sexta-feira, 26 de março de 2010

Teatro de graça!

Queridos, antes de viajarmos pelo interior com a peça, estaremos apresentando na Mostra do Tusp.
A presença dos amigos sempre nos faz bem!




sábado, 6 de março de 2010

Um dia haverá uma hecatombe

O tempo todo falamos de discussões ultrapassadas. De vestibular, de cotas nas universidades, de investimento público para arte e para a educação. A todo o momento nos colocamos num lugar mais privilegiado do pensamento. Somos aqueles que enxergam as necessidades próprias sem afetar as necessidades alheias.

Mas não podemos mais pensar assim. Não podemos pensar que as discussões ficam ultrapassadas só por que passamos por elas. Por que os conceitos não são fechados com frases pragmáticas, e por que a idéia de ‘conceito’ também muda com o tempo.
Eu não sei o que estamos buscando, por que conseguimos encontrar prazer a todo o momento. Não sei se a briga por um ensino de qualidade ou se a distribuição de renda nos fará um povo mais sábio ou feliz. A felicidade é encontrada em todas as classes sociais e intelectuais, assim como a sabedoria e a humildade. Talvez, com isso, sejamos um povo menos preconceituoso. Talvez seja essa a nossa busca:
Pelo fim dos preconceitos, pelo fim da segregação do pensamento.

Talvez consigamos fazer com que os pobres e ricos não pensem diferente e não sejam diferentes. Talvez consigamos extinguir o conceito de pobre e rico. Quem sabe, algum dia, conseguiremos criar um mundo onde as tâmaras brotem ao nosso lado, onde corram rios de mel e leite e ainda por cima tenhamos à nossa disposição 42 virgens!

Um dia haverá uma hecatombe. Haverá destruições homéricas e elas estarão relatadas nos livros de história. Eu já ensaio as brigas que terei com o William, com a Mayra e com a Bia. Já ensaio as brigas que terei com a minha família e com o partido político que irei fundar. Todas as palavras que vou usar nas minhas palestras, nos meus poemas escritos debaixo da ponte (que será a minha casa) já estão em fase de amadurecimento.
Espero que a nossa briga não seja uma briga para nós. Eu não vou negar que tenho medo morte, mas prefiro a morte à miséria.

Estou buscando minha função, e por enquanto ela é modificadora da forma que me aprisiona e me liberta; o teatro.

Algum dia os seres humanos serão seres alados. Mas antes iremos dar asas às coisas que estão próximas. Mais próximas do que nós mesmos.

Bruno Lourenço

sexta-feira, 5 de março de 2010

Onde os sonhos se tornam realidade

Postei esse texto originalmente no meu blog.
A Mayra leu e falou para eu postar aqui e realmente acho que pode ter alguma coisa a ver.
Lá vai.


Provenho de uma família de classe média baixa. Cresci num bairro periférico da cidade de São Paulo, a COHAB José Bonifácio, no bairro de Itaquera (também conhecida como COHAB 2). Fui o primeiro de uma leva de sete netos do Seu Lourenço e da D. Nira. Nunca tivemos dinheiro de sobra para fazer extravagâncias.
Eu sempre estudei em escolas particulares de bairro, mesmo muitas vezes tento a mensalidade atrasada. Eu fiz inglês, teatro, música – e muitas vezes, os problemas de pagamento continuavam existindo. Aprendi a me tornar uma pessoa múltipla. Aquele orgulho da família, o bom amigo das meninas, o bobo amigo dos meninos e o guri esquecido por mais simpático que fosse.

Era o mais pobre dos amigos ricos e o mais rico dos amigos pobres e acho que isso reflete minha vida até hoje, onde começo a tomar algumas rédeas de algumas situações e tento levar a coisa por um caminho diferente. Muitas vezes me pergunto se é errado que eu seja uma pessoa tão amparada e apoiada pela minha família, por que escuto histórias de amigos e, principalmente, da minha família, onde me contam dos prazeres privados durante a vida para que, hoje, pudéssemos desfrutar de algum conforto.
Fiquei um pouco decepcionado com minha postura consumista ao saber que a minha mãe só havia ido a um McDonalds com 20 anos. É decepcionante ouvir as histórias sobre como conseguiam conciliar trabalho, estudo e vida privada.

Meus pais compararam seus carros antes do que eu vou comprar. Compraram suas casas antes do que eu vou comprar. Casaram e tiveram filhos antes do que eu os farei.
E agora eu penso.
Também fiz um cursinho pré-vestibular mais barato, num período que não era o ideal. Consegui passar numa universidade boa, mas num curso com muitas vagas, baixa nota de corte e com uma infra-estrutura prejudicada.

Minha vida parece uma constante tentativa de reparar lacunas, mesmo enquanto eu abro outras. Hoje consigo ter algum conforto devido ao apoio da minha família, mas vivo o conforto que meus pais buscaram para sair do seu estado de calamidade.
Eu pareço ser uma pessoa com metas e objetivos. Esses objetivos são, constantemente, alcançados, mas acho que aprendi (com muito conforto e amparo) a me tornar uma pessoa persistente nos seus objetivos.

Nunca fui para a Disney, por que nunca tive dinheiro para isso. Mas já viajei para Curitiba, Fortaleza, Caldas Novas. Já andei de avião, já fui mais de 200 vezes ao cinema.
Dizem que a Disney é o lugar ‘where dreams come true’, mas meus sonhos se tornam realidade aqui em São Paulo mesmo, com um grupo de teatro que ainda não tem dinheiro, com uma família pobre que é feliz e unida e sendo uma pessoa que acredita ser feliz, e talvez por isso, eu realmente seja.