comprometimento.

Bruno Lourenço

sábado, 17 de outubro de 2009

Estudo Musical 1

ESTUDO MUSICAL 1:


(Olhe em volta...Puxe batidas ritmicas no que estiver mais próximo e seja passível de bater...E comece a cantar).


Sociedade adormecida,
Amortecida.
Existência ilesa
Desde feto, só no aplique
Aplica aqui, aplica ali
Eterna anestesia.

Tampa a visão
Chapa a audição
Educa o olfato
Doma o tato
Enlaça o paladar.

Mascara-se diversas injeções:
Televisões, livros, educações.
DI-TA-DÔ
Vou te ditar o que você deve usar
DI-TA-DÔ
Amor a dois, o resto deixa pra depois.

Amor configurado, tudo formatado
Amor configurado, tudo formatado
Amor configurado, tudo formatado
Amor configurado, tudo formatado.
Amorconfiguradotudoformatadoamorconfiguradotudoformata..................(EXPLOSÃO)


FERNANDO MELO
A onda é não se sentir culpado quando expor as suas fragilidades.
Mesmo que você fale sem sentir ou sem pensar aquilo saiu pra você se estabilizar.

A onda é lutar contra a corrente e saber que isso é natural.

Nós nos cobramos para nos conhecer e, a partir daí, para conhecer o próximo que vai nos ajudar com as dores. Aliviando-as ou trazendo-as, mas ajudando.
É só uma forma de abraçar o mundo, por mais piegas que seja.

Do outro, só podemos esperar. E quando a espera vem em forma de projeção, de cobrança, a melhor maneira é desviá-la e pensar no agora. No que é efêmero.
(Mesmo que ele seja triste... Pelo menos pra mim)

Que Roberto Carlos diga o que não consegui dizer:

Eu quero apenas olhar os campos,
Eu quero apenas cantar meu canto,
Eu só não quero cantar sozinho,
Eu quero um coro de passarinho,
Quero levar o meu canto amigo,
A qualquer amigo que precisar.

(Refrão)
Eu quero ter um milhão de amigos
E bem mais forte poder cantar
Eu quero ter um milhão de amigos
E bem mais forte poder cantar

Eu quero apenas um vento forte,
Levar meu barco no rumo norte
E no caminho o que eu pescar
Quero dividir quando lá chegar
Quero levar o meu canto amigo
A qualquer amigo que precisar

(Refrão)

Eu quero crer na paz do futuro,
Eu quero ter um quintal sem muro
Quero meu filho pisando firme,
Cantando alto, sorrindo livre
Quero levar o meu canto amigo
A qualquer amigo que precisar

(Refrão)

Eu quero amor decidindo a vida,
Sentir a força da mão amiga
O meu irmão com sorriso aberto,
Se ele chorar quero estar por perto
Quero levar o meu canto amigo
A qualquer amigo que precisar

(Refrão)

Venha comigo olhar os campos,
Cante comigo também meu canto
Eu só não quero cantar sozinho,
Eu quero um coro de passarinhos
Quero levar o meu canto amigo
A qualquer amigo que precisar

Bruno Lourenço - Dividindo a angústia de não querer se sentir só

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Quando me vejo dentro de uma sala vazia, a primeira coisa que penso é rodar, dançar. Não pra preencher aquela sala, mas sim para me preencher. Preencher aquele espaço vazio externo, que existe dentro de mim.
Me acomodo nas pontas dos meus pés para alcançar planos que eu nunca alcançei, visões que eu nunca vi.
Dilato os movimentos, dilato minha respiração, dilato o tempo buscando um espaço dentro/fora de mim que eu nunca alcançei. Busco o equilíbrio e o desequilíbrio, e busco a junção deles dois no mesmo movimento. Busco os meus braços em contato com as minhas pernas, em contato com partes que normalmente ele não está em contato. Busco o impulso vindo dos meus dedos, do meu joelho, da minha cabeça para o restante do meu corpo. Então eu percebo que a sala vazia é uma continuação do meu corpo. Que por algum momento, eu apenas fiz do seu chão o meu apoio, fiz do seu teto a minha proteção, fiz das suas janelas a minha conexão com o que está por fora, fiz das paredes brancas o início para algo novo, um passo para as cores. Expressar o humano através do seu próprio corpo, se expressar com o seu material, talvez seja por isso que a sala vazia me chama. Me vejo só em alguns momentos, e em outros me vejo junto com ela, em conjunto.

