quarta-feira, 6 de abril de 2011

Três anos

Se fosse nesse tempo, hoje já seríamos Torneados. Já teríamos voltado de Curitiba com a impressão de tarefa cumprida e novos desafios à frente. O promissor grupo de teatro jovem, tão abalado financeiramente e emocionalmente, voltaria para a terra natal e montaria novas primaveras. Se naquela época fôssemos uma flor, hoje estariamos despetalados.

Mas flor não éramos.

Fez três anos que o Torneado começou de verdade. Costumamos falar que começamos no "Meu Olho Meu Mundo", mas o projeto começou lá. O Torneado foi depois. Assim como o Primavera é um filho do Torneado, o Torneado é um filho do "Meu Olho Meu Mundo". Torneado é hoje.

Torneado me lembra furacão.

Muitas pessoas passaram por nossas cirandas, estrelas e cantigas. Muita marmita já ficou azeda. Hoje é difícil assumir responsabilidades maiores, outrora extratosféricas. Mas já sabemos algo de auto-direção. Aprendemos na prática o que muita gente só sabe teoria. Perdemos a virgindade teatral e, se estamos (perdão) fodidos, com certeza não é sem amor.

Foi-se o tempo do amor.

Mas pra mim ainda não foi. Pra muita gente foi, mas pra mim ainda não. E se for assim, se esse for o espetáculo do meu coração, eu vou até o fim. Vou aos trancos e barrancos, chorando muito, pensando em desistir, mas tirando força de uma terra sagrada que balancia e balanceia minha mente e me faz continuar, continuar, continuar... Sempre na espera do novo e do mais novo ainda.

Três anos.

Me pego pensando, com saudades, do passado. Mas percebo que só é saudade por ser passado. O passado tem a função, quase obrigação, de ser saudoso. Estou feliz com o hoje. Mas não satisfeito.

Como o tempo passa...