domingo, 8 de agosto de 2010

estréia do menina de louça, sensações

Beatriz Barros postando,

Estar sozinha em um palco faz você perceber o quanto a plateia faz parte do ritual teatral.


Faz você perceber que realmente, você nunca está sozinha em cena.

Que sempre tem alguém ali, ao seu lado.

Ainda existe algum lugar onde pessoas que nunca se viram na vida, podem se sentir juntas, e podem dividir algo juntas. Onde mesmo com toda esse desenvolvimento eufórico da espécie humana, podemos respirar juntos, nos acalmar juntos, e principalmente sentir algo juntos.

É, eu me sinto dividida quando faço uma peça de teatro, mesmo estando só. Junto as pontas do palco com o meu corpo. Junto a energia de todos e distribuo, novamente, para todos.
Me retalho, me junto, e me construo. Me construo a partir do outro, a partir da história que conto e com a história de todas aquelas pessoas, com a história daquele momento.

É realmente fantástico olhar para alguém, e apenas com o olhar daquela pessoa, eu sentir o estímulo para continuar. eu sentir aquela confiança do "continua, vai em frente".

Devo comentar sobre um acontecimento hoje, na estréia: errei o último bloco, as últimas falas do texto. Olhei para o diretor (o William Costa Lima), ele estava sentado no fundo do teatro, olhei para ele meio que pedindo desculpas, meio que falando "ai, que merda errei"
E ele.. me olhou respondendo "continua, merda para você, vai em frente", com um sorriso no rosto.

Eu sorri, e continuei.

A merda que o William me disse, não foi apenas para mim. Foi para o espaço. Para o público. Para o Bruno que fazia a iluminação. Para as cadeiras. Para o teatro, para o nosso tão conquistado teatro.
Merda para nós, que estamos no mesmo barco. merda para quem quer encontrar o outro.

Antes de começar a peça, olhei em volta e sinceramente, me senti em casa. Senti que esse era o nosso espaço, era meu. Minha casa.
Onde eu iria receber as pessoas e contaria uma história.
Onde eu iria colocar os meus filhos para dormir daqui a alguns anos, e sentiria a sensação ao escutar um deles falando "mãe, conta uma história para eu dormir?".
Com certeza, a melhor sensação do universo é receber alguém, em sua casa, para você simplesmente contar uma história. Para você sentar com a sua melhor amiga e falar sobre a vida, sobre os quarenta anos que se passaram e você tem uma longa história para contar, a história sobre a vida de alguem. A história sobre o tempo que passou e como você se formou, até chegar naquele ponto: tomando café com a sua melhor amiga.

Chegamos até aqui. E espero que agora, a gente consiga continuar. Um espaço, uma sede. Peças novas. Conhecer lugares novos e pessoas novas. E por aí, vamos. Juntos. Com o William sorrindo pra mim. O Bruno olhando para mim com aquela fé, a Mayra do lado de fora, respirando por mim, e todas as outras pessoas que fazem parte do Pequeno Teatro de Torneado sentadas ao meu redor, me escutando, acreditando em nós.

Pois então, hoje eu encho a boca para dizer:
merda, para mim, para você.. e para nós.


E principalmente: que seja doce.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

"Menina de Louça" abre ao público as portas do Teatro Lavanderia

Sabe quando um dia representa um momento especial para uma grupo de pessoas?

Sabe quando temos vontade de juntar pessoas queridas na sala de nossa casa e mostrar um antigo álbum de fotografias?

Sabe quando um rosto novo traz aquela sensação de que alguma coisa vai acontecer?

Pois é! Nesse dia 07 de agosto de 2010, às 17h, abriremos ao público as portas do “Teatro Lavanderia”, sede do Pequeno Teatro de Torneado. E especialmente para esse evento, remontamos o primeiro espetáculo do grupo, “Menina de Louça”.

Contamos com sua presença!


Apresentada pela primeira vez em 2006, a peça foi escrita a partir de uma lenda urbana conhecida como "A Loira do Banheiro". No entanto, a lenda serve apenas como o pano de fundo para a abordagem de temas que exploram o rito de passagem para a vida adulta.

Para o o grupo, “Menina de Louça” marca o início da sua pesquisa (“A Dramaturgia dos Moleques”), que hoje caracteriza o seu trabalho coletivo: a liberdade de criação e a busca pela autonomia do jovem através da arte. Entender o jovem é dar espaço para que ele exponha seu ponto de vista sobre algo. E foi o que o grupo optou ao escolher um texto escrito por um jovem dramaturgo (William Costa Lima, 27 anos - 16 anos na época) e interpretado também por uma jovem atriz (Beatriz Barros, 18 anos).




