quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Dobradinha no Teatro Lavanderia neste sábado!

Sabe quando um dia representa um momento especial para um grupo de pessoas?
Sabe quando temos vontade de juntar pessoas queridas na sala de nossa casa e mostrar um antigo álbum de fotografias?
Sabe quando um rosto novo traz aquela sensação de que alguma coisa vai acontecer?

Neste sábado nós d’O Pequeno Teatro de Torneado, depois de um ano de trabalho em nossa sede, viagem por Piracicaba, Pirassununga, Bauru e Belo Horizonte, iremos encerrar nossas atividades de 2010. Para isso, gostaríamos de convidar a todos para o nosso último evento do ano. Todas as pessoas que estiveram presentes conosco neste 2010 e todos que não estiveram: esta é uma grande oportunidade de reunirmos os amigos queridos e nos despedirmos deste ano de trabalho!

Serão apresentadas com preço promocional, as duas peças com a qual ficamos em cartaz este ano em nossa sede: “Menina de Louça” e “Dias de Campo Belo”.

Menina de Louça
Apresentada pela primeira vez em 2006, a peça foi escrita a partir de uma lenda urbana conhecida como "A Loira do Banheiro". No entanto, a lenda serve apenas como o pano de fundo para a abordagem de temas que exploram o rito de passagem para a vida adulta. Para o grupo, “Menina de Louça” marca o início da sua pesquisa (“A Dramaturgia dos Moleques”), que hoje caracteriza o seu trabalho coletivo: a liberdade de criação e a busca pela autonomia do jovem através da arte. Entender o jovem é dar espaço para que ele exponha seu ponto de vista sobre algo. E foi esta a opção do grupo ao escolher um texto escrito por um jovem dramaturgo (William Costa Lima, 27 anos - 16 anos na época) e interpretado, também, por uma jovem atriz (Beatriz Barros, 18 anos). Com poucos recursos técnicos, “Menina de Louça” acontece num ambiente intimista, apostando na oralidade e na relação que se pode criar entre a história a ser contada e o público disposto a ouvir.

Dia/horário: Sábado, às 17h
Onde: Teatro Lavanderia
Classificação indicativa: 10 anos
Duração: 50 min 


Dias de Campo Belo

Dias de Campo Belo conta a história de uma jornada interior, um passeio pelas memórias e sonhos de personagens masculinos que, por alguns instantes, tentam modificar o curso de sua existência e colocar em relevo tudo o que passou despercebido.
Amigos, irmãos, primos, pais e avós que, em seus tantos encontros ao longo da vida, tentam voltar às suas raízes e reafirmar pactos, sem perceber a força social e histórica que age sobre as rupturas e pequenas ditaduras cotidianas.

Dia/horário: Sábado, às 20h
Onde: Teatro Lavanderia
Classificação indicativa: 12 anos
Duração: 60 min

Serviço:

Teatro Lavanderia
R. Dr. José Osório de Oliveira Azevedo, 19 – Saúde
(Altura do 900 da Av Miguel Stefano). Como chegar?
Informações e reservas: (11) 8634-2385
Aceita somente dinheiro e cheque. Acesso universal.
Sem estacionamento. Bar.
Preço único: R$ 10  (Para os dois espetáculos)

Twitter: torneado_
Reserve seu ingresso!

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Não conheço o Torneado.
Conheço algumas pessoas, talvez o núcleo fixo, mas não conheço o Torneado.
O que é conhecer, afinal? É passar algum tempo junto? É presenciar brigas? É ajudar na arrumação e dividir o café depois?
Não, acho que não. Conhecer leva tempo. Não posso dizer que conheço o Torneado.
Mas posso falar do que vi.
Eu vi uma família de pessoas diferentes que brigam e fazem as pazes porque se gostam. Vi um grupo que luta pra se manter íntegro. Vi artistas trabalhando em conjunto e compartilhando suas visões.
O pouco que vi do Torneado me deixou impressionado. Impressionado porque minha opinião sobre o teatro nunca foi das melhores, porque as pessoas que conheci que trabalhavam com ou “faziam” teatro eram superficiais e afetadas, porque essas pessoas, esse pequeno grupo, dá o sangue pelo que acredita e, cobertos de suor, sorriem e brincam e se divertem, sem falar pomposamente de “sua arte” e olhar de cima para os mortais em volta.
Não entendo de teatro. Confesso abertamente. Não sou, felizmente, do tipo que finge entender de tudo. Mas entendo um pouco de pessoas. Um pouquinho. O suficiente pra reconhecer talento real, esforço honesto e sorrisos espontâneos. E é isso que vejo nas pessoas que conheci.
Não se engane, leitor – eles não são perfeitos. Não como concebemos a perfeição, essa coisa inatingível e tediosa. Mas são seres humanos completos, e isso já é dizer grande coisa num mundo cheio de meias vidas e pessoas ocas.
Palmas, leitor, para a grandeza de espírito e raras almas artísticas que temos a nossa frente.
E agora silêncio, que o espetáculo vai começar.

