terça-feira, 28 de outubro de 2014

2014: um primeiro balanço e o nosso fim de ano

Faltam dois meses pra acabar o ano! 2014 está sendo intenso e bem lotado pro Torneado, pelo menos segundo a história mais recente do grupo.

Este ano fizemos duas temporadas de "O Girador", o espetáculo do nosso coração. Uma por nossa conta, na região central (Pequeno Ato) e outra em Sto Amaro (Leopoldo Froes), com apoio da Prefeitura de São Paulo. A peça também foi selecionada pro Festival de Hortolândia, e tivemos a oportunidade de apresentá-la no interior. Faremos mais uma última apresentação da peça este ano, que vai ser na Mostra do Projeto Bazar, dia 7 de novembro.

"Dias de Campo Belo", o nosso baile da saudade, apresentou no Espaço Parlapatões bem na época de carnaval (uma coincidência da vida, porque essa temporada nem tinha sido planejada!). Começamos uma segunda temporada da peça em setembro, mas tivemos que cancelá-la (mais uma coincidência da vida impossibilitou que a gente realizasse todas as apresentações). Mesmo assim, a peça cumpriu duas sessões no centro.

Agora estamos na quarta temporada do "Peter em Fúria". Começamos a jornada oficial desta peça em janeiro, e ela termina só no final de novembro. Fizemos substituições de atores a todo o momento, e por isso a rotina de ensaios não parou.

Estamos apresentando todo sábado, e ao mesmo tempo nos preparando para apresentar a peça em dois festivais: Indaitauba, e FIT Bahia. Ambos nos receberam calorosamente ano passado, e por isso estamos doidinhos pra retornar agora, com esse elenco enorme e o grupo todo. Confesso que organizar todas essas viagens não está sendo fácil, mas vai dar pé. Sempre damos um jeito.

Enquanto realizava essas temporadas, o grupo tocou outros projetos: uma oficina coordenada pela Aguida no CEU Casablanca, que dará origem a um resultado chamado "Patriarcado"; e um projeto de formação de atores dirigido pelo William, que culminará numa nova peça, chamada "Do ensaio para o Baile". Acho que essas iniciativas dão muito samba pros próximos posts, pois ambos estão muito animados com as turmas.

Parando pra fazer um balanço, ao longo dos 12 meses de 2014, teremos feito temporada durante 9. Nos inscrevemos pela primeira vez na Lei do Fomento (ainda não foi dessa vez), e participamos do Zé Renato (aguardamos o resultado). Três atrizes do grupo (incluindo eu mesma) tiraram seus DRTs, o que de certa forma foi uma conquista, considerando que nenhuma tinha feito cursos em escolas formais de teatro. O que nos possibilitou a profissionalização foi a experiência de cada uma dentro do teatro de grupo (nos "torneamos", como o Will gosta de dizer)

Nessa reta final, o foco está sendo a estreia dos novos atores que estão entrando no elenco do "Peter em Fúria". Merda pra todos eles, e principalmente pro nosso elenco como um todo, que viajará junto pela primeira vez.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Como chorar em cena


