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Mostrando postagens de 2011

Severinando

Achei trechos interessantes em 'Morte e vida severina' que servem de provocação para alguns momentos do processo do Peter em Fúria. Coloco alguns trechos para vocês.
(CORO RELIGIOSO)
(pp.42-43) [...] — Na mão direita um rosário, milho negro e ressecado. — Na mão direita somente o rosário, seca semente. — Na mão direita, de cinza, o rosário, semente maninha, — Na mão direita o rosário, semente inerte e sem salto.
— Despido vieste no caixão, despido também se enterra o grão. — De tanto te despiu a privação que escapou de teu peito à viração. — Tanta coisa despiste em vida que fugiu de teu peito a brisa. — E agora, se abre o chão e te abriga, lençol que não tiveste em vida. — Se abre o chão e te fecha, dando-te agora cama e coberta. — Se abre o chão e te envolve, como mulher com que se dorme [...].
(DOS HERÓIS)
(pp. 49-50) [...] — E não precisava dinheiro, e não precisava coveiro, e não precisava oração e não precisava inscrição. — Mas o que se vê não é isso: é sempre nosso serviço crescendo mais cada dia morre …
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Cálice, cavalo, fogo e menino
A primeira peça que assiti na minha vida foi Macunaíma, direção de Antunes Filho, texto de Mário de Andrade. Ali nasceu minha paixão pelas artes cênicas e pelo ator. A interpretação de Cacá Carvalho - depois assisti com o não menos interessante Tonico Pereira - em Macunaíma era, como diria Artaud, encantatória. Não quero aqui, agora, escrever os outros momentos encantatórios que tive no teatro. Quero apenas postar uma das lições mais lindas sobre a ARTE DE SER ATOR. E quem fala é o ator mais impressionante, por sua disponibilidade, por sua entrega e inteligência, que eu já vi em cena: Rubens Corrêa. Ser humano que eu tive o privilégio de conhecer pessoalmente. Um texto para inspirar meus alunos e todos os jovens atores.

Cálice, cavalo, fogo e menino"Fui convidado para conversar com vocês sobre o ator; sei que muitos aqui jamais representaram, e outros deram apenas os primeiros passos neste caminho labiríntico que é o mundo da interpre…

Imagens para se traduzir o que está por vir - "Peter em Fúria"...

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Peter em Fúria

O Pequeno Teatro de Torneado decidiu iniciar um novo processo neste domingo, dia 24 de julho de 2011.
O processo é do espetáculo "Peter em Fúria", peça que já havíamos começado a montar nas aulas de teatro com um grupo de alunos da ETEC de Itaquera.

Porém, devido a certas circunstâncias que surgiram ao longo do curso (como muitas pessoas saindo, a não continuação das aulas de teatro como curso extra curricular da escola, etc.) e devido ao processo de consolidação de um subgrupo de alunos da ETEC remontando o espetáculo "Primavera", o processo do "Peter em Fúria" ficou de lado.

Nesse domingo, porém, decidimos voltar. Além das pessoas que montavam essa peça, resolvemos convidar mais algumas pessoas. Aí está a novidade:

Convidamos pessoas que conhecemos a muito tempo, e que queremos trabalhar a muito tempo. Pessoas que sempre assistem as nossas apresentações, e sempre fazem críticas muito pontuais, provocadoras e carinhosas dos espetáculos. Convidamos pesso…

Por andam os Vilelas? Continuação... O Retorno de Tábata em "O Girador""

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Essa postagem só será entendida se antes dela você tiver lido a postagem anterior, pois trata-se da continuação de uma conversa sobre a memória na pesquisa a "Dramaturgia dos Moleques".

Sobre a menina Tábata Vilela








Ilustração da menina Tábata, criada durante o processo de "Boca Pequena"




Falar sobre Tábata é exercitar a minha capacidade de não exagerar. Mas, Tábata me instiga o exagero! Tábata era daquelas crianças genias, que parecem mini-adultos. E estou falando de adultos inteligentes e críticos. Tábata era daquelas crianças que sempre vinha com uma pergunta que exigia, no mínimo, o seu constrangimento para ser respondida.

Para se ter noção, durante o processo de criação do exercício "Boca Pequena", chegamos no assunto 'medo'. E Tábata mencionou com muita serenidade de que, entre todas as coisas que a fazia temer, nenhuma delas era mais forte do que o "relógio de ponteiro". Todas as crianças ficaram apreensivas à fala da menina Tábata e…

Por onde andam os Irmãos Vilela?

