domingo, 4 de outubro de 2009

Voa, voa, passarinhos.

“Com seus pássaros
Ou a lembrança de seus pássaros
Com seus filhos
Ou a lembrança de seus filhos
Com seu povo
Ou a lembrança de seu povo
Todos emigram”

E a passarinha vôo.Em seus vôos longos e desajustados com as asas escancaradas, pousa de estações em estações para cumprir com o pacto de sua natureza: voar.Seu vôo com um trajeto certo cheio de inseguranças não a permiti parar para pensar. Mais uma vez, segue contando com a sua natureza, a de um pássaro que não sabe pensar, mas que organiza seu trajeto no caos do vento que faz abrir ainda mais as suas asas.Sorte da ocasião, se vez ou outra, topar com admiráveis bandos de desconhecidas espécies. Não, não deve mudar seu rumo, mas entender que não há só um caminho possível de se seguir.Vendo de perto, pode-se perceber que até os pássaros da mesma espécie voam diferente, deve ser o numero de penas que cada um possui ou o modo como seus pais o ensinaram a voar.Podemos dizer então que se unir a um bando de outra espécie é estudar as imperfeições de seu próprio vôo e tentar se adequar a nova forma de voar para não se perder dos de mais, afinal, depois de tanto tempo longe do ninho, é natural, também, que a vontade de voar junto é maior do que a de voltar pra casa. Emigramos, em busca de um novo jeito de voar, nos perdemos, em busca de um novo jeito de voar, aprendemos a voar, quando não buscamos um novo jeito de voar.Aprender a voar diferente é essencial para que o passarinho perceba que a sua anatomia é única, que seu vôo só cabe a sua própria anatomia, que o vôo de outra espécie nunca lhe caberá.O passarinho cria admiração ao admitir a anatomia do outro.A admiração surge ao perceber as diferenças de cada passarinho e respeitar seu vôo.E sem perceber, aquele vôo longo e desajustado, é na verdade um pouco do vôo que o passarinho admirou transfigurado em sua anatomia. O passarinho segue seu rumo de volta para casa afim de descansar as asas na calmaria do vento. Seu vôo sempre será o mesmo para quem vê, por que é só dele, mas pra ele, seu vôo é soma, subtração, divisão, multiplicação, das espécies, dos bandos, dos ninhos que passou, de seus pais, da vontade de voar junto, da vontade de voltar, e mesmo na calmaria do vento, seu vôo é puro caos, caos leve, caos criativo, caos de amor.Quem sonha voa longe, quem voa longe ama, quem ama sempre esta mesmo aprendendo a voar.

Da passarinha Rafaela Cuchinir Torneado Rocha Nazzari.

Nenhum comentário:

Sobre o sentir e o dançar de um corpo gordo

Sempre achei estranha a vontade que eu tinha de dançar. Durante muito tempo, meu corpo ficou inerte. Fugia das aulas de educação física, ...