segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

“Palpitação” cumpre temporada gratuita na FUNARTE

          No dia 14 de dezembro o Coletivo O Pequeno Teatro de Torneado inicia uma curta temporada de seu mais recente espetáculo "Palpitação" no Complexo Cultural Funarte. O espetáculo segue em curta temporada, com entrada franca, até o dia 23 de dezembro, de quarta a sexta às 20h.
            O coletivo, indicado ao Prêmio Shell de 2015 na categoria Inovação, e que ficou reconhecido por montagens com elencos numerosos, como o de "Peter em Fúria" (recém-contemplado pelo PROAC Circulação), dessa vez investe em uma dupla de atores: Pitty Santana (estreando no coletivo) e o dramaturgo e diretor William Costa Lima. Os dois atores estão em cena em um instigante jogo, amparados pelo olhar e pelo treinamento em Teatro-Dança trazido pela pesquisadora Erika Moura. A iluminação é assinada por André Prado e propõe um sensível jogo de olhares para territórios como o centro, a periferia e a ideia contemporânea de margem.

            O oitavo espetáculo do coletivo conta, através de décadas de uma relação entre uma prostituta e um marinheiro, a transformação de um vilarejo em uma cidade. O abandono da pesca pela industrialização do vilarejo em uma cidade de processamento de arroz traz um questionamento sobre a expansão dos territórios e a influência dos processos de modernização diante da natureza e suas influências nos lugares intuitivos e afetivos do homem contemporâneo.


Novos caminhos para um jovem coletivo

          Nos últimos anos, após intensas buscas estéticas que exigem grandes cenografias e montagens repletas de grandes elencos, o coletivo se viu na necessidade de pesquisar o essencial para se contar uma história. Para tal mergulho, a narrativa se faz presente como estética predominante e se amparou na primeira experiência de se montar uma dramaturgia autoral de William Costa Lima, deixando que as influências do processo colaborativo reverberassem na encenação e na experiência dos atores. Em "Palpitação", as imagens narradas são colocadas numa espécie de confronto afetivo com os lugares sociais que damos a elas. O dramaturgo teve livre inspiração na obra "As Cidades" Invisíveis de Italo Calvino e nos conceitos de Zygmunt Bauman sobre as ideias de modernidade líquida.



          Para esse novo espetáculo, o Pequeno Teatro de Torneado pesquisa caminhos para uma encenação simples, sem grandes aparatos técnicos, livre de artificialidades, deixando o corpo do ator e suas possibilidades como sendo o verdadeiro espetáculo. Para isso, todos os elementos são revertidos para uma experiência de sinergia entre atores e plateia e é nesse lugar que entra a experiência do Teatro-Dança de Erika Moura, alongando a percepção dos artistas da cena e evocando a necessidade da partilha acontecer num lugar de intimidade, onde o artista possa abrir mão da representação, dirigindo o seu discurso diretamente ao imaginário do espectador, levando-o a participar da trajetória proposta pela narrativa e se reconhecer nela. 

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