*Este texto recebemos de um amigo do grupo, que assistiu "Dias de Campo Belo" e acompanhou alguns momentos no processo de "arrumação" do espaço.

Nós do Torneado, chamamos nosso teatro de "casinha" e sempre cabem mais pessoas nesta casinha.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

"O Veneno do Teatro" ou "Tecnicamente na contra-mão".


Primeiro aniversário coletivo dos meus amiguinhos; ajudei a organizar. Foto em frente a minha lavanderia.

São 3h e 5 min do dia 24 de novembro de 2010 e mais uma vez eu não consigo dormir. Não são noites de insônia e muito menos de um surto quantitativo no ósseo criativo de um artista-criador. É só minha cabeça que não consegue desligar-se de pequenos detalhes. Por ela transitam imagens de paredes que precisam ser pintadas (pois vândalos a picharam no mês passado. Mas, vamos fazer um belo Grafitte, assim, evitando futuras pichações).

Vez ou outra também me vem a imagem de uma “placa-definitiva”, (não consigo definir o seu tamanho e o seu lugar ideal. Pois isso, também poderá gerar um problema com a fiscalização da prefeitura).

Por vezes, ainda sinto o choque de uma “mesa de luz de bunda quente”(expressão técnica utilizada para mesa de luz simples, dessas que ligam direto na tomada). Mesa essa, que aos poucos vai perdendo os seus canais de saída de luz, restam 6 de 12.

Também tem aquela privada, cuja a força da descarga é um pouco frágil, ao ponto de nos obrigar a colocar uma plaquinha na porta com o confuso dizer: “Aqui só Xixi”.

Quando eu deito na minha cama, meus braços demoram cerca de algumas horas até pararem de se mexer, eles acham que ainda é preciso desocupar um espaço, tirar algo e colocar algo… Sucessivamente e sem parar, até a morte dos meus braços... montar e desmontar…

Lá no Teatro Lavanderia, temos um caderno de contas; mas, nem todos os gastos são computados nele. Porque algumas coisas, eu não consigo cobrar, faço por impulso e cobrar não me faria bem, porque eu sempre acho que eu pago por minhas escolhas…

Por exemplo: o porta toalha de rosto de banheiro. Feito de aço, em rosa vermelha. Eu não pensei no quanto poderia ser útil ao adiquiri-lo. Acho que na verdade, só o comprei por ser em formato de rosa vermelha e no momento isso me inspirou esperança e não me imagino cobrando por algo que eu escolhi, sei-lá, temo que dê  azar.

Tem uma parte que eu costumo pensar nela mais durante o café da manhã: os alugueis e as contas. Foi assim que nos últimos meses diminui o número de pães pela manhã. É bem dolorido isso de ter contas pra mim, mas para isso eu também penso ter uma solução, talvez para o ano que vem eu tenha uma solução temporária. Penso em morar no espaço, assim usando o dinheiro que eu usaria para o aluguel da minha casa no meu Espaço Cultural. Por outro lado, temo essas medidas temporárias, pois foi pensando assim, que eu tranquei a minha primeira faculdade e de lá pra cá já se passaram 9 anos e eu não conclui nem o primeiro semestre. Mas, vou começar uma outra no próximo ano e farei de tudo para conclui-lá, eu acho.

Dia desses, andando pelo espaço cênico, machuquei o meu pé em uma chave de fenda. Assustado com o grito que soltei, meu pai, que divide o espaço conosco,  correu para ver o que havia acontecido. E quando ele me viu com aquela ferramenta na mão, num impulso me disse: “É meu! Mas, depois devolve”. Era exatamente isso que eu gostaria de aprender a dizer para as pessoas: “É meu! Mas, depois devolve”.

