sábado, 8 de janeiro de 2011

dois mil e dez para frente

Pequeno Teatro de Torneado.


É até complicado escrever um texto sobre o Pequeno Teatro de Torneado.

Esse ano decidimos ao mesmo tempo que focar no grupo, focar no individual de cada um.

A Beatriz e o William estudando para o vestibular, a Mayra e o Bruno para a faculdade.

Resolvemos ter um espaço nosso. Resolvemos montar peças para apresentar em outros estados do País. Resolvemos sair viajando. Resolvemos apresentar teatro infantil. Resolvemos bancar algumas temporadas com o nosso público. Resolvemos receber uma peça de outro grupo no nosso espaço. Resolvemos lavar a louça. Resolvemos comprar papel higiênico para a casa. Resolvemos lavar os banheiros, as toalhas. Resolvemos abrir uma televisão para colocar o cardápio da nossa cantina. Resolvemos ter uma cantina. Resolvemos dividir o nosso espaço. Resolvemos remontar espetáculo. Resolvemos montar novos espetáculo.

Resolvemos e decidimos. E foi, e está sendo.

Hoje eu tenho dezoito anos. Faço dezenove em poucos dias. É perceptível o quanto eu cresci e o quanto o meu grupo de teatro cresceu. Nunca pensei que pudesse decidir coisas tão concretamente com dezoito anos. É realmente difícil escolher e sentir o peso dessa escolha. Escolher, se resolver, decidir e ir. Seguir em frente, confiante, dando abertura para o erro e para o acerto. Mais para o acerto do que para o erro. Mas o erro está presente, porque estamos falando de arte, estamos falando de material humano, e nada mais justo do que implantar agora a frase "errar é humano".

Porque sim, errar realmente É da natureza humana. Não sei se existe uma idade do erro ou do acerto, acho que existe uma vida do erro e do acerto. Aprendemos com isso, ensinamos com nossas escolhas. Criamos malícia, criamos malícia ao ponto de nos permitimos ao erro novamente, para lidarmos com ele a partir de outro ponto de vista, para tornarmos ele algo mais leve do que da primeira vez.

Acho que o Torneado está chegando em um nível que cada vez mais viso esse grupo como meu sustento, meu ganha pão financeiro e espiritual. Esse ano como disse, tenho focado mais em mim. Mas não perco o meu foco no grupo. Tenho como meta me formar em algo que ajude o Torneado, estudar em uma graduação algo complementador para o grupo.

Cada vez mais quero crescer e resolver questões mais importantes. Antes eu não resolvia nada, nem mesmo na minha vida pessoal! Agora eu resolvo se vou ou não apresentar. Se eu vou ou não viajar com uma peça de teatro.

A praticidade alcançada e o foco profissional são questões técnicas que um grupo necessita para se organizar e para sua metodologia. A organização reverbera na arte. Quando nos reunimos depois de uma reunião para um ensaio, vejo como o nosso nível de concentração está mais visceral. A concentração não apenas mentalmente, mas corporalmente.

Organizar nossas cabeças faz com que a nossa coluna se posicione no local em que ela precisa estar para dar um texto, para soltar o corpo, para soltar a voz.

Esse foi um ano em que talvez sim, o grupo artisticamente não obteve um crescimento artístico como antigamente, mas o novo artístico e falando até mesmo tecnicamente foi surpreendente o salto que demos.

Pessoas entram, pessoas saem, isso é o ciclo de qualquer relação humana na vida de alguém. As pessoas entram e saem de nossas vidas, é normal. Em um grupo de teatro não seria diferente. As pessoas vão e voltam. Gente nova, gente velha, gente feia, gente bonita. Diversidade de gente não nos falta.

Espero que a gente continue não negando nada. Nem o neutro, nem o positivo, nem o negativo. Que venha tudo, tudo mesmo. De uns tempos para cá digo para "que seja doce, amargo, azedo, salgado, delicioso e saboroso". Tudo isso e mais um pouco.



Que ternura não nos falte.

Beatriz Barros

Um comentário:

Mayra disse...

Escolho o Torneado todos os dias e nunca me arrependo. Vamos continuar crescendo.

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