terça-feira, 29 de setembro de 2015

Sobre circular com o espetáculo "Peter em Fúria" pelas periferias da cidade de São Paulo. 

Existe uma trajetória de deslocamento na formação de nosso histórico. Somos inquietos e não paramos de nos mover de um lado para o outro. Quanto a essa cidade, para cada canto temos alguma história pra contar. Essas histórias refletem as pessoas que nos formam e nos desformam. E nada nasce de um conjunto preciso de intenções. Tudo calmamente sendo torneado pela força do senhor tempo. Mas tem um lugar que a gente força a barra. O lugar da invasão do outro. O atrevimento de arrastar carteiras em escolas públicas e privadas, cantar nossas musicas pelos parques e praças, tornar o quintal de um sobrado particular público. Porque, no fundo, o que nos importa é a parte de tornar público. Através de nossas histórias refletir o humano colocando em relevo aquilo que passou desapercebido. É para isso que circulamos 10 anos pelas periferias de nossa cidade e agora, graças a contemplação de um grande prêmio como o Zé Renato, faremos a mesma coisa: circularemos mais lugares e seremos circulados por mais pessoas. Com quem e onde vamos parar?
Segue a nossa agenda com os locais e datas de apresentações do espetáculo "Peter em Fúria" dentro do projeto "Periferias Cênicas" contemplado pelo Prêmio Zé Renato de Teatro. 
Outubro de 2015
CEU Casa Blanca – Dias 3 e 4 de outubro, sábado e domingo, às 17 horas. Endereço – Rua João Damasceno, 85 – Jardim São Luís. Telefone para informações – (11) 5519-5206 / 5519-5214. Capacidade – 400 lugares.
CEU Caminho do Mar – Dias 10 e 11 de outubro, sábado e domingo, às 16 horas. Endereço – Avenida Engenheiro Armando de Arruda Pereira, 5241 – Vila do Encontro. Telefone para informações – (11) 3396-5550 / 3984-2466. Capacidade – 400 lugares.
CEU Azul da Cor do Mar – Dias 17 e 18 de outubro, sábado e domingo, às 17 horas. Endereço - Avenida Ernesto de Souza Cruz, 2.171 – Cidade AE Carvalho. Telefone para informações – (11) 3397-9000 / 3397-9014. Capacidade – 400 lugares.
Novembro de 2015
Sede do Grupo Alma – Dias 7 e 8 de novembro, sábado e domingo, às 17 horas. Endereço – Rua Cristal da Rocha, s/n – Cohab 2 – Itaquera. Telefone para informações – (11) 2056-0253. Capacidade – 100 lugares.
Sede da Cia de Teatro de Heliópolis – Dias 14 e 15 de novembro, sábado e domingo, às 19 horas. Endereço – Rua Silva Bueno, 1523 - Heliópolis. Telefone para informações – (11) 2060-0318. Capacidade – 100 lugares.
CEU Inácio Monteiro – Dias 21 e 22 de novembro, sábado e domingo, às 16 horas. Endereço – Barão Barroso do Amazonas, S/N – Cohab Inacio Monteiro. Telefone para informações – (11) 2518-9012. Capacidade – 400 lugares.
Dezembro de 2015
Circo Escola São Remo – Dias 11, 12 e 13 de dezembro, sexta, às 19 horas, sábado e domingo, às 17 horas . Endereço – Rua Aquinaés, 13, Butantã. Telefone para informações – (11) 3765-0459. Capacidade – 100 lugares.
Tendal da Lapa – Dias 18, 19 e 20 de dezembro, sexta, sábado e domingo, às 20 horas. Endereço – Rua Constança, 72 – Lapa. Telefone para informações – (11) 3862-1837. Capacidade – 100 lugares.
Janeiro de 2016
Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso – Dias 15, 16, 17, 22, 23 e 24 de janeiro, sextas-feiras, sábados e domingo, às 20 horas. Endereço – Avenida Deputado Emílio Carlos, 3641. Telefone para informações – (11) 3984-2466. Capacidade – 100 lugares.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

SOBRE O TEATRO E DAR SENTIDO AO CHORO

Sempre fui muito chorão. Desde pequeno, tive que inventar diversas formas de disfarçar esse choro. Também, crescendo em uma sociedade onde “homem não chora”, fui conseguir dar significado ao meu choro apenas no primeiro ano do ensino médio, durante uma aula de história. Durante uma atividade sobre a Guerra Fria, tive que analisar uma fotografia da Guerra do Vietnã, que mostrava crianças correndo com suas roupas em trapos após um ataque aéreo em sua cidade. Fui para a frente para explicar e simplesmente não consegui parar de chorar.
            De lá pra cá, fotografias tem sido uma forma de chamar meu pranto. Recentemente, muitas fotografias, dentre elas a de um menino com as mão para o alto, em sinal de rendição, confundindo a máquina fotográfica com um fuzil, e a de outro, afogado em uma praia da Turquia, mexeram muito comigo. E cada vez mais imagens fazem isso, uma vez que eu me permiti sentir e dar sentido junto ao Pequeno Teatro de Torneado. Em um período de individualidades, selfies, hora-extra de trabalho, diminuição da maioridade penal, clamor pela intervenção militar e pequenos radicalismos do dia a dia, nos esquecemos da empatia e do que nos toca mais profundamente. O ser humano está correndo o sério risco de virar uma máquina. E máquinas hoje em dia são obsoletas.

            O Torneado tem me oferecido vários momentos de choro e muito momento de compreensão do choro. Me emociono muito ao final de cada apresentação, estando ou não em cena. Já continuei chorando mesmo durante a desmontagem de cenário. Em estreia de temporada então, preciso ainda me isolar para curtir a sensação. Como produtor, choro muito ao fazer projetos, tentando dar sentido ao que nós fazemos, defendendo nosso modo de fazer arte. O “caderno de sensações” então, é uma choradeira só. Tantos sentimentos reunidos juntos, nesses dez anos de existência do grupo, representam também o significado do choro de nosso querido público, sem o qual o nosso fazer não se completa. Posso afirmar que hoje o meu choro significa muito e me torna mais humano e menos máquina. Acredito ser este o caminho do teatro, e é por isso que sigo com este barco.

Marc Strasser
Ator e produtor integrante do grupo 

Sobre o sentir e o dançar de um corpo gordo

Sempre achei estranha a vontade que eu tinha de dançar. Durante muito tempo, meu corpo ficou inerte. Fugia das aulas de educação física, ...