Parece um sentimento comum, não é? Isso de não ter tempo para aqueles que você ama. Vivemos num mundo tão cheio de obrigações que o “a gente combina de se ver” virou chavão para amenizar o coração e não criar responsabilidades com o outro.
O trabalho de ator é árduo. Trabalhar no teatro em si é difícil. Mas defendo o peso, a dureza, a labuta que existe no ofício do ator. A mimese faz parte do que é de mais primitivo no humano e é o que, até hoje, nos permite sonhar. Essa é a mística da transformação no outro, do momento em que deixo de ser eu e me transformo em nós, em Legião. Em cena, não somos únicos, somos um milhão de vozes que precisam se exprimir por um corpo inserido no espaço-tempo. Há quem diga que sem técnica não se faz teatro, pois eu digo que a técnica é um atalho para a celebração.
Por isso que hoje os bares são mais cheios do que o teatro. Culpa do mundo? Não, culpa do teatro que deixou de ser um lugar de celebração. O peso tão acumulado que insistimos em carregar nos ombro existem por que as nossas celebrações – assim como as nossas angústias – não são públicas.
A celebração é importante. É no brinde que jogamos para o líquido aquilo que precisamos ingerir. Às vezes, é necessário que transformemos nossas cervejas em algo com um pouco mais de sentido. O trabalho é duro, mas a vida é mais. A segunda-feira costuma ser um dia de descanso para quem faz teatro. Costuma ser a nossa trégua para recomeçar a ouvir e sentir no corpo as dificuldades que existem na legitimação do teatro como trabalho. É daí que começa o choro.
O choro é uma das buscas do trabalho do ator. Nas conversas com amigos, sempre ouvimos “você consegue chorar agora?”. Não, não conseguimos. Não confundam choro com lágrimas, pois uma coisa não tem nada a ver com a outra. É possível chorar sem lágrimas, assim como é possível lacrimejar o vazio. Não se chora sem presença. Não é possível chorar em cena se meu corpo não está ali. Choro é técnica, sim. Mas não é a técnica da escola, do cristal japonês ou de qualquer outro exercício de respiração que visa a finalidade da lágrima. O choro vem do aqui e agora. Ele reside na celebração.
Descobri isso em cena num espetáculo chamado “O Girador”, do Pequeno Teatro de Torneado – grupo onde milito na legitimação do teatro como celebração. Nos primeiros minutos em cena, preciso acessar o choro quando subo em uma cadeira. Ali, jogo pro mundo a grandeza do fazer teatral. Entendo as feridas do mundo e assumo que meu corpo é a ferramenta de mudança que possuo e invisto. Invoco todas as energias que sou capaz de canalizar para mostrar que o grito não é só meu. Respiro todas as coisas indignas que já fiz para me sentir pleno. Celebro o momento. Seguro o bastão. Estou aqui, vivo e com uma história nas minhas mãos. O jogo existe e preciso defender a vida. Esse é o meu ofício e a minha penitência.
Então, o choro vem.

Bruno Lourenço

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Sobre cabelos e teatro

Muitas vezes conversamos no Torneado sobre os cabelos das meninas. A conversa nunca foi formal, nunca sentamos juntos e paramos pra discutir o assunto. Mas num grupo diverso, cheio de mulheres, é previsível que nos bastidores do nosso dia a dia a gente pare pra falar sobre nossas madeixas, dicas de cuidado, mudanças no estilo, etc.

Entre essas papeadas, percebemos, quase sem querer, que quando entraram no grupo e começaram o seu processo de formação artística, muitas garotas deixaram de usar o cabelo alisado.

Não vemos mais ninguém fazendo escovas, tratamentos químicos e progressivas, práticas até alguns anos atrás tão comuns entre as integrantes. Hoje olhamos pro grande elenco que compõe o nosso último espetáculo e podemos ver um lindo mar de cachos, blacks, ondulados...E diante dessa prazerosa constatação, me perguntei: o que o teatro tem a ver com cabelos?

Para a mulher o cabelo é muito importante. Não é a toa que a punição escolhida pras mulheres que se relacionaram com nazistas durante a 2a Guerra Mundial era ter sua cabeça raspada em praça pública. Não é coincidência que em sua vingança, Nina escolheu cortar a cabeleira loura de Carminha em Avenida Brasil.                                                    

Nesses casos, o cabelo cortado (a força) simboliza a humilhação máxima, pois significa a destruição daquilo que culturalmente acreditamos constituir a beleza feminina. É uma forma cruel de castigo escolhida propositadamente para mexer com a auto-estima das mulheres. É a degradação de sua aparência, pois o cabelo tornou-se uma parte do corpo essencial para o nosso conceito de belo.

O cabelo de uma mulher está diretamente vinculado a sua feminilidade, e esta é uma construção social tão repetida que vemos essas associações como naturais. Não é a toa que nos emocionamos e caímos no choro em cenas de filmes ou novelas em que alguma garota se vê obrigada a raspar a cabeça por causa de um câncer.

Nos emocionamos pois nos colocamos no lugar daquela mulher, e imaginamos o quão dificil deve ser ter que abrir mão de algo tão precioso. Ficamos com um nó na garganta porque parece impossível ter que se habituar com uma cabeça careca. Nós, mulheres ocidentais, estamos habituadas a enxergar o cabelo como parte de quem nós somos, da imagem que ostentamos perante o mundo, do nosso self.