Com poucos recursos técnicos, “Menina de Louça” acontece num ambiente intimista, apostando na oralidade e na relação que se pode criar entre a história a ser contada e o público disposto a ouvir.

“Menina de Louça” será o primeiro espetáculo a ser apresentado na sede do grupo, inaugurando o “Teatro Lavanderia”. Em setembro, o grupo reestreará no mesmo espaço o espetáculo “Primavera”, uma releitura para o clássico “O Despertar da Primavera”, do dramaturgo alemão Frank Wedekind.







Serviço

Espetáculo: Menina de Louça
Temporada: de 07 a 28 de agosto
Dias/horário: Sábados, às 17h
Onde: Teatro Lavanderia
R. Dr. José Osório de Oliveira Azevedo, 19 – Saúde
(Altura do 900 da Av Miguel Stefano). Como chegar?
Informações e reservas: (11) 8634-2385
Capacidade: 25 lugares.
Aceita somente dinheiro e cheque. Acesso universal.
Sem estacionamento.
Valor do Ingresso: R$ 20,00 (inteira) / R$ 10,00 (meia)
Classificação indicativa: 10 anos
Duração: 50 min

Ficha técnica completa:

Dramaturgia e Direção: William Costa Lima
Atriz criadora: Beatriz Barros
Assistente de direção: Bruno Lourenço
Direção Musical e Músicas: Bruno Lourenço e William Costa Lima
Preparação Corporal: Karina Moraes
Confecção dos figurinos: Irene Aparecida Lima
Créditos das fotos: Ivan Stieltjes
Assessoria de imprensa: William Costa Lima
Assistente de Produção: Mayra Guanaes
Realização: O Pequeno Teatro de Torneado

http://www.torneado.blogspot.com/
http://www.twitter.com/torneado_

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Encontro com os Outros - Circuito Tusp de Circulação 2010

O que podemos considerar?

Há tempos falamos sobre essa história de "encontro com o outro".


Também já rascunhamos assuntos sobre; "onde foi parar o sentido da comunidade em uma metrópole como São Paulo?". E por vezes, quando ficamos sozinhos, imaginamos o nosso futuro em um ônibus e o nosso coletivo brincando com essa história de ir e ir e ir...

Acontece que, nos últimos meses,  "O Pequeno Teatro de Torneado" assumiu compromissos com a distância. Só então agora, parece que podemos tentar supor um pouco sobre o sentido da frase: "Fazer Fronteira".

O que no primeiro momento parecia estar nos proporcionando uma nova experiência através de um lugar desconhecido, em pouco tempo se tornou tão comum quanto o nosso quintal. Em tão pouco tempo, ficamos a vontade, num lugar que nunca estivemos e esse tempo foi o intraduzível tempo do olhar.

Por um tempo tudo pode ser casa...

Rica e generosa, assim podemos chamar a nossa passagem com o espetáculo "Dias de Campo Belo" pelas cidades de Pirassununga, Piracicaba e Bauru, cumprindo o Circuito Tusp 2010, representando o Núcleo de Direção da "Escola Livre de Teatro de Santo André".

Ao partimos de São Paulo, nos encontrávamos um tanto quanto debilitados, principalmente pelo exercício de maturidade que a vida vem nos exigindo; não tem sido nada fácil manter um coletivo artístico vigoroso diante de tantas burocracias e, paralelo a isso, cada vez mais nos vemos repetir a pergunta; "Quem ta dentro?".

Em Piracicaba, um novo baile pra nós


"Por mim, tranquilo... Faz tempo que percebo sua carinha discreta... quase pedindo para entrar...".

Entra Bruno Lourenço e sai Vítor Belíssimo.

Eu não sei ao certo o quanto eu acreditava na idéia do Bruno, com sua energia tão infantil, conseguir  substituir um ator mais maduro como o nosso, para sempre, querido Vítor Belíssimo. E realmente não aconteceu. Porque ao pisar em cena, Bruno Lourenço mais do que interpretar ao espetáculo, apresentou a possibiliddade de um outro Bruno, da parte que eu não conhecia, mesmo depois de quatro anos. Ele pareceu entender a oportunidade para dizer outras coisas, contar novas histórias, desviar uma pesquisa e dizer para seu ex-professor de teatro que ele já pode ser considerado um artista corajoso e que não tem medo de "homem nenhum".


Homens e cavalos sob o solo de Bauru


Não da para deixar de fazer uma ligação com esse belo momento de transformação do grupo a oportunidade carinhosa e competente de um evento como o "Circuito Tusp". Diferente de outras experiências que tivemos, dessa vez o aprendizado veio pela doçura de uma mesa posta com um belo café, com o açucar ao lado para que ficassemos a vontade e também pudessemos adoçar o encontro a nossa maneira.


Para lembrar de agradecer... "Vítor Bellíssimo"


William Costa Lima