Um dia haverá uma hecatombe

O tempo todo falamos de discussões ultrapassadas. De vestibular, de cotas nas universidades, de investimento público para arte e para a educação. A todo o momento nos colocamos num lugar mais privilegiado do pensamento. Somos aqueles que enxergam as necessidades próprias sem afetar as necessidades alheias.

Mas não podemos mais pensar assim. Não podemos pensar que as discussões ficam ultrapassadas só por que passamos por elas. Por que os conceitos não são fechados com frases pragmáticas, e por que a idéia de ‘conceito’ também muda com o tempo.
Eu não sei o que estamos buscando, por que conseguimos encontrar prazer a todo o momento. Não sei se a briga por um ensino de qualidade ou se a distribuição de renda nos fará um povo mais sábio ou feliz. A felicidade é encontrada em todas as classes sociais e intelectuais, assim como a sabedoria e a humildade. Talvez, com isso, sejamos um povo menos preconceituoso. Talvez seja essa a nossa busca:
Pelo fim dos preconceitos, pelo fim da segregação do pensamento.

Talvez consigamos fazer com que os pobres e ricos não pensem diferente e não sejam diferentes. Talvez consigamos extinguir o conceito de pobre e rico. Quem sabe, algum dia, conseguiremos criar um mundo onde as tâmaras brotem ao nosso lado, onde corram rios de mel e leite e ainda por cima tenhamos à nossa disposição 42 virgens!

Um dia haverá uma hecatombe. Haverá destruições homéricas e elas estarão relatadas nos livros de história. Eu já ensaio as brigas que terei com o William, com a Mayra e com a Bia. Já ensaio as brigas que terei com a minha família e com o partido político que irei fundar. Todas as palavras que vou usar nas minhas palestras, nos meus poemas escritos debaixo da ponte (que será a minha casa) já estão em fase de amadurecimento.
Espero que a nossa briga não seja uma briga para nós. Eu não vou negar que tenho medo morte, mas prefiro a morte à miséria.

Estou buscando minha função, e por enquanto ela é modificadora da forma que me aprisiona e me liberta; o teatro.

Algum dia os seres humanos serão seres alados. Mas antes iremos dar asas às coisas que estão próximas. Mais próximas do que nós mesmos.

Bruno Lourenço

Comentários

Andréa Martins disse…
Lindo texto. Torço muito por vocês, que são maravilhosos, e pelo William, que admiro tanto. Não conhecia o blog e adorei. Parabéns!

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