Quando queremos fazer alguma mudança na aparência, qual é a primeira atitude a se tomar? Mudar o corte de cabelo. É por isso que eu não subestimo o poder dos cabelos na construção da nossa identidade pessoal.

E agora, tentando responder a minha pergunta inicial, trago algumas suposições. Talvez começar a fazer teatro cause uma mudança no modo como enxergamos a nós mesmas. Talvez essa experiência inspire e expanda as possibilidades de apresentações e desenvolvimento do nosso self. Mexer com o nosso corpo e desdobrá-lo para contar histórias envolve se expor.

Sem se expor, o ator não consegue encorajar o outro a refletir sobre si mesmo, como lembrou Beatriz em outro post. E para nos expor, é preciso antes de tudo, nos aceitar. Eu não posso me expor para o público completamente, vulnerável e desnuda, sem saber quem eu sou e da onde vim. Talvez essa exposição envolva ficar a vontade com si próprio, se conhecendo e assumindo-se plenamente.

Eu não sei, como eu disse, são apenas suposições, porque apesar de sofrer como qualquer mulher a opressão de ter que me adequar a ditadura da beleza, meus cabelos e minha cor estão dentro do padrão. Eu nunca alisei meu cabelo, e não posso falar pelas meninas que passaram por esse processo. Mas realmente acho que estar confortável dentro de si e com quem somos pode nos auxiliar como artistas.

Sempre reparei secretamente em duas coisas quando via peças de teatro: pés, e mulheres que faziam a peça sem usar sutiã. O pé é uma parte do corpo que escondemos no nosso dia a dia, que achamos feia e causa nojo. Eu acho tão bonito ver em cena um pé descalço! E a mulher sem sutiã? Está expondo de forma muito natural aquilo que no cotidiano é interditado com pudor. Pra mim, ambos chamam a atenção porque são exemplos pequenos e esporádicos, mas que quando acontecem, mostram como os artistas estão a vontade dentro da própria pele.

Da mesma forma, é lindo ver uma cabeleira, livre leve e solta, desprendida de um padrão de beleza. Como dizemos no Girador “[...] essa coisa de querer se sentir à vontade requer um impulso de coragem para que eu, através dessa festinha - desse suposto ritual - eu exponha algo [...]”. Espero que cada vez mais tomemos este impulso pra expor os pés descobertos, os seios soltos, o cabelo crespo, e tudo que nos compõe, para assim poder trocar histórias.

(Na foto: Aguida Aguiar, atriz criadora e diretora de arte do Pequeno Teatro de Torneado)

Texto por Mariana Boujikian

sábado, 21 de junho de 2014

Curtíssima temporada do espetáculo "O Girador" no Teatro Pequeno Ato


É com imenso prazer que o Pequeno Teatro de Torneado anuncia a curtíssima temporada do espetáculo "O Girador"!

Dessa vez, a nossa temporada seguirá às quartas e quintas, do dia 18/06 até o dia 03/07, sempre às 21h no Teatro Pequeno Ato (próximo do Metrô República).

Reserve seus lugares!

“O Girador” é um dos últimos trabalhos do coletivo Pequeno Teatro de Torneado, com dramaturgia e direção de William Costa Lima e a colaboração dos atores criadores Beatriz Barros e Bruno Lourenço.

Criado a partir de um processo de reflexão sobre a própria trajetória do grupo, “O Girador” é uma história sobre amadurecimento, memórias e perdas.

A história de “O Girador” se passa num depósito de achados e perdidos criado por um casal de ex-artistas circenses: Perpétuo e Armena. Com o passar do tempo, o casal envelhece e os objetos se acumulam ao seu redor.
A trama é contada pelas filhas do casal. Filhas que tiveram o amor dos pais negligenciado durante a vida inteira. Existe uma estreita relação entre os objetos perdidos e as memórias das personagens que, por momentos, servem para estarrecer, assombrar, divertir ou até mesmo consolar aqueles que compartilham dessas histórias.

