sexta-feira, 29 de julho de 2011

Peter em Fúria

O Pequeno Teatro de Torneado decidiu iniciar um novo processo neste domingo, dia 24 de julho de 2011.
O processo é do espetáculo "Peter em Fúria", peça que já havíamos começado a montar nas aulas de teatro com um grupo de alunos da ETEC de Itaquera.

Porém, devido a certas circunstâncias que surgiram ao longo do curso (como muitas pessoas saindo, a não continuação das aulas de teatro como curso extra curricular da escola, etc.) e devido ao processo de consolidação de um subgrupo de alunos da ETEC remontando o espetáculo "Primavera", o processo do "Peter em Fúria" ficou de lado.

Nesse domingo, porém, decidimos voltar. Além das pessoas que montavam essa peça, resolvemos convidar mais algumas pessoas. Aí está a novidade:

Convidamos pessoas que conhecemos a muito tempo, e que queremos trabalhar a muito tempo. Pessoas que sempre assistem as nossas apresentações, e sempre fazem críticas muito pontuais, provocadoras e carinhosas dos espetáculos. Convidamos pessoas que nós admiramos, e sentimos que somos admirados também.

No domingo, contamos vinte pessoas na sala. Ainda faltam umas dez, por aí. Esse processo contará com um grande elenco, e explicamos para todos o motivo que queremos um grande elenco.

Explicamos o que é o espetáculo, como ele foi criado, como ele se desenvolveu, quais são as nossas metas, como iremos trabalhar e lemos muitas cenas da peça, testamos as vozes dos novos e velhos atores, onde cada um se encaixa melhor e se sente mais a vontade.

"Peter em Fúria" será uma montagem que falará sobre a criminalidade em comunidades carentes, sobre a formação de um indivíduo durante o seu crescimento em meio a esta criminalidade e a ausência do estado em assumir uma postura clara sobre a violência na parcela civil da sociedade.

A partir da história "Peter Pan e Wendy" escrita por J. M. Barrie, "Peter em Fúria" traça um paralelo entre as personagens e as relações do conto inglês com as personagens que moram e as relações que existem na favela.

Processo novo, gente nova, espetáculo novo. Todo domingo nos encontraremos, e a ideia é estrear na Mostra FRINGE, do Festival de Curitiba.

Pois então, muita merda para nós.

sábado, 23 de julho de 2011

Por andam os Vilelas? Continuação... O Retorno de Tábata em "O Girador""


Essa postagem só será entendida se antes dela você tiver lido a postagem anterior, pois trata-se da continuação de uma conversa sobre a memória na pesquisa a "Dramaturgia dos Moleques".

 Sobre a menina Tábata Vilela








Ilustração da menina Tábata, criada durante o processo de "Boca Pequena"



 
Falar sobre Tábata é exercitar a minha capacidade de não exagerar. Mas, Tábata me instiga o exagero! Tábata era daquelas crianças genias, que parecem mini-adultos. E estou falando de adultos inteligentes e críticos. Tábata era daquelas crianças que sempre vinha com uma pergunta que exigia, no mínimo, o seu constrangimento para ser respondida.

Para se ter noção, durante o processo de criação do exercício "Boca Pequena", chegamos no assunto 'medo'. E Tábata mencionou com muita serenidade de que, entre todas as coisas que a fazia temer, nenhuma delas era mais forte do que o "relógio de ponteiro". Todas as crianças ficaram apreensivas à fala da menina Tábata e, no final, com os olhos cheios de lágrimas, certamente inspiradas pela fala de Tábata, uma das crianças - a menina Alice Kaio - disse: "Eu também tenho dessas coisas de morrer".

Trecho da fala da menina Tábata; no final de "Boca Pequena":


"O relógio tem dois ponteiros; o menor parece correr do maior. Tem um que é bem fininho e corre muito, pra esse eu nem ligo... Pra falar a verdade eu só tenho medo daquele que a gente escolhe onde fica. Eu tenho medo de escolher a hora errada pra despertar. Você já acordou antes da hora que devia? Ai, da uma agonia parece que a gente não tem nada pra fazer a não ser esperar a hora certa de acordar...".