Tambem me questiono quantas salas vazias existem dentro de mim.


Beatriz Barros

domingo, 4 de outubro de 2009

Voa, voa, passarinhos.

“Com seus pássaros
Ou a lembrança de seus pássaros
Com seus filhos
Ou a lembrança de seus filhos
Com seu povo
Ou a lembrança de seu povo
Todos emigram”

E a passarinha vôo.Em seus vôos longos e desajustados com as asas escancaradas, pousa de estações em estações para cumprir com o pacto de sua natureza: voar.Seu vôo com um trajeto certo cheio de inseguranças não a permiti parar para pensar. Mais uma vez, segue contando com a sua natureza, a de um pássaro que não sabe pensar, mas que organiza seu trajeto no caos do vento que faz abrir ainda mais as suas asas.Sorte da ocasião, se vez ou outra, topar com admiráveis bandos de desconhecidas espécies. Não, não deve mudar seu rumo, mas entender que não há só um caminho possível de se seguir.Vendo de perto, pode-se perceber que até os pássaros da mesma espécie voam diferente, deve ser o numero de penas que cada um possui ou o modo como seus pais o ensinaram a voar.Podemos dizer então que se unir a um bando de outra espécie é estudar as imperfeições de seu próprio vôo e tentar se adequar a nova forma de voar para não se perder dos de mais, afinal, depois de tanto tempo longe do ninho, é natural, também, que a vontade de voar junto é maior do que a de voltar pra casa. Emigramos, em busca de um novo jeito de voar, nos perdemos, em busca de um novo jeito de voar, aprendemos a voar, quando não buscamos um novo jeito de voar.Aprender a voar diferente é essencial para que o passarinho perceba que a sua anatomia é única, que seu vôo só cabe a sua própria anatomia, que o vôo de outra espécie nunca lhe caberá.O passarinho cria admiração ao admitir a anatomia do outro.A admiração surge ao perceber as diferenças de cada passarinho e respeitar seu vôo.E sem perceber, aquele vôo longo e desajustado, é na verdade um pouco do vôo que o passarinho admirou transfigurado em sua anatomia. O passarinho segue seu rumo de volta para casa afim de descansar as asas na calmaria do vento. Seu vôo sempre será o mesmo para quem vê, por que é só dele, mas pra ele, seu vôo é soma, subtração, divisão, multiplicação, das espécies, dos bandos, dos ninhos que passou, de seus pais, da vontade de voar junto, da vontade de voltar, e mesmo na calmaria do vento, seu vôo é puro caos, caos leve, caos criativo, caos de amor.Quem sonha voa longe, quem voa longe ama, quem ama sempre esta mesmo aprendendo a voar.

Da passarinha Rafaela Cuchinir Torneado Rocha Nazzari.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

1- menino
2- menina

1 - O que é rosa para você?
2 – O nome da minha boneca!
1 - Você tem uma boneca?
2 – Toda menina tem.
1 – Você parece uma boneca.
2 – E você, parece um cravo!
1 – E bonecas e cravos?
2 – Sei das rosas, e não de bonecas com cravos.
1 – Então seja uma rosa.
2 – Mas o cravo brigou com a rosa debaixo de uma sacada.
1 – Estamos em cima de uma!
2 – Construiremos a nossa.
1 – Então não brigaremos antes de termos uma.
2 – Teremos uma nossa?
1 – Eu já tenho a rosa, isso não é o que importa?
2 – E o que é a rosa para você?
1 – Não consigo dizer.
2 – E te machuca não saber dizer?
1 – E você, te machuca ao me chamar de cravo?
2 – Me machuco por não conseguir dizer.
1 – Dizer o que?
2 – Tudo o que eu queria.
1 – Então o cravo sai ferido e a rosa despedaçada.
2 – É normal não saber dizer?
1 – Acho que sim. E gostaria de dizer tudo?
2 – Por enquanto não.
1 – Por que não?
2 – Porque nunca disse. Quando eu disse “eu te amo”, acabei perdendo essa frase nas pessoas, de modo que, por enquanto, procuro ela dentro dos outros ou até mesmo dentro de mim.
1 – Só por enquanto?
2 – Eu não sei. Sei que o destino me traiu, e me colocou junto a você sobre uma sacada. Pois assim que seja.

Sendo assim, um Romeu e uma Julieta.
Beatriz Barros