O espetáculo participou da Mostra FRINGE do Festival de Teatro de Curitiba 2012 e realizou quatro ensaios abertos durante a Mostra de Repertório do Pequeno Teatro de Torneado em 2012. O espetáculo cumpriu uma curta temporada em abril de 2013 e participou da Semana de Arte Experimental da UNIFESP.

Também participou do Festival Proscênio de Teatro / Indaiatuba, onde foi indicado para todas as categorias e vencedor dos prêmios de "Melhor Espetáculo", "Melhor Texto", "Melhor Ator" e "Melhor Cenografia". Participou também do Festival Ipitanga de Teatro / Bahia, onde foi indicado para todas as categorias e vencedor dos prêmios de "Melhor Diretor", "Melhor Texto", "Melhor Ator" e "Atriz Destaque".

Serviço:
Temporada: De 18/06 a 03/07
Dias/horário: Quartas e Quintas, às 21h
Onde: Teatro Pequeno Ato
Rua Teodoro Baima, 78 | Tel: (11) 99642-8350
Reservas: (11) 98634-2385
Capacidade: 40 lugares
Aceita somente dinheiro e cheque. Acesso universal.
Valor do Ingresso: R$40 inteira | R$20 meia
Classificação indicativa: 10 anos
Duração: 90 min
Maiores informações: https://www.facebook.com/events/245862532274694/?fref=ts

segunda-feira, 12 de maio de 2014

o amor é o amor, e arte

"A vida é um arquipélago de amor atormentado”, fazem quase dois anos que
este verso de Blake me persegue diariamente...
Sem a arte, que pra mim é uma das facetas do amor, a vida seria intolerável. Sem outras manifestações amorosas tenho me virado até então, mas sem o mínimo de encontro com a arte não.
 Esse “até então” que vou vivendo de dedinhos dados com a arte é como estar em um laboratório afetivo e recombinar uma série de poções explosivas. Sempre fico com a sensação de que abri algo da minha intimidade e recebi um pedaço que faz diminuir a solidão... Chamo de arte tudo o que me permite modelar os olhos, as mãos, o coração. Isso me lembra uma angustiada felicidade. Na angústia, só há perguntas sem respostas, na felicidade, perguntas não há, afinal já estamos plenos. E depois, quando surgi um sofrimento e perturbações sem fácil explicação posso optar por esperar ou caminhar outra vez em direção a uma dose de arte, porque ela me acolhe, acolhe, mas não conforta, nem deveria. Antes, devolve a minha alma sua complexidade de mistério. “Os homens esqueceram que todas as deidades residem no coração humano” (Blake). E vai que viver é uma eterna procura por diminuir nossa imensa solidão por isso o amor é o amor, e arte.

Tailicie Paloma

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Sobre a transformação do ator

Devido a certos imprevistos da vida tivemos que cancelar a última temporada do espetáculo "O Girador". Porém (e ao mesmo tempo) essa perspectiva de distanciamento do criador com a obra criada faz com que a gente repense, reorganize, resignifique, reestruture algumas questões do espetáculo.

O teatro é vivo. Está em constante mudança. Um espetáculo criado coletivamente (quando todos os envolvidos tem domínio e conhecimento sobre a obra) traz ainda mais essa sensação de vitalidade.
Um espetáculo é um novo ser que a cada ano conquista novas possibilidades: o primeiro passo, a primeira palavra, a primeira curiosidade, o novo choro.

Sinto que nós, atores, somos responsáveis por pensar e criar essas respirações, esses movimentos, esses olhares nunca demonstrados e explorados em cena. Esses novos aprendizados sobre o espetáculo é uma responsabilidade nossa que deve ser explorada.

Em todos os espetáculos do Pequeno Teatro de Torneado o ator é esse órgão que vitaliza o corpo novo do espetáculo. Cabe a nós, responsáveis por essa obra, a transformação e o aprendizado sobre novas melodias.

Gosto de dizer que somos maestros e regemos essa obra que saiu de nosso ventre.

E para mim, pessoalmente, esse é o melhor momento: o da partitura feita e em cima disso  improvisar, recriar, resignificar.

E não somente o improviso na palavra, muito pelo contrário: a palavra nesse caso é um dos pontos menos encantadores, mas o que me encanta é o corpo - o olhar para a plateia - a troca entre meus companheiros de cena e entre a platéia.

Todo esse jogo das artes cênicas ali presentes trazendo uma atmosfera que ainda sim, para mim, é onde eu acredito em Deus e deito em paz sabendo que existe algo de sagrado no mundo.

Sinto isso no Girador, no Peter em Fúria e em todos os outros espetáculos. E graças à essas novas reflexões, trago algumas percepções pessoais sobre o espetáculo "o Girador":

Eu pensei sobre o que eu perdi. O espetáculo fala sobre perdas. Perguntamos a todo momento para a plateia (não de maneira direta) o que foi que cada um ali presente perdeu de importante em suas vidas. Eu nunca parei para pensar o que eu havia perdido. O que eu, Beatriz, Atriz do espetáculo perdi?
Todo dia antes de começar a peça eu chamo o nome de meu tio que morreu. Tio Armando. Ele foi alguém extremamente importante nessa existência minha e a sua perda até hoje me dói.
Eu faço o espetáculo para ele. E divido essa dor com todos os que estão ali presentes. Ele ficaria muito feliz em saber disso, com certeza.

Acredito que cabe a nós, artistas, transformar o peso que existe dentro de nós em arte. E transbordar essa arte a ponto de tocar os outros, de trocar com os outros.
Cada um tem uma dor dentro de si. Um incomodo, uma angústia. Colocar para fora em cena através das possibilidades artísticas existentes em nossa vida é fundamental para trazermos um teatro humano e vivo.

 Sabe aquela brincadeira do “Perdi”? É assim: todos nós estamos jogando, constantemente. E quando digo constantemente é sério. Nesse momento você está jogando, mesmo não conhecendo a brincadeira. Quando alguém fala “Perdi” próximo de você é porque a pessoa lembrou da existência da brincadeira. Logo, quando você lembra que perdeu, automaticamente você diz “Perdi” e todos vão dizendo, porque todos perdem.
Essa brincadeira esclarece para mim “O Girador”. Nós atores dizemos “Perdi”. Perdi meu tio. Perdi objetos do Torneado. Perdemos pessoas queridas. Perdemos o local de ensaio. Perdemos para o cotidiano. Perdemos. Mas assim, logo de vez, a plateia nos responde dizendo “Perdi” e nos contanto sobre as suas perdas.

Somos feitos de perdas e de faltas que nos movem (como diz o Will, nosso diretor). Eu só peço para que nós, artistas e humanos, continuemos a compartilhar nossas faltas, para que de tantas faltas a gente uma hora se preencha.

Toda peça no mundo é uma troca. Uma história sendo contada sobre algo, para alguém. Uma doação, um recebimento e uma retribuição entre todos.

O espetáculo "Peter em Fúria" trás a tona uma realidade diferente para muitas pessoas. Uma realidade de uma maneira que muitas vezes não é dita: um cotidiano que nos endurece em cada passo, em cada ônibus, em cada trânsito, em cada arroz com feijão. E também trás a ideia de um cotidiano não solitário, mas coberto de redes de relações que muitas vezes nos aproximam em um curto espaço de tempo, e nos distanciam logo em seguida.

Cada ator se encontra e se separa. Se vê entre as frestas do cenário em um rápido jogo de olhar. Coloca em seu corpo esse corpo que acorda e levanta para a obra. Nos chocamos em cena, nos encontramos abruptamente, nos ameaçamos com corpos de animais quase atacando, e falamos  e rimamos sobre amor e dor, trazendo para a plateia a comunhão sobre os nossos sonhos e encantamentos humanos, atrelados ao nosso cotidiano que nos mata.
Eu acredito que devemos dentro do teatro nos acalentarmos, questionarmos e acalmarmos nossas almas que já estão pulando e gritando dentro de nós.


Por fim, espero que o ator continue nesse exercício de coragem. De se expor e de encorajar o outro a refletir sobre si mesmo.