Não costumo escrever relatos individuais e nem usar o blog do meu grupo de teatro para falar das minhas questões mais íntimas. É que de uns dias pra cá, eu tenho percebido o quanto o teatro e minha vida estão intimamente ligados. Minha mãe não é só mais a pessoa que costura os figurinos. Agora ela também é a senhora que faz a melhor torta de legumes da nossa Cantina, a senhora que lava os banheiros, a senhora que abre e fecha o espaço quando eu saio para trabalhar em outros lugares… O meu pai não é só mais o homem que finge não perceber o meu teatro. Agora, ele é o que faz o café e pega na cara de pau as minhas ferramentas.

Por estar tudo tão junto e misturado, dia desses, sem querer… mas, sem querer mesmo! Eu concertava uma fiação do equipamento de luz e ouvia Chico Buarque. Enquanto isso, meu pai, lia o seu popular jornal de cada dia… Quando foi tocar a música “Construção”, eu decidi passar a faixa, mas antes meu pai interrompeu dizendo que aquela música lhe trazia lembranças. Eu achei engraçado, mas por respeito as lembranças do meu pai, decidi ouvi-lô. Ele simplestente lembrou de quando seu irmão Lázaro da Costa Lima, 32 anos, “morreu na contra-mão atrapalhando o tráfego” de uma avenida localizada alí próximo. Depois ele também também lembrou que seu irmão caçula, João Batista da Costa Lima, de 17 anos,  também “morreu na contra-mão atrapalhando o tráfego”. E aí ele fez um silêncio e se orgulhou estranhamente da coincidência dele se chamar João Batista e ter morrido no dia de São João Batista. E ainda, se exaltou mais; ao dizer que em sua homenagem, os moradores do bairro da Saúde, onde estamos situados agora, fizeram uma enorme fogueira de São João. E aí “pequeninamente” meu pai sussurrou: “E foi assim que ele subiu”. Eu confesso que ainda tenho dificuldades em lidar com o meu pai, então me afastei dele para que minhas lágrimas não escorrecem na sua frente(mas, logo essa vontade passou e eu acabei por não chorar).

Num súbito, senti tanto ódio das minha escolhas e tanto arrependimento por estar alí; juntando a Lavanderia do meu pai, que parece nunca dar certo e o meu teatro, que também parece não vingar e sempre ser uma promessa. Porque eu não perco esse costume de misturar tanto as coisas? De abrir tanto aporta? De me expor tanto assim? E eu só conseguia me perguntar: Porque Teatro? Porque Lavanderia?

Quando me veio a imagem da Lavanderia da casa onde morei até os 14 anos de idade; um lugar cheio de coisas que não funcionavam e que serviam de adereços para as complicadas histórias que eu decidia contar na presença das pessoas mais íntimas. Pois não é qualquer que convidamos para adentrar a nossa bagunça.

“Dias de Campo Belo”

Sextas às 21h.

No Teatro Lavanderia (O Espaço do William, da mãe do William, do pai do William… e dos primos Mayra Guanaes, Bruno Lourenço e Beatriz Barros).

Acho que até hoje estive enganado sobre o verdadeiro sentido do nome nosso espaço.

Pense na sua Lavanderia… Na sua bagunça mais íntima… No lugar onde dava para ver o seu lixo e através dele saber um pouco mais sobre você. Entendeu?

O artista é o próprio transito entre vida e obra exposta.

William da Costa Lima.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Em cartaz: Dias de Campo Belo


Sabe quando um dia representa um momento especial para uma grupo de pessoas?
Sabe quando um rosto novo trás aquela sensação de que alguma coisa vai acontecer?
Pois é, depois de duas temporadas em 2009 e viagens pelo Circuito TUSP pelas cidades de Pirassununga, Piracicaba e Bauru, em 2010, o Pequeno Teatro de Torneado, apresenta a peça “Dias de Campo Belo” em sua sede Teatro Lavanderia.
Contamos com a sua presença!
"Dias de Campo Belo"

Dias de Campo Belo conta a história de uma jornada interior, um passeio pelas memórias e sonhos de personagens masculinos que, por al¬guns instantes, tentam modificar o curso de sua existência e colocar em relevo tudo o que passou despercebido.
Amigos, irmãos, primos, pais e avós que, em seus tantos encontros ao longo da vida, tentam voltar às suas raízes e reafirmar pactos, sem perceber a força social e histórica que age sobre as rupturas e pequenas ditaduras cotidianas.

