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Mostrando postagens de Abril, 2010

Sobre o processo do espetáculo "Menina de Louça"

Tudo começou em 2007.


Eu não me lembro exatamente o mês, mas eu me lembro que foi no ano de 2007. Quando eu estava cursando o 1º Colegial do Ensino Médio, na instituição educacional Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo.
Eu sempre conto essa história, quando alguém me pergunta como eu entrei no Pequeno Teatro de Torneado. Só que hoje, eu preciso contar essa história novamente, pelo menos uma parte dela, para falar sobre o que eu quero falar.
Bom, lá estava eu. Um dia normal de escola. Esses dias que quanto mais o tempo passa, mais a gente se esquece como é. Só que quando alguém lembra um detalhe desses dias, tudo é retomado na nossa cabeça. Bom, lá estava eu: entrando pelo corredor das salas de aula. A minha vista ainda estava embaçada, graças ao sono impregnado nas pálpebras dos meus olhos, que não focavam as imagens corretamente. De repente, uma mancha vermelha apareceu na minha frente. Era a Mariana.

A Mariana tinha o cabelo vermelho. Vermelho mesmo. Vermelho cor de batom de mulher. Po…

Toda semana o sr. irá levar para a tua casa alguém que eu gosto, Deus?

Foi morar com o papai do céu - era o que ela costumava me dizer.Foi como minha mãe me explicou que um dia as pessoas vão embora para sempre, foi o jeito mais poético de me fazer entender que havia pessoas da minha família que eu não conheci e nem iria conhecer, Foi o jeito de justificar o fato de eu nunca mais poder ver os Mamonas Assassinas tocando ao vivo na tv e nem em outro lugar.Minha primeira questão de ordem prática com a morte além de querer saber o que era morte e aonde as pessoas iam parar depois disso, foi querer entender o porquê da morte.

Quando eu não queria dividir minhas coisas com ninguém minha vó me chamava de egoísta. E eu sabia o que significava essa palavra, mais do que a palavra morte.

- Mãe, o papai do céu é egoísta? Por que ele quer tantas pessoas morando com ele?

Mas essa pergunta ela nunca me explicou o porquê, sabe.

E hoje o dia acordou tão cinzento que eu acho que ele não vai melhorar não...

Mayra


Olha quem tá aí.

Hoje a segunda-feira acordou com uma garoa fina e a Mayra acordou com uma ressaca e perdeu o busão.E ela sempre perde o busão, sente-se fracassada quando perde o horário da aula também.Mas eu acordei com vontade de escrever aqui. Sou muito ausente, é bem verdade.Nunca sei direito o que escrever, é mais verdade ainda.Mas hoje me peguei pensando que apesar de tudo que acontece na minha vida, eu sou muito feliz por causa do meu grupo de teatro.Sabe, faz uma semana que eu não os vejo. Mas é o meu grupo de teatro mesmo assim.Hoje eu acordei e queria dizer que tenho muita sorte. Meu celular e a minha carteira foram roubados na segunda-feira.Mas pelo menos meus amigos estavam lá, falando sobre a nossa peça. Sobre o nosso filho caçula e maduro.Tinha a Thais e me senti muito bem por saber que ela está presente. E tinha o Vitor que vai embora. E de tudo fica um pouco.E aquele abraço foi tão sincero...e tinha a gente carregando o carro na chuva e eu não me senti sozinha.Eu tenho sorte porque emb…

Liberdade Sem Medo

Aqui é a Beatriz Barros.
Estou lendo um livro que eu acho que tem muito a ver com o processo do Torneado, com a pesquisa do grupo. O livro se chama "Liberdade sem medo", do A. S. Neill. É um livro que, não apenas quem se interessa por educação, mas acho que quem se interessa pelo humano, deveria ler. Acho válido postar aqui o prefácio do livro, tem muito a ver com a nossa pesquisa.

Um beijo

"Será errónea a ideia de educação sem emprego da força? Mesmo que não o seja, teóricamente, como explicar o seu relativo malogro?Acredito que a ideia da liberdade para as crianças não seja errada. Mas, foi, quase sempre, pervertida. A fim de discutir com clareza o assunto. devemos antes de mais nada, compreender a natureza de liberdade. Para tanto, devemos estabelecer a diferença entre autoridade manifesta e autoridade anónima.
A autoridade manifesta é exercida directa e explicitamente. A pessoa que exerce fala com franqueza àquela que lhe está submetida:
-Deve fazer isto. Se não fizer, d…