quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Puxa, bate o bumbo e aquece eles pra mim.

Faz um tempo que o William dá aula na ETEC Itaquera. Coisa de 5 meses. Depois de uma conversa ótima que tivemos com eles no ano passado, dessa vez voltamos lá com o compromisso de um espetáculo que há muito tempo ensaiamos para montar: o “Peter em Fúria”.


Os alunos se comprometem com a temática, com a possibilidade de narrar uma história tão ampla, tão coletiva, com uma simplicidade que eu muito demorei a ver em pessoas que há tempos dedicam suas vidas ao teatro. E para mim, que sempre morei em Itaquera e sempre precisei sair de lá para fazer arte, tudo me parece uma estrutura conhecida dentro de uma realidade nova.

Fico surpreso ao perceber que aquelas pessoas, que moram tão ao lado da casa do meu avô, sempre estavam perto de mim e eu nunca abri os olhos para encontrá-los. Onde estávamos todos nós? Hoje não sei se eles eram perdidos ou se eu que buscava meu lugar num espaço que não era meu.

Além de tudo, tento dar um apoio na criação e direção musical. Não vou negar a falta de habilidade e, talvez, de aptidão para a coordenação de um coletivo, mas a experiência tem sido traumatizante no melhor sentido da palavra. Todos os dias alguém quebra as minhas pernas com o maior amor possível para que, assim, eu possa descobrir uma forma alternativa de me erguer e prosseguir caminhando.

Hoje penso que a minha voz sai um pouco mais direcionada, e as minhas idéias um pouco menos confusas. Mas mesmo assim, continuo sendo o mesmo menino desorganizado que fala pouco, que passava as tardes na casa dos avós enquanto seus futuros coleguinhas de cena viviam o bairro que ele demorou pra conhecer.

sábado, 11 de setembro de 2010

DÉJÀ VU

Praticamente desde os primeiros passos do torneado eu acompanhei. Não estive sempre presente, fui muitas vezes ausente, mas sempre que havia um trabalho a ser exposto aos expectadores e era possível eu estar lá, ia admirar o trabalho dos jovens talentosos e do velho (velho de antigo e não na idade, esclarecendo para evitar possíveis conflitos) amigo, diretor e também tão talentoso Wilsinho (assim o chamo).


Bem, há tempos também vínhamos ensaiando uma entrada minha no grupo por qual porta que fosse, pela de assistente, preparadora corporal, possíveis substituições de personagens, mas por N motivos, eu aguardava ainda no banco da platéia pra este dia se realizar.

Foi uma expectativa também o aguardo para assistir o Primavera, pois o texto que deu impulso criador pra essa peça, é algo que faz parte da minha vida, da minha profissão e principalmente da minha relação com Wilzinho. Enfim... fui e gostei do que vi! Vontade de estar lá junto, mas bom poder ver de fora e curtir o novo com o nostálgico e por mais que naquela hora não tinha consciência avistar um futuro que se torna agora presente.

Enfim passaram as primaveras, e agora da platéia entrei para o palco. Mais complicado, claro. Agora preciso criar em algo que já achava que conhecia, mas ver de fora é diferente, viver coisas semelhantes é diferente de serem iguais. Pessoas que já conhecia vendo de fora, agora convivendo e trocando de dentro, pessoas desconhecidas que já fazem parte de um cotidiano, um eu (personagem) que tenho que buscar. Quanto ao eu estou buscando, estou me doando, estou me emprestando e estou recebendo, quanto aos outros se tornam rapidamente mais íntimos seus personagens do que as próprias pessoas.

Flores novas, ou melhor, sementes novas, num jardim já florido, carpido e regado, uma busca por harmonia, mas antes o caos... (pretendo continuar)... mas antes preciso que meu caule se alongue para que eu possa enxergar melhor , sentir melhor o cheiro desse jardim!!!

Que venha a Primavera, bom momento para florescer !!!



Karina Moraes!!!