Serviço:

Espetáculo: Dias de Campo Belo
Texto e Direção: William Costa Lima
Temporada: De 26 de novembro a 17 de dezembro
Dias/horário: Sextas às 21h
Onde: Teatro Lavanderia
Av: Miguel Stéfano, 1000 – Saúde Tel: (11) 5071-9861 ou 8634-2385(Reservas)
Capacidade: 40 lugares. * Aceita somente dinheiro e cheque. Acesso universal.
Valor do Ingresso: R$ 20,00(inteira) / R$ 10,00(meia)
Classificação indicativa: 12 anos
Duração: 60 min

*O grupo faz lista de reservas de ingresso, sendo que a reserva somente é garantida em até 20 minutos antes do início do espetáculo. Reservas: 8634-2385

Críticas e matérias sobre a peça:

Twitter: torneado_

 

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Hanshen, parte um de mim.

No teatro também aprendi que o fim existe. O fim de um ciclo. Qual ciclo? Não sei. O nosso, o só meu, o só seu, um ciclo e existem tantos ciclos, sabe.
Um dia ele chegou, aquele cara que dividia a marmita, a cerveja, iluminava palcos e a minha vida, tocava a música e me fazia sorrir, com tudo de louco e insano.
Aquele cara que várias vezes, eu dividi a cena e construí uma nova.
Um dia ele disse que precisava ir embora. E dissemos que ele podia voltar e era verdade.
No começo foi estranho. Era a primeira vez, sabe a primeira vez de alguma coisa? Não dava pra imaginar a vida com aquele buraco.
Ele estava em todos os lugares, em todas as esquinas, em cada doce, em cada texto e em cada marcação.
Mas era necessário algo novo. E por necessidade, não tivemos medo. Abrimos o nosso coração e a nossa casinha e dissemos - Vem, pode entrar, você é novo e você é bem vindo.
E ele entrou.
E ás vezes lembramos desse dia. Começou como quem não queria nada. Eu liguei e disse:

- Oi...sabe o que é? Hoje é sábado. Estou tão sozinha. Não podemos dançar?

Ele disse:

- Comigo? Mas eu acabei de chegar!

E eu não tive medo. E foram momentos doces. 

O garotinho de cabelos ruivos, nunca deixou de estar aqui. Vez ou outra nos encontramos e conversamos e damos risadas.
E o outro garoto também foi embora já, mas sei que vez ou outra também nos encontramos e conversamos e damos risadas.

Antes do segundo garoto dessa história ir embora, outros queridos se foram também. E dessa vez eu sabia lidar com a situação.
Dessa vez eu soube respirar e consegui dividir o bolo de padaria no momento seguinte. E tudo bem.
Dessa vez, não havia um buraco.
Dessa vez eu sabia que só precisámos de um momento, um tempo, para que trocássemos de lugar.

Um dia eu tava numa peça e ouvi alguém dizer "Eu transformo".

E eu resolvi transformar sempre.

Porque a gente só precisa achar o lugar onde conseguimos nos sentir melhor.


Mayra 


(Este texto eu trouxe do meu blog. Escrevi porque é a reflexão de uma experiência que eu gostaria de passar adiante, experiência esta, que me ocorreu em algum momento torneado da vida)



quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Puxa, bate o bumbo e aquece eles pra mim.

Faz um tempo que o William dá aula na ETEC Itaquera. Coisa de 5 meses. Depois de uma conversa ótima que tivemos com eles no ano passado, dessa vez voltamos lá com o compromisso de um espetáculo que há muito tempo ensaiamos para montar: o “Peter em Fúria”.


Os alunos se comprometem com a temática, com a possibilidade de narrar uma história tão ampla, tão coletiva, com uma simplicidade que eu muito demorei a ver em pessoas que há tempos dedicam suas vidas ao teatro. E para mim, que sempre morei em Itaquera e sempre precisei sair de lá para fazer arte, tudo me parece uma estrutura conhecida dentro de uma realidade nova.

