sexta-feira, 28 de maio de 2010

Nossa nova maternidade

Beatriz Barros postando.
Esse ano o grupo está passando por diversas transformações. Transformações carregadas de escolhas cada vez mais amadurecidas.

Decidimos abrir um espaço, uma sede do Pequeno Teatro de Torneado. Essa sede fica no bairro da Saúde, e dividimos o espaço com a Dona Irene e o Seu Paulinho, os pais do William Costa Lima, um dos integrantes do grupo.

A Dona Irene e o Seu Paulinho possuem uma lavanderia, e resolvermos juntar o nosso Teatro com a Lavanderia deles, em uma mesma casa, assim criando o “Teatro Lavanderia”.


É uma casa coral, de esquina com a Rua Miguel Estéfano. Uma casa com uma grande escadaria na entrada. O hall da casa possui um chão quadriculado, e lá fica o nosso espaço.

Uma grande sala. Duas janelas. Chão de madeira. Paredes ranças, e passando por uma reforma intensa. Porém, mesmo com a reforma, ensaiamos. Colocamos os tijolos em um determinado canto da sala e ensaiamos.


Logo a reforma terminará. Abriremos cursos e faremos eventos culturais nesse espaço. A decisão coletiva para a criação do nosso espaço foi pontual.


Nos olhamos e decidimos “agora vai”. O Torneado sempre quis ter uma sede, um espaço nosso. Mas muitas questões nos impediam. Quando a oportunidade surgiu, estávamos nos programando para abrir o espaço e viajarmos para o Festival de Curitiba. Escolhemos abrir o espaço. Estávamos ensaiando para esse momento já á alguns anos, assim como estamos ensaiando para outros projetos, então resolvemos deixar nascer.

Nasceu, e agora estamos cuidando dele. Filho precisa de comida, educação, de pai e de mãe. E de outras coisas. Coisas que eu, apenas como filha até agora, não tinha muita noção como mãe. Mas eu topei, e agora estou aprendendo.

Eu, Beatriz, topei ter um filho com dezoito anos. Ele já tem dois meses, quase três. E foi no meu filho que concebemos o espetáculo “Menina de Louça”. Foi lá que ensaiamos o espetáculo “Refugo” para a nossa reestréia no Teatro Vivo, e por aí vai.

Ultimamente o grupo está bem contaminado com a idéia de que: “Teatro é com o que tem”. Temos um espaço e temos um coletivo que confiamos. Se o diretor não está presente em algum ensaio, então que se faça o diretor. Que se preencha o que se falta. Temos domínio do nosso próprio processo artístico. Sabemos a representação/colaboração de cada um no grupo, e se a ausência se fizer presente, sabemos como preencher aquele espaço.




Um exemplo desse preenchimento ocorreu com um dos nossos atores nesse sábado. Estamos em cartaz no Teatro Vivo, e o Renan se atrasou muito para chegar ao teatro, graças ao ônibus e o trem que demoraram um imprevisto. Quando começamos a considerar a possibilidade do Renan não conseguir chegar, começamos a discutir as modificações no espetáculo. Entramos em cena pulsando, não nervosos, irritados com o Renan, mas sim pulsando, bombeando a nossa ligação. Nos olhando e confiando uns nos outros. O Renan entrou na primeira cena, conseguiu chegar ao teatro.

Outro exemplo seria o diretor do nosso grupo não presencias todos os nossos ensaios. O grupo sabe que o William está resolvendo questões do nosso espaço, confiamos nele assim como ele confia na gente.


O grupo parece estar alcançando um amadurecimento sobre as relações humanas ali estabelecidas, um amadurecimento sobre a questão de como lidar com a representação de cada um no grupo, o que exigir de cada um. E os indivíduos do grupo cada vez mais estão se pontuando melhor sobre a sua colaboração, o quanto se permite estar dentro e participando e trocando conosco.

Sinto que esse ano estamos recolhendo o que plantamos, e estamos plantando em dobro.



Queria dividir por último, uma questão: eu fiz quatro anos de teatro na “Casa do Teatro”. Dos 11 aos 15 anos. Depois entrei no Pequeno Teatro de Torneado. Eu me lembro que, no último dia de encontro, após apresentarmos uma peça, a Luana (nossa professora) juntou o nosso grupo e leu um poema do Fernando Pessoa. No dia em que o Renan chegou atrasado, eu senti muita vontade de falar aquele poema para o Torneado, antes de entrarmos em cena. É como se fosse uma oração minha, uma oração que eu sempre, antes de começar o nosso ritual, eu rezo comigo mesma. Mas naquele dia, eu senti vontade de falar para o meu grupo de teatro. É algo muito íntimo meu, mas estávamos juntos. Estamos juntos, a um ponto que o meu andar é reflexo do andar do outro, é estimulo para o parar do outro. Eu estou feliz por isso.



“Para ser grande, sê inteiro. Nada



Teu exagera, ou exclui



Sê todo em cada coisa.



Põe quanto és



No mínimo que fazes.



Assim em cada lago a lua toda



“Brilha, porque alta vive”


Nosso espaço.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Neste sábado, tem reestreia!



Refugo




Em seu aniversário de onze anos, Kojo vê sua família ser assassinada por guerrilheiros em meio à guerra civil instaurada em seu país. Aos catorze, é mandado por um tio ao Reino Unido, onde recebe tratamento em um abrigo para crianças refugiadas. Refugo é uma história sobre a infância perdida e um assassinato cometido no Reino Unido por uma criança africana.

Sábados, às 16h
De 15 de maio a 05 de junho.

Serviço

Espetáculo: Refugo
Texto: Abi Morgan
Direção: William Costa Lima
Temporada: Dia 15 de maio a 05 de maio
Dias/horário: sábados, às 16h
Onde: TEATRO VIVO
Av. Dr. Chucri Zaidan, 860 - Morumbi.
Telefone: (11) 7420-1520.
Estacionamento: R$ 15 em dinheiro, somente com manobrista
Capacidade: 290 lugares. http://www.vivo.com.br/teatrovivo/
Entrada Franca:
Classificação indicativa: 10 anos
Duração: 70 min
Maiores informações: www.torneado.blogspot.com