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Mostrando postagens de Novembro, 2013

Cruzadas da Vida ou a Saga do Peter Pan

O Torneado de certa forma sempre visitou a minha vida, ou vice versa, essa ordem do fator não é o que importa, pois o importante é estar num lugar que te faz bem ou se não o bem... Te faz simplesmente . Esse" fazer"  é um agir, estar, ser, observar, amar, criticar, gostar, aprender, ensinar, trocar,fazer.                  O bom filho a casa torna, assim posso me sentir, mais uma vez. Sou aquela que gosta da casa, aquela que sente saudade, e volta e meia arruma as malas e retorna onde sabe que sempre tem as portas abertas, seja observando da janela de fora, ou seja, sentada com a família (que cada vez mais aumenta) no sofá. Sou aquela que teve a oportunidade de ver os primeiros tijolos a serem construídos, a que teve a oportunidade de mexer um pouquinho na massa e colocar o cimento, dar uma pincelada aqui, outro borrão lá e agora retorna pra ver outro cômodo sendo construído disso que já não é mais uma casebre, mas que se torna cada vez mais um grande sobrad…

“Nada do que vivemos tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas.” - Cora Coralina

 No texto de hoje a atriz Larissa Costa exprime a sua visão sobre ter sido expectadora do grupo e agora, depois de dois anos de processo,  ser uma das 35 integrante do elenco do espetáculo "Peter em Fúria". 


"A concepção do que é o teatro para mim nunca foi muito concreta. Cresci em uma família em que existia já um ator e um garoto propaganda e por conta disso tive desde cedo a arte presente, mesmo que de forma torta, na minha vida.
Aos poucos fui entendendo melhor o que era o teatro e como ele atuava em minha vida e foi nessa caminhada que conheci o Pequeno Teatro de Torneado.
Como muitos dos que hoje são parte dessa família, também comecei como público e diga-se de passagem, eu era daquelas que assistia o espetáculo no sábado e ficava mais quinze dias falando, elogiando e sentindo...
Hoje do outro lado, o de atriz, vejo como é importante se doar e se conhecer para poder assim completar sentidos para muitos outros. Conseguir ser um em muitos e ser muitos em um. Um ser …

Sobre essa história de fazer teatro em grupo

Faz muito tempo que não escrevo nesse blog. Quando era mais nova, toda semana escrevia aqui. Era tanto um processo de reflexão comigo mesma, como um processo de registro da história do grupo e da formação do ator no torneado.
Aos meus quinze anos de idade entrei em um grupo de teatro que desde sempre prezou pela emancipação do indivíduo em busca pela sua liberdade.
Hoje com vinte e um anos, depois de seis anos aqui, vejo em mim e nos outros atores do grupo como é difícil compreender essa emancipação, essa cartilha da possibilidade de liberdade. Percebo que cada vez mais esse processo é doloroso.
Dói se compreender, entender e dimensionar os seus limites. Dói colocar para fora aquilo que está dentro de nós. Vai além do discurso de que somos criados para "andarmos em fila e fazer tudo o que os outros fazem".
Sem aderir à esse discurso piegas, mas vejo ao longo desses anos como todos nós temos dificuldades em lidar com o espaço do "aqui você pode fazer o que você quiser&qu…

Um pouco mais de Peter em Fúria.

Em 2011, minha amiga da faculdade me ligou pra falar de um convite. Ela queria que eu participasse de um processo de montagem do grupo de Teatro dela. Na animação de fazer alguma coisa diferente e fugir da rotina, logo aceitei. Não conhecia nada do grupo dela, não havia visto nenhuma peça sequer, mas topei de imediato. Lembro até hoje do constrangimento e timidez que me tomavam de início. Nas primeiras leituras eu ainda não conhecia quase ninguém, e todos pareciam já ter uma relação com a peça que eu acabara de conhecer.
Era o Peter em Fúria, e muitas das pessoas ali presentes já haviam participado de tentativas de montagem. Haviam se reunido novamente, agora com mais gente, para realmente tirar o Peter do papel. O início do processo foi de estranhamento. Minha relação com teatro era limitada as peças que fiz na escola, ou seja, quase nada. Os exercícios pra soltar o corpo, improvisar, e se expor, foram uma barreira grande. Lembro daquele primeiro medo de ser ridícula. Esse medo que p…