Fico surpreso ao perceber que aquelas pessoas, que moram tão ao lado da casa do meu avô, sempre estavam perto de mim e eu nunca abri os olhos para encontrá-los. Onde estávamos todos nós? Hoje não sei se eles eram perdidos ou se eu que buscava meu lugar num espaço que não era meu.

Além de tudo, tento dar um apoio na criação e direção musical. Não vou negar a falta de habilidade e, talvez, de aptidão para a coordenação de um coletivo, mas a experiência tem sido traumatizante no melhor sentido da palavra. Todos os dias alguém quebra as minhas pernas com o maior amor possível para que, assim, eu possa descobrir uma forma alternativa de me erguer e prosseguir caminhando.

Hoje penso que a minha voz sai um pouco mais direcionada, e as minhas idéias um pouco menos confusas. Mas mesmo assim, continuo sendo o mesmo menino desorganizado que fala pouco, que passava as tardes na casa dos avós enquanto seus futuros coleguinhas de cena viviam o bairro que ele demorou pra conhecer.

sábado, 11 de setembro de 2010

DÉJÀ VU

Praticamente desde os primeiros passos do torneado eu acompanhei. Não estive sempre presente, fui muitas vezes ausente, mas sempre que havia um trabalho a ser exposto aos expectadores e era possível eu estar lá, ia admirar o trabalho dos jovens talentosos e do velho (velho de antigo e não na idade, esclarecendo para evitar possíveis conflitos) amigo, diretor e também tão talentoso Wilsinho (assim o chamo).


Bem, há tempos também vínhamos ensaiando uma entrada minha no grupo por qual porta que fosse, pela de assistente, preparadora corporal, possíveis substituições de personagens, mas por N motivos, eu aguardava ainda no banco da platéia pra este dia se realizar.

Foi uma expectativa também o aguardo para assistir o Primavera, pois o texto que deu impulso criador pra essa peça, é algo que faz parte da minha vida, da minha profissão e principalmente da minha relação com Wilzinho. Enfim... fui e gostei do que vi! Vontade de estar lá junto, mas bom poder ver de fora e curtir o novo com o nostálgico e por mais que naquela hora não tinha consciência avistar um futuro que se torna agora presente.

Enfim passaram as primaveras, e agora da platéia entrei para o palco. Mais complicado, claro. Agora preciso criar em algo que já achava que conhecia, mas ver de fora é diferente, viver coisas semelhantes é diferente de serem iguais. Pessoas que já conhecia vendo de fora, agora convivendo e trocando de dentro, pessoas desconhecidas que já fazem parte de um cotidiano, um eu (personagem) que tenho que buscar. Quanto ao eu estou buscando, estou me doando, estou me emprestando e estou recebendo, quanto aos outros se tornam rapidamente mais íntimos seus personagens do que as próprias pessoas.

Flores novas, ou melhor, sementes novas, num jardim já florido, carpido e regado, uma busca por harmonia, mas antes o caos... (pretendo continuar)... mas antes preciso que meu caule se alongue para que eu possa enxergar melhor , sentir melhor o cheiro desse jardim!!!

Que venha a Primavera, bom momento para florescer !!!



Karina Moraes!!!

domingo, 8 de agosto de 2010

estréia do menina de louça, sensações

Beatriz Barros postando,

Estar sozinha em um palco faz você perceber o quanto a plateia faz parte do ritual teatral.


Faz você perceber que realmente, você nunca está sozinha em cena.

Que sempre tem alguém ali, ao seu lado.

Ainda existe algum lugar onde pessoas que nunca se viram na vida, podem se sentir juntas, e podem dividir algo juntas. Onde mesmo com toda esse desenvolvimento eufórico da espécie humana, podemos respirar juntos, nos acalmar juntos, e principalmente sentir algo juntos.

É, eu me sinto dividida quando faço uma peça de teatro, mesmo estando só. Junto as pontas do palco com o meu corpo. Junto a energia de todos e distribuo, novamente, para todos.
Me retalho, me junto, e me construo. Me construo a partir do outro, a partir da história que conto e com a história de todas aquelas pessoas, com a história daquele momento.

É realmente fantástico olhar para alguém, e apenas com o olhar daquela pessoa, eu sentir o estímulo para continuar. eu sentir aquela confiança do "continua, vai em frente".

