Sobre as sensações do nosso público.

Desde a primeira temporada do primeiro espetáculo do coletivo Pequeno Teatro de Torneado, o Menina de Louça, trazemos conosco um caderno de sensações. Trata-se de um rústico caderninho em cuja capa está uma pintura de um barco. Desde quando eu encontrei esse caderno eu sabia que seria nele o lugar onde as pessoas deixariam as suas sensações sobre os nossos espetáculos. Vale dizer que, muito do que é registrado nesse caderninho influencia em nossas montagens e escolhas.

Ao olhar aquele desenho de barco, eu tinha uma nítida sensação de que um dia esse caderno encontraria o seu porto. Hoje contamos uma história cujo o cenário é um barco e pessoas escrevem sobre essa história nas redes sociais. 

Vasto mar de conexões contemporâneas, nossa histórias voam para além do nosso Pequeno Teatro de Torneado. 

Por William Costa Lima 

Leia o que a pedagoga e arte-educadora Luiza Americano Grillo escreveu sobre o nosso Peter em 
Fúria.

Minhas reflexões sobre Peter em fúria

O silêncio da plateia ao final da peça, sem conseguir aplaudir por alguns minutos, é o que resume meus sentimentos. Foi aquele momento de respiro, de tentar acreditar que acabou, que aquela história tão impregnada agora em mim tinha chegado ao fim. É difícil colocar em palavras tudo o que foi. Na verdade é impossível, mas o pouco que me permito, tentarei deixar aqui.

A tinta dos meninos perdidos me deixou uma marca menos visível, de aproximação de um universo tão presente e ao mesmo tempo tão distante de mim. Eu, da plateia de trás do muro, conseguia reconhecer nos meninos perdidos meus alunos e nas histórias contadas reconheci a distância desse muro. Distância que pode ser medida em passos, em palmas, em aplausos, em lágrimas, em socos no estômago e nós na garganta. Me vi humanamente imersa nesse mundo, tão próximo, que respinga e aos poucos nos atinge. Mas nunca havia atingido de forma tão bonita, de forma tão sensível. Entendi e revivi histórias de amigos queridos, artistas maravilhosos e pessoas lindas. Tentei voar com o pozinho mágico da Sininho, mas ele só me trouxe para cada vez mais profundo buraco, cada vez mais imersa nessa história de fantasias que disfarçam uma realidade dura.

O tempo que nós engolimos afasta-nos do que realmente importa, do contato mais profundo com outra pessoa, nós o engolimos e vivemos temendo esse tempo que dispersa e transporta para outros barcos. Saí profundamente abalada e reflexiva, com uma sensação de querer ver de novo para mergulhar mais e descobrir novas coisas, mais detalhes, mais sensações e adentrar cada vez mais nesse tempo de dentro do buraco, nas profundezas das pessoas.
                                               


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