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No Pequeno Teatro Torneado é meio assim que as coisas acontecem: " temos, por mania, o costume de lembrar das pessoas". Lembramos das pessoas que nos foram fáceis e também lembramos de pessoas que nos foram difíceis. E, também, existem aquelas que nos foram impossíveis de mantê-las por perto. E essas sim, ainda nos pesam e talvez sejam os maiores responsáveis por todo o nosso exagerado senso crítico.

Mas, nesse momento, o que está mais latente em minha cabeça é a doce lembrança de tudo que aconteceu desde março de 2005. Foi aproximadamente nessa data, nas dependências do Colégio Terra situado no Bairro da Saúde, que o embrião do Pequeno Teatro de Torneado, "O NÚCLEO MEU OLHO-MEU MUNDO DE PESQUISA CÊNICA", começou a ser gerado.




Ainda tenho em minha memória o nome, a voz e o cheiro de cada aprendiz. Entre todos os aprendizes, existem três impossíveis de não serem lembrados, até porque se tratava de uma família de aprendizes. São os Irmãos Vilela: Erick, Luís e Tábata.…

A sala de aula e o que diz o não silêncio.

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Entrar na sala, ver alunos de sete a quatro anos mais novos que a minha pessoa, e eu, com aquela insegurança do tipo: "será que eu tenho capacidade de ensinar alguém?" Olhar para o Bruno e pro Will. Eles sentam, eu sento também. O Will fala, eu escuto com olhos de aluna de quem aprende a dar aula, de quem aprende como conduzir as palavras e a fala para centralizar a atenção e produzir a calmaria no ambiente. os alunos vão parando, aos poucos, escutam o silêncio. O Will diz: - Não vou falar enquanto tiver gente falando. E então todos se calam. E começa o ritual da escuta e da palavra. De fato, dar aula não é fácil. Não estamos acostumados a nos calarmos e escutarmos alguém, não estamos acostumados com o tempo da fala do outro, com o tempo da nossa própria fala, não sabemos qual o nosso tempo individual. É complicado desenvolver tudo isso em um projeto educacional. Como reproduzir uma compreensão sobre o tempo do outro? Como planejar um projeto ao qual o outro s…

Por que não postamos no blog com tanta frequência?

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Dia desses, em uma de nossas reuniões, a questão da frequência com que postamos no blog foi mencionada. Era tanta coisa em pauta para ser discutida que até esquecemos de chegar a uma conclusão sobre essa questão. Sem desprezo à internet, mas acho que não postamos com tanta frequência por um simples motivo:


Estamos extremamente ocupados com nossas atividades, que são experiências práticas. Mesmo assim, já arrisco dizer que em um futuro próximo essas experiências irão fundamentar textos mais ricos, onde compartilharemos o mais interessante de nossa experiência. Essas nossas atividades são:



Ocupação da Escola Estadual Maria Ribeiro (Desde abril de 2010).
Ocupamos essa escola com as seguintes atividades:


*"Oficinas de teatro; dança e música".
Para 300 alunos do ensino Médio e Fundamental.


*Apresentações dos espetáculos do repertório do Grupo para todos os alunos; tanto no espaço da Escola, como em nossa sede do Teatro Lavanderia (situada próxima da escola).




Espetáculos apre…

Sobre o processo do Desapego (ou até mesmo relembrando o nosso apego)

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As meninas do Torneado

Lembrei-me da Mayra esses dias. Da risada dela, para ser mais clara. Lembrei-me de quando ela me irritava e ficava rindo na minha cara mesmo, enquanto eu ficava vermelha de raiva. É muito estranho às vezes perceber que só estamos nós três agora.

Sei que em certos pontos a saída dela foi boa, porque foi uma opção dela. Sempre lidamos com isso bem, pra falar a verdade acho que contamos nos dedos às saídas que menos foram desgastantes para ambos os lados, e acho que a da Mayra foi uma delas.

Mas isso não impede que a gente não sinta saudade. Tanto das saídas conturbadas até as mais calmas, sempre relembramos das pessoas que passaram pelo Torneado, e a Mayra tem me dado uma saudade muito grande esses dias. Sinto falta de falar de assuntos femininos com ela, de poder falar sobre absorvente e reclamar que ela se maquiava muito mal. E não apenas esses assuntos, mas de tudo, da companhia, da organização, do jeito dela.

Sinto muita saudade dela. Hoje em dia somos nós tr…

Primavera no Outono...