 Tábata e seus amiguinhos, em cena do exercício cênico: "Breve História de amor aos que pretendem se tornar: Reis, Rainhas e até mesmo Homens Pulga"


Em Dezembro de 2007, Tábata foi mandado para o interior de São Paulo.


Ali, me ficou claro que um dos primeiros norteadores dossa pesquisa pedagógica com crianças seria o 'como' as crianças lidam com seus primeiros medos. A morte é tema recorrente na vida e no teatro também não deixaria de ser. Graças à profundidade de crianças como Tábata, a "Dramaturgia dos Moleques” também passou seguir o fluxo da vida em seus primeiros instantes, onde a consciência da morte ainda é algo menos palpável e misterioso. E o que seria adquirir essa consciência? Crescer?


Desde 2005, que o Pequeno Teatro de Torneado vem sendo inspirado pelo sutil contato com crianças e adolescentes. Investigar a memória tem sido uma das maneiras de contribuirmos socialmente para que cada indivíduo envolvido em nosso projeto possa entender um pouco mais sobre essa história de "autonomia e liberdade". Pois, acreditamos que a autonomia de um ser só acontecerá no momento que ele souber contar a sua própria história. Compartilhar uma história com alguém é criar um lugar em comum (comunidade). 


Dia desses, a atriz Beatriz Barros, que estagiava durante o processo de aulas para crianças de 2007, também se lembrou da menina Tábata Vilela. Lembrou-se de uma das histórias sobre Tábata, que sempre fazemos questão de recontar. E hoje, uma dessas memórias está viva, presente em forma de dramaturgia no novo espetáculo do grupo "O Girador":


A seguir, uma das muitas memórias relatadas na dramaturgia do espetáculo: "O Girador".(Trecho escrito pela atriz Beatriz Barros).

Tábata sempre gostou de cavalos, mas morava em São Paulo.
A primeira vez que viu um cavalo foi na TV, sempre pomposo, andando por um grande campo de grama verde.
A partir daquele instante, após uma imagem que durou no máximo cinco segundos se movimentando em câmera lenta, Tábata decidiu que o amor da sua vida seriam os cavalos.
Logo após isso, saiu correndo para sua mãe e disse:
- Mãe, eu quero ver um cavalo!
E a mãe, que entendia que crianças quando assistem televisão sentem vontade de querer todos os produtos que são mostrados, disse a sua filha:
- Qualquer dia desses viajamos para o interior, e aí eu te mostro um cavalo.

Tábata, porém, percebeu com o tempo de que o "qualquer dias desses" nunca se aproximava.
Então, Tábata começou a exercer o seu poder de argumentação.
A mãe, que não aguentava mais ouvir a voz de sua filha falando continuamente e de maneira empolgante e estridente sobre cavalos, resolveu acabar de vez com esse problema: dar um livro, com todos os tipos de raça de cavalo que existem no mundo para Tábata.
E a menina, que não se satisfez com o livro e queria mesmo era ver um cavalo de verdade, optou por impressionar a sua mãe, e tomou uma decisão astuta: decorar todos os tipos de raça de cavalo.
A fama veio, a metrópole inteira ficou sabendo de uma pequena garota que sabia centenas de raças de cavalo, de cor e salteado.
Viajou para vários lugares, foi em diversos programas de TV, exibiu seu potencial de gênio e sua capacidade de lidar com a sua mente, uma prova de superação eu diria.
Porém, em todos os lugares, em todos os programas que Tábata ia, sempre perguntava:
- Senhor, produção, vocês podem trazer um cavalo para eu ver, no dia que eu apresentar?
E todas as figuras influentes diziam que sim.
Porém, quando chegava a hora do encontro, o cavalo sumia, não podendo comparecer ao palco, pois não tinha condição ou coisa do tipo.
Depois de um tempo, Tábata decidiu não ir mais a programas, não falar mais com estranhos e tambem resolveu não falar mais sobre cavalos.
Porém, um dia, depois toda a era de transtorno que havia passado, resolveu ir até um parque.
Quando chegou lá, ficou sabendo que, algumas horas antes acontecera uma feira de cavalos!
Tábata saiu correndo pelo parque desesperada, procurando algum cavalo ou potrinho perdido.
Depois de muito tempo correndo de lá pra cá, e não ter encontrado nada, parou, sentou-se e ficou quieta, tentando conter sua respiração.
De repente, quando olhou para o seu lado, no banco do parquinho, viu uma daquelas escovas que se usa para pentear as crinas e os pelos dos animais. E entre as cerdas da escova, tufos de uma crina branca e prateada de um cavalos
Tábata pegou a mecha do cabelo do cavalo. Cheirou, passou em sua pele do rosto, e engoliu, como se fosse a sua primeira e última refeição na vida.
Depois, foi-se.
E a escova permaneceu, sentada no banco. 