Devo comentar sobre um acontecimento hoje, na estréia: errei o último bloco, as últimas falas do texto. Olhei para o diretor (o William Costa Lima), ele estava sentado no fundo do teatro, olhei para ele meio que pedindo desculpas, meio que falando "ai, que merda errei"
E ele.. me olhou respondendo "continua, merda para você, vai em frente", com um sorriso no rosto.

Eu sorri, e continuei.

A merda que o William me disse, não foi apenas para mim. Foi para o espaço. Para o público. Para o Bruno que fazia a iluminação. Para as cadeiras. Para o teatro, para o nosso tão conquistado teatro.
Merda para nós, que estamos no mesmo barco. merda para quem quer encontrar o outro.

Antes de começar a peça, olhei em volta e sinceramente, me senti em casa. Senti que esse era o nosso espaço, era meu. Minha casa.
Onde eu iria receber as pessoas e contaria uma história.
Onde eu iria colocar os meus filhos para dormir daqui a alguns anos, e sentiria a sensação ao escutar um deles falando "mãe, conta uma história para eu dormir?".
Com certeza, a melhor sensação do universo é receber alguém, em sua casa, para você simplesmente contar uma história. Para você sentar com a sua melhor amiga e falar sobre a vida, sobre os quarenta anos que se passaram e você tem uma longa história para contar, a história sobre a vida de alguem. A história sobre o tempo que passou e como você se formou, até chegar naquele ponto: tomando café com a sua melhor amiga.

Chegamos até aqui. E espero que agora, a gente consiga continuar. Um espaço, uma sede. Peças novas. Conhecer lugares novos e pessoas novas. E por aí, vamos. Juntos. Com o William sorrindo pra mim. O Bruno olhando para mim com aquela fé, a Mayra do lado de fora, respirando por mim, e todas as outras pessoas que fazem parte do Pequeno Teatro de Torneado sentadas ao meu redor, me escutando, acreditando em nós.

Pois então, hoje eu encho a boca para dizer:
merda, para mim, para você.. e para nós.


E principalmente: que seja doce.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

"Menina de Louça" abre ao público as portas do Teatro Lavanderia

Sabe quando um dia representa um momento especial para uma grupo de pessoas?

Sabe quando temos vontade de juntar pessoas queridas na sala de nossa casa e mostrar um antigo álbum de fotografias?

Sabe quando um rosto novo traz aquela sensação de que alguma coisa vai acontecer?

Pois é! Nesse dia 07 de agosto de 2010, às 17h, abriremos ao público as portas do “Teatro Lavanderia”, sede do Pequeno Teatro de Torneado. E especialmente para esse evento, remontamos o primeiro espetáculo do grupo, “Menina de Louça”.

Contamos com sua presença!


Apresentada pela primeira vez em 2006, a peça foi escrita a partir de uma lenda urbana conhecida como "A Loira do Banheiro". No entanto, a lenda serve apenas como o pano de fundo para a abordagem de temas que exploram o rito de passagem para a vida adulta.

Para o o grupo, “Menina de Louça” marca o início da sua pesquisa (“A Dramaturgia dos Moleques”), que hoje caracteriza o seu trabalho coletivo: a liberdade de criação e a busca pela autonomia do jovem através da arte. Entender o jovem é dar espaço para que ele exponha seu ponto de vista sobre algo. E foi o que o grupo optou ao escolher um texto escrito por um jovem dramaturgo (William Costa Lima, 27 anos - 16 anos na época) e interpretado também por uma jovem atriz (Beatriz Barros, 18 anos).




Com poucos recursos técnicos, “Menina de Louça” acontece num ambiente intimista, apostando na oralidade e na relação que se pode criar entre a história a ser contada e o público disposto a ouvir.

“Menina de Louça” será o primeiro espetáculo a ser apresentado na sede do grupo, inaugurando o “Teatro Lavanderia”. Em setembro, o grupo reestreará no mesmo espaço o espetáculo “Primavera”, uma releitura para o clássico “O Despertar da Primavera”, do dramaturgo alemão Frank Wedekind.