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Reestreia do espetáculo "Primavera"
O tempo tem sido curto e duro demais.
Talvez estejamos precisando de um respiro e de um olhar para dentro.
Falamos do "encontro com o outro" e, por isso, vamos propô-lo a vocês.

Queridos,
Essa é a nossa forma singela de convidá-los para a reestreia do espetáculo "Primavera" - releitura da obra do dramaturgo alemão Frank Wedekind (O Despertar da Primavera).

Concebido como primeiro resultado coletivo do Pequeno Teatro de Torneado, "Primavera" estreou em 2008 na mostra FRINGE do Festival de Teatro de Curitiba.
O espetáculo funcionou, de certa forma, como a estréia profissional do Pequeno Teatro de Torneado.
Dessa vez, após 3 anos de compromissos, sendo dois anos sem temporadas do "Primavera", decidimos passar a peça para os novos atores do grupo.
Após as 'Oficinas Permanentes do Pequeno Teatro de Torneado' passar pela zona leste de São Paulo, jovens e adolescentes da ETEC de Itaquera remonta…

Três anos

Se fosse nesse tempo, hoje já seríamos Torneados. Já teríamos voltado de Curitiba com a impressão de tarefa cumprida e novos desafios à frente. O promissor grupo de teatro jovem, tão abalado financeiramente e emocionalmente, voltaria para a terra natal e montaria novas primaveras. Se naquela época fôssemos uma flor, hoje estariamos despetalados.

Mas flor não éramos.

Fez três anos que o Torneado começou de verdade. Costumamos falar que começamos no "Meu Olho Meu Mundo", mas o projeto começou lá. O Torneado foi depois. Assim como o Primavera é um filho do Torneado, o Torneado é um filho do "Meu Olho Meu Mundo". Torneado é hoje.

Torneado me lembra furacão.

Muitas pessoas passaram por nossas cirandas, estrelas e cantigas. Muita marmita já ficou azeda. Hoje é difícil assumir responsabilidades maiores, outrora extratosféricas. Mas já sabemos algo de auto-direção. Aprendemos na prática o que muita gente só sabe teoria. Perdemos a virgindade teatral e, se estamos (perdão) fodi…

"Programação do Teatro Lavanderia"

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A programação do "Teatro Lavanderia" para os meses de Janeiro e Fevereiro está cheia de novidades! Participe de nossas atividades!


Menina de Louça  - Sábados às 18h
De 22 de janeiro a 26 de fevereiro
Com Beatriz Barros

Sinopse: Escrita a partir de uma lenda urbana conhecida como "A Loira do Banheiro", o solo retrata o rito de passagem para a vida adulta.

Ingresso: R$ 20,00(inteira) 


Dias de Campo Belo  - Sábados às 20h
De 22 de janeiro a 26 de fevereiro
Com William Costa Lima e Bruno Lourenço
Sinopse:Dias de Campo Belo conta a história de uma jornada interior, um passeio pelas memórias e sonhos de personagens masculinos que, por al guns instantes, tentam modificar o curso de sua existência e colocar em relevo tudo o que passou despercebido.

Ingresso: R$ 20,00(inteira) 

Oficinas Permanentes do Pequeno Teatro de Torneado - Inscrições Abertas!

De Fevereiro a Junho Sábados, das 14h às 17h - para adolescentes e adultos.
Segundas, das 19h às 20:30 - para crianças. Coorden…

dois mil e dez para frente

Pequeno Teatro de Torneado.


É até complicado escrever um texto sobre o Pequeno Teatro de Torneado.

Esse ano decidimos ao mesmo tempo que focar no grupo, focar no individual de cada um.

A Beatriz e o William estudando para o vestibular, a Mayra e o Bruno para a faculdade.

Resolvemos ter um espaço nosso. Resolvemos montar peças para apresentar em outros estados do País. Resolvemos sair viajando. Resolvemos apresentar teatro infantil. Resolvemos bancar algumas temporadas com o nosso público. Resolvemos receber uma peça de outro grupo no nosso espaço. Resolvemos lavar a louça. Resolvemos comprar papel higiênico para a casa. Resolvemos lavar os banheiros, as toalhas. Resolvemos abrir uma televisão para colocar o cardápio da nossa cantina. Resolvemos ter uma cantina. Resolvemos dividir o nosso espaço. Resolvemos remontar espetáculo. Resolvemos montar novos espetáculo.

Resolvemos e decidimos. E foi, e está sendo.

Hoje eu tenho dezoito anos. Faço dezenove em poucos dias. É perceptível o quan…