Professor William





Por onde andam os Irmãos Vilela?

No Pequeno Teatro Torneado é meio assim que as coisas acontecem: " temos, por mania, o costume de lembrar das pessoas". Lembramos das pessoas que nos foram fáceis e também lembramos de pessoas que nos foram difíceis. E, também, existem aquelas que nos foram impossíveis de mantê-las por perto. E essas sim, ainda nos pesam e talvez sejam os maiores responsáveis por todo o nosso exagerado senso crítico.

Mas, nesse momento, o que está mais latente em minha cabeça é a doce lembrança de tudo que aconteceu desde março de 2005. Foi aproximadamente nessa data, nas dependências do Colégio Terra situado no Bairro da Saúde, que o embrião do Pequeno Teatro de Torneado, "O NÚCLEO MEU OLHO-MEU MUNDO DE PESQUISA CÊNICA", começou a ser gerado.



Primeiro logo do projeto


Ainda tenho em minha memória o nome, a voz e o cheiro de cada aprendiz. Entre todos os aprendizes, existem três impossíveis de não serem lembrados, até porque se tratava de uma família de aprendizes. São os Irmãos Vilela: Erick, Luís e Tábata. 

Sobre o menino Erick Vilela

Sempre lembro da natureza violenta do Erick. Das vezes que tentou "matar" seus amiguinhos e professores, do seu nariz sangrando no dia de sua primeira apresentação (devido a soco que levou, minutos antes da apresentação, de um dos meninos da 8ª série). 

E o principal sobre o menino Erick: Sempre me lembro do respeito que ele tinha por mim. Das vezes que eu pedia calma para ele. Também tenho a memória viva de minha mão sendo apertada por ele, para que assim ele pudesse exaurir de uma vez toda aquela fúria. 

Para mim, Erick nunca foi uma "garoto problema" e ouso dizer que, junto a sua irmã Tábata, é uma das mentes mais profundas que já conheci. 
 
Exercício cênico: "A Incrível Saga"
Cada uma das pontas é formada por um irmão Vilella (Para se manter um pouco de ordem era fundamental a distância entre eles). 

O menorzinho de todos é o Luís e Erick é esse0 que, na foto, está com os pés longe do chão porque era assim que ele se sentia bem.


A garota em cena é a doce Simone Jaeger (outra aluna de uma família, que são alunos das oficinas até os dias de hoje).




O menino vestido de carteiro era o "bagunceiro" do Gustavo Aquilles.


Em Dezembro de 2005, Erick foi mandado para o interior de São Paulo.
 
Sobre o menino Luis Vilella


Luis era o meio dos irmãos e o meio termo entre Tábata e Erick. Luis não tinha cara de gênio e nem palavras de gênio. Luis sabia assistir uma bagunça como ninguém. Admirava cada travessura de seus irmãos. Luis tinha uma característica principal que o diferenciava muito de seus irmãos: "Luis gostava de abraçar". E Luis tinha braços fortes, um tronco largo e sempre que podia estava lá: abraçando amiguinhos, professores, me abraçando... 