Serviço

Espetáculo: Menina de Louça
Temporada: de 07 a 28 de agosto
Dias/horário: Sábados, às 17h
Onde: Teatro Lavanderia
R. Dr. José Osório de Oliveira Azevedo, 19 – Saúde
(Altura do 900 da Av Miguel Stefano). Como chegar?
Informações e reservas: (11) 8634-2385
Capacidade: 25 lugares.
Aceita somente dinheiro e cheque. Acesso universal.
Sem estacionamento.
Valor do Ingresso: R$ 20,00 (inteira) / R$ 10,00 (meia)
Classificação indicativa: 10 anos
Duração: 50 min

Ficha técnica completa:

Dramaturgia e Direção: William Costa Lima
Atriz criadora: Beatriz Barros
Assistente de direção: Bruno Lourenço
Direção Musical e Músicas: Bruno Lourenço e William Costa Lima
Preparação Corporal: Karina Moraes
Confecção dos figurinos: Irene Aparecida Lima
Créditos das fotos: Ivan Stieltjes
Assessoria de imprensa: William Costa Lima
Assistente de Produção: Mayra Guanaes
Realização: O Pequeno Teatro de Torneado

http://www.torneado.blogspot.com/
http://www.twitter.com/torneado_

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Encontro com os Outros - Circuito Tusp de Circulação 2010

O que podemos considerar?

Há tempos falamos sobre essa história de "encontro com o outro".


Também já rascunhamos assuntos sobre; "onde foi parar o sentido da comunidade em uma metrópole como São Paulo?". E por vezes, quando ficamos sozinhos, imaginamos o nosso futuro em um ônibus e o nosso coletivo brincando com essa história de ir e ir e ir...

Acontece que, nos últimos meses,  "O Pequeno Teatro de Torneado" assumiu compromissos com a distância. Só então agora, parece que podemos tentar supor um pouco sobre o sentido da frase: "Fazer Fronteira".

O que no primeiro momento parecia estar nos proporcionando uma nova experiência através de um lugar desconhecido, em pouco tempo se tornou tão comum quanto o nosso quintal. Em tão pouco tempo, ficamos a vontade, num lugar que nunca estivemos e esse tempo foi o intraduzível tempo do olhar.

Por um tempo tudo pode ser casa...

Rica e generosa, assim podemos chamar a nossa passagem com o espetáculo "Dias de Campo Belo" pelas cidades de Pirassununga, Piracicaba e Bauru, cumprindo o Circuito Tusp 2010, representando o Núcleo de Direção da "Escola Livre de Teatro de Santo André".

Ao partimos de São Paulo, nos encontrávamos um tanto quanto debilitados, principalmente pelo exercício de maturidade que a vida vem nos exigindo; não tem sido nada fácil manter um coletivo artístico vigoroso diante de tantas burocracias e, paralelo a isso, cada vez mais nos vemos repetir a pergunta; "Quem ta dentro?".

Em Piracicaba, um novo baile pra nós


"Por mim, tranquilo... Faz tempo que percebo sua carinha discreta... quase pedindo para entrar...".

Entra Bruno Lourenço e sai Vítor Belíssimo.

Eu não sei ao certo o quanto eu acreditava na idéia do Bruno, com sua energia tão infantil, conseguir  substituir um ator mais maduro como o nosso, para sempre, querido Vítor Belíssimo. E realmente não aconteceu. Porque ao pisar em cena, Bruno Lourenço mais do que interpretar ao espetáculo, apresentou a possibiliddade de um outro Bruno, da parte que eu não conhecia, mesmo depois de quatro anos. Ele pareceu entender a oportunidade para dizer outras coisas, contar novas histórias, desviar uma pesquisa e dizer para seu ex-professor de teatro que ele já pode ser considerado um artista corajoso e que não tem medo de "homem nenhum".


Homens e cavalos sob o solo de Bauru


Não da para deixar de fazer uma ligação com esse belo momento de transformação do grupo a oportunidade carinhosa e competente de um evento como o "Circuito Tusp". Diferente de outras experiências que tivemos, dessa vez o aprendizado veio pela doçura de uma mesa posta com um belo café, com o açucar ao lado para que ficassemos a vontade e também pudessemos adoçar o encontro a nossa maneira.


Para lembrar de agradecer... "Vítor Bellíssimo"


William Costa Lima

Sobre o sentir e o dançar de um corpo gordo

Sempre achei estranha a vontade que eu tinha de dançar. Durante muito tempo, meu corpo ficou inerte. Fugia das aulas de educação física, ...