Quando me vejo dentro de uma sala vazia, a primeira coisa que penso é rodar, dançar. Não pra preencher aquela sala, mas sim para me preencher. Preencher aquele espaço vazio externo, que existe dentro de mim.
Me acomodo nas pontas dos meus pés para alcançar planos que eu nunca alcançei, visões que eu nunca vi.
Dilato os movimentos, dilato minha respiração, dilato o tempo buscando um espaço dentro/fora de mim que eu nunca alcançei. Busco o equilíbrio e o desequilíbrio, e busco a junção deles dois no mesmo movimento. Busco os meus braços em contato com as minhas pernas, em contato com partes que normalmente ele não está em contato. Busco o impulso vindo dos meus dedos, do meu joelho, da minha cabeça para o restante do meu corpo. Então eu percebo que a sala vazia é uma continuação do meu corpo. Que por algum momento, eu apenas fiz do seu chão o meu apoio, fiz do seu teto a minha proteção, fiz das suas janelas a minha conexão com o que está por fora, fiz das paredes brancas o início para algo novo, um passo para as cores. Expressar o humano através do seu próprio corpo, se expressar com o seu material, talvez seja por isso que a sala vazia me chama. Me vejo só em alguns momentos, e em outros me vejo junto com ela, em conjunto.

Tambem me questiono quantas salas vazias existem dentro de mim.


Beatriz Barros

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