Sempre que olhava o Luis; eu pensava: "Quero um filho assim; nem gênio, nem bobo e que viva procurando meios de rasgar seu uniforme". 




Desenho feito por Luis, aos 9 anos, para o processo de seu Segundo exercício cênico: "Boca Pequena"




Em Dezembro de 2006, Luís também foi mandado para o interior de São Paulo.



PS: Ainda não falei sobre a menina Tábata e já alcancei o limite dessa postagem. Portanto, continuo essa conversa sobre os irmãos Vilelas no próximo post.



"Professor" William

A sala de aula e o que diz o não silêncio.



Entrar na sala, ver alunos de sete a quatro anos mais novos que a minha pessoa, e eu, com aquela insegurança do tipo: "será que eu tenho capacidade de ensinar alguém?"
Olhar para o Bruno e pro Will. Eles sentam, eu sento também. O Will fala, eu escuto com olhos de aluna de quem aprende a dar aula, de quem aprende como conduzir as palavras e a fala para centralizar a atenção e produzir a calmaria no ambiente.
os alunos vão parando, aos poucos, escutam o silêncio. O Will diz:
- Não vou falar enquanto tiver gente falando.
E então todos se calam. E começa o ritual da escuta e da palavra.
De fato, dar aula não é fácil.
Não estamos acostumados a nos calarmos e escutarmos alguém, não estamos acostumados com o tempo da fala do outro, com o tempo da nossa própria fala, não sabemos qual o nosso tempo individual.
É complicado desenvolver tudo isso em um projeto educacional.
Como reproduzir uma compreensão sobre o tempo do outro?
Como planejar um projeto ao qual o outro se escute, se entenda?
Sou uma estudante de ciências sociais. Estudo constantemente o movimento de massas, a organização social, a forma como a sociedade se planeja e se orienta, o sistema, os grupos, os subgrupos, as relações humanas.
Estudo também o movimento de cada indivíduo consigo mesmo, a organização dentro de si, a forma como o indivíduo se planeja e se orienta, os sistemas de cada um, os grupos que cada um escolhe para se envolver, os grupos e os subgrupos que cada um se relaciona dentro de si e na forma externa.
E a contradição mais bela que eu já me deparei foi: como falar "está tudo bem, calma, respira e escuta" para alguém que só escuta os seus colegas de classe. Como falar "ei, eu to aqui" ou "ei, ele tá aí" ou "escutem o silêncio de cada um" sem gritar, sem falar, só deixar claro que precisamos nos escutar no silêncio.
O corpo fala. O teatro transpõe a fala do corpo. O teatro, a arte move o corpo individual de cada um.
É como ressuscitar a criação de cada um. A família de cada um. Os hábitos tradicionais de cada um.. e a junção, a mistura, a dor de um com a alegria do outro se consomem no palco.
 De fato, as minhas dúvidas são geradas pelos alunos. Uma vez no ensino médio zombaram da minha pessoa por falar duas palavras na mesma frase, as palavras eram: coletivo e indivíduo.
Hoje pergunto, ainda com uma dúvida que me assombrava e continua permanente dentro de mim: como ressaltar os anseios de um indivíduo dentro de um coletivo?
As dores, as alegrias, as travas, os preconceitos de um indivíduo estão interlaçadas por totalidade com o coletivo.. e como educar este indivíduo com todas as suas "limitações"?

De devaneios em devaneios, caio dentro de uma turma, de uma sala de uma escola pública que me permite a constante provocação de ser provocada e de provocar. E o principal aprendizado é este: o dos constantes crescentes.
Somos cavalos pesados, e todos queremos voar.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Por que não postamos no blog com tanta frequência?