Beatriz Barros

domingo, 6 de abril de 2014

Peter em Fúria em cartaz

PETER EM FÚRIA em cartaz

Após aproximadamente dois anos de processo de pesquisa e de montagem, o Pequeno Teatro de Torneado irá realizar mais uma estreia do seu mais novo espetáculo "Peter em Fúria".

O espetáculo é um musical criado pelas mãos de 31 artistas, resultante de uma releitura do conto "Peter Pan e Wendy" de J.M. Barrie, transposto para a realidade de uma favela brasileira.

Com dramaturgia e direção de William Costa Lima, o espetáculo conta com 12 canções inéditas compostas pelo próprio dramaturgo e pelo ator e diretor musical Bruno Lourenço. 


Sinopse

O assassinato em uma favela serve como fio condutor da trama de Peter em Fúria. Ao longo da história, os personagens revelam seus anseios, criando um paralelo entre sonho e realidade.

Livremente inspirado na obra de J.M.Barrie, Peter em Fúria é inspirado nos signos extraídos do conto e, através de uma metáfora dramática, foi construído como uma versão para a lenda de Peter Pan.



Serviço:
Temporada: De 05 de Abril a 25 de Maio
Dias/horários: Sábados e Domingos, as 19h
Onde: Espaço Redimunho
Rua Álvaro de Carvalho, 75 - Centro
Ingressos: R$40 / meia R$20
Classificação indicativa: 14 anos
Duração: 120 min
Dramaturgia e direção: William Costa Lima
Direção Musical: Bruno Lourenço
Atores-Criadores: Alberta Jaeger, Ana Carolina Bueno, Ana Dandara, Aguida Aguiar, Anderson Marques, Beatriz Barros, Beatriz Valsechi, Bruno Lourenço, Camila Alves, Dionatas Campos, Franco Vieira, Guilherme Valdoski, Isabel Boujikian, Julia Selena, Kainara Ferreira, Karina Moraes, Larissa Costa, Lucas Jaeger, Mariana Boujikian, Marina Yohara, Mike Rosa, Paulo Jaeger, Pablo Juan, Renan Almeida, Tailicie Paloma, Thais Moura e Thiago Andrade.
Realização: Pequeno Teatro de Torneado

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Dias de Campo Belo em cartaz no Espaço Parlapatões.

DIAS DE CAMPO BELO em cartaz.

Dias de Campo Belo, é um espetáculo do repertório do Pequeno Teatro de Torneado. Com dramaturgia e direção de William Costa Lima, o espetáculo propõe uma investigação das relações e do universo masculino. O projeto conta com a supervisão artística de Luís Fernando Marques, do Grupo XIX de Teatro e foi destaque do Festival de Teatro de Curitiba 2009.

Sinopse

Dias de Campo Belo conta a história de uma jornada interior, um passeio pelas memórias e sonhos de personagens masculinos que, por alguns instantes, tentam modificar o curso de sua existência e colocar em relevo tudo o que passou despercebido. Entre as estações e lugares que o espetáculo percorre, o carnaval é uma delas.

Amigos, irmãos, primos, pais e avós que, em seus tantos encontros ao longo da vida, tentam voltar às suas raízes e reafirmar pactos, sem perceber a força social e histórica que age sobre as rupturas e pequenas ditaduras cotidianas.

Serviço:
Temporada: De 11 de fevereiro a 4 e 5 de março
Dias/horários: Terças às 21h e apresentação especial na quarta-feira de carnaval, 05/03
Onde: Espaço Parlapatões
Praça Roosevelt, 158, Centro, São Paulo - SP. Tel: (11)3258-4449
www.espacoparlapatoes.com.br
Ingressos: R$30 / meia R$15
Classificação indicativa: 10 anos
Duração: 60 min
Maiores informações: www.torneado.blogspot.com
Dramaturgia e direção: William Costa Lima
Supervisão: William Costa Lima
Atores-Criadores: Bruno Lourenço e William Costa Lima
Realização: Pequeno Teatro de Torneado e Núcleo de direção da Escola Livre de Teatro de Santo André/2009

Sobre o sentir e o dançar de um corpo gordo

Sempre achei estranha a vontade que eu tinha de dançar. Durante muito tempo, meu corpo ficou inerte. Fugia das aulas de educação física, ...