segunda-feira, 12 de maio de 2014

o amor é o amor, e arte

"A vida é um arquipélago de amor atormentado”, fazem quase dois anos que
este verso de Blake me persegue diariamente...
Sem a arte, que pra mim é uma das facetas do amor, a vida seria intolerável. Sem outras manifestações amorosas tenho me virado até então, mas sem o mínimo de encontro com a arte não.
 Esse “até então” que vou vivendo de dedinhos dados com a arte é como estar em um laboratório afetivo e recombinar uma série de poções explosivas. Sempre fico com a sensação de que abri algo da minha intimidade e recebi um pedaço que faz diminuir a solidão... Chamo de arte tudo o que me permite modelar os olhos, as mãos, o coração. Isso me lembra uma angustiada felicidade. Na angústia, só há perguntas sem respostas, na felicidade, perguntas não há, afinal já estamos plenos. E depois, quando surgi um sofrimento e perturbações sem fácil explicação posso optar por esperar ou caminhar outra vez em direção a uma dose de arte, porque ela me acolhe, acolhe, mas não conforta, nem deveria. Antes, devolve a minha alma sua complexidade de mistério. “Os homens esqueceram que todas as deidades residem no coração humano” (Blake). E vai que viver é uma eterna procura por diminuir nossa imensa solidão por isso o amor é o amor, e arte.

Tailicie Paloma