Dia desses, em uma de nossas reuniões, a questão da frequência com que postamos no blog foi mencionada. Era tanta coisa em pauta para ser discutida que até esquecemos de chegar a uma conclusão sobre essa questão. Sem desprezo à internet, mas acho que não postamos com tanta frequência por um simples motivo:


Estamos extremamente ocupados com nossas atividades, que são experiências práticas. Mesmo assim, já arrisco dizer que em um futuro próximo essas experiências irão fundamentar textos mais ricos, onde compartilharemos o mais interessante de nossa experiência. Essas nossas atividades são:



Ocupação da Escola Estadual Maria Ribeiro (Desde abril de 2010).
Ocupamos essa escola com as seguintes atividades:


*"Oficinas de teatro; dança e música".
Para 300 alunos do ensino Médio e Fundamental.


*Apresentações dos espetáculos do repertório do Grupo para todos os alunos; tanto no espaço da Escola, como em nossa sede do Teatro Lavanderia (situada próxima da escola).




Espetáculos apresentados para a escola:

"Menina de Louça"
"Dias de Campo Belo"
"Refugo"
"Primavera"


Gestão e produção do Teatro Lavanderia(Desde março de 2010): 
* Temporada dos espetáculos (Formação de público e diálogo com o bairro da Saúde):
"Dias de Campo Belo"
"Menina de Louça"
"Refugo"
"Primavera'


* Ensaios de todo o repertório do grupo e dos novos processos do grupo como; "Gritar Por Cida" - "Girador", "Celofane", "Peter em Fúria"  e "Épico Feijão".








Cenas do experimento "Gritar Por Cida"
Apresentado durante o Festival Nacional De Cenas Curtas Do Grupo Galpão em Belo Horizonte-Junho de 2010














A seguir fotos de cenas do experimento para crianças: "Épico Feijão"(apresentado em creches públicas em maio de 2010)



















Viagens para apresentações fora da cidade de São Paulo:
Bauru, Piracicaba, Pirassununga, Belo Horizonte e Guarulhos







 Foto da aula realizada durante oficina "A Dramaturgia dos Moleques", realizada durante a  estadia do grupo na cidade de Bauru (TUSP).
Abril de 2010








* Aulas de Formação de novos atores e para a pesquisa "A Dramaturgia dos Moleques"


*Ensaios e temporadas de outras Cias de Teatro:
 Cia da República
Teatro Mambembe de Repertório
Sob Clows
Teatro das Estações











Cena do espetáculo "Estéril"do Teatro das Estações, que cumpriu temporada de um mês no Teatro Lavanderia.




 

Por fim, sendo bem sincero: "Estamos Exaustos!". 
Otimistas com o futuro e atentos ao vencimento do aluguel (que não para de vencer).


Estamos em um momento de transição do grupo, onde só agora entendemos que somos sim um coletivo em busca de uma simples e rica rede de conversação entre: escola, arte e sociedade. Por isso, estamos - cada vez mais - entendendo que a maturidade artística, que tanto queremos alcançar, depende da profissionalização de nossos integrantes e de seus meios. 

Assumir uma meia-sede (porque dividimos SIM o espaço com uma Lavanderia), vem nos trazendo um aprendizado; ao ponto de, até mesmo, abdicarmos de coisas comuns aos jovens pois, sempre que pensamos em beber uma cerveja, lembramos: "Temos um aluguel pra pagar". E assim, lá se vão 18 meses...


Por outro lado, essa nossa "escolha" nos deu a opção de estudar, ler e nos politizar cada vez mais. Hoje, entre um sufoco e outro, sabemos que enquanto ouver suor de nossa parte, teremos o que comer e onde cairmos VIVOS. Em breve esse post não vai passar de um embrião, porque nossa vontade não é "ser", e sim "existirmos" dentro de uma liberdade. E, para sermos livres, precisamos de um pouco mais de espaço. Portanto, bora trabalhar que somente assim o "amanhã vai ser outro dia"!


Um poema para dar um carinho ao nosso cotidiano:



Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas
mais que a dos mísseis.
Tenho em mim
esse atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância
de ser feliz por isso.
Meu quintal
É maior do que o mundo